Notas iniciais
Capitulo fresquinho saindo muito, mas muito mesmo, antes do prazo, simplesmente não consegui me segurar e acabei escrevendo mais rápido do que deveria, acho que a pressa pode ter prejudicado o capitulo então qualquer erro ou coisa que não gostem me avisem deixando uma review.
Capitulo especialmente dedicado Natasha Passos pela sua recomendação, gostei muito mesmo dela :)

I – Amy

“Embora eu acreditasse que estava aprendendo a viver, estava aprendendo a morrer” – Leonardo da Vinci

Maldito da Vinci, ele parecia ter criado aquela frase só para mim, ela definia perfeitamente bem meus dias ate agora, os dias estavam passando com uma lentidão maior que a normal, eu não sabia explicar direito, mas as aulas pareciam ir cada dia mais devagar e o prazer que antes eu tinha durante elas parecia sumir, tudo ao meu redor parecia ter perdido a graça, mas somente uma coisa havia mudado, o Will não estava ali.

Iria fazer sete dias que tínhamos saído da biblioteca, as lembranças daquele lugar ainda eram meio turvas na minha cabeça, mas aquilo não importava, para mim só uma lembrança importava, eu me lembro daquele momento em cada mínimo detalhe, cada fração de segundo daquilo, do nosso beijo.

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Eu estava na biblioteca e tudo ao meu redor tinha apagado, se desintegrado, sumido, mas então eu acordo em uma floresta, tudo escuro, minha cabeça doendo, e um Will do meu lado, ele estava cansado, fraco, isso dava para perceber mesmo com minha cabeça dolorida, tentei falar com ele, mas ele tapou minha boca com os dedos, depois tirou os dedos e me beijou.

O melhor beijo da minha vida, mesmo que eu não tivesse muitos outros para comparar, não vou citar números, mas vamos dizer que fica entre cinco e dez, nada para se gabar, mas volto a dizer, aquele foi o melhor, uma pena que tenha sido estragado por uma das piores noticias da minha vida, se não a pior. Quando percebi Will estava sangrando, sangrando muito, vi que tinha sido culpa da adaga e entrei em desespero.

Levantei e fiquei olhando para Will, tinha que fechar o sangramento de algum jeito, mas estava sem tecido, minhas roupas e a dele já eram, me dei a permissão de apreciar os músculos dele, mas balancei a cabeça, ele estava morrendo, não era o melhor momento para ficar secando aquele corpo divino. Tentei pensar em alguma coisa, qualquer coisa, mas nada vinha na minha cabeça, então comecei a olhar ao redor, árvores, muitas árvores, aquilo era em parte bom.

Procurei algum galho baixo para pegar folhas e cobrir a ferida, mas os galhos eram altos demais, olhei para o corpo de Will, a adaga estava perto dele, se ela tinha feito o ferimento então ela também deveria ajudá-lo. Peguei ela e arremessei em direção ao um galho, perfeito, o galho caiu aos meus pés então peguei um amontoado de folhas e coloquei sobre a ferida, inútil, em poucos segundos as folhas ficaram manchadas de sangue, encharcadas de sangue para dizer melhor, só tinha um jeito então de fechar aquela ferida.

Aproximei minha mão direita do corte e enfiei o dedo indicador com cuidado ate o fundo, o corte era razoavelmente profundo, mas eu só precisava saber a sua profundidade, não podia errar nenhum misero milímetro. Retirei meu dedo e peguei a adaga, era tudo ou nada, enfiei ela na ferida, tinha calculado certo, então a adaga ficou exatamente sobre a ferida, aquilo não ia ajudar muito, podia ate fazer um sangramento interno, mas era minha única escolha.

Coloquei o corpo de Will sobre meus ombros e comecei a andar, nos filmes aquilo parecia fácil, mas Will não era leve e eu não era o que se podia chamar de alguém com muita força física, alem do fato do meu corpo estar dolorido e cansado. Carregar ele poucos metros tinha exigido muito de mim e acabei largando-o no chão, era um esforço muito grande para mim, Will ia morrer e eu não podia fazer nada para salvá-la.

Fiquei no chão e tirei a adaga do ferimento dele, era inútil, Will nem reagia mais, seu corpo estava tão parado quanto o meu naquele momento, só o barulho do maldito vento entre as folhas parecia quebrar o transe em que eu tinha entrado, mas não era só isso, tinha algo mais, o barulho de passos.

Olhei na direção de onde vinha o barulho, uma pessoa encapuzada apareceu, ela vestia um manto negro com capuz, não dava para ver nada alem de suas mãos que ela usou para tatear o ferimento da adaga, mãos femininas, mas isso não importava, o que importava era que após mexer no corpo de Will ela se aproximou de mim e tocou na minha testa, depois disso não vi mais nada.

Quando me acordei olhei para o lugar onde estava, a enfermaria do colégio, na minha cabeça ela deveria ser igual a qualquer outra enfermaria de colégio, tinha algumas macas, todas separadas por cortinas, tinha uma mesa com cadeira onde a enfermeira sentava, e também tinha um armário com diversos remédios.

Olhei para mim mesma, estava vestindo uma roupa nova, uma calça e uma blusa branca. Pulei da cama e fui em direção a porta, mas antes que chegasse a algum lugar uma mão me parou pelo ombro, era Michael, ele estava vestindo a roupa do colégio e com varias pequenas ataduras pelo corpo e a mão esquerda enfaixada:

-Hey é bom você se acalmar esta bem? – ele tirou a mão do meu ombro e ficou me encarando

-Esta bem – me sentei na maca – o que aconteceu?

-Eu não sei dos detalhes da sua parte, mas no meu caso as coisas não fora tão boas, eu não me lembro direito de tudo, uma pedra acertou minha cabeça quando passamos pela porta, mas pelo que soube Drake me salvou, ele ficou acabado, mas já esta melhor, e eu também, o único ferimento com real importância era o da minha cabeça e já esta melhor – ele falou aquilo e depois tocou sua mão esquerda com a direita

-E o Will, onde ele esta?

-Bem, como posso te falar de um jeito que você não surte

-O fato de você falar isso já esta me fazendo surtar – levantei da maca e encarei Michael, algo ruim começou a se espalhar pelo meu corpo e uma fraqueza tomou conta das minhas pernas

-Bem ele não esta morto, mas podemos dizer que ele esta longe do que poderíamos considerar a salvo de qualquer perigo

A fraqueza sumiu do meu corpo e quando percebi tinha pegue Michael pelo colarinho da blusa, ergui ele do chão, poucos centímetros, mas tinha conseguido, senti meu sangue ferver, uma raiva enorme se espalhou por mim:

-Onde ele esta? – Michael me olhava assustado, muito assustado, mas eu não me importei, dane-se o medo dele o qualquer outra coisa – Onde o Will esta Michael?

O rosto dele era de espanto, ele parecia não saber como reagir então acabei soltando ele, ele se levantou e se ajeitou, desde quando ele fazia isso? Mas aquilo não importava no momento:

-Venha comigo

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Tenho que parar de pensar nisso, aquilo só me fazia sofrer mais, e eu percebia isso pelas lagrimas que estavam escorrendo pelo meu rosto, sequei as lagrimas, não era bom começar o dia assim. Peguei minhas coisas e fui para a aula, não importava o quanto o mundo parecia ruim e sem importância, não importava tudo que estava acontecendo eu ainda não tinha conseguido estudar todas as matérias que eu perdi durante os eventos da biblioteca e também não podia mais perder aulas, não com as provas chegando.

Cheguei à sala de aula, os nerds continuavam a debater como sempre, nem me dei ao trabalho de escutar sobre o que. Coloquei minhas coisas no lugar e me escorei sobre a carteira, o sono me pegou na mesma hora, eu odiava quando isso acontecia ultimamente, toda vez que dormia as lembranças me batiam a porta e forçavam a entrada, lembranças horríveis.

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Eu e Michael andamos ate a sala do diretor, o clima parecia ficar pior a cada passo em direção aquela sala, eu não sabia o que esperar, só tinha uma certeza, não ia ser nada de bom.

Chegamos a porta, eu não queria entrar, meu corpo me impedia de me mexer, mas então Michael abriu a porta, ela entrou e me chamou para dentro, eu não queria entrar, mas tinha que fazer isso. Dei meu primeiro passo para dentro, ate agora estava fácil, então fui o segundo, terceiro e assim sucessivamente ate parar na metade da sala, Michael estava do meu lado observando a cena, o diretor estava parado de frente para a janela onde observava o colégio enquanto bebia um copo de whisky e coçava sua barba, ele não parecia preocupado, na verdade seu rosto mostrava que ele estava longe dali, pensando em coisas, talvez ate de outras épocas.

O diretor deu mais um gole, um longe gole que fez todo o liquido descer pela sua garganta, depois disso vi o quanto ele estava tenso, parecia ate com medo, coisas realmente ruins deveriam ter acontecido, e algo me dizia que Will só era uma dessas coisas:

-Bem vindos garotos – ele disse finalmente se virando na nossa direção e se sentando na sua cadeira – finalmente acordou minha querida estávamos esperando você

-Estava? – perguntei naqueles olhos que pareciam cansados e frágeis naquele momento

-Sim, mas ainda falta uma pessoa antes que eu possa falar o que quero

-William?

-Sim, o senhor Maquiavel ainda não acordou, e algo me diz que ele ainda vai demorar, demorar bastante

Minha vontade era de correr, correr na direção do diretor e arrancar cada informação que ele pudesse me dar, mas meu corpo parecia congelado, provavelmente obra do diretor, ele provavelmente sabia o que eu estava pensando:

-Desculpe, mas não posso deixar você surtar nesse momento

E o que quer que eu faça? Ninguém me fala onde o Will esta e como ele esta

-Paciência, essa era a segunda coisa que eu faria, mas sua pressa é assustadora

-É claro, é do William que estamos falando!

-Certo – acho que meu grito histérico e infantil tinha dado certo, senti meu corpo voltando ao meu controle, mas não iria tentar nada besta – me siga

O diretor ergue o braço e fez um corte no ar, uma passagem se abriu em pleno ar, o diretor se levantou e atravessou aquela espécie de portal, depois dele Michael o seguiu como se já tivesse feito aquilo antes, e então foi a minha vez.

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Senti alguém me cutucando, me virei e vi que eram as minhas amigas, elas começaram a falar, algo sobre eu ser capaz de dar algumas aulas para elas caso precisassem, eu ia falar, mas o professor entrou em sala, hora da aula.

Mais uma aula sem um pingo de prazer, apenas a matéria sendo dada e eu aprendendo, nada de interessante, nada que me desse um pingo de vontade de continuar ali, mas eu tinha que ser forte, não podia deixar aquele desanimo e falta de interesse me denominar.

Assim que a aula terminou as meninas vieram falar comigo, elas estavam desesperadas com as provas e não podia culpá-las por isso, a matéria na era tão fácil assim, podia ate ser para mim, mas é claro que nem todo mundo era inteligente, modéstia parte eu era bastante inteligente.

Peguei o intervalo e dei algumas lições para elas sobre a matéria do dia, não podia deixar ninguém perceber meu estado de espírito atual, as meninas aprenderam rápido, não entendia porque elas não aprendiam na sala de aula, mas quando eu ensinava só precisava de alguns minutos para entenderem tudo.

Depois daquilo voltamos para sala, ainda teríamos mais aulas hoje, e provavelmente mais aulas particulares para as meninas, mas somente depois da minha visita ao Will, sempre após o fim da aula eu ia vê-lo, eu tinha que ter certeza que ele estava bem, principalmente depois que vi o real estado dele.

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Passei pelo portal e senti algo ruim na minha barriga:

-É normal um pequeno mal estar vez ou outra minha querida, não precisa se preocupar – falou o diretor nos guiando por um local, uma sala

A sala era escura e úmida, havia uma mesa com alguns instrumentos, um bisturi, um estetoscópio, um alicate, alguns vidros contendo alguns líquidos bem estranhos e vários papeis espalhados pelos cantos, anotações pelo que percebi, mas me uma língua desconhecida por mim. O bisturi e o alicate estavam cheios de sangue e em alguns frascos percebi que tinham sangue dentro:

-O que você esta fazendo aqui?

-Esse local não é meu se é isso que esta pensando, mas foi o melhor lugar que achei para esconder seu “amigo” sem que levantássemos suspeitas – na hora que ele disse a palavra amigo tenho certeza que o tom de voz dele ficou diferente, seria aquilo sarcasmo?

-Então de quem é?

-Uma amiga, você ira conhecê-la, mas não agora, não é o momento certo ainda, antes disso o senhor Maquiavel precisa permanecer vivo

Corri com os olhos pelo lugar, no fundo da sala estava uma cama e em cima dela estava um corpo, corri ate ali, a cama estava suja de sangue e misturado aos panos ensangüentados estava Will, ele parecia calmo enquanto dormia, mas não acho que a situação fosse essa, o ferimento no seu estômago ainda estava aberto, mas nele havia uma espécie de maquina ligada e cheia de tubos, alguns tubos estavam ligados aos ferimentos e outros estavam ligados no seu braço, percebi o que era aquilo, de alguma maneira eles estavam coletando o sangue do ferimento e repassando para o corpo de Will, a máquina lembrava as de hemodiálise, mas algo dizia que não era bem essa a função ali:

-Ele esta bem? – perguntei me aproximando da ferida, mas não ousei tocá-la

-Acho que você já tem a resposta – o diretor disse se aproximando

-Sim, mas ele vai ficar bem?

-Não sei, vamos conseguir mantê-lo vivo ate o ferimento da adaga fechar, com isso você não precisa se preocupar, mas se ele vai acordar ou não isso só depende dele

-Por que dessa maquina? – aquilo já estava me deixando angustiada

-Se ele tivesse possuído um corpo humano poderíamos simplesmente fazer uma transfusão sanguínea e estaria tudo bem, mas não é bem assim, o avatar demoníaco dele é algo um pouco mais complexo, ele usa sangue, mas apenas um tipo especial, uma especial de sangue que só é fabricado pelo próprio avatar, então não podemos fazer transfusões, apenas tentar coletar o máximo de sangue possível, purificá-lo e devolvê-lo ao corpo tomando cuidado para não haver nenhuma resposta do corpo

-Como assim purificá-lo?

-Eu não saberia explicar, mas parece que tem algumas certas impurezas bem ruins no corpo dele, coisas bem ruins, principalmente na área do corte, se reintroduzirmos o sangue sem purificá-lo só estaríamos piorando o estado dele

-Entendo – me afastei do corpo e fiquei apenas olhando de longe – quanto tempo o senhor acha que vai demorar ate ele acordar?

-Não sei, pode ser alguns segundos, alguns dias, alguns anos, é muito difícil de dizer, se ele tivesse no nível de antes não demoraria nem poucos segundos, mas tendo seu poder drenado, não posso dar um prazo certo

-Drenado?

-Você não sabe não é mesmo? – balancei a cabeça afirmando – você tinha morrido dentro da biblioteca minha querida, mas o senhor Maquiavel a trouxe de volta, mas para isso ele precisou sacrificar seus poderes, você só precisa olhar para ele para perceber isso, o nível atual de poder dele deve estar em um nível tão baixo que nem poderia lhe dar uma classe especifica, deve ser mais provável que ele esteja no nível de um humano qualquer

Aquilo pesou sobre os meus ombros, eu havia morrido, morrido, eu tinha sido imprestável então no final das contas, tão imprestável que precisei de alguém para me salvar e me trazer de volta, se fosse mais forte eu não teria morrido e o Will não precisaria ter me trazido de volta sacrificando seus poderes, meu deus como eu era inútil.

Não agüentei e saí dali correndo, não podia suportar aquilo tudo, eu era uma inútil mesmo, eu não sabia porque eu estava correndo, mas não consegui parar, passei pelo portal e corri pelo colégio, só parei quando finalmente despenquei em cima da cama do meu quarto, comecei a chorar, eu era uma inútil mesmo.

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Depois da onda de choradera e crise existencial excessiva eu tinha ido para aula, prometi a mim mesma que seria a melhor a partir de agora, mas mesmo com tudo isso meu dia continuava com um vazio imenso, nada demais aconteceu, somente as aulas e então o toque para o fim do dia, as meninas me cercaram, mas abri caminho e passei, gritei de longe que iria ajudá-las a noite, ou pelo menos tentaria.

Cheguei na sala do diretor, já faziam alguns dias que estávamos fazendo as viagens então ele simplesmente me viu e abriu o portal, fazia dois dias que estava indo sozinha, o diretor não precisava mais ir já que o ferimento finalmente tinha se fechado, e Michael estava entretido em um projeto pessoal que ele não queria que ninguém se metesse.

Andei pela sala, já sabia decorado cada canto daquele lugar, onde estava cada papel, cada instrumento, e principalmente a cama. Olhei para os papéis no chão, já tinha tentado estudá-los, mas era uma língua que eu nunca tinha visto, era toda com símbolos, algo me dizia que eu já tinha visto os símbolos, mas só daria para confirmar se os levasse comigo e o diretor deixou bem claro que não podia fazer isso.

Fui ate perto da cama e me sentei perto do corpo de Will, ele continuava desacordado mesmo depois do ferimento ter se fechado, uma conseqüência da perda dos poderes, algo que não se tinha prazo para terminar. Lágrimas começaram a escorrer, eu tentava ser forte, e eu conseguia, mas perto dele não dava, tudo era culpa minha, não importava quantas vezes eu tentasse nunca era boa o suficiente.

Olhei para Will, tão forte, tão inteligente, tão perfeito, e sacrificou tudo aquilo por alguém como eu, alguém que não o merecia, essa era a verdade, ele era bom demais para mim, eu era uma estúpida por levar a idéia de um dia tê-lo longe demais, eu não era boa o suficiente para tê-lo, eu quis mais do que deveria, queria mostrar que era capaz de fazer algo grande, tanto para impressioná-lo quanto para provar a todos que eu era boa, mas falhei, falhei feio com a pessoa que eu mais me importo:

Não deu para segurar mais, uma lágrima escorreu pelo meu rosto e caiu bem no rosto dele. Uma, duas, várias lágrimas, todas caindo no rosto dele, fechei os olhos e botei para fora lágrimas e choros, eu estava soluçando alto, ninguém iria entrar ali então eu podia fazer o escândalo que quisesse:

-Eu sou uma inútil mesmo

A minha visão estava meio turva pelas lágrimas quando senti uma mão tocando meu rosto, uma mão quente, um calor muito bom e gostoso, um calor bem familiar, depois a mão limpou minhas lágrimas e eu vi Will, ele estava de olhos abertos e um sorriso bobo no rosto:

-Você não é uma inútil Amy – sua voz saiu fraca, cansada, mas ele estava acordado, ele finalmente tinha acordado, me agarrei nele sem pensar e comecei a apertá-lo, apertá-lo muito, nunca mais e largá-lo, nunca mais – Ei, ei, vai com calma aí

Larguei ele, meu deus eu estava feliz demais, já ai começar a chorar de novo, mas dessa vez me segurei e fiquei apenas olhando para ele, Will parecia fraco, mas conseguiu se levantar e ficar sentado na cama do meu lado, meu humor tinha mudado depois daquilo, era como se o sol tivesse nascido depois de uma longa e interminável noite escura:

-O que aconteceu? Minha cabeça esta péssima e sinto como se tivesse sido esmagado milhões de vezes seguidas – Will começou a mexer os braços e as pernas como se testasse seu corpo – Me sinto ate, como dizer? Vulnerável

-Eu não sei se a palavra é vulnerável, mas é algo parecido – olhei nos olhos dele, aqueles olhos negros que eu senti tanta falta

-Então eu realmente perdi “tudo”? – ele deu ênfase no tudo

-Pelo menos foi isso que o diretor disse – olhei para o rosto dele, ele realmente parecia abalado, muito abalado, ele estava de cabeça baixa e não se mexia – mas não precisa se preocupar, eu vou dar um jeito de trazer seus poderes de volta, eu sei que vou

-Você acha que é possível? – ele ergueu a cabeça com um novo brilho naquele rosto antes abatido

-Se houver qualquer chance, por menor que ela seja, então eu vou trazer seu pode de volta – Will sorriu, aquele belo sorriso dele me tirou qualquer resquício de desanimo e tristeza, eu realmente traria os poderes dele de volta, mesmo que para isso eu tivesse que sacrificar minha vida

-Mas quer saber do que eu sinto mais falta do que meus poderes?

-O que? – perguntei realmente curiosa

-Senti falta desses cabelos castanhos – ele falou passando os dedos pelos meus cabelos – dessas duas esmeraldas – ele se aproximou de mim, tão perto que dava para sentir sua respiração quente no meu rosto – e principalmente dessa boca

Faziam alguns dias desde do nosso ultimo beijo, e as coisas não acabaram muito bem daquela vez, mas eu correria o risco de novo se fosse para beijá-lo novamente. Já íamos nos beijar quando escuto o portal se abrindo e me afasto, em poucos segundos aparecem o diretor, Michael, Drake e a mulher encapuzada, finalmente ela estava aqui, como se soubesse que Will acordaria hoje:

-Finalmente senhor Maquiavel, faltava apenas o senhor para estarmos todos prontos – falou o diretor andando na nossa direção e sendo seguido por todos

-Prontos para o que? – perguntei Will se levantando da cama e eu também

-Para uma conversa William, apenas uma conversa – falou a mulher encapuzada, agora eu tinha a confirmação, a voz era de uma mulher, mas por que aquela voz me parecia tão assustadoramente familiar? – poderíamos sair dos meus aposentos por enquanto? Acho que ele já ficou tumultuado por tempo demais

Então o quarto era dela, mas que tipo de pessoa teria um quarto assim? Não importava no momento, algo dizia que iríamos saber disso mais cedo ou mais tarde. Eu e Will acompanhamos os outros para o portal e então nos vimos dentro da sala do diretor, o diretor foi em direção a sua cadeira e sentou materializando um copo de whisky, a mulher encapuzada andou e ficou ao seu lado, enquanto eu, Will, Michael e Drake ficamos de frente para os dois, todos de pé e encarando a mulher encapuzada:

-Então podemos logo começar? – falou Drake quebrando o clima de silencio e mistério – vocês me deixaram esperando sete dias, é bom que seja importante

-A, tenho certeza que é algo importante, pelo menos para alguns de vocês – falou a mulher encapuzada – principalmente para uma de você, não é mesmo Amy? – quando ela disse meu nome senti algo estranho, algo que foi dos meus ouvidos e se espalhou pelo resto do meu corpo, aquela voz realmente me era familiar, muito familiar ate, era de fato de um familiar, literalmente, aquela voz era de uma pessoa – Meu nome é Morgana Solomon, é um prazer conhecê-los

Eu sabia, aquela voz era dela, da minha mãe, eu nunca tinha ouvido sua voz, mas meu corpo sabia que ela era antes mesmo dela falar, e agora que via o rosto dela, ela era muito parecida comigo, era praticamente minha versão mais velha, ela tinha feições parecidas, os mesmo olhos, mas eles eram cansados, seu rosto era parecido com o meu, mas com pequenas diferenças na forma, e seu cabelo era no mesmo estilo do meu, mas seus cabelos antes castanhos agora davam lugar a alguns fios cinzentos, uma prova da sua idade, ela já estava na casa dos quarenta já que ela tinha a mesma idade do meu pai, mas ela parecia mais jovem do que deveria:

-Então era você? – Will falou encarnado minha mãe – a pessoa que me observava naquele dia?

-Sim – ela concordou com um leve aceno da cabeça – era eu

-Do que os dois estão falando? – Michael falou

-A um bom tempo percebi uma pessoa encapuzada me espionando, eu só não sabia quem e nem o motivo – Will falou se virando na direção dele e depois para Morgana

-Aprendizado se posso assim colocar, eu tinha que ficar de olho nos melhores da academia para qualquer coisa que viesse a acontecer, principalmente no mais forte – Drake rosnou de raiva com aquele final

-Ex-mais forte sinto informar – Will disse de ombros – mas acho que você já sabe disso

-Sim já sei, uma pena o ocorrido, mas foi mais do que necessário e será bom para você

-Foi o que o dragão-rei disse – todos já sabiam do dragão, o diretor tinha falado sobre ele para todos nós depois da nossa volta, mas ninguém sabia o que tinha ocorrido entre ele e Will – ele disse que seria bom aprender tudo do zero, recomeçar já que de acordo com ele eu fui ensinado errado

-Eu não colocaria como errado – falou o diretor – mas de uma maneira incompleta

-Certo se só vão falar sobre isso então por que me chamaram? – Drake perguntou realmente aborrecido com a situação

-Desculpa por isso – o diretor falou – só gostaria de presenteá-lo pela sua ajuda

-Como?

-Todo dia uma bolsa de sangue será entregue no seu quarto, mas só para você, os outros ainda terão que seguir as regras

-Ótimo – Drake lambeu os lábios já imaginando o sangue, vampiros

-Mas você também terá que nos prometer que sempre que precisarmos da sua ajuda você vira ao nosso auxilio

-Certo acho bastante justo, então posso ir?

-Claro

Drake se virou e saiu, ele não tinha mais nada o que fazer ai, mas eu ainda tinha bastante e Morgana sabia disso, ela me encarava com seus olhos verdes, dava pare ver o meu reflexo nos olhos dela, e tenho certeza que ela podia ver o reflexo dela nos meus olhos:

-Agora finalmente podemos começar o real assunto de hoje – Morgana falou tirando os olhos de mim

-E o que é? – perguntei sem tirar os olhos dela, simplesmente não conseguia fazer isso

-Sobre o treinamento de magia de vocês

Notas finais
Reviews???