O trem me faz viajar. Nos fones um disco que meu velho gostava e seguro a alça, enquanto vejo a paisagem da minha cidade: casas com rebocos, terrenos baldios, gatos pretos saindo da lata de lixo; cenário perfeito para puxar um cigarro sem ter um adulto no encalço. Mas não sendo perfeito pra ser sua origem. A paisagem muda para edifícios altos que projetam sombras formando labirintos, acho que é isso que Sérgio Sampaio diz numa canção. E embora seja mais bonita, me sinto pequeno e tenho medo. Mas meu espírito deseja um holofote brilhante que faça minha sombra esticar e esticar. Sem labirintos dessa vez, porque sei que o caminho é um só por mais que seja perdido. O lado B para de reproduzir, molho os lábios e sinto falta do cigarro. Indícios de que minha viagem se encerra e me mando com minha mochila pesada.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!