Notas iniciais
Mais um capitulo para voces leitores, consegui resolver meus problemas no colegio que atrapalhariam minha historia e consegui terminar o capitulo bem antes do previsto
E gente por favor comentem, eu to com muita pouca imaginaçao e disposiçao pra escrever e preciso dos seus comentarios sobre o livro para melhorar a historia e buscar inspiraçao para escrever mais e melhor

XII – Amy

-Como assim perigosas? – as únicas fadas que me vinham na cabeça eram as que apareciam nos desenhos animados, papai sempre tentou me dizer que elas eram bem mais do que simples criaturinhas aladas, bem mais perigosas, mas simplesmente não conseguia ver o porquê

-Perigosas, simplesmente perigosas – Will estava ficando tenso, a pouco tempo atrás ele quase teria lutado com a minha mãe e tudo por causa de um erro meu

-Só isso, você simplesmente tem essa idéia vaga?

-Não é uma idéia vaga Amy, eu já lidei com aquelas coisas e digo que é melhor morrer até ter que lidar com elas

-Você lidou com fadas? – Morgana parecia interessada nessa parte

-Acredito que você não tenha se esquecido que tenho trezentos anos Morgana? Eu já era nascido quando as fadas sumiram do planeta, eu jamais me esqueceria daquele dia

Suspirou e se ajeitou em uma cadeira, ele parecia preocupado como se não soubesse se deveria falar ou não. Ele mexia as mãos e podia ver gotas de suor escorrendo pelo seu rosto, ele não estava nem um pouco bem:

-Era para ser só mais um dia como qualquer outro, eu estava em um campo de batalha em um canto qualquer do sétimo circulo acompanhado do meu pai e de alguns soldados, mas então um mensageiro apareceu, ele estava eufórico, tremendo de medo, ele trazia uma carta que meu pai abriu e leu rapidamente, após ele ler seu rosto se tornou sério de uma maneira que poucas vezes VVI na vida, ele então ordenou que todos os soldados e o mensageiro represassem a cidadela de fogo enquanto eu e ele iríamos até o primeiro círculo infernal, o ano se não me engano deveria 1809 para vocês humanos

-1809? – repeti para mim mesma, mas Morgana escutou e se virou na Iná direção

-Você sabe o que estava acontecendo no mundo nessa época Amy? – ela perguntou, mas pela sua cara ela já sabia a resposta

-Começo do século XIX, se não me engano estava acontecendo a primeira revolução industrial países europeus, que se inicio na Inglaterra no começo do século XVIII

-Isso mesmo – Will falou respirou profundamente, aquilo não deveria ser um bom sinal – Revolução industrial, uma das piores invenções da humanidade

-O que teve de tão ruim assim além da poluição? – perguntei ficando cada momento mais tensa por culpa do rosto de Will

-Você falou a palavra chave Amy, poluição, mas não somente a poluição, mas também o desmatamento e a busca desenfreada por matéria-prima que vocês começaram bem antes deu nascer

-E o que isso tem a ver com as fadas?

-Simples, fadas precisam de ambientes naturais o mais próximo possível do seu estado original, florestas, campos, fadas são algumas das criaturas mais sensíveis com relação a condições climáticas, mas quando vocês humanos começaram a desmatar e a poluir o planeta toda a condição de vida a que as fadas se habituaram ao longo de milênios se alterou e eles tiveram que fugir do planeta

-Então foi isso? Poluição?

-Exato, as fadas entoa precisavam de um novo lar, um novo local que atendesse as suas necessidades vitais básicas, eles vasculharam centenas de dimensões em busca desse novo lar e chegaram até mesmo no inferno

-No inferno? Como eles conseguiriam um lar no inferno?

-Existe um local no inferno onde elas poderiam viver – falou Morgana antes de Will, ela provavelmente não estava gostando de ficar apenas escutando

-Tem razão, existe um único local em todo o inferno onde se pode dizer que não possui nada do jeito infernal, uma pequena zona de poucos hectares onde flores brotam e o clima é ameno e pacífico, um belíssimo local – falou Will se ajeitando novamente na cadeira

-Que local é esse? – indaguei

-O jardim da inocência, o único jardim existente em toda a zona infernal e que foi criado pelos habitantes do castelo da ciência que fica no primeiro círculo, um dia o líder do primeiro circulo permitiu que as almas do primeiro circulo criassem esse jardim utilizando todos os tipos de flores conhecidos, algumas outras árvores de pequeno porte e algumas trepadeiras, é dito como o local mais belo do inferno e com toda a razão

-Então as fadas foram para o inferno em 1809 em busca de morar no jardim? – até agora eu não conseguia enxergar nada demais naquilo

-Exato

-E qual era o problema?

-O problema eram as fadas

-O que as fadas têm demais?

-Fadas são algumas das criaturas mais perigosas do universo por um simples motivo, elas são capazes de hipnotizar qualquer um – Morgana falou e Will tremeu quando disse aquela parte

-Exato Morgana – Will parou de tremer e novamente se ajeitou na sua cadeira – fadas são capazes de hipnotizar qualquer um sem exceções e tudo isso graças ao seu dom único

-Que dom gente? Dá pra explicar algo direito sem deixar esse ar de mistério no ar? – aquilo já estava me irritando e eu não podia ficar muito irritado no meu estado atual

-Vamos para uma aula de biologia – Morgana pegou seu tomo e abriu em uma das primeiras páginas – as fadas são seres nascidos das energias da natureza, elas nasceram quando a primeira planta nasceu, sua função primordial é cuidar da flora do mundo e gerar o equilíbrio entre plantas e animais

-E? – aquilo não era o que eu chamava de uma boa explicação, Morgana então passou mais uma página

-A função primordial das fadas é cuidar da natureza pelo simples motivo delas necessitarem mais do que qualquer um das plantas, elas precisam da flora mundial para se manterem vivas e produzirem seu Feé, seu pó mágico, esse pó é muito importante para as fadas pois ele é seu alimento

-As fadas produzem seu próprio alimento? Tipo como as árvores fazem durante a fotossíntese?

-Exatamente, o Feé é gerado porque quando as fadas cuidam das plantas elas absorvem parte da sua energia natural que depois se converte nesse pó que é liberado pelas suas asas, o tempo de vida das fadas é muito curto, elas normalmente só vivem vinte e quatro horas, mas ao se alimentarem do Feé seu tempo de vida aumenta graças as energias contidas no pó que regeneram seu corpo, os efeitos do Feé não se aplicam somente as fadas, qualquer um pode comer o Feé e usufruir se seus dons regenerativos milagrosos e únicos

-Agora tudo faz sentido – fiquei batendo palmas enquanto falava, não deveria ter feito isso, fiquei parecendo uma criancinha– Desculpem – falei parando com as palmas – pelo menos agora tudo faz sentido, com o desmatamento e a poluição o clima começou a mudar e as plantas começaram a morrer e a se tornarem menos saudáveis, a natureza começou a se degradar e sem a natureza as fadas não teriam seu alimento

-Correto – Will disse – quando as fadas perceberam isso elas só tinham duas escolhas, lutar contra os humanos ou ir atrás de um novo lar, acho que não preciso dizer que elas tentaram fugir não é? Antes de fugir elas precisavam saber um local certo para não perderam tempo, tempo é algo precioso para você se você só vive vinte e quatro horas sem comida, até onde eu saiba elas vasculharam várias dimensões e perceberam que somente uma tinha o que elas necessitavam, o inferno, e era somente uma pequena parte dele, mas era o suficiente para elas pelo menos por um tempo, mas nenhum lorde infernal permitiria a presença daquelas criaturas ali no inferno e acho que o livro que sua mãe tem pode explicar o porque

-Sim eu posso – Morgana falou remexendo nas paginas até chegar na metade do livro – As fadas possuem três dons naturais necessários para sua sobrevivência, um para sua alimentação, um para seu descanso e um para seu combate, o primeiro dom é o de produzir o Feé, seu alimento milagroso, o segundo dom é de poder se fundir a qualquer árvores, esse dom é o que elas usam ao dormir para escaparem as mãos de predadores mais fortes do que elas, e existe o último e mais importante dom das fadas, o dom na hipnose, uma fada pode se utilizar se sua energia natural e pode manter alguém preso dentro de uma ilusão por toda eternidade, mas para executar este último dom as fadas devem sacrificar sua vida completamente fazendo com que lhes reste apenas um segundo de vida somente para vislumbrar a conclusão da sua hipnose

-E esse é o motivo pelo qual elas são tão temidas – disse Will – elas podem hipnotizar qualquer por toda a eternidade sem exceções, não importa sua raça ou sua classe, não importa sua idade ou poder, você sempre pode ser hipnotizado por uma fada, deixe uma delas furiosa e pague o preço sendo preso em uma ilusão eterna, o único motivo pelo qual as fadas não dominaram todas as outras raças porque sua natureza bondosa não as permiti lutar, ou então todos nós provavelmente já teríamos sido mortos, agora imagine um bando de fadas vivendo no inferno, seria uma loucura, se uma delas hipnotizasse um dos lordes infernais poderia fazê-lo gerar uma guerra sem fim entre os círculos infernais, era um risco grande demais para se correr então não aceitamos elas

-Mas onde elas vivem agora? – perguntei depois dessa aula de história que os dois me deram

-Arcádia, a terra das fadas e dos elfos, quando o mundo começou a ser poluído pelos humanos não foram somente as fadas que sofreram, os elfos também, mas isso já é uma outra história para um outro dia

-E onde fica Arcádia?

-Não existe uma localização exata – falou Morgana fechando o tomo – Ela pertence a uma outra dimensão e poucos são os portais que ligam dimensões

-Até onde eu saiba só existem três portais no inferno inteiro – Will falou – Por sorte um deles era na cidadela de fogo, meu lar, meu mundo – ele pareceu ficar triste quando disse aquilo, muito triste – Mas o que importa mesmo é que muito mais fácil e seguro eu usar o poder da adaga do que ir atrás do Feé

-Nenhum dos dois métodos senhor William – Morgana não ia deixar ele usar a adaga, e muito menos eu

-Concordo com a Morgana Will, não vou deixar me curar – ele me mandou um olhar de raiva – não importa que cara você faça ou o que você diga eu não vou deixar você correr mais riscos por minha culpa

-Eu também não vou deixar você correr riscos por minha culpa Amy! – ele se ergueu da cadeira – Como você acha que me senti quando percebi que você estava nesse estado? E pior, que isso é culpa indiretamente minha?

-A culpa não foi sua

-Foi! – seus olhos brilharam em um tom vermelho – A culpa foi toda minha, eu não deveria ter te metido naquela luta, eu não deveria ter te metido na biblioteca, eu sequer deveria ter te metido na minha vida!!!

Ele saiu da sala me poucos segundos batendo com força a porta, corri atrás de Will, não podia deixá-lo daquele jeito. Tentei correr o máximo que podia, tentei mesmo, mas meu corpo não respondeu muito bem, estava descendo rapidamente os degraus da escada para alcançar Will quando de um instante para o outro meus músculos se contraíram de uma vez e me fizeram cambalear, garanto que você não vai querer que se corpo trave enquanto você esta descendo uma escada, você pode acabar escorrendo e bolando até o chão e isso teria acontecido comigo se Will não tivesse me pegue:

-Você está maluca por acaso? Você poderia ter se machucado feio agora

A cara que ele fazia quando falava era de uma maneira fofa, raivosa, mas fofa. Abracei ele forte, o mais forte que meu corpo permitia sem doer:

-Eu te amo – falei no ouvido dele

-Eu também te amo – ele me abraçou mais forte e então me deu um rápido beijo – eu não suportaria perder você

-Eu digo o mesmo, não use aquela coisa de nova, ela é perigosa demais

-Logo você me diz isso? – ele me soltou e ficou me encarando – Você é a pessoa que mais abusa do poder daquela coisa, não eu

-É pode ser

-Pode ser?

Sorri pra ele e depois disso ficamos nos beijando por um tempo até Morgana aparecer:

-Acho que o problema já se resolveu não é? – ela disse descendo as escadas

-É acho que sim – falei levantando do chão

-Se a Amy não quer que eu a ajude então eu não tenho outra escolha se não aceitar, mas digo novamente que vou fazer de tudo para ajudá-la, menos usar os poderes da adaga

Depois de mais alguns minutos conversando saímos do castelo, ninguém ali queria ficar dentro daquele lugar então Morgana propôs que fossemos atrás de Thales.

Quanto tempo leva para se achar um elefante com um dono sendo uma criança maluca? Bem eu acho que não demorava nada, você só precisava seguir a trilha de fumaça e destruição que era bem visível. Andamos seguindo o caminho de destruição e chegamos a uma casa de três andares, ou pelo menos era uma casa de três andares até que um elefante maluco se chocou com a casa demolindo tudo. Todos ficamos observando a casa ruir aos poucos e das ruínas se erguer um elefante carregando uma pequena criatura que gritava de felicidade:

-Vocês viram isso!? – Thales gritou de cima do elefante

-Todos viram querido, agora desça daí por um momento – disse Morgana pegando ele enquanto o elefante o descia de cima

-Nada de facas pretas? – ele perguntou fazendo uma cara de medo

-Nada de facas pretas – prometi mais para mim do que pra ele

-Vejo que vamos ter que gastar mais uma fortuna em reformas – Morgana disse com um sorriso meio forçado no rosto e Thales simplesmente riu bem baixo

-Vocês que pediram pra eu sair

-É dessa vez eu assumo a culpa – Morgana falou suspirando – Podem voltar pra casa se quiserem a aula já acabou, faz tanto tempo que não dou uma aula normal – a última parte ela disse já se retirando

-Então vamos pra casa? – Will falou me abraçando por trás

-Vamos sim – então dei um beijo nele e Thales fez questão de soltar um Arghhh! Bem alto para que escutássemos

-Você só fala isso porque é novo demais

-Pois eu aposto que já beijei mais meninas do que você – Thales falou enchendo o peito e tentando peitar Will, mas ele era baixo demais pra isso

-Certo garotão então por que não me diz quanto o senhor pegador já beijou?

-Doze – ele disse tentando estufar ainda mais o peito

-Doze? Como assim doze? – Will parecia incrédulo com a resposta – Você esta brincando com a minha cara

-Eu não preciso brincar tio

Will estava estupefato com a resposta sincera de Thales, já eu não podia dizer nada, conhecia outras pessoas com onze ou doze anos com um número até maior do que doze pessoas, isso era algo completamente comum para as pessoas do dia de hoje, mas não acho que Will soubesse daquilo.

Thales montou no seu elefante com a ajuda dele e então começamos a passear pela cidade, ainda estava cedo demais então propusemos um “tour turístico” pela cidade e Thales disse animado que tinha coisas para mostrar para a gente.

Passamos por várias casas naquele estilo inglês de sempre, vimos várias ruas novas, algumas ruas tinham menos da metade das casas inteiras e Thales riu ao ver aquilo. Já estava cansada de andar por ai, mas Thales insistia que estávamos próximos e que não podíamos desistir logo agora.

Nosso grupo parou de frente para um local, estávamos de frente para uma das muitas partes da muralha que cobria a cidade:

-Vocês nós fez andar isso tudo só pra mostrar a droga da muralha? – Will estava indignado

-Mas essa parte aqui é muito especial – Thales disse descendo do elefante – Aníbal fica – o elefante então se deitou no chão – Vamos em frente

Seguimos ele rumo a muralha e vimos que a parede parecia quebrada em certos pontos:

-Tia Morgana disse que antigamente a muralha tinha pelo menos cinco pessoas em cada torre apenas para vigiar o lugar, mas não quando construíram a muralha não construíram nenhum tipo de escada para subirem para a vigília

-Então como eles subiam? – perguntei para o nosso pequeno guia – Usavam algum tipo de magia?

-Não qualquer magia, a muralha parece ser capaz de negar qualquer tipo de feitiço com exceção de um – Thales apontou para a muralha e falou explodir, mas nada aconteceu – Eu odiei esse lugar quando vi ele pela primeira vez, passei dias tentando explodir ele, mas nenhum feitiço dava certo

-E como você descobriu o feitiço certo senhor sabichão? – falei me aproximando dele e abaixando o corpo até ficar da altura dele

-Simples, problema era que eu estava atrás de uma palavra mágica qualquer, mas não era só uma palavra, como a tia deve saber algumas magias precisam de uma posição certa e a magia da muralha precisa de um gesto para ser ativada

-Então mostre pra gente – Will disse passando os dedos pela muralha

-Eu vou lhe mostrar então senhor bonzão – Thales ergue a mão e ergueu o dedo médio para a muralha – Escada!

Will ainda passava o dedo nas pedras quando uma delas acertou ele bem na cara, Will caiu no chão e ficou tocando o rosto onde havia sido acertado:

-Mas que droga foi essa? – Will disse se levantando e olhou para as pedras da muralha que estavam se mexendo

Algumas pedras continuaram normais enquanto outras saiam da parede e outras entravam formando uma escada em forma de caracol dentro da parede, apenas uma pequena entrada havia na parede para entrar e poder subir a escada, deveria ser grande o suficiente para todos nós passarmos, mas acho que uma pessoa um pouco gorda já não seria capaz de entrar ali:

-Legal não é mesmo? – Thales disse com um enorme sorriso no rosto

-Esta me dizendo que o tal gesto é simplesmente você levantar o dedo para a muralha?

-É, pelo que aprece ela não vê isso como uma ofensa, e se vocês acham que é só isso vocês estão enganados, ela pode fazer muitas outras coisas interessantes

-O que você quer dizer com interessante? – Will disse com a mão no rosto

-Eu posso mostrar outro dia, mas agora nós temos que subir na muralha

-Subir? – perguntei, aquilo não parecia muito seguro

-Vamos lá

Thales já estava se metendo dentro do buraco enquanto falava, eu e Will trocamos um olhar rápido e então resolvemos segui-lo, ele era perigoso demais sozinho e algo me dizia que ele sozinho em cima da muralha era ainda mais perigoso.

Tentei passar pelo buraco, mas ele era bem mais apertado do que eu pensei, ou talvez eu tenha engordado mais do que pensei, que droga precisava começar uma dieta urgente. Assim que passei pela pequena entrada comecei a subir a escada e vi que Will me seguia de perto, mas estava o mais distante possível da parede, não sabia se ele estava com claustrofobia ou com medo de que os tijolos o acertassem novamente.

Bem eu gostaria de dizer que tinha sido uma péssima idéia, que jamais deveríamos ter subido ali, mas eu estaria mentindo, tinha valido muito a pena subir. A vista dali era magnífica, podia ver uma floresta enorme cobrindo até onde a vista alcançava, um bando de pássaros cruzou o céu batendo as asas loucamente e por um momento aqueles pequenos pássaros cobriram o próprio sol fazendo uma enorme sombra sobre a cidade, pensei que a escuridão jamais acabaria, mas então todos os pássaros passaram e então a luz do sol voltou.

Ainda faltava um bom tempo para o por do sol então poderíamos curtir mais a vista que realmente valia a pena, era apenas uma floresta como qualquer outra, mas ela me parecia terrivelmente familiar.

Andei um pouco pela muralha e me sentei recostando as costas na muralha, a pedra era fria e nem um pouco aconchegante, mas era melhor do que nada. Will se sentou do meu lado e me abraçou, isso sim era aconchegante, o corpo dele era quentinho e perfeito para o momento, poderia dormir facilmente naquela posição que não me importaria.

Ficamos abraçados juntos observando a floresta enquanto o sol descia no horizonte e um vento gelado batia no meu corpo e fazia meus cabelos ficarem balançando, e novamente aquela sensação de que aquele lugar me era terrivelmente familiar.

Olhei para o lado e vi o corpo de Will, sorri e então me virei para o outro lado, Thales estava andando pela muralha bem próximo da ponta e por muitas vezes ele parou e foi até a beirada e quando eu pensava que ele fosse pular e fazer alguma maluquice ele simplesmente voltava a andar, era quase como se ele estivesse analisando o lugar de cima a baixo, procurando pontos fortes e fracos, locais onde poderia colocar pessoas e outro onde não poderia, mas era só mais uma sensação estranha que eu tinha.

Will virou meu rosto e aproximou-o do dele, ele parecia tão calmo ali em cima, tão humano, era quase impossível dizer que ele era um demônio, um ser das sombras, uma criatura maligna, ele não era nada disso, não podia ser:

-Eu te amo – ele sussurrou e as palavras se perderam quando uma brisa bateu no rosto

-O que você disse? – perguntei tentando arrumar aquele cabelo maluco

-Eu disse que te amo – ele falou puxando minha cabeça para ainda mais perto e me beijando

-Você já me disse isso

-Menos vezes do que gostaria

Sorri e abracei ele ainda mais forte. Voltamos a observar o horizonte e em poucos minutos o sol começou a se por banhando o céu com uma mistura de azul, anil e laranja. Aos poucos o tom laranja foi diminuindo e o anil foi se tornando um azul razoavelmente escuro:

-Está na hora de irmos – Will falou em soltando e se erguendo

-Eu sei, só gostaria de ter mais desses momentos, faz um bom tempo que não vejo um por do sol tão bonito e com alguém que eu gosto do lado – Will sorriu e me ajudou a levantar

Assim que levantei e começamos a andar em direção a escada escutamos um barulho, era o vento, mas ele estava muito alto, muito forte. Will me segurou pelo braço para que eu não desequilibrasse. Assim que ele me segurou lembrei que não era a única pessoa que precisaria de ajuda, Thales também estava ali em cima.

Procurei por Thales e o encontrei a alguns metros de nós, talvez treze metros, ele tinha escorregado e estava se segurando na borda da muralha. Will me colocou no canto da parede da muralha e correu na direção de Thales, o vento aumentou brutalmente de novo. Certo que antes o vento estava forte, mas agora estava absurdamente forte, nunca tinha sentido nenhum vento tão veloz.

As mãos de Thales estavam escorregando, a mão esquerda escorregou e Will ainda estava na metade do caminho. Por um instante pensei que Will não chegaria a tempo, ainda faltavam três metros quando a mão direita de Thales escorregou, Thales deveria ter caído se não fosse pelo pulo de Will e ele ter sido capaz de agarrar o braço de Thales, mas em compensação o corpo de Will estava escorregando sendo levado pelo peso de Thales. Will tentou se agarrar a muralha, mas seu corpo já estava caindo e ele não conseguiu se segurar.

Até agora não sei como consegui, só sei que fiz, peguei Will pelas pernas impedindo que ele não caísse por pouco. Minhas pernas doeram e senti meus braços ficarem cada segundo mais fracos, não sabia se conseguiria segurá-los por muito tempo:

-Tentem subir – falei, percebi então que o vento começou a diminuir de velocidade

-Não consigo nessa posição! – Will gritou – estou tendo que segurar Thales com os dois braços ou então ele vai escorregar!

-E vocês têm que subir rápido ou então vocês é que irão escorregar!

Minhas braços estavam cansando e minhas mãos estavam suando mais do que deveriam. Quando as pernas de Will já iriam escorregar das minhas mãos Sombra e Lua apareceram voando na nossa direção e agarraram cada uma perna de Will me ajudando a levantá-lo junto de Thales.

Assim que os dois subiram de volta para a muralha me joguei no chão gelado, meu deus essa tinha sido por pouco:

-Obrigada – disse e Lua apenas bateu as asas e balou a cabeça – Mas como foi que acabamos nessa situação?

-Foi culpa do moleque ai – Will disse ajeitando sua roupa rapidamente

-A culpa não foi minha – Thales estavam em pleno de chorar e não podia julgá-lo por isso, ele quase havia morrido – Foi culpa do vento, eu nunca vi vento tão forte aqui na cidade antes

-Eu acho que nunca vi um vento tão forte assim em toda a minha vida – falei levantando do chão com as minhas pernas meio doloridas – E apareceu simplesmente do nada e sumiu do nada também

-É – Will disse encarando a cidade como se pudesse ver alguma coisa – simplesmente do nada

Era melhor começarmos a descer logo antes que mais uma louca ventania surgisse. Andei na frente enquanto Thales me seguia de perto e Will vinha logo atrás com Sombra no ombro e Lua voando ao seu redor. Descemos a escada e então passamos pelo buraco apertado que Thales fez na parede. A cidade continuava a mesma com suas casas e Aníbal deitado no chão dormindo, Thales andou até ele e coçou a enorme orelha do elefante fazendo ele erguer a cabeça calmamente, o elefante parecia calmo como se nem tivesse percebido o vento forte, como se ele só tivesse ocorrido na muralha.

Will caminhou ao meu lado até sairmos da cidade, Thales se despediu de nós morrendo de vergonha e com o rosto vermelho, ele provavelmente ainda não aceitava a sua quase queda. Sombra e Lua voavam um pouco acima de nossas cabeças, eu não sabia como os dois chegaram ali, mas devia uma para eles.

Eu e Will abrimos nossos portais e passamos por ele, a noite já havia caído e o céu estava belíssimo hoje, tão bonito quanto o crepúsculo de minutos atrás. Várias estrelas iluminavam o céu e a lua brilhava no céu, do jeito que a lua estava hoje amanhã ela deveria ser lua cheia completamente.

Notas finais
Reviews???