Vicious Circle
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Mesmo não querendo eu sempre fazia de novo.
Sempre dizendo que iria me controlar. Não conseguia enganar nem a mim mesmo. Dizendo que tomaria só mais um copo, mas sabendo que este seria sempre seguido de outros. Só pararia quando chegasse a hora de voltar pra casa, e essa era sempre a pior parte. Quando chegasse lá, minha sanidade já teria se perdido.
Nunca me lembrava do que acontecia nessas noites, ficava imaginando as coisas terríveis pelas quais o fiz passar, via pelas marcas que ficavam no dia seguinte o quão eu era horrível, o quão eu o fazia sofrer. E isso me matava por dentro.
Eu não conseguia fazer nada para impedir, aquilo era mais forte que eu, me deixava levar sem nem pensar nas consequências, não pensava em como aquilo machucaria meu pequeno. Bebia até não dar mais e então logo viria o arrependimento, logo eu veria as consequências...
Passava o tempo esperando o maldito dia em que ele iria embora, esperava ele me abandonar, pedia por isso, eu queria isso. Sabia que seria o melhor, sabia que ele ficaria melhor se aquilo acontecesse e sabia que eu não conseguiria fazê-lo, então eu esperava. Rezando para que nada que eu fizesse até lá o destruísse por completo.
E então o tão esperado dia chegava. Eu abria meus olhos e não o encontraria, procuraria seus pertences mesmo sabendo que não estavam ali e o desespero tomaria conta de mim quando visse que suas chaves estavam em cima da mesa da cozinha. Meus olhos se enchiam de lágrimas e eu tentava me segurar, jura que tentava, mas não conseguiria por muito tempo e sairia a sua procura.
Entrava no hotel de sempre e seguia para os quartos, sendo impedido pelos funcionários, então eu usaria a força e passaria por eles, atraindo mais atenção, ignorava os gritos e me concentrava no número do quarto, no qual sabia que ele estaria. Estaria trancado. Levado pelo desespero, eu chutaria a porta até abrir, acordando o pequeno que estaria lá dentro.
Via o desespero em seus belos olhos azuis, nos quais eu já me perdera tantas vezes. E aquilo me deixava sem chão. Caia de joelhos e implorava por sua voltava, jurava coisas que eu sabia que não poderia cumprir e o deixaria pular em meus braços, sabendo que o faria sofrer novamente, mas eu não conseguia fazer nada, ele era meu vício. Na volta pra casa, eu rezaria para que tudo voltasse a ser como era antes, quando nós fazíamos amor, quando minhas promessas eram verdadeiras, quando dávamos sorrisos sinceros, quando éramos felizes.
E entre tantos vícios, eu não sabia qual era o pior.
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