Vicioso

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Voltei! o/ Eu não acredito que eu fiquei um mês sem atualizar essa fic.Não foi proposital e eu não queria que isso tivesse acontecido,mas todas as vezes que eu ia escrever o capítulo,eu simplesmente não conseguia.Não por falta de inspiração,eu já sei exatamente que vai acontecer,o problema é que eu travava.Já aconteceu com vocês? As palavras simplesmente não se fixavam e eu tive que reescrever diversas vezes.Mas quando eu finalmente consegui,ele acabou ficando enorme e até cogitei a ideia de cortar algumas partes,mas achei que seria injusto devido a minha demora. Então,me desculpem? Eu realmente espero não demorar tanto com o próximo. Capítulo dedicado à Mi Freire e ao Márcio Gabriel por sempre estarem comentando.Obrigada ^^

Marcela encarou a fachada e suspirou.Conhecia bem aquele lugar,mas ele não lhe trazia lembranças boas.Ali ela sabia que tudo o que fazia era errado.Aliás,fora justamente ali que dera a primeira tragada no cigarro,onde havia tomado o primeiro porre e onde por ironia do destino, havia conhecido Caio.Não era um lugar muito propicio par que ela voltasse a frequentar,mas era o que no momento,lhe trazia mais uma vez a chance de mudar.

Aquilo realmente daria certo? Perguntou-se mentalmente.A insegurança ainda lhe atormentava,mas ela sabia que deveria ao menos tentar mais uma vez.Afinal,seu pai contava com isso.E ela também.Ela sabia que não seria uma tarefa fácil,mas estava disposta a tentar e a lutar mais uma vez.

Marcela precisava dar um rumo pra sua vida.

– Marcela? – Diego apareceu chamando-a para entrar lhe tirando de seus pensamentos.Ela sorriu.Mas ele parecia preocupado. — Tem certeza?

– Eu estou aqui não estou? Não vou fazer besteira Diego,confia em mim.

O rapaz sorriu para a jovem e entraram.

Marcela suspirou ao recordar-se dos momentos que vivera ali.Aquelas lembranças não era do tipo nostálgicas que poderia fazê-la querer voltar no tempo.Talvez ela pudesse voltar se pudesse,mas seria apenas para consertar seus erros e seguir por outros caminhos menos tortuosos.

Ninguém podia negar que ela estava tentando.Marcela estava se esforçando e estava se saindo muito bem.Procurava ignorar o cheiro que aqueles entorpecentes lhe causava.E quando isso acontecia,fechava os olhos com força,buscando na memória os motivos que a levara a tentar se livrar daquilo mais uma vez.

Seria por seu pai,que sempre estivera ao seu lado.Seria por ela mesma que merecia mais uma chance de ser feliz ou quantas vezes mais chances a vida lhe desse.Aquela era mais uma não era? Era uma oportunidade e ela sabia que não deveria deixar escapar.

E seria por Caio também.

Tinha força de vontade,queria mudar, fazer algo certo pelo menos uma vez na vida.

***

– Eu estou orgulhoso de você, sabe... – Diego disse assim que chegaram a casa de Marcela.

– Viu? Eu disse que não ia decepcionar não disse?

– É verdade,você disse.Amanhã,a boate não abre .Você tem o dia livre.

– Mas mal comecei e já estão querendo se livrar de mim?

Diego riu.

– Se eu fosse você não reclamaria,sério.

Diego se despediu de Marcela e logo ela entrou em casa.Encostou-se a porta fechou os olhos e sorriu.

Ela havia conseguido resistir a todo aquele caos?

Sim,sua mente repetia.

E isso a deixava feliz.

Abriu os olhos ao ouvir risadas.Se aproximou tentando decifrar de onde vinha aqueles sons e deparou-se com o pai rindo acompanhado de uma mulher.Aquela cena não era comum para ela.Aliás aquilo era inédito.Gustavo imediatamente ficou sério ao notar que Marcela os observava,ficando sem graça o que a garota percebeu e achou engraçado.

Gustavo tossiu antes de cumprimentar a filha.

– Chegou cedo.

– Cedo? – Marcela arqueou a sobrancelha.- São quase duas da manhã!

– Minha nossa! Já é tudo isso! Desculpe tomar tanto o seu tempo Gustavo não era minha intenção! – A mulher disse,levantando-se.

– Marcela,essa é a Patrícia.Uma amiga. – Disse aparentemente sem graça.

Marcela riu.

– É um prazer conhecê-la Patrícia.Nossa meu pai fala tanto de você,que fiquei muito curiosa pra conhecê-la! – Aquilo era uma mentira! Gustavo nunca se quer,comentou nada a respeito de Patrícia para a filha,mas ela não se importou.Precisava tirar suas dúvidas.

E ela estava conseguindo.

Estaria ele,apaixonado?

Gustavo apenas balançou a cabeça meio aéreo.Seu pai estava nervoso?Aquilo seria divertido.

– Fala? Mas fala bem não é Gustavo? – Disse Patrícia.

– Muito bem. – Marcela disse,segurando o riso. – Pai,você não precisa ficar constrangido só porque eu cheguei.Eu vou pro meu quarto você podem ficar a vontade.Sinta-se em casa Patrícia.Adorei conhecê-la.

– Na verdade eu já estou de saída.

– Você mora muito longe Patrícia? – Marcela perguntou.

– Não muito.

– Eu acho que está muito tarde,você não pode sair a essa hora,é perigoso.Porque não dorme aqui? Não vai ser incomodo algum,né pai? – Gustavo engasgou com o próprio vinho que tomava e Patrícia preocupada tentou socorrê-lo.O que arrancou alguns risos de Marcela.Não estava acreditando que Marcela estava mesmo empurrando Patrícia pra ele estava? Até que aquela não era uma má ideia,mas eles eram apenas colegas de trabalho.

Afinal,o que Patrícia ira pensar dele?

Que ele havia armado tudo aquilo porque estava interessado nela?

Bem,aquele não era uma mentira.Mas também não era verdade.

– Marcela tem razão.Está muito tarde e pode ser perigoso sair a essa hora.

– Eu não quero incomodá-los.Desculpe mesmo,não era minha intenção.

– Não é incomodo algum.- A garota disse — Há um quarto sobrando você pode dormir lá,se quiser...

Patrícia olhou para Gustavo como se pedisse permissão ou algum sinal.

– Então tudo bem. – Sorriu.

***

Marcela suspirou assim que abriu os olhos.Estava se saindo bem,estava feliz.Estava conseguindo se livrar dos seus vícios.Não sentia falta deles e esperava não ter nenhuma crise,afinal,qualquer deslize,arruinaria o tratamento por completo.Ela sabia que ainda estava no inicio,mas que aquela etapa era fundamental para que obtivesse resultado satisfatórios no futuro.Mesmo que não quisesse se encontrar com Eric novamente,ela nada podia fazer afinal,era a sua vida que estava em jogo e ela queria fazer algo certo pelo menos daquela vez.

Desceu as escadas e encontrou o pai tomando café,aparentemente pensativo.Estranhou aquela cena.Esperava ao menos rever Patrícia mais uma vez.

Ela se aproximou e Gustavo pôde enfim,notar sua presença.

– Voce hein mocinha.Que papelão ontem... – Disse numa tentativa falha de parecer irritado,mas a verdade é que não conseguia.Marcela riu.

– O Sr está falando a respeito da Patrícia? Pai eu te conheço,eu sei que você gosta dela. – Disse se sentando a mesa.

Gustavo ficou calado apenas observando a filha.Ele sabia que ela tinha razão.Marcela o conhecia muito bem e mesmo que ele quisesse não conseguiria mentir.Nem pra si mesmo.E nem queria mais.Ele mesmo não negava que estava mesmo gostando de Patrícia e que ambos tinham muitas coisas em comum,o que tornava a convivência ainda mais agradável.

Gustavo não tinha dúvidas de que estava apaixonado pela colega de trabalho e até ele admitir a si mesmo,havia se questionado bastante.

A verdade era que ele não queria ter um relacionamento.Não podia negar que sentia falta de uma companhia feminina que não fosse Marcela mas ele sabia que,aquilo era praticamente impossível já que havia se decido a dedicar-se a filha.

Ela era sua prioridade. Até que estivesse plenamente curada.

Mas então,Patrícia apareceu de repente em sua vida como quem não queria nada e quando ele se viu,não queria mais afastá-la.Mesmo que ela jamais viesse a suspeitar sobre seus sentimentos.Talvez ela o correspondesse.

E não ter a certeza fazia Gustavo se sentir como um adolescente.

Há quanto tempo não se sentira assim?

Claro que Marcela havia tentado ajudá-lo e agradecera mentalmente pela atitude da filha que fez o que ele não tivera coragem de fazer.

– Por falar nisso,cadê ela? – Marcela perguntou.

–Ela já foi.

– Vocês estão...

–Não! – Disse imediatamente,embora a ideia o agradasse.

–E por que não pai?Você é jovem e bonito.Por que não tem coragem de se declarar? Aposto que deve ter várias outras mulheres suspirando por você por aí e você nem se dá conta disso.

Gustavo riu do comentário da filha.

Por mais que tentasse levar seus relacionamentos adiante,na maior parte das vezes não conseguia.Não conseguia porque sempre lhe faltava algo.Gustavo dificilmente se sentia a vontade com outras mulheres e geralmente a tal química não rolava.

Só desejo não era suficiente.

Não mais pra ele.

Gustavo já não era mais um adolescente.É verdade que aproveitara muito bem sua solteirice todos esses anos,mas agora ele queria mais.

Algo mais sério.

Por isso,preferia terminar qualquer coisa que viesse a ter com qualquer mulher,antes que uma das partes sofresse.

Mas com Patrícia ele queria que as coisas fossem diferentes.Ele queria levar adiante.Estava apaixonado e queria construir algo com ela.Ele fazia planos mesmo que secretamente.

– Patrícia e eu,somos apenas amigos.Nada mais que isso. – Disse tomando o café.

Marcela arqueou a sobrancelha.

– Amigos...sei — riu. – É assim que começa...

Gustavo riu.

– Você não desiste não é mesmo?

– Não.Por que não investe? Se for por mim,não precisa se preocupar.Gostei dela. – Piscou – Patrícia parece ser uma boa pessoa e tenho certeza de que ela lhe fará bem.

– Quem sabe...

– Quem sabe,quem sabe....Pai!Você merece essa chance e eu sei que o sr quer também.Só faltava o pequeno empurrãozinho que eu já dei – sorriu – Vai lá,se arrisca.A vida pode surpreender.

Gustavo sorriu.Marcela não deixava de ter razão.Ele precisava se arriscar e tentar.A vida poderia surpreendê-lo,mas ele sabia que deveria ir com calma.

Ele não tinha pressa.

***

Caio encerrou a chamada e imediatamente iniciou outra ligação.Precisava conversar com Marcela imediatamente.Queria compartilhar a notícia que seu chefe havia lhe dado.A matéria que havia escrito com sua ajuda,havia sido aprovada e elogiada.

Ele estava contente.Até porque,seu chefe nunca o elogiava.

Poderia muito bem compartilhar a notícia com o amigo Eric ou até mesmo com sua família,no entanto,ele devia aquilo a garota.

E também porque queria uma desculpa para vê-la.

Não que estivesse gostando dela.Na verdade ele já não tinha muita certeza disso.Havia negado isso quando dias atrás,Eric havia o questionado.Mas a verdade é que ele não conseguia parar de pensar na garota desde que ela o ajudara com a redação.

Não era possível era?Estar apaixonado por uma pessoa em tão pouco tempo?

Talvez fosse apenas uma atração física.Um desejo.Uma vontade de vê-la.

De qualquer modo,queria vê-la novamente.Não sabia exatamente o porquê,mas queria revê-la.

Talvez sentisse carinho,proteção por tê-la ajudado naquela noite.Talvez sentisse apenas um amor fraternal de irmãos ou amizade.Afinal eles eram amigos não eram?

Ele não sabia responder.Só queria revê-la.

Talvez fosse uma forma de sanar de vez aquelas dúvidas.

O telefone chamou uma,duas,três vezes e nada.Por que ela não atendia? Seria uma forma de não manter contato? Aqueles pensamentos o desaminou.Desistiu de retornar a ligação.

Mas minutos depois ela retornou.O que fez um sorriso brotar em seu rosto.

–Oi. Você me ligou...desculpe não ter atendido eu não ouvi chamar.

– Estava ficando preocupado.

– Por quê?

– Sei lá,pensei que você tivesse sido sequestrada.Já pensou?Eu teria que te salvar de novo.

– Vai se tornar meu segurança agora é?

– Segurança,anjo da guarda.Olha não é uma má ideia.

A garota riu.

– Eu não tenho dinheiro pra pagar segurança.

– Não tem problema,eu trabalho de graça.

– Mas você precisa de uma renda.

– Bem é verdade... – riu – Ou seja,você está me dispensando antes mesmo de me contratar.

– Você que se ofereceu,não pedi pra que fosse meu guarda costas.

– Ok,já entendi.Vou ter que me conformar com o meu salário de jornalista,certo.

– Mas dizem que jornalistas ganham bem...

– Sim,ganham...Mas eu preciso me arriscar de vez em quando.Sabe,grana extra...

Ela riu.

Pra que ele havia ligado mesmo?

– Por que me ligou?

– Eu tenho uma noticia pra te dar.

– Boa ou ruim?

– Muito boa.Sabe aquela matéria que escrevemos juntos dias atrás? – Ele não esperou ela responder — Então,foi aprovada.Ou seja,vai sair no jornal.

– Sério? Minha nossa! Isso é fantástico.De fato,uma ótima noticia.

– Tá a fim de comemorar?

Marcela fico em silencio por alguns instantes.Comemorar significaria revê-lo? Sim,ela queria,mas por outro lado,lembrou-se do tratamento.

– O que você sugere? – Perguntou.

– Não sei...a gente podia sair,ou você podia vir aqui em casa.Ou eu posso te buscar.Eu não sou um tarado você sabe.

– Tudo bem,eu posso ir hoje,pode ser?

– Por mim tudo bem.

Marcela desligou o telefone,minutos depois e suspirou,sentando-se na cama.

Iria até sua casa naquela noite? Bem,havia dito que sim,mas agora não sabia ao certo se havia tomado a decisão certa.

Resolveu não pensar muito no assunto.Deixaria aquilo pra depois.Tinha um quarto pra arrumar.

***

Eric observou a porta de sala ser fechada e suspirou.O último paciente acabara de sair.Encostou a cabeça entre as mãos e fechou os olhos.Trabalharia até o meio periodo aquele dia e sinceramente,não tinha ideia do que ia fazer depois que saísse daquele consultório.

Ele não podia negar que sentia falta da sua vida.De como era feliz e não sabia.Não que não fosse feliz,pelo contrário.Eric tinha um bom trabalho e gostava muito do que fazia.Tinha seus pais,que ele sabia que estariam sempre prontos para ajudá-lo caso quisesse alguma coisa e tinha Caio o qual conhecia desde os tempos de colégio.Era comum passar por algumas crises,mas nada que viesse a fazê-lo perder a cabeça.Ele só fechava os olhos e lembrava-se da época em que tinha sua esposa e sua filha recém nascida quando hoje,ele não tinha praticamente mais nada.

Abriu os olhos e suspirou.Lembrou-se dos convites que Caio sempre lhe fazia pra sair e se distrair um pouco.Riu ao se lembrar das histórias que ele lhe contava sempre que chegava da balada no dia seguinte.

Não seria uma má ideia chamá-lo pra sair.

Eric sabia o que faria aquela noite.

***

Marcela se olhou no espelho e observou sua roupa.Vestia uma calça jeans escura e uma jaqueta preta.Era inverno e a temperatura estava baixa,por isso,resolveu deixar seu cabelos soltos.Passou a tarde inteira pensando no que deveria vestir e quando se deu conta,havia dado importância demais aquilo e tentou ignorar.

Aquilo não era um encontro.

Era apenas um convite de Caio,em resposta a sua ajuda.Nada mais que isso.

Era o que ela queria que fosse.

Desceu as escadas e notou que Gustavo ainda não havia chegado.Resolveu deixar um bilhete avisando aonde iria.Atitude que ela não costumava fazer quando tinha suas crises.Quando isso acontecia,ela simplesmente saia,sem nem avisar pra onde ia e andava sem rumo pela rua até conseguir o que tanto queria.

O que não era muito difícil.

Assinou o bilhete e saiu fechando a porta logo em seguida.

Não fora uma longa viagem até que chegasse prédio onde Caio morava.Assim que chagara a calçada,olhou para os andares à procura do quinto andar.Sorriu ao avistar uma das lâmpadas acesas.Apressou o passo até chegar bem próxima a portaria,mas um carro estacionando no outro lado da rua a deteve.

Eric desceu do carro e se dirigiu à portaria.Marcela notou que ele conversava com o porteiro em meio a alguns sorrisos.Alguns segundos depois,entrou e ela paralisou.

Da onde ela o conhecia mesmo?

Ah sim! Lembrou-se do dia em que se consultara com ele e como ele lhe parecera familiar.

Não seria surpresa que ele estivesse indo a encontro de Caio,afinal eles se conheciam,pra sua infelicidade.

E diante dos últimos acontecimentos,ela apenas deu meia volta e se dirigiu,rumo a própria casa.

Notas finais
Galera,se ficar algo confuso ou se encontrarem algum erro,por favor me avisem! :) Espero não demorar tanto com o próximo.Até mais!