Vida De Monstro - Livro Dois - A Magia
18 XVIII - Amy
Notas iniciais
XVIII – Amy
Faltavam poucos minutos para a meia noite, estávamos todos reunidos ali, um grupo vinte magos que de acordo com ela eram os mais confiáveis e forte do grupo, por acaso Robert Flamel já que Morgana disse que ele era forte, mas não confiável o suficiente, e só para correção Morgana também disse para não se referir a eles como um grupo de magos, mas sim uma cabala de magos, esse era o termo correto para um grupo de magos, cabala:
-Estão todos prontos? – perguntou Morgana e todos assentiram, ali estava até mesmo o senhor e a senhora Beautygardy, os pais de Thales e algumas outras pessoas que tinha conhecido antes, mas também havia rostos desconhecidos e outro que por sinal era bem famoso em vários cantos do planeta
Estávamos todos reunidos no meio do coliseu, todos os vinte membros da cabala estavam formando um círculo ao redor de mim, Will, Felícia, Ben e Jimmy, nós cinco iríamos para o mundo das fadas, Arcádia. Morgana praticamente exigiu que eu levasse todos, ela disse que poderiam ser úteis e não duvido disso, ninguém sabe como é aquele lugar então é bom levar uma cabala comigo e se for para fazer isso que pelo menos seja com pessoas com que eu já tenho uma intimidade mínima.
De acordo com Morgana somente a meia-noite ela poderia extrair o máximo de poder da “lua negra” para abrir o portal, Lua e Sombra pousaram nos meus ombros e ficaram em silencio, todos os animais ficaram, o jacaré de Ben, o gato das sombras de Felícia, a abelha de Jimmy e até mesmo Rubys:
-Atenção a todos logo iremos começar – Morgana falou e então todos os magos se deram as mãos fechando perfeitamente o círculo
Todos os magos começaram a recitar palavras em uma língua que eu não conhecia, enoquiano pelo que soube de Morgana antes, exatamente no mesmo instante em que deu meia-noite. As estrelas brilhavam logo acima da gente, dezenas de constelações e a via láctea entre elas, era uma noite belíssima, mas eu não iria ter muito tempo para apreciar:
-A gente não vai ter muito tempo então é bom curtir cada segundo – disse Will ao meu lado segurando minha mão
-Eu sei, mas não precisamos nos preocupar, antes de amanhã a noite a gente já ta de volta
-Você tem muita esperança Amy
-E as vezes eu penso que você tem nenhuma – Will sorriu e então comecei a sentir algo muito estranho
Era uma espécie de choque percorrendo todo o meu corpo, olhei para os magos e então voltei a olhar para cima e vi uma coisa que até agora não entendo muito bem o que era, era como se a escuridão estivesse se espalhando e cobrindo todas as estrelas, era simplesmente assustador e intrigante, o céu aos poucos começou a ficar negro, mas então ele parou, a escuridão formava um círculo exatamente igual ao dos magos em tamanho.
Todos estavam olhando para cima e os membros da cabala de Morgana continuavam a recitar aquelas palavras, aos poucos senti meu corpo ficando mais leve, muito mais leve, eu podia sentir que logo iria estar levitando e poucos segundos depois foi isso que aconteceu.
Lentamente todos nós cinco começamos a sair do chão, era quase como se o círculo negro estivesse nos puxando para ele, e era realmente isso que estava acontecendo, aquele círculo era o nosso portal rumo à Arcádia, mas eu não lembrava de Morgana citando que o portal seria no céu e muito menos dela citando que raios negros começariam a cair ao nosso redor, por pouco um deles não me acertou e a outro mago da cabala principal.
Mais raios negros começaram a cair e em pouco tempo os magos começaram a parar de falar e começaram a fugir, somente cinco permaneceram no seu lugar, Morgana, o senhor e senhora Beautygardy, o mago famoso que se você não sabe que é talvez ele não seja tão famoso assim ou você só nunca tenha lido nada dele, e também um quinto, eu lembrava dele vagamente da batalha do coliseu:
-Todos voltem aqui! – Morgana gritou e quase como se instantaneamente o grupo começou a retornar, mas os raios caiam de um jeito que impedia todos de voltarem e quase acertaram os cinco magos restantes – Amy dessa daí agora, se não tivermos todos ai o portal não vai ficar estável o suficiente
-Eu não consigo! – e realmente não conseguia, o portal estava me puxado cada vez mais forte – Não dá!
-Vocês têm que sair daí agora ou não posso garantir que vão para Arcádia ou para outro lugar no espaço sideral!
Morgana entrou em desespero e saiu da formação, ela começou a gritar loucamente algum feitiço, mas não dava mais para escutá-la, na verdade não dava para escutar mais nada e depois eu não conseguia enxergar mais anda também, estávamos entrando no portal. Will agarrou minha mão ainda mais forte e me puxou para perto dele me abraçando, todos os animais gritavam, mas não era possível escutá-los nem mesmo vê-los, mas eu sabia que eles estavam fazendo isso como também sabia que quem me abraçava era Will.
Comecei a pensar no que poderia estar acontecendo, mas antes de formar qualquer idéia todo o cenário mudou drasticamente, antes eu estava na total escuridão e agora não era bem assim, eu estava em uma espécie de deserto, o local era cinzento e o ar era quente e seco, haviam várias montanhas ao longe e atrás delas apareceu uma figura, um ser gigantesco, devia ter no mínimo o triplo de tamanho delas, eu não sei descrever muito bem o que vi, era algo enorme com asas que lembrava de morcego e um corpo humanóide, mas sua cabeça era como se fosse uma lula gigante no lugar de uma cabeça normal humana, sua pele e asas eram em um tom esverdeado meio nojento, eu poderia tentar descrever melhor, mas era difícil aquela distancia, o monstro então olhou na nossa direção e começou a falar em uma espécie de língua que eu não sabia, mas então a ficha caiu de quem era aquela coisa:
-É você......! – gritei apontado para o monstro e então ele ergue o braço e bateu na terra, poeira subiu e então toda a paisagem sumiu
Agora eu estava no meio do nada novamente, mas então vi uma forte luz brilhando na minha frente, ela estava longe, mas mesmo assim eu via ela perfeitamente. Da luz aos poucos surgiu um ser, um leão, mas não um leão qualquer, aquele era maior do que qualquer leão da terra, seus pêlos eram de um amarelo vivo e sua juba de um tom dourado tão lindo que fazia parecer mais uma juba de fios de ouro. O leão então começou a cantar e a sua voz pareceu dar vida ao ambiente ao meu redor, droga eu já tinha lido algo parecido:
-Caramba é você....! – antes que eu terminasse de falar o leão rugiu e eu senti meu corpo sumindo aos poucos
Agora eu estava de frente para um campo vazio novamente e de longe a única coisa que eu podia enxergar um traço, poderia ser uma montanha, mas era fina demais, talvez fosse uma torre. O topo da suposta torre então começou a brilhar, parecia ser uma bola de fogo e quando percebi a bola de fogo pareceu gira e então percebi que não era uma bola de fogo, era um olho gigante e ele estava olhando na minha direção:
-Eu só posso ta enlouquecendo, é você..... – antes que eu terminasse uma onda negra me cobriu e eu sumi, alguém só podia não querer que eu dissesse os nomes das criaturas porque eu não conseguia ver outra explicação para esses sumiços
Dessa vez agora eu estava deitada em um chão gelado com alguma coisa bicando a minha cara, quando levantei o rosto vi Sombra me bicando e Lua observando de perto, levantei e fiquei olhando ao redor, Felícia, Ben e Jimmy estavam deitados próximos de mim e com a ajuda de Sombra acordei todos eles:
-O que está acontecendo? – perguntou Ben
-Onde estamos Amy? – perguntou Felícia e Jimmy simplesmente ajeitou o óculos
-Eu não sei – respondi, depois daquela loucura toda eu não sabia nem mesmo se eu ainda estava inteira
Olhei ao redor, estávamos todos sentados em uma espécie de círculo de pedra, ao redor do círculo estavam vários desenhos, pareciam runas, estávamos rodeados de árvores, pareciam macieiras, e realmente eram macieiras já que haviam maçãs ali, mas em um dos cantos do local no lugar de árvores havia uma estrada de pedras, eu vi algumas coisas, mas não uma, Will:
-Alguns de vocês viram o Will? – ninguém assentiu, olhei ao redor e já ia correr na direção da estrada de pedras quando algumas pessoas começaram a surgir e em poucos segundos estávamos cercados por uma quinze pessoas
Eu falei pessoas? Desculpem, mas os quinze ali não eram pessoas, eram super parecidos com humanos, mas não eram, seus rostos eram mais finos do que o normal, suas orelhas eram grandes e pontudas, seus cabelos eram de um tom dourado belíssimo e seus olhos variavam entre o verde, azul e mel. Os quinze vestiam roupas de linho brancas e carregavam uma bolsinha de pano no cinto:
-Quem são vocês? – perguntou o mais alto deles com olhos azuis
-Onde estamos? Qual o nome desse lugar e quem são vocês?
-Eu fiz as perguntas primeiro humana – eu sabia que eles não eram humanos, mas só agora me toquei o que eram
-Vocês são elfos?! – gritei tão alto que os pássaros que estavam nos galhos das macieiras levantaram vôo, eram pássaros belíssimos em todas as sete cores do arco-íris
-Sim e vocês humanos, mas eu quero saber o que humanos fazem em Arcádia?
-Nos viemos em paz, só estamos atrás de fadas
-Por que? – o homem avançou alguns passos – O que querem com elas?
-Eu sou Amy Winchester e sou uma bruxa da Terra, esses são Ben Waterland, Jimmy Sulivan e Felícia Trevor, todos magos também, se puder me levar ao seu superior eu poderia falar melhor
-E por que não fala tudo comigo?
-Porque não tenho nada a tratar com o senhor
O elfo já ia avançar quando o jacaré de Ben apareceu aos pés dele e abriu a boca, não sabia se o animal ia atacar ou não, mas o elfo ficou assustado ao vr aquela enorme boca:
-Certo então, nos sigam e por sinal meu nome é Atanvarno
Eu realmente pensei que ia ser mais difícil, se continuasse nesse ritmo sairíamos dali rápido, mas ainda faltava saber cadê o Will.
Seguimos os elfos rapidamente, pensei que fosse demorar mais, mas em apenas três minutos já não estávamos mais naquele circulo de pedra, mas sim de frente para um castelo. O caminho de pedra era apenas uma espécie de parte do jardim do castelo, o castelo era enorme e simplesmente lindo, a coisa mais parecida com ele que podia imaginar era Neuschwanstein, um castelo lindíssimo na Alemanha, ele foi a inspiração para o castelo da bela adormecida no parque da Disney, também foi inspiração para o castelo do imperador Hades em Saint Seiya, quando descobri essas coisas fiz questão de visitar o lugar quando viajei a “trabalho” para a Alemanha uma vez, mas o castelo que eu estava vendo deveria ser um pouco mais do que o Neuschwanstein e também mais alto mesmo a arquitetura sendo a mesma.
Fomos guiados pelos elfos por todo o castelo, a parte interna não é tão parecida com a do Neuschwanstein, mas tem suas semelhanças. Enquanto andávamos vimos mais elfos que percorriam todo o castelo e alguns até se juntaram ao nosso grupo enquanto andávamos em direção a sala do trono, se eu ainda lembrava o suficiente do castelo da Terra e a proporção de tamanho que fiz entre os dois estavam certa em menos de trinta segundos chegaríamos ao nosso destino e foi exatamente assim que aconteceu.
Na porta da sala do trono havia uma enorme porta feita de ébano com vários desenhos entalhados, haviam desde animais a alguns monstros ali, todos felizes e festejando ao redor de uma árvore central que era formada pelo meio da porta dupla. O elfo chamado de Atanvarno abriu a enorme porta que não existia no castelo da Terra e revelou uma sala do trono também muito diferente da que existe na Terra.
A sala do trono era algo magnífico, parecia mais uma clareira do que uma sala, haviam várias folhas secas em diversos tons de cores espalhados pelos chãos e em vários cantos da sala haviam pessoas comendo e bebendo, desculpe não eram pessoas, mas sim sátiros, ninfas e gnomos, todos comiam vários pratos cheios de saladas dos mais diversos tipos, mas não vi nenhuma carne ali. No centro da sala estava uma enorme árvore que eu nunca vi na vida, ela era cheio de galhos e suas folhas eram verdes, amarelas, laranjas, rosas e roxas, era lindas, mas ainda mais magnífico eram dois conjuntos de galhos que desciam até o chão formando uma espécie de trono florido belíssimo, nesses dois “tronos” estavam sentados duas pessoas, no da direita estava um elfo pelo que percebi, mas no outro estava um ser que nunca vi, parecia humana, mas era linda demais para ser humana ou de qualquer outra raça:
-Aproximem-se humanos – disse a mulher e quando percebi minhas pernas se moveram sozinhas – Digam seus nomes – todos nos dizemos e então a mulher sorriu, era incrível como parecia que a mulher soltava uma aura quase que curativa e mesmo sem o Feé eu já parecia curada, sua voz também parecia uma doce melodia que fazia meu corpo parecer mais vivo do que jamais esteve na minha vida inteira – Eu sou Titânia, a rainha das fadas
-Fada? – droga por que a Felícia tinha que gritar tão alto? – Pensei que fadas fossem aquelas criaturinhas pequeninhas com asinhas
-Você fala dessas asas? – Titânia se virou de costas e então um par de asas de luz apareceu e alguns segundos depois sumiram – Eu posso materializar quando eu quiser as asas, e sobre o negocio de sermos pequenas isso é um equivoco, nos temos o tamanho normal de qualquer ser humano ou elfo, mas algumas de nos podemos concentrar nossas energia e fazer uma espécie de holograma que é a nossa versão miniaturizada, gostamos de usá-los quando vamos fazer o primeiro contato com alguém
-Então você é Titânia? – dei alguns passos na direção daquela linda mulher de cabelos prateados e olhos que mudavam de cor a cada dez segundos, ela já tinha até assumido cores que eu nunca pensei que alguém pudesse ter no olho – Você é a rainha das fadas representada na obra “Sonhos de uma Noite de Verão” de Shakespeare?
-Sim sou eu
-Então esse no outro trono seria Oberon? – o elfo se levantou do seu “trono”, seus enormes cabelos dourados balançaram pelo vento que deu na sala e então eu vi seus olhos violetas e quase fiquei hipnotizada
-Sim eu sou Oberon – ele disse ficando ao lado de Titânia – Mas não o Oberon da obra, aquele era meu avô, eu sou Oberon III e meu nome original nem é esse, mas sim Arvedui, Oberon é somente um titulo para nós, como se fosse um rei ou algo do gênero
-Mas então querida humana – disse a rainha cortando a fala de Oberon – O que humanos vem fazer em um local tão longe da Terra? E ainda mais magos
-Bem rainha Titânia eu vim em busca de um pouco de Feé, pois estou com alguns problemas graças ao uso abusivo de magia
-Ora só isso? Nos fadas dávamos um pouco de Feé sempre que possível para vocês magos caso tivessem algum problema, não acredito que a reserva de vocês já acabou
-Foi o que soube, por isso estou aqui
-Entendo, me sigam o grupo inteiro então
Seguimos a rainha para fora do castelo, o castelo era todo rodeado por uma gigantesca floresta, a parte onde aparecemos antes não fazia parte do jardim do castelo, o castelo é que fazia parte de uma gigantesca floresta. Enquanto andávamos vi várias árvores conhecidas e outras desconhecidas , vários animais também, pássaros das cores do arco-íris, lebres e coelhos que pareciam maiores do que os que já tinha visto na Terra, muitos insetos, cervos, guaxinins e um gambá:
-O que acharam até agora? – perguntou Titânia nos guiando por aquela linda floresta
-É uma das coisas mais linda que já vi – falei enquanto passávamos por um caminho recheado de videiras cheias de uvas verdes e roxas, Titânia disse que poderíamos comer qualquer fruta do lugar, aquilo pertencia a todos os de bom coração, peguei uma única uva e foi mais do que o suficiente para entender a diferença daquele lugar para a Terra
-O que achou?
-Fantástico, nunca comi uma uva dão deliciosa
-E por que não prova os outros?
Durante o nosso caminho experimentei romãs, maçãs, kiwis, mais uvas, laranjas e até mesmo uma jaca, algo que eu detestava, mas a jaca daquele lugar era perfeita:
-O que vocês usam aqui? – perguntei com os olhos arregalados e com baba escorrendo da boca, eu tentava me controlar, mas após comer um único fruto dali você já ficava com água na boca pelos próximos
-Nada minha querida maga, é tudo completamente natural, a diferença esta no planeta
-Como assim?
-Vocês sabem pelo menos onde estamos?
-Arcádia, lar de fadas, elfos, gnomos e insetos – disse Jimmy espantando um mosquito
-Sim, mas vocês ao menos sabem onde fica Arcádia?
-Em outra dimensão? – falou Felícia – Igual ao inferno e ao paraíso?
-Errado, Arcádia fica exatamente no mesmo universo que a Terra, a única diferença está na galáxia onde ela é localizada, por acaso nesse momento nos estamos em um sistema estelar bem distante da Terra, tão distante que vocês ainda não nos encontraram
-Está brincando não está? – cuspi as sementes de uma maçã após terminar de falar, meu deus era simplesmente viciante todas aquelas frutas
-Quem dera, quando as fadas estavam na sua busca por um mundo onde pudéssemos habitar nós fomos presenteados com esse planeta, ele é bastante parecido com a Terra, nosso diâmetro é parecido, mesmo sendo menor, nosso tempo diário é igual, nossos anos duram a mesma coisa, sua gravidade é a mesma como já devem ter percebido, seu clima também, sua fauna e flora, mesmo que na daqui existem animais já extintos na Terra – quando Titânia falou ela andou até um rio próximo e lá estava um pássaro Dodô – Também nas montanhas do extremo norte contam que já foram vistos mamutes, mas não é só isso, nosso mundo gira em torna de uma estrela, mas a nossa é vermelha e não laranja como o sol, mas graças a posição no sistema estelares condições climáticas são as mesmas, a estrela é chamado por nós de Elbereth, nós temos dois satélites naturais que chamamos de Belthil, uma lua que brilha majestosamente a noite e é o maior dos dois, e Caranthir, que ao aparecer no céu parece mais um pequeno sol vermelho do que um satélite
-Incrível – Bem disse bebendo um pouco da água do rio – Até mesmo a água daqui parece melhor
-Nossa água é rica em sais minerais de uma maneira que a água da Terra jamais será, ela por acaso é um dos motivos dos excelentes frutos que temos, mas isso também se deve ao nosso solo, que é melhor do que qualquer um existente na Terra, qualquer tipo de flora que plantar aqui ela ira florescer de uma maneira maior e melhor do que na Terra, nossos animais também chegam a ser maiores do que o normal e vivem bem mais também além do fato de que existem animais únicos aqui, tudo aqui é melhor do que na Terra sem exceções, até o ar, nosso ar é mais puro e graças ao Feé que as fadas soltam ele chega até a curar alguns problemas respiratórios
Jimmy deu uma longa respirada e assentiu com a cabeça, o local era realmente maravilhoso em todos os sentidos:
-Como conseguiram isso? – perguntei bebendo um pouco de água e acariciando um pequeno leitão que apareceu na beira do rio
-Simples, não poluímos o nosso planeta, mas claro que não é somente isso, mesmo na época de gloria a Terra não era assim, isso é graças ao Feé que produzimos, ele cura e melhora o solo e os animais mesmo que eles não o recebam diretamente, apenas em pequeninas porções, mas já é o suficiente para curar qualquer coisa, até câncer, AIDS, ou qualquer outra doença
-Isso é mais perfeito do que eu jamais sonhei
-Mas é claro que o seu problema não pode ser resolvido com uma dose pequena de Feé, mas não se preocupe também não é demais – do céu apareceram três fadas, todas com alturas de um metro e meio e belíssimas como o mundo delas – Queridas vocês já usaram sua cota de Feé diária? – todas elas assentiram – Então poderiam ajudar minha pobre amiga humana ali? – novamente as fadas assentiram e vieram na minha direção, elas então sopraram no meu rosto uma espécie de pó dourado
Se antes eu já tinha achado maravilhoso agora eu simplesmente cheguei a outro nível dessa palavra, aquela foi a melhor sensação da minha vida, era quase como nascer novamente, eu me sentia mais viva do que nunca estive:
-Pronto minhas queridas podem ir – disse a rainha e as fadas obedeceram – Você está curada agora
-Só isso? – perguntei e realmente senti meu corpo mais forte do que nunca havia sentido antes
-Só isso? Minha querida, esse pouco de Feé que você pegou das três pode ser a diferença entre a vida e a morte em mundo devastado e sem vida para uma fada
-Foi isso que aconteceu com a Terra não foi? Vocês ficavam doentes com a poluição e a quedas as árvores diminuía o Feé produzido e as formas de curas de vocês
-Exato, nos tínhamos que sair daquele planeta urgentemente ou então seria a nossa extinção, e não viemos sozinhas, todos que tinha afinidade com a natureza tinham que escolher ou lutar contra os humanos ou fugir do planeta, nos todos éramos pacíficos demais para lutar então resolvemos fugir, fadas, elfos, ents, dríades, náiades, gnomos, salamandras e a grande maioria dos espíritos guardiões da natureza, se a natureza morria não havia necessidade de nós continuarmos ali, pois logo não havia o que proteger
-Mas vocês não pensam em voltar?
-Por que voltaríamos? Aqui é melhor do que a Terra jamais foi e o melhor, não existem humanos aqui – o silencio reinou no local por longos minutos e só o canto dos pássaros podia ser ouvido junto do barulho de alguns outros animais – Não vai defender a sua raça? – perguntou a rainha me encarando nos olhos e enquanto a encarava ela mudou de azul para lilás, lilás para vermelho e vermelho para cinza
-Não tem o que defender, muitos podem usar o argumento de que a evolução não deve ser interrompida por simples questões ambientais, ou que a natureza é um preço pequeno a se pagar, mas não importa,
defendê-los não tem lógica quando eles destroem seu próprio mundo que os monstros e caçadores lutam tanto para proteger
-Todos vocês pensam assim? – perguntou a rainha para os outros, Felícia brincava com seu gato e com outros gatos selvagens, Ben estava no rio junto de seu jacaré e Jimmy tentava manter os mosquitos afastados enquanto comia mel de uma colméia e sua abelha zumbia ao seu redor, mas todos pararam o que faziam e assentiram para a rainha – Bom saber que ainda existem pessoas com bom senso na Terra, uma pena que não sejam a maioria ou então não precisaríamos ter saído do planeta Terra, nossa terra natal, você sabia que nos fadas fomos os segundos seres a habitar a Terra? Quando a primeira árvore nasceu nos nascemos, e quando digo árvore na verdade me refiro a alga marinha, antes mesmo da vida inteligente se formar no mar nos já vivíamos na superfície só supervisionando acompanhado dos gloriosos dragões
-Você disse dragões? – Jimmy jogou sua colméia para o lado e correu para perto de Titânia com os lábios e rosto melecados
-Ora você não sabia? No começo das eras apenas dragões e fadas existiam no planeta, supervisionando tudo e todos, olhando por todas as criaturas, por acaso Arcádia não é um simples planeta, ele é um dragão
-O que? – agora foram Felícia, Ben e eu que corremos na direção de Titânia
-Como assim um dragão? – perguntou Ben olhando para todos os lados sem entender nada
-Vocês não sabiam? Quando um dragão morre ele se pode se transformar em algum elemento, uma montanha, uma floresta, algo que ele goste e o tamanho do local depende do tamanho do dragão
-Então você está querendo dizer que um dia um dragão morreu e virou esse planeta do tamanho da Terra?! – acho que havia gritado alto demais, só para experimentar a garganta nova graças ao Feé
-Sim, por acaso não foi um dragão qualquer, mas sim a dragão-rainha verde, a grandiosa Galadriel
-Você disse dragão-rainha verde? – acabei derrubando a fruta que tinha em mãos
-Sim essa mesma, por que essa cara?
-Eu já conheci um dragão-rei – todos se viraram na minha direção com caras de que queriam saber mais
-Qual deles? – Titânia parecia a mais curiosa de todos, curiosa até demais
-O vermelho
Titânia me pegou pelos ombros me apertando mais forte do que eu jamais pensei que uma fada pudesse fazer:
-Você conheceu ele? Você conheceu o grande dragão-rei vermelho? Você conheceu Wonifetnis?
-Como é? Da pra repetir? Que diabos de nome é esse?
-Ora é o nome do grande dragão-rei vermelho, e como você o conheceu?
-Na verdade eu não o conheci realmente, eu invadi a biblioteca de Caim e acabei indo acabar no ultimo andar onde ele estava, mas não cheguei a vê-lo, eu apaguei antes de qualquer coisa
-Você saiu via da biblioteca de Caim sem a permissão dele? você é realmente incrível jovem maga, mas se quer saber sim aquele é o nome dele, não me pergunte o significado, eu não sei
-Certo então, mas Galadriel não é meio um nome pra uma elfa? Sei lá eu acho
-Se você diz, nunca vi uma chamada assim se você quer saber
Voltamos a andar pela floresta, um bando de Dodôs passou correndo pela gente e atrás deles vinham algumas raposas. Andamos por mais quase uma hora e então saímos da floresta chegando a uma das mais belas praias que eu já vi, ela tinha uma areia branca belíssima, vários coqueiros cheios de cocos, mas a melhor parte era a água, todos nós mergulhamos de uma vez, ela era morna e de uma cor verde linda. Vários tipos de peixes nadavam perto da gente, alguns tão lindos que provavelmente não existiam na Terra.
Saí da água e sentei naquela areia branca quentinha, havia um coco do meu lado que quebrei com uma facilidade que nunca pensei que um coco poderia ser quebrado enquanto bebia aquela água que parecia mais doce do que o normal e mais gelada também comecei a me tocar que estava esquecendo de algo muito importante:
-Cadê o Will?!!! – comecei a olhar ao meu redor desesperada, eu tinha esquecido completamente do meu próprio namorado – Ele não veio com a gente e também não está em nenhum lugar que a gente visitou
Todos então pareceram se lembrar desse fato também, era quase como se ele lugar tivesse me hipnotizado:
-Foi você não foi? – avancei na direção da rainha das fadas – Você me hipnotizou com seus dons de fada não foi?
-Não, eu não hipnotizei você, eu tentei, mas não consegui – ela estava concordando na maior cara de pau e ainda fazia uma expressão de susto, que cínica!
-Do que está falando? Pensei que a hipnose de vocês fosse invencível? Podia controlar qualquer um e fazer qualquer coisa?
-E eu posso, ou pelo menos achava isso, quando uma fada usa esse dom sua vida é reduzida para um misero segundo, mas eu já sabia disso, tinha visto minas filhas usarem antes
-Suas filhas?
-Todas as fadas são minhas “filhas”, eu fui a primeira fada a nascer, eu vivo a milhões de anos, mais velha do que a maioria dos seres, poucos me superam, e por isso as considero minhas filhas, mas não é isso que importa, o que importa é que ao longo dos anos eu desenvolvi métodos ainda mais complexos de hipnose, de tanto utilizar Feé para transcender as eras meus poderes evoluíram, eu posso usar os dons das fadas sem ter que morrer, mas ainda assim tenho que me alimentar de Feé, mas não todo dia e sim somente uma vez por semana
-E o que isso tem haver com você tentar me hipnotizar?
-Bem, eu não gostaria de falar sobre isso com ninguém, nem mesmo Oberon sabe, mas meu mundo está sendo atacado por criaturas
-Impossível, só magos podem chegar aqui, é uma viagem intergaláctica, não da sem magia
-Se você tiver naves você pode
-Como é?
-Como eles chegaram não importa, o importante é que eles estão aqui, poucos, por isso passaram despercebidos por todos, mas eu os notei, não posso matá-los e os malditos sempre fogem quando apareço me impedindo de hipnotizá-los, eu precisava da ajuda de alguém de fora para vencê-los, não poderia permitir que meu povo entrasse em desespero quando finalmente tínhamos encontrado a paz que tanto procuramos
Não posso mentir que entendia os motivos dela, na posição dela teria feito o mesmo ou talvez até pior:
-Mas isso não justifica você querer me fazer esquecer do meu namorado
-Sim eu peço desculpas por isso, não podia correr o risco de perder minha única esperança, uma cabala é muita sorte para que eu desperdiçasse então assumo que tentei sim hipnotizá-los, mas foi por uma causa maior e sei que você entende isso maga
-Sim eu entendo, eu também luto por uma causa maior, é por ela que eu vim até aqui para recuperar meus poderes, mas nem por isso hipnotizei ninguém
-Mil perdões a todos, eu não desejava que tivessem essa visão do meu povo, entendam que apenas eu desceria a tal ponto, ninguém mais seria tal vil e sujo
-Eu não quis ofendê-la majestade – me aproximei e pedi desculpas – Eu que me exaltei, eu entendo a sua ação, mas não podemos ficar, temos uma missão também, mas garanto que assim que conseguirmos tempo viremos ajudá-la
-Obrigada minha jovem – a rainha me deu um beijo na testa – Eu irei guiá-los de volta para o portal e ajudaria com tudo que precisarem para voltar a Terra, eu devo isso a vocês por tê-los ofendidos de tal maneira
Ela era realmente incrível, dava para ver a sinceridade na sua voz e no seu rosto, ela era uma rainha fabulosa, isso era incontestável pelo menos pra mim. Andamos pela floresta de volta para o castelo, quando chegamos às grandes escadarias de pedra que haviam na frente do castelo começamos a ver o crepúsculo cobrindo o planeta:
-É lindo não é? – perguntou a rainha e eu a encarei de volta, seus olhos brilharam nas cores do crepúsculo quase como se fosse uma sintonia
-Sim é sim, acho que o crepúsculo é a única coisa que permanece bonita independentemente do planeta onde se encontra, mas seria bem melhor se ele estivesse aqui
-Não poderia saber o que lhe dizer nesse momento jovem maga, eu vivo a milhões de anos e isso me tornou uma pessoa fria demais, já tive três maridos e não derramei uma única lágrima na morte deles, a vida me tornou uma pessoa dura demais para conselhos amorosos, mas se posso chegar perto de um ainda eu diria que você não deve desistir, se o laço de vocês é tão forte assim então vocês se viram de novo
-Obrigada rainha Titânia – ela mandou um sorriso tão lindo quanto o sol naquele momento, ela era tão linda, tão calma, mal dava para acreditar no que ela tinha feito a poucos minutos
Quando percebi já estávamos no círculo de pedra:
-E agora? – perguntou Felícia – O que fazemos?
-Você sabe feitiços para abrir portais não sabe?
-Sim eu sei, mas preciso das coordenadas e de auxilio pra isso, Morgana tinha as coordenadas e era muito mais poderosa do que eu e mesmo assim ainda precisou de outros dezenove magos que também poderiam acabar comigo facilmente, e nos só temos o que aqui? Quatro pessoas? E ainda nem temos as coordenadas
-Não precisam se preocupar crianças – disse Titânia andando para o centro co círculo – Se é de poder que precisam eu posso cedê-lo, ser a rainha das fadas deve me dar poder para isso, se não der eu não mereço viver então, e eu sempre tive saudades da Terra a tal ponto que decorei suas coordenadas
-Isso é serio? – perguntei e abracei ela de felicidade
-Não precisam me agradecer, eu devo isso a todos vocês
A rainha então abraçou a todos os outros e foi para fora do círculo. Nos quatro andamos para o centro dele e então Titânia retirou algo de dentro do seu magnífico e simples vestido, parecia ser Feé, mas antes que eu pudesse olhar direito a rainha caiu e atrás dela apareceram sete criaturas, todos eram baixinhos e humanóides, mas eles eram magros e de cabeças enormes com profundos olhos negros, meu deus eram aliens.
Os sete avançaram na nossa direção, eu tentei me mover, mas nem o meu corpo e nem os dois outros se moviam. Os sete se aproximaram de nós e tocaram nas nossas testas e a ultima coisa que lembro de ver foi o corpo de todos caindo no chão.
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