Vida De Monstro - Livro Dois - A Magia
3 III - Amy
Notas iniciais
III – Amy
Eu senti a mão de Morgana tocando a minha e então uma luz cobriu nós duas, quando a luz sumiu não estávamos mais na sala secreta, estávamos em uma espécie de gruta, não havia saída, apenas um caminho existia ali, um rumo ao subsolo:
-Siga-me minha querida – Morgana fez tochas se acenderam nas paredes apenas falando para acenderem e então começamos a descer o caminho rumo ao subsolo, era uma escadaria de pedra em forma de caracol que descia vários metros no chão – ainda vamos demorar um pouco ate chegar ao nosso destino, mas será importante para o seu futuro
Descemos bastante, já andamos quase vinte metros mais a única coisa que eu avistava eram mais e mais escadas. Mais vinte metros e ainda não estávamos no fim, minha vontade era de conversar com aquela mulher que estava na minha frente, mas as palavras não vinham, o que dizer para a pessoa que me colocou no mundo e depois me abandonou? Para a pessoa que vive fazendo algo dito como proibido pelo credo a qual fui ensinada a viver? O que falar com a pessoa que fez o pai que eu tanto amo sofrer mais do que qualquer outra coisa? O que falar?
Descemos mais quinze metros, só a luz das tochas nos iluminando naquela escada em caracol que já estava me deixando enjoada e cansada, o ar parecia estar ficando rarefeito e cheio de poeira e minhas pernas queriam descansar. Tentei criar dezenas de possíveis diálogos dentro da minha cabeça, mas nenhum que terminasse do jeito que eu queria, minha mãe estava na minha frente e eu não sabia como agir, não sabia como reagir ou como falar:
-Chegamos querida – olhei para frente quando Morgana falou, não havia nada alem de uma enorme pedra no nosso caminho – abra em nome da nongentésima nonagésima nona mestra da cidade de Magicka – a pedra começou a se dissolver revelando um novo caminho, mas esse era diferente dos outros, não haviam tochas para iluminar e sim cristais, centenas de cristais incrustados no teto, nas paredes e no chão, eles brilhavam em tons de azul, verde, violeta e índigo – venha logo atrás de mim querida
Assim que Morgana falou andei ao seu lado, quando passamos a pedra começou a se refazer tampando nosso caminho de volta, mas ainda sim os cristais continuavam a brilhar, e dessa vez mais intensamente ainda, o caminho era reto e sem desvio ou curva algum, andamos uns cinco minutos pela estrada de cristais e então paramos, havia um enorme buraco no chão, ele parecia ter sido escavado na pedra, pois uma escadaria de pedra havia sido feita na borda do buraco, cristais iluminavam o buraco.
Nós começamos a descer, ele era bastante profundo, na verdade acho que deveria alcançar centenas de metros, nos chegamos a descer quinze metros e então paramos no meio da escadaria:
-Ótimo esse é um bom lugar – Morgana falou com um sorriso se formando
-Lugar para o que?
-Para ter sua iniciação, quando um mago tem seu despertar e faz seu primeiro feitiço ele esta apto para entrar na escola de magia, mas antes ele deve fazer algo
-O que? Você vai me jogar daqui de cima ou algo do gênero? – tentei recuar alguns passos, mas Morgana apenas riu
-O que você anda assistindo? Não, eu não vou te jogar daqui de cima, você só vai escrever o seu nome
-O que?
-Olhe para a parede querida – me virei e reparei que na parede haviam alguns nomes escritos, olhei para trás e não havia nenhum, mas a frente a única coisa que se via na parede eram nomes e mais nomes, em diversas línguas, alguns em inglês, outros em francês e alguns em chinês ou japonês
-O que é esse lugar?
-É aqui onde acaba a iniciação, aqui é onde o mago escreve seu nome e o deixa marcado na historia da magia, essa rocha se localiza em um local secreto e foi fundada pelo primeiro mago da historia, ele a criou com o intuito de registrar todos os magos que existem, existiram e virão a existir. Mas antes de qualquer coisa eu preciso que você concorde com os termos da magia
-Termos?
-Nossas leis, nossas regras, a primeira é que você nunca deve usar sua magia para ganhar dinheiro, magia não foi criada para dar riqueza material, mas sim espiritual; a segunda regra é que você jamais deve trazer alguém de volta dos mortos, a passagem para o mundo dos mortos é sagrada e jamais deve ser mudada uma vez que aconteça – aquilo soou estranho, eu já tinha morrido e mesmo assim voltei, espero que isso não mude muito as coisas – e a terceira e mais importante regra, um mago jamais deve ameaçar o seu grupo de maneira alguma entendeu Amy – balancei a cabeça afirmativamente – Ótimo agora que tal você concentrar seus poderes na ponta do dedo
-Como é? Eu não sei fazer isso
-Claro que sabe, você já despertou não vai ter dificuldades nisso, imagine seu sangue correndo pelo seu corpo, mas não só ele, existe algo a mais em você, você é uma bruxa, você já despertou seus poderes então tente imaginar a energia que corre dentro de você nesse momento, tente senti-la e então comece a colocá-la para fora, você já fez isso uma vez – eu fiz isso, tentei sentir meu poder, e então uma sensação se espalhou pelo meu corpo, olhei para o meu corpo e uma aura dourada começava a sair dele – Muito bom, muito bom mesmo, agora concentre seu poder no seu dedo e escreva seu nome na rocha
Fiz o que ela pediu, foi bem fácil essa parte, a energia começou a fluir pelo meu dedo e então eu toquei na parede e comecei a escrever, o nome se materializava na pedra em letras douradas e então quando eu parei o nome ficou ali escrito e brilhando na escuridão como todos os outros:
-Amy Winchester – eu repeti para mim mesma vendo o brilho dourado – só isso? Então agora eu já sou uma bruxa?
-Não, você é uma estudante de magia, vai demorar muito ate ser uma bruxa de verdade, mas com o treinamento certo e com o seu potencial não acho que isso a demorar muito
-Ótimo então, quando começamos?
-Amanhã, após sua aula, por volta das uma da tarde você vira para cá, pegue isso – Morgana tirou uma chave do vazio e me entregou – coloque essa chave em qualquer lugar, em uma porta ou ate no próprio ar e então gire ela como se estivesse destravando uma porta e então puxe como se fosse abrir uma porta de verdade e pronto, depois disso é só entrar e vira parar no colégio, agora venha cá e de um abraço na sua futura mestra querida
Eu não sabia se era algo como um cumprimento comum a se dar para aqueles que acabaram de escrever seus nomes, mas eu não recuei, abracei bem forte Morgana, tão forte quanto meu corpo permitiu e ela não pareceu reclamar, o abraço já deveria durar um minuto inteiro, mas não importava, eu não queira largá-la, era tão bom abraçar aquela mulher, minha mãe:
-Mãe – falei abraçando ela, era tão bom
-Sim filha – senti lagrimas batendo em mim, eu tentei pensar em algo para falar, um jeito de puxar assunto, mas nos duas não precisamos de palavras, somente aquilo já valia mais do que qualquer coisa
Morgana então começou a me soltar lentamente, não podíamos passar a eternidade ali se abraçando, eu ainda tinha muito que fazer, muito que aprender. Nós encaramos por um tempo, mãe e filha, era tão boa aquela idéia, mas ainda não podíamos ter esse relacionamento, ainda.
Começamos a subir, mas antes me permiti olhar a parede do buraco novamente, milhões de nomes já deveriam ter sido escritos ali, centenas de línguas vindas de milhares de épocas distintas, cada cultura provavelmente já escreveu seu nome ali, e o meu agora fazia parte daquele enorme “mural mágico”.
A subida foi mais rápida do que nossa descida, mesmo com meu corpo cansado e minhas pernas doloridas depois de escrever meu nome eu parecia ter ficado mais forte, com mais vida do que jamais estive. Quando chegamos no mesmo beco sem saída de onde começamos nossa descida minha mãe pegou minha mão direita com a dela e então a mesma luz branca de antes nos cobriu e quanto consegui abrir meus olhos estávamos de volta a sala secreta de antes.
Will estava em um canto da sala, os pedaços da lâmina que me lembravam um espelho de tão bem polidos estavam no chão organizados como se Will tentasse montar a espada de novo, mas faltavam pedaços demais e o máximo que ele conseguiria fazer seria um adaga parecida com a minha. Nas mãos de Will estava o ovo de dragão vermelho, um ovo enorme e vermelho que por um momento pareceu sumir do ar, era como se Will e o ovo tivessem se misturado por um curto segundo, mas então o ovo reapareceu nas mãos dele, deve ter sido apenas um engano:
-Finalmente chegaram – Will começou a recolher os pedaços da espada e embrulhou junto com o ovo novamente no pano de antes – e agora?
-Agora vocês devem voltar – Morgana encarava Will com olhos estranhos, como se também tivesse percebido a mesma coisa que eu – ambos já passaram aqui mais tempo do que deveriam, e antes que me esqueça tenho algo para você jovem demônio – minha mãe arremessou uma chave semelhante a minha para Will – vai precisar para vir aqui novamente
-Do que esta falando? Não sou um mago ou algo do gênero
-Certo, você realmente não é um de nos, mas ainda assim precisara da minha ajuda se quiser recuperar seus poderes perdidos, eu lhe devo isso por salvar Amy – Morgana então explicou rapidamente para Will como usar a chave
Minha mãe realmente queria ajudar, mas eu não iria deixar, eu deveria trazer os poderes do Will de volta, ele perdeu por minha causa então era obvio que eu fosse a pessoa que os trouxesse de volta. Nosso trio então começou a andar de volta para a sala de onde tudo havia começado:
-Que tal testarem suas chaves? – Morgana falou próxima da porta da sala – elas servem tanto como entrada para cá quanto como saída, só que diferente do método de entrada, aqui você deve imaginar o local que quer ir parar e então ele vai abrir um portal para lá, se você não imaginar o local que quer ir, bem você vai querer imaginar, e ela não é algo para ficar se usando para ir onde quiser como se fosse uma maquina de teletransporte, você só pode ir para onde quiser quando esta dentro da cidade, fora dela a chave só ira lhe trazer para cá e mais nenhum outro lugar
Assim que minha mãe terminou de falar Will não pensou duas vezes e colocou sua chave no próprio ar e a girou, um barulho como uma porta sendo destrancado foi ouvido e então Will puxou a chave como se abrisse uma porta de verdade, um portal se formou no ar do tamanho de uma porta dois metros e vinte de altura, só uma pessoa conseguiria passar por vez ali, mas era o suficiente.
O portal aberto parecia ligar em direção ao quarto de Will, um quarto como todos os outros do colégio, mas cheio de livros e caixas pelo chão. Will me mandou um lindo sorriso e atravessou o portal, assim que ele passou o portal se fechou e então peguei minha chave para abrir o meu. Fiz o mesmo processo, coloquei a chave no ar, girei e então ao abrir a porta imaginaria um portal se materializou, ele foi aberto direto no meu quarto como eu quis:
-Antes de você ir tenho duas coisas para falar – Morgana falou antes que eu entrasse – primeiro é que tente não fazer nenhuma magia hoje por mais que esteja animada, não corra riscos
-Eu sei, não vou fazer
-Certo, e a segunda coisa, muito bonito o seu namorado – meu rosto corou violentamente e minha mãe percebeu isso, que vergonha eu estava sentindo – ou me desculpe ele não é seu namorado ainda? Pensei que fosse já que você gosta tanto dele
-Como você sabe disso? Ficou me espionando?
-Não preciso, vai aprender o porquê depois, mas só entenda que esta praticamente estampado no seu rosto o quanto você gosta dele
Não perdi tempo e atravessei o portal envergonhada, não deveria ser toa obvio assim que eu amava ele era? Não ao ponto de ficar estampado na minha cara isso, ou pelo menos eu penso que não. Assim que entrei no quarto me joguei em cima da cama, meu rosto ainda deveria estar vermelho então me certifiquei que as cortinas estavam fechadas, não podia correr o risco de Will me ver assim ou em qualquer outro estado.
Acabei me levantando para pegar meu almoço que tinha me esquecido na porta, ele estava frio, mas por sorte era dia de massa e o prato tinha apenas uma mistura de macarrão e carne moída com queijo ralado, eu gostava de massas frias e isso ajudou a comer, mas a carne e o molho frios não ajudavam nem um pouco. Mesmo assim comi tudo em pouco tempo pela fome que sentia e adormeci rápido. Um sono longo, calmo e sem sonhos ou pesadelos. Acordei descansada, mas com as pernas um pouco doloridas, levantei com um pouco de dificuldade e tomei banho calmamente, havia dormido desde a tarde do dia anterior e estava mais do que descansada, mas precisava de algo para o desjejum.
Abri a porta, nenhum prato na frente da porta, deduzi que deveria ser bem cedo já que não escutei nenhum barulho, nada de despertadores tocando ou garotas conversando, só o silencio, olhei no relógio, ainda faltava um tempo para as meninas que andavam com os lanches acordarem. Um grupo de pessoas de cada dormitório era escolhido para entregar os pratos de comida sempre nos horários certos, em troca disso as pessoas ganhavam alguns bônus, pequenos salários, não era muita coisa, mas ajudava em qualquer despesa extra.
Aproveitei isso e procurei o diário da minha mãe, prometi que não faria nenhum feitiço, mas a curiosidade era grande demais, comecei a folhear as paginas ate chegar em uma citação de algo relativo a melhoramentos físicos. As paginas citavam algumas aplicações que a aura poderia ter se aplicada da maneira correta em partes especificas do corpo, ela poderia causar um aumento repentino de força na parte do corpo escolhida e ate curar algum ferimento ou dor muscular.
Queria fazer um teste, comecei a me concentrar e senti a aura dourada começar a sair do meu corpo, então usei toda minha concentração nas pernas e a aura se moveu lentamente ate elas, pensei em parar a dor das pernas, mas não estava dando certo, tentei me concentrar mais, mas nada mudou então resolvi tentar algo:
-Que tal parar com essa dor? – me concentrei, nada aconteceu – por favor, cure essa dor
Senti um formigamento nas minhas pernas e então a dor começou a ser aliviada. Lembrei dos passos para se executar um feitiço, concentração naquilo que você queria, depois a posição, a posição na verdade só servia como uma maneira de canalizar melhor a aura, algo que eu já estava fazendo, após isso vinha a imaginação, você devia imaginar em detalhes o que queria que no meu caso era curar essa maldita dor, depois disso tudo vinha a materialização, mas não era só a materialização em si, você precisa falar, usar as palavras, estava escrito no diário que palavras tinham poder, essa era a essência real da magia, as palavras, quando você executava um feitiço você deveria dizer seu nome para que ele se materializasse completamente, naquele caso acho que minha prece serviu como palavra chave e como meio de materialização do feitiço.
A dor nas pernas sumiu completamente e senti como se elas fossem novinhas em folha, fiz alguns aquecimentos rápidos e estava perfeitamente bem, escutei um barulho na porta, abri ela e vi um prato raso com apenas um pote de iogurte e duas maças, ótimo devia ser o suficiente ate o intervalo das aulas.
Estava feliz demais pelo melhoramento rápido das minhas pernas e tinha que testar algo novo, mas o que fazer desta vez? Sentei na cama e coloquei minhas mãos juntas e comecei a me concentrar e a imaginar uma chama se materializando na minha mão:
-Que tal um pouco de fogo agora? – me concentrei um pouco mais, uma pequena chama laranja começou a aparecer, mas depois de alguns segundos ela se apagou, não devia abusar demais, toda vez que fazia uma bola de fogo eu dormia então deveria me contentar só com isso
Mesmo com só aqueles dois feitiços pequenos senti uma pequena dor de cabeça, uma vontade de dormir e uma sensação de fome me bateu como se eu não tivesse acabado de comer, mas não podia fazer isso agora. Peguei uma muda de roupa limpa e me troquei, depois peguei a mochila, coloquei o diário dentro dela junto da adaga e sai do quarto, pouco barulho nos corredores, nem todo mundo tinha acordado ainda e provavelmente todas as salas de aula estariam vazias, mas isso não importava no momento.
Andei pelos corredores do colégio ainda vazios, nenhum pessoa ali, mas em poucos minutos as primeiras pessoas começariam a chegar. Quando entrei na sala coloquei minhas coisas no meu lugar e tirei meu caderno de dentro da mochila, folhei algumas anotações, teria que revisar muitos assuntos para a prova que viria logo.
Comecei a estudar botânica, materiazinha problemática de se estudar sozinha, nada impossível, não tinha nem chegado na segunda pagina quando o grupo de nerds entrou em sala, já estavam discutindo algo sobre armas medievais, tentei me focar o máximo possível no caderno e não na conversa delas, mas cinco minutos depois Will entrou em sala e perdi todo o foco nos estudos.
Fiquei encarando ele, seu rosto estava com uma pequena olheira surgindo, mas ele não parecia cansado ou nada do gênero, pelo contrario, parecia mais vivo do que antes, a cor da sua pele estava mais viva e seus olhos negros brilhavam, ele parecia ate mais bonito do que antes e olha que eu sempre pensei que aquilo era impossível.
Ele foi para o seu canto de sempre, jogou a mochila para o lado e então colocou seus fones de ouvidos, mas antes de tudo me mandou um dos seus sorrisos e não me contive e mandei um para ele também, meu namorado, algo me dizia que esse termo esta mais perto do que nunca de realmente servir para ele.
Continuei a estudar, mas antes que conseguisse avançar uma misera pagina mais pessoas começaram a entrar em sala, e entre elas estavam as meninas, elas estavam com raiva, bastante raiva:
-Onde você esteve ontem? – elas falaram em uníssono
-Eu tive que sair meninas, me desculpe – elas viram Will sentado no canto e eu me virei também mandando mais um sorriso e ele retribuindo, eu não deveria ter feito isso, assim que fiz isso elas voltaram a me encarar só que não mais com caras de raiva, elas estavam com caras que eu odiava ainda mais
-Então você teve que sair não é? – Claudia me encarava com uma cara de desconfiança misturada com safadeza, meu deus começou
-Sim eu tive que sair
-E não tem nada a ver com o senhor bonitão ali no canto? – Julia botou ênfase no bonitão
-Bem, ele estava comigo, mas...
Antes deu acabar de falar as perguntas começaram, eram tantas que eu não conseguia escutar uma sem vir outra por cima, o barulho era enorme e mesmo Will escutando musica ele estava nos encarando provavelmente escutando tudo aquilo, meu rosto corou quando vi a cara dele, ele estava com uma expressão de como se não acreditasse no que elas estavam falando, eu também não.
Por sorte o professor chegou cedo, cedo demais ate, mas se fosse para manter as meninas longe e em silencio assim era melhor. A aula começou e se desenrolou completamente normal, depois vieram as outras e poucos minutos antes de tocar para o fim do intervalo eu me preparei para correr, e eu precisaria correr mesmo, as meninas não me deixariam em paz então era isso ou era responder as perguntas, eu não posso responder sem arriscar revelar minha identidade secreta, nossa isso pareceu como se eu fosse uma super-heroína.
Alguém lá em cima só poderia gostar muito de mim mesmo, antes de tocar para o intervalo o professor Adler passou uma atividade de física e só poderia sair quem fizesse, as meninas não conseguiram resolver antes de se iniciar a aula seguinte depois do intervalo, foi um tempo para relaxar e pensar em alguma coisa, nenhuma idéia apareceu na minha cabeça.
As aulas foram passando e assim que tocou para o intervalo me preparei para correr, mas elas eram rápidas demais e nem tinha me levantando da carteira e elas já estavam na minha frente e dos lados me deixando completamente cercada, tentei me mover, mas elas me impediram, droga. As perguntas já iam começar quando Will se aproximou
Todas se viraram para ele, mas ele não pareceu se importar, simplesmente ficou encarando elas então tirou seus fones e falou:
-Poderiam me dar um minuto a sós com a senhorita Winchester? Nós temos alguns assuntos bastante particulares para tratar entre nós
Depois daquilo elas ficaram boquiabertas e então saíram dali bem rápido, aquilo tinha evitado uma discussão naquele momento, mas só daria mais perguntas depois, mas era melhor ter uma folga agora, tinha coisas para fazer e uma aula de magia para ir:
-Acho que esta me devendo essa – Will disse com um sorriso infantil
-Acho que sim, mas graças a você agora elas vão ter mais perguntas depois
-ótimo, só tenho então que te chamar todos dias, todas as horas, em todos os momentos assim elas não vão poder ficar com você, ninguém vai a não ser eu
Ótimo por que ele tinha que ter dito aquilo, fiquei vermelha, idéias nem um pouco puras e inocentes começaram a surgir na minha cabeça:
-Certo, vamos logo sair daqui – Will deu de ombros e começamos a andar pelo colégio, poderíamos ir para a cidade de Magicka de qualquer ponto da academia, mas seria bom um local bem recluso como a floresta
-Vou almoçar antes – Will disse pegando o caminho do dormitório – não quero ficar com fome a tarde toda e ainda tenho que pegar algumas coisas antes de ir
Concordei com a cabeça, ele estava certo, fazer feitiços me deixava cansada e com fome então era melhor comer alguma coisa. Cheguei ao meu quarto sem chamar muita atenção, se as meninas me vissem eu estaria frita, mas parecia que elas não estavam ali, provavelmente foram na biblioteca estudar, muita gente estava indo para lá com as provas próximas.
Assim que cheguei joguei as coisas na direção da cama e comecei a almoçar, depois disso tomei banho e troquei de roupa, estava agora vestindo um short jeans e uma camisa branca básica, devia ser o suficiente por hora. Quando faltava cinco minutos para a uma da tarde sai do quarto, assim que cheguei na porta do dormitório Will estava parado me esperando com sua mochila, eu também estava com a minha.
Nós dois andamos juntos rumo a floresta e quanto estávamos fora de vista peguei minha chave e Will pegou a dele. Coloquei minha chave em uma arvore e ele em uma arvore vizinha e então giramos a chave e abrimos a “porta”. O portal apareceu na nossa frente e entramos cada um no nosso portal, mas ao mesmo tempo.
Bem como explicar o que eu estava vendo agora nesse momento? Will estava do meu lado, mas nos dois não estávamos na sala da minha mãe. Uma majestosa cidade se materializava na nossa frente, olhei ao redor para ter total visão do local, estava de costas para um enorme portão, ele deveria ter sete metros de altura, uma espessura de trinta centímetros, todo feito de uma madeira vermelha lamacenta. Ao redor do portão e ate onde eu podia enxergar se erguia uma muralha, uma gigantesca muralha, vinte metros de altura, quatro metros de espessura, ela era composta por blocos de pedras negras com mais de dois metros cada um, havia postos de observação a cada sete metros um do outro, cada um ficava no topo da muralha e tinham mais quatro metros de altura.
Eu e Will começamos a andar por uma cidade, uma belíssima cidade, todas as casas lembravam as casas inglesas, haviam centenas delas, algumas pretas, outras cinzas, algumas beges e também brancas. Algumas casas só tinham um andar, outras tinham dois e haviam algumas poucas de três.
As ruas eram largas, haviam algumas lojas em pontos estratégicos, mas todas fechadas, na verdade as casas também estavam fechadas e as ruas estavam desertar, a cidade parecia abandonada a primeira vista, mas não era nada disso, dava para sentir a vida ali, dava para sentir o poder fluindo por cada rua, cada casa, a magia fluía naquele lugar como se fosse o próprio vento, era simplesmente inacreditável:
-Que máximo – falei e Will me encarou
-Sim é bem legal, mas acho que temos um problema
-Qual?
-Para onde vamos?
-Como assim para onde vamos?
-Nos estamos indo para a aula de magia certo, mas nos nem sequer sabemos aonde
Ele estava certo, nos realmente não sabíamos onde seria a aula e estávamos em uma cidade completamente desconhecida e que era aparentemente deserta:
-Algum plano senhorita bruxa?
-Nenhum senhorzinho demônio – Will riu, aquilo fazia a tensão da situação diminuir, mas não o suficiente – não tem como usar seus super sentidos para nos ajudar?
-Não, eles agora só são um pouco melhores do que o de um humano normal
-Então você não escutou nada da conversa de mais cedo?
-Não precisava escutar para entender o que elas falavam
-Droga, estava tão obvio assim?
-Bastante, mas não é isso que importa agora
-Tem razão, mas acho que eu tenho um plano
-E qual seria?
-Vou usar aquilo que eu tenho ao meu alcance, minha magia
Comecei a liberar minha aura, eu não sabia o que fazer, mas eu tinha que achar algo, qualquer pista de para onde ir, então comecei a concentrar minha aura em meus olhos:
-Que tal me mostrar aquilo que eu não consigo ver – suspirei e então abri meus olhos
Parecia que tinha dado certo, a cidade continuavam aparentemente igual, mas tinha algo de diferente, dava para perceber uma espécie de aura saindo de toda a cidade, em alguns pontos estava maior e em outra estava menor, mas existia uma aura que realmente tinha me intrigado, uma fonte enorme de aura vinda de um lugar razoavelmente longe:
-Acho que sei para onde devemos ir – falei encarando aquele enorme poder
-Então comece a andar – Will disse e eu então comecei a andar rumo a aura
Passamos por algumas ruas e fizemos algumas curvas, mas então chegamos ao local, não era bem o que eu chamaria de escola de magia, na verdade me parecia mais uma replica do coliseu romano completamente restaurado e encolhido.
Entramos por uma das diversas entradas que ali haviam e caminhamos por um corredor de pedra ate dar de cara com uma cena, aquele lugar realmente era uma replica perfeita do coliseu, mas diferente do coliseu original ali não lutavam gladiadores ou animais, mas sim ali no meio dele estavam parados um grupo de pessoas, quatro pessoas no todo, não podia reconhecer ninguém dali, mas com certeza Morgana estava entre eles, na arquibancada do coliseu estavam diversas pessoas, não muitas na verdade, deviam ser somente algumas dezenas.
Eu e Will andamos ate o meio da arena onde estava o pequeno grupo, agora que nos aproximávamos dava para distinguir melhor que estava ali, Morgana estava entre eles vestindo uma calça creme, uma blusa branca e um par de sapatos marrons, ela estava realmente feliz e quando nos viu chegar ficou ainda mais:
-Vejam pessoal eles chegaram – Morgana disse para as pessoas que nos assistiam
A grande maioria ali era composta de adultos, havia também uma mulher com o bebê no colo, dois idosos e um grupo de quatro adolescentes, três rapazes e uma moça, os três vestiam camisas pretas com gravatas e calças bem passados enquanto a garota vestia uma camisa parecida com a deles, mas com curtas diferenças, e também uma saia que batia um pouco abaixo de seus joelhos:
-Aproximem-se logo – minha mãe me puxou pelo braço para se juntar ao grupo e Will se aproximou calmamente – eu lhes apresento William Daemon – não sabia da onde Morgana tinha tirado aquele nome, mas ela provavelmente sabia o que estava fazendo, poucas pessoas bateram palmas, a mulher que carregava o bebê e as pessoas ao seu redor alem do casal de velhos – e agora minha filha, Amy Winchester!
Todos bateram palmas fervorosamente quando ouviram meu nome e senti os olhos de um dos garotos do quarteto de adolescentes da arquibancada me olhando:
-Daqui a alguns minutos terminaremos a iniciação desses seis jovens que aqui estão presentes hoje
Morgana me mandou um olhar e andou rumo a arquibancada, não sabia o que ela iria fazer e o olhar havia explicado que não deveria me meter por enquanto, enquanto isso o quarteto se aproximou de nós, pude distinguir perfeitamente cada pessoa agora, uma garota e três garotos, mas um deles era apenas um garotinho, devia ter uns dez anos ainda.
Cada um era bem diferente do outro, a garota era branca de cabelos negros formando uma enorme franja e amarrado formando um rabo de cavalo, vestia uma camisa preta com o nome “Megadeth” escrito em branco bem no meio, uma calça apertada preta com um corrente do lado esquerdo e um par de all-star pretos com detalhes que um dia foram brancos, mas agora estavam sujos de sujeira e o preto estava bem desbotado, mas o que realmente chamava atenção na garota eram seus olhos, um verde um pouco mais fraco que o meu e o outro azul escuro, não me parecia ser lente de contato, era de nascença.
Um dos dois adolescentes era alto, alto mesmo, devia ter um e noventa e cinco de altura, cabelos loiros arenosos e olhos castanhos, sua pele era branca, mas parcialmente queimado pelo sol, ele também soltava um cheiro forte de protetor solar misturado com água do mar e vestia um short cheio de flores de diversas cores que batia nos seus joelhos e uma camisa regata branca que mostrava que deixava seus braços fortes para fora mostrando que era uma pessoa bem forte, usava um par de chinelos e alem disso carregava um cordão com três dentes nele.
O segundo adolescente era um pouco menor do que eu, usava óculos com uma armação em estilo bem antigo, seus cabelos eram pretos e seus olhos eram castanho escuros, sua pele tinha algumas espinhas aqui e ali e usava aparelhos, sua calça batia um pouco acima do que deveria, mas deveria ser culpa do suspensório que usava, ele também usava uma blusa branca de botões e um sapato marrom, era o tipo de pessoa que você olhava e taxava logo como nerd.
O quarto e ultimo membro do grupo era um garotinho de dez anos, ele era bem gordinho, tinha cabelos negros e olhos cor de mel, vestia um short, uma camisa do super-homem e um par de chinelas:
-Olá – falou a garota se aproximando – sou Felícia Trevor – ela me deu um aperto de mãos
-Sou Ben Waterland – falou o rapaz alto que apertou minha mão, mas mais parecia que ia quebrá-la
-Sou Jimmy Sulivan – o nerd falou, mas pareceu um sussurro e quase não ouvi
-E eu sou Thales Sulivan! – o garoto gritou bem alto, bem alto mesmo, quase fiquei surda com o grito
-Sou Amy Winchester – falei depois das apresentações
-Nos sabemos – falou Felícia – nos vimos sua mãe anunciando você e o cara ai – eu não pude deixar de perceber o olhar que mandou para Will e não gostei nem um pouco, ela praticamente estava comendo meu Will com seus olhos
-Aham – fiz o som bem alto para que ela pudesse escutar
-Desculpe, eu não sabia que ele era seu namorada – Felícia falou se curvando
-Meu o que?
-Seu namorado, desculpa mesmo
-Ele não é meu namorado! – certo o grito estava ficando mais alto e isso não era bom
-Não? Então Will gostaria de sair comigo?
-Não ele não gostaria – falei sem nem dar chance para Will falar, ele estava calado o tempo todo e era bom que continuasse assim
-Certo então, vocês não são namorados, mas são ficantes, desculpa mesmo eu não dou em cima de caras comprometidos, me desculpe mesmo
-Ele não é meu ficante – se continuasse assim eu não ia conseguir controlar a vermelhidão do meu rosto
Antes que as coisas piorassem minha mãe apareceu acompanhada do casal de idosos que antes estavam na platéia, a mulher vestia um vestido em uma fusão de tons de azul escuro e violeta, seus cabelos grisalhos eram curtos e havia um sinal de calvície aparecendo, ela devia ter uns setenta, oitenta anos no máximo e seus olhos brilhavam em um tom cinzento intenso que lhe dava o ar de uma jovem mulher e não de uma velha, já o homem vestia um calça justa de cor marrom e uma blusa branca, ele usava um óculos que cobria seus olhos cinzentos cansados e não tinha mais cabelos algum na cabeça, devia ter a mesma idade da mulher:
-Amy, William, eu lhes apresento senhor e senhora Beautygardy
-Ola senhores, devo dizer que formam um belo casal – tentei ser o máximo educada possível depois da conversa anterior
-Não somos um casal sua estúpida – falou a velha com uma voz que mais lembrava uma revoada de corvos – Morgana você não ensinou nada para sua tola filha?
-Mil perdoes senhora Beautygardy, Amy essa é Emily Beautygardy e aquele é seu irmão Anthony Beautygardy, eles não são casados e sim irmãos minha querida
-Mil desculpas pelo meu erro – abaixei minha cabeça de vergonha, tudo estava dando errado agora
-Desculpas não vão fazer o tempo voltar e impedir que você fale besteiras garota estúpida, Morgana sua filha é tão desleixada quanto você
-Sim senhor Beautygardy – minha mãe só assentia, ela estava sendo ofendida, mas parecia respeitar aquela mulher a tal ponto que ignorava aquilo tudo — eu iria falar para ela sobre a senhora após o fim do dia – a mulher já ia falar algo quando seu irmão interveio
-Por favor Emily fique quieta ao menos um segundo – a velha o encarou visivelmente com raiva, mas simplesmente ignorou – nos viemos ver o termino da iniciação desses jovens e é isso que veremos hoje
-Sim senhor Beautygardy – minha mãe assentiu com a cabeça – todos vocês preparem-se
-Preparar para o que? – Will falou finalmente
-Hoje será o fim da iniciação de vocês, hoje é o dia da invocação do seu mascote pessoal
Não sabia o que aquilo significava, mas Will não ficou nem um pouco feliz com aquilo, e eu entendia o porquê, ele precisaria fazer algum tipo de feitiço, mas ele não tinha poder mágico algum para isso.
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