Notas iniciais
Mais um capitulo para vocês queridos leitores, capitulo dedicado para VihVicentini pela sua recomendação do primeiro livro da série :)

X – Michael

Caramba eu estava literalmente acabado, o maldito do treinador de educação física estava inspirado hoje, e se já não bastasse uma aula tivemos mais uma, parecia que o diretor tinha recebido mensagens de alguns alunos reclamando do número de aulas de educação, se eu descobrisse os desgraçados eu os mataria, por culpa deles tivemos que correr dez quilômetros, fazer cem flexões, cento e vinte abdominais, quinze barras, fomos forçados a jogar vários esportes diferentes, um pouco de futebol, um pouco de vôlei, um pouco de basquete, um pouco de tênis e ate beisebol.

Todos os meus músculos estavam doloridos, assim que entrei no quarto me joguei na cama e senti todo meu corpo doer quando caí em cima do colchão, se tivéssemos mais uma maratona dessa de aulas de educação física em menos de um mês eu poderia morrer.

Comecei a me arrastar com o máximo de lentidão possível rumo ao prato de comida que havia na porta, passei direto pelo coitado e agora me arrependia mortalmente, minha barriga roncava e doía de fome. Quando finalmente alcancei o prato me senti como um corredor ao cruzar a linha de chegado em primeiro lugar.

Comi tudo tão rápido que mal deu tempo para apreciar o gosto ou a aparência do que havia ali. Rastejei te volta para a cama e tentei dormir, mas a dor muscular não deixava, aquele latejar maldito dos meus músculos incomodava demais:

-Tem alguém ai? – perguntou uma voz vindo do lado de fora do quarto, reconheci como sendo a voz do entregador das refeições, nem sequer me lembro como ele era, somente a voz dele que me era familiar

-O que você quer? – falei tentando virar o rosto para a porta

-O diretor me pediu para entregar duas vezes mais comida hoje pelo treino que tiveram

-Certo pode deixar ai na porta mesmo, mas o que diabos é?

-Ele queria algo bem energético então vai ser uma carne bem mal-passada, na verdade ela ta sangrando aqui, além disso tem um monte de feijões pretos, três bananas e uma garrafa de energético

Escutei quando ele colocou o prato no chão e saiu, não queria voltar a me mexer, mas era por mais comida então o sacrifício deveria valer a pena. Fui me arrastando novamente em direção a porta, abri com cuidado para que ninguém me visse naquele estado e então peguei o prato de comida e trouxe para dentro do quarto.

O prato tinha um file bem grande de carne sangrando e todo o resto do espaço só tinha feijões pretos espalhados, acho que teria que dormir com as janelas abertas ou poderia morrer asfixiado com os gases que soltaria depois de comer aquilo tudo de feijão. Olhei para o lado observando as bananas e o energético, peguei uma banana de comecei a comer, acho que deveria ser melhor começar por ali.

Depois de comer as três bananas peguei uma colher de feijões e virei para dentro da boca, em pouco tempo havia acabado tudo, só faltava metade do energético e aquele bife maldito, mas mesmo assim ainda estava fraco e com fome, não sabia o que estava acontecendo, mas minha fome só parecia aumentar quanto mais eu comesse.

Peguei o pedaço de carne com cuidado, o sangue pingou no chão e senti aquele cheiro entrando no meu nariz, quando senti o cheiro não me controlei e coloquei o bife inteiro dentro da minha boca. Senti aquele negocio estranho descer pela minha garganta, eu não tinha gostado nem um pouco do gosto, mas de alguma forma senti toda minha força voltar, toda dor do meu corpo sumiu, era quase como se eu nem sequer tivesse praticado esporte algum.

Ergui do chão com um pulo, alonguei meu corpo, estava sentindo uma energia incontrolável dentro de mim e tinha que liberá-la de algum jeito, troquei aquela roupa suado por uma limpa e comecei a andar, passei pelos corredores, todas as portas fechadas, todos acabados pela aula, todos deveriam ter comido o mesmo que eu, mas então por que só eu sentia essa força nova dentro de mim?

Quando sai do dormitório senti o vento na minha cara, me deu uma vontade de correr livre por ai então comecei a correr lentamente pela academia, dei a volta pelo prédio do colégio, uma rápida volta pela entrada, passei por todos os quatro dormitórios duas vezes, corri em volta da biblioteca, parei três vezes para fazer rápidas flexões e algumas abdominais, mas mesmo assim a sensação de poder e força ainda não havia passado.

Corri em direção a área de educação física, a pista de corrida estava vazia então comecei a correr nela, aquela pista era feita nos mesmos parâmetros olímpicos, mas diferente do que pensei ela não estava totalmente livre, na marca dos cem metro havia uma enorme caixa, deveria ser os novos uniformes das equipes, graças a isso eu só conseguia correr cem metros e então tinha que dar a volta rumo a linha de partida. Uma volta, duas voltas, três voltas, quatro voltas, pensei que fosse ficar cansado com tantas voltas, mas a cada uma eu só ficava mais veloz e ganhava mais vigor, não estava conseguindo parar mais.

Quando terminei a décima volta escutei o apito do treinador, ele parecia mais alto do que antes e parei no mesmo instante que escutei, cheguei a colocar as mãos cobrindo os ouvidos de tão alto que havia sido o apitar:

-Muito bom Winchester – o treinador falou se aproximando – nunca vi ninguém correr tantas vezes seguidas e tão veloz, você estava incrível agora pouco, por que não foi tão bem assim antes?

-Não sei treinador – eu realmente não sabia, mas não acho que o treinador fosse aceitar aquilo como resposta – acho que só precisava de inspiração

-Inspiração? – o treinador coçou o queixo e me encarou com seus olhos brilhando – É bom você voltar a sentir essa inspiração Winchester porque a partir de hoje você esta na minha equipe de atletismo

-O que? Por que? – eu odiava aquilo, só havia corrido porque tinha que dispersar a energia que estava sentindo

-Eu já disse Winchester, nunca vi ninguém correr como você antes, a cada volta parecia só ficar mais forte, não sei onde você esconde tamanha força no meio desse seu corpo esquelético, mas eu digo novamente que é bom você pegar essa força de novo porque a partir de hoje você esta na equipe

O treinador saiu da pista, ele realmente parecia feliz como se tivesse ganho na loteria, encarei o peito dele, o cronômetro estava do lado do apito, tentei olhar ali, me concentrei ao máximo e cheguei a ver os pequenos números que haviam no cronômetro, sete segundos e meio.

Fiquei assustado, o cronômetro só podia estar errado, ou então o treinador devia estar cronometrando outra coisa, eu não podia ter corrido cem metros em sete segundos e meio, era simplesmente impossível.

Senti a energia sumindo aos poucos então resolvi voltar para o dormitório caminhando, minha roupa que antes estava limpa agora parecia que eu tinha tomado um enorme banho de suor com ela. Quando sai da pista olhei para o céu, pela posição do céu já deveria ser por volta das quatro horas, não parecia que eu estava correndo a tanto tempo, não era possível que eu tivesse corrido por tantas horas e só agora estava cansado, como também não era possível eu ter corrido cem metros em sete segundos e meio.

Quando passei em frente ao prédio do colégio olhei para a janela da sala do diretor, lá estava ele parado como sempre com um copo na mão, ele estava encarando a floresta, tentei ver o rosto dele, mas a única coisa que percebi foi um pingo de preocupação.

Não conseguia entender o que faria o diretor ficar daquele jeito então comecei a ir em direção daquela floresta, talvez minha irmã, digo prima, estivesse se agarrando com seu monstrinho, mas não acho que esse seja motivo para o diretor ficar com aquela cara.

Entrei no meio daquelas árvores, assim que pisei lá dentro senti olhos me encarando, não gostei nem um pouco daquela sensação então comecei a correr, não tão rápido quanto antes obviamente, mas mesmo assim eu estava rápido, mas mesmo assim aquela sensação não saia de perto de mim.

Passei correndo por uma árvore de caule em grosso e tive uma idéia, corri mais rápido do que antes e assim que senti os olhos próximos o suficiente dei um pulo e girei me agarrando em um tronco de árvore, assim que girei acerte alguma coisa e sai rolando pelo chão agarrado aquilo.

Parei quando meu corpo bateu em uma árvore e então senti um outro corpo em cima de mim, provavelmente era o que eu tinha esbarrado:

-Ei dá pra sair de cima de mim? – falei tentando me levantar, mas o corpo era mais pesado do que pensei, senti então o peso aliviando aos poucos então consegui me levantar, olhei para o lado e vi Ella coçando a cabeça, fazia um bom tempo que eu não falava com ela – O que você faz aqui?

-Eu ia te fazer a mesma pergunta se você não tivesse começado a correr e do nada fizesse aquele movimento com a árvore e fizesse eu rolar no chão

-Desculpe – falei visivelmente envergonhado, provavelmente estava ficando vermelho agora – eu percebi alguém me seguindo então pensei em uma estratégia pra pegá-lo, não sabia que era você

-Então sou eu que tenha que pedir desculpas, eu estava na floresta pegando inspiração para alguns desenhos quando escutei alguém, quando percebi que era você comecei a correr na sua direção, eu deveria era ter chamado por você e não te seguido, desculpe

-A culpa é toda minha, eu que sou maníaco – falei ajudando ela a se levantar – então conseguiu alguma inspiração?

-Muita, esse lugar é bem sinistro, mas também bem bonito, lindo na verdade quando você sabe onde procurar, vamos sair daqui que eu te mostro meus desenhos

-Ótimo

Andamos para fora daquele lugar, talvez o diretor só estivesse vigiando Ella enquanto olhava para a floresta, mas mesmo assim por que ele pareceria tão preocupado?

Saímos da floresta e procuramos um banco para sentar, assim que o encontramos me joguei em cima dele, não estava com o corpo dolorido, mas estava cansado e precisava descansar um pouco. Ella se sentou do meu lado, próxima demais, quase colada comigo mesmo que tivesse mais espaço para se sentar. Ella então pegou seu caderno de desenho e começou a me mostrar o que tinha feito.

Haviam vários desenhos de plantas, parecia aqueles livros de botânica que eu tanto odiava, também haviam anotações do lado com um bela letra, as anotações diziam o nome da planta, a cor, e algumas funções, aquilo realmente era um desenho para livros de botânica, ou talvez de farmacêutico, mas também haviam desenhos de paisagens, com varias árvores e pequenos animais e pássaros:

-Muito bom mesmo – falei encarando um desenho qualquer de um pássaro parado em cima de um tronco de árvore caído – desse jeito você vai me superar

-Já superei – ela disse com um ar superior e não controlei rir – do que está rindo?

-Nada, nada mesmo – não me controlei e ri de novo e Ella fez um rosto emburrado

-Então me mostre seus desenhos senhor engraçadinho

-Talvez você não vá gostar da minha nova fase de desenhista – eu realmente não queria mostrar aqueles lobos

-Por que? Você disse algo parecido da primeira vez, mas seus desenhos eram ótimos

-Certo então

Andamos até o dormitório então subi rapidamente para meu quarto e peguei meu caderno, depois de mais algum tempo andamos de volta para mesmo banco de antes

Ella folheava lentamente o caderno, olhava cada desenho com aquele seu olhar critico, eu não podia negar que tinha medo daquele olhar dela, sentia que se ela me olhasse assim ela poderia ver tudo sobre mim, cada mínimo detalhe, até os que eu mesmo não sabia.

Depois de um tempo olhando tudo Ella fechou o caderno e suspirou, pensei que ela fosse me xingar, dizer que eu tinha regredido nos desenhos, que eu estava ficando maluco com tudo aquilo, mas então ela simplesmente sorriu:

-Você esta cada dia melhor sabia disso? – ela então ficou me observando aquele sorriso dela

-Não, eu não sabia disso – não conseguia dizer mais nada além daquilo, senti meu coração batendo mais forte, tudo isso por culpa de um misero sorriso você realmente acha que eu melhorei?

-Você tem alguma dúvida? – ela tirou o sorriso do rosto e ficou me encarando

-Sim eu tenho, não acho que tenha melhorado tanto assim

-Isso é o que você acha – ela parecia estar pensando em alguma coisa e então o rosto dela ficou um pouco vermelho – mas se tiver alguma dúvida ainda posso te dar alguma aula particular de desenho – cada palavra que ela dizia o rosto dela ficava um pouco mais vermelho

-Não, acho que não estou muito a fim de ter aula de desenhos no momento – dei de ombros e Ella me encarou como se eu tivesse falado algo completamente inaceitável

-Você tem certeza? Nenhuma aula? – ela parecia realmente querer as aulas, mas com tudo que estava tendo na minha vida acho que não era a melhor opção no momento

-Nenhuma – Ella então levantou e me deu um soco no braço – mas que negocio é esse?

-Você é muito lento não é? Eu sei que alguns caras são lentos, mas você é demais

-Eu não sou lento – se fosse não teria conseguido correr tanto quanto a poucos minutos atrás

-Que seja – Ella me deu as costas e começou a andar estava ficando irritada, ou seria triste?

-Ei, mas falando em aula particular – levantei e andei até perto dela – você sabe alguma coisa sobre aquele povo de roupa laranja?

-Você fala dos alunos de hoje mais cedo? – ela finalmente se vira na minha direção, mas seu rosto continua com aquela feição irritada como se aquela não fosse a pergunta que ela ouvir

-É, o que diabos é aquilo?

-Tem um curso novo no centro, se você for ter aulas vestido com algo laranja você não paga e até onde eu saiba o curso é excelente, até estava pensando em ir, mas estou com boas notas então não preciso ir

-Acha que deveria ir para o curso? – falei coçando a cabeça, eu não estava sabendo de nada do colégio, nada, se John visse minhas notas ruins ele brigaria comigo e poderia até me tirar o titulo de caçador por um tempo, eu sei disso porque isso já aconteceu

-Não precisa, eu posso te dar aulas particulares se precisar – novamente ela com esse negocio de aulas – e lembre-se, o curso é pago a não ser que você se vista de laranja

-Acho que posso me vestir com aquelas roupas se fosse para ter aulas de graça – falei dando de ombros, eu não gostava daquelas roupas laranja, mas era para ter aulas de graça, aulas que todos elogiavam

-Você não combina com laranja – Ella fala me estudando de cima a baixo, droga, odeio aquele jeito como ela estava me olhando – não combina mesmo

-Não acho que isso faça muita diferença – falei me mexendo desconfortável, a marca estava começando a queimar

-Claro que faz – Ella falou com um tom autoritário como se fosse minha mãe – vocês homens não tem senso de moda algum, e você é ainda pior

-Olha só não precisa falar assim comigo entendeu – estava quase gritando, mas não era minha culpa, minha marca estava queimando e eu precisava me mexer logo

-Certo então Michael! – ela me mandou língua, que tipo de adolescente faz isso? Depois disso ela saiu dali quase correndo, mas que droga, senti como se tivesse feito alguma besteira e eu não sabia qual

Droga, queria correr até ela e dizer desculpas por ter feito algo que eu não sabia o que era, mas a marca estava latejando então corri rumo ao dormitório, algumas pessoas estavam no corredor, deitados no chão ou escorados na parede, todos gemendo de dor enquanto bebiam algumas garrafas d’água, eles provavelmente ainda estavam acabados pela aula de educação física, mas devem não ter mais agüentado fica no quarto sufocante e preferiram se jogar no corredor.

Entrei no quarto empurrando a porta com o ombro, fechei ela com um impulso das costas e então me joguei na cama e comecei a me mexer sem parar. A marca ainda não tinha parado de queimar, acho que teria que voltar a correr, mas não queria, já estava cansado disso. Andei até a janela e encarei o lado de fora, todas as janelas estavam fechadas e o céu estava escuro com apenas algumas estrelas brilhando e a maldita lua no céu, a marca queimou ainda mais forte e me joguei no chão, não consegui controlar e gritei de dor, ainda faltavam dias para a lua cheia, mas não sabia se iria agüentar até lá.

Meus músculos estavam sofrendo de algum tipo de espasmos, minha temperatura corporal estava aumentando, não conseguia me controlar mais, meu corpo começou a se mover sozinho, rasguei minha blusa e pulei pela janela do quarto.

Corria feito um maluco em direção a floresta, não estava mais com controle algum do meu corpo, mas nem por isso a marca deixou de queimar, a queimação se espalhava por todos os meus músculos e ossos, mas mesmo assim eu não parava, se continuasse daquele jeito o resultado poderia não ser muito bom para o meu corpo.

Novamente estava dentro da floresta, esse lugar tinha alguma coisa muita estranha, muito estranha mesmo, mas isso não me impedia de correr, cada passo aos poucos meu corpo parecia mais animal, eu estava perdendo o total controle sobre o meu corpo.

Meu coração estava batendo tão rápido que sentia que meu peito ia se rasgar a cada batida, meus músculos estavam dilatando, cada articulação do meu corpo parecia se partir aos poucos, minha boca estava ficando dolorida, era quase como se meus dentes e gengiva estavam aumentando.

Encarei a lua, ainda não era lua cheia, mas então por que essa dor enorme e essa sensação de que o lobisomem já estava vindo?

Uma árvore estava no meu caminho, seria uma bela pancada, mas assim que cheguei perto com um simples movimento do meu braço esquerdo o tronco se rasgou ao meio abrindo caminho, não dava pra acreditar que eu tinha tanta força, como também não deu pra acreditar que a poucas horas atrás eu conseguia correr tão rápido e por tanto tempo.

Sentia minha marca arder cada vez mais, meu braço esquerdo parecia que iria se partir, mas antes que qualquer coisa acontecesse apareceu uma poderosa do nada e bateu no meu rosto, fiquei cego na hora e acabei batendo em uma árvore, eu rolei rumo ao chão e a árvore caiu partida para o lado.

Levantei do chão, a luz diminuía aos poucos, minha provável transformação tinha passado, mas minha marca ainda ardia. Andei quase cambaleando em direção ao local onde antes a luz tinha aparecido, minha visão ainda estava turva por causa da luz e a única coisa que eu conseguia ver eram dois vultos parados e eles pareciam me encarar e gritavam algo, mas o choque com a árvore parecia ter prejudicado minha audição, antes que pudesse entender o que eles falavam alguma coisa me acertou em cheio no peito e eu caí de novo no chão.

Senti alguma coisa me batendo, parecia um rabo, doía bastante, parecia mais um chicote, mas em compensação minha marca começou a parar de arder, mas não era como das vezes anteriores, era quase como se o calor e a ardência estivessem fugindo de medo.

Balancei os braços tentando afastar aquele rabo e então a coisa começou a se afastar, levantei me apoiando no chão com medo de perder o equilíbrio, minha cabeça ainda doía pelo choque com a árvore, mas minha visão parecia estar melhorando e já podia reconhecer as duas pessoas na minha frente, o monstrinho e Amy:

-Michael você está bem? – Amy correu na minha direção e me ajudou a me sentar apoiado em uma árvore

-O que foi aquilo? – coloquei a mão na cabeça, não tinha galo algum

-Foi o Rubys – falou o monstrinho olhando para o céu como se procurasse algo

-Quem?

-Rubys – o monstro olhou na minha direção – meu dragão – assim que ele disse essas palavras uma coisa desceu do céu e acertou o monstro no peito igual como ele fez comigo e então o monstro caiu no chão

Ele parecia estar brigando com alguma coisa e então a coisa se afastou e ficou voando ao redor do monstro como se fosse um urubu esperando o animal morrer para poder comer a carcaça:

-Ora seu dragão maldito – o monstro se levantou esfregando o peito que estava todo marcado, e por acaso ele não estava usando blusa alguma – seu pai me deu você sabia? Devia ser meu servo e não meu algoz!

O dragão silvou e depois cuspiu algumas fagulhas enquanto nos observava do alto:

-Da onde você tirou esse dragão? – falei tentando me levantar, meu corpo estava todo marcado pelos golpes do dragão

-Longa história – o monstro falou encarando o dragão – e estou bastante arrependido de ter pegado ele

O dragão desceu novamente rumo ao ataque, mas antes que ele chegasse ao seu alvo Amy o pegou pelo rabo como se ele não fosse nada demais:

-Rubys parado – ela disse soltando o rabo dele

O dragão então se virou na direção dela e ficou a encarando:

-Você não deveria fazer isso Rubys ou então as pessoas vão pensar que você é do mal – o dragão então assentiu com a cabeça e então se enrolou no braço dela

-Seu traíra duas caras – o monstro falou – a pouco tempo atrás você me ajudou e agora fica fazendo isso, traidor

O dragão silvou de novo e soltou mais faíscas, ele então se acomodou mais no braço de Amy e fechou os olhos, do céu então desceram o corvo de a coruja de Amy, cada um foi para um ombro e o corvo ficou me encarando como se fosse avançar a qualquer movimento:

-Alguém poderia realmente me explicar o que está acontecendo? – falei encarando o pequeno dragão – E sem esse papo de longa história

-Nós ano podemos falar, mas acho que posso resumir os acontecimentos – Amy se virou na direção e acariciou a cabeça dos pássaros – Will arrumou briga com um mago, eles brigaram em equipes, o Will já ia perder

-Eu não ia perder – o monstro falou com raiva

-Certo, quando Will aparentemente ia perder o ovo de dragão que ele tinha começou a brilhar e então chocou e então o Rubys nasceu e ajudou o Will a ganhar a luta, depois disso o Will me pediu me namoro, eu obviamente aceitei, então todos começaram a comemorar, mas antes de qualquer festividade de verdade Rubys começou a soltar faíscas para todos os lados e começou a atacar Will

Não controlei e acabei rindo, acho que encontrei um companheiro, mas assim que pensei nisso o dragão abriu os olhos e me encarou como se dissesse não, parei de rir no mesmo segundo:

-Certo acho que entendi, na verdade não entendi nada, mas isso não importa, só quero que me esclareça duas coisas – me afastei um pouco do dragão – em primeiro lugar, o que diabos significa Rubys?

O dragão ergue a cabeça e me encarou com raiva, ele já ia me atacar, ou pelo menos foi isso que eu achei vendo aqueles olhos dele, quando o monstro falou:

-Rubys significa vermelho na língua dos dragões caçador

-Vermelho? Não tinha um nome menos obvio não? – tanto o monstro quanto o dragão me olharam com raiva, mas que droga – agora a segunda pergunta, como assim o monstro te pediu em namoro?

-Demônio – o monstro falou me corrigindo, mas não era isso que importava agora

-Ele me pediu em namoro e eu aceitei, qual o problema nisso? – Amy me encarava como se não entendesse minha dúvida

-Qual o problema? – andei para perto dela mesmo com o dragão e o corvo me encarando – É serio que está me perguntando qual o problema de uma caçadora namorar um demônio?

-Estou sim! – dessa vez foi Amy que andou na minha direção e senti o corvo ficando com raiva – não vejo problema nisso, e pensei que você também não visse nada demais nisso

-Por que pensou nisso?

-Porque sua mãe foi um monstro se você não se lembra e seu pai um humano

Senti minha pressão cair e fiquei pálido, ela realmente precisava ter me lembrado disso? Eu já tinha dois malditos lobisomens e essa droga de marca me lembrando disso o dia todo, não precisava que ela também falasse isso:

-E quem disso que eu gosto do fato da minha mãe ser um monstro? Na verdade eu até agradeço pelo fato de que eu não me lembre de nada dela

Depois disso acho que as coisas ficaram meio embaralhadas na minha cabeça, senti um violento tapa me acertando na cara, rodei e depois cai no chão, minha bochecha ficou inchada e vermelha intensamente, Amy me encarava com raiva e quase com uma lágrima caindo dos olhos, o corvo começou a bater as asas e a grunhir, ele queria avançar na minha direção:

-Você não deveria falar assim da sua própria mãe Michael, pelo menos você chegou a conhecê-la mesmo que não se lembre, e não teve que esperar dezesseis anos para isso

Amy já ia chorar, droga não deveria ter falado aquilo, tentei levantar, minha bochecha começou a doer, não sabia que ela era assim tão forte. Antes de poder chegar até ela o monstro se aproximou e impediu que a lágrima caísse do rosto dele:

-Você não deveria chorar – o monstro falou

-Eu sei, só que não me controlei – Amy admitiu enquanto o monstro acariciava o rosto dela a coruja dela então foi até a cabeça dela e bicou lentamente a nuca dela e então soltou um barulho

-Desculpe – estava morrendo de vergonha, muita vergonha, mas logo a vergonha passou e deu lugar a dor

Se antes eu tinha achado que o tapa de Amy havia doido então eu não havia sentindo o golpe que veio depois, o monstro me acertou um soco no estômago e então eu caí de joelhos, hoje era definitivamente o dia escolhido por deus para fazer o Michael sofrer dores, só podia ser essa a explicação:

-Por que diabos me bateu? – falei sentindo uma falta de repentina

-Você fez a Amy chorar – ele disse friamente, senti quase como se ele quisesse me bater ainda mais – dessa vez passa caçador porque hoje foi um bom dia, ou pelo menos quase um bom dia, mas na próxima é bom que me pegue no meu melhor humor possível ou então, bem você já deve saber o que vai acontecer

Como eu queria fazer ele engolir cada palavra que disse, mas não estava nem perto de ter condições para isso, estava acabado fisicamente, e minha cabeça ainda doía:

-Você não precisava ter feito isso – Amy deu um soco no braço do monstro, um soco bem fraco por sinal

-Que seja – o monstro então encarou o dragão – agora vamos Rubys, temos que ir para o dormitório – o dragão balançou a cabeça negativamente – você não pode ir pro quarto da Amy, não quero que destrua tudo ali, então vai dormir comigo, acho que posso de impedir de destruir alguma coisa se estiver comigo

O dragão silvou de raiva:

-Rubys – Amy apontou um dedo para ele fazendo o dragão se calar – vá com o Will, ele é seu dono e você deveria obedecê-lo – o dragão virou o rosto – Rubys não faça ter que repetir de novo

Ela falava mais como se fosse a mãe do dragão e a criatura obedeceu voando para perto do monstro, mas ficou apenas o rodeando de perto.

Nós três então começamos a andar para fora da floresta, meu corpo ainda estava todo dolorido então o monstro me ajudava a andar e dava para ver o quanto ele estava com raiva por isso, mas eu também estava morrendo de raiva por ter que ser ajudado por um monstro.

Amy foi a primeira a se separar do grupo, seu dormitório era o mais próximo de onde estávamos, mas ela voltou sozinha, seus pássaros voaram em direção a floresta e o dragão quase voou também, mas o monstro o pegou:

-Você não vai, não vou deixar você sair voando por ai sozinho – o monstro falou e então largou o dragão que respondeu soltando faíscas

Monstro me ajudou até pararmos na frente do meu dormitório então sai andando o mais rápido que podia para dentro do dormitório, estava cansado de ser ajudado por um monstro. Quase caí no caminho para meu quarto, assim que cheguei me joguei na cama, estava cansado demais para fazer qualquer coisa que fosse e então simplesmente adormeci.

Notas finais
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