James:

Minha cabeça doí, não consigo me mexer, hora e outra abro os olhos e minha visão está ruim também. No máximo que consigo vejo vultos, alguns identifico que é uma mulher, mas seu rosto ainda é impossível de reconhecer e assim fico por um bom tempo.

Minha audição também está afetada, não ouço nada direito, apenas ruídos estranhos.

Como foi acontecer isso comigo?

Não consigo saber onde estou, devido a minha visão prejudicada, mas o frio aqui é grande. Nem me lembro qual foi a última vez que senti tanto frio assim.

Depois de um longo tempo nessas condições, começo a sentir meu corpo formigar, então consigo mexer alguns dedos da mão e depois os pés. Minha audição é a primeira coisa a voltar ao normal, então me esqueço de todo o resto e começo a prestar a atenção em tudo que eu ouço.

– ...e faz exatamente 6 horas que ele está assim, o prazo está quase acabando — uma voz masculina diz -, será que realmente ele vale a pena?

– Não se preocupe — outra voz masculina, só que essa era bem familiar — ele é teimoso, vai ficar tudo bem com ele. Logo voltará ao normal!

– Se meus cálculos estão corretos, ele pode nos ouvir agora e provavelmente mexer um pouco os braços — agora quem diz é uma mulher.

– Assim espero — diz a segunda voz masculina, a que era familiar — Se isso estiver certo, então agora sua memória deve estar voltando e depois de se esforçar tanto para que seus sentidos voltem ao normal, provavelmente irá cair no sono...

Então eles estão falando de mim, fazia 6 horas que estava assim... E realmente me esforcei de mais. Então logo pego no sono.

Várias imagens passam na minha cabeça como se tudo estivesse girando em uma roleta, então lembro do meu nome, James Martin. Logo em seguida lembro de toda minha vida, tudo que passei, mas o que quero mesmo é lembrar de como foi que cheguei até aqui, pois a única coisa que lembro agora é de Pandora, a garota que queria me matar. Simplesmente ando atraindo enrascadas a todo momento. Um imã que só atrai perigo, essa é a definição mais exata sobre mim no momento. O destino me dá uma força também, colocando situações desse tipo no meu caminho.Isso já está chato, será que é para provar que sou digno de sobreviver? Pois é o que parece!

A roleta das minhas memórias finalmente para, então posso lembrar tudo o que havia acontecido...Apago.

Na minha frente, Pandora me olha fixamente e se aproxima cada vez mais, eu instintivamente dou passos para trás. Ela estende o braço direito para o alto fazendo o ar ficar mais gelado e um tipo de neblina começa a envolve-la, começando a se expandir e subitamente se reprimir até sua mão direita, tomando assim uma forma mais sólida...

– Uma... espada... uma espada de gelo! — digo a mim mesmo, nervoso.

– Vai demorar muito para atacar querido? — ela diz, ainda mantendo o sorriso e o olhar frio.

Começo a tatear minhas roupas e meus bolsos procurando alguma coisa e por sorte, muita sorte, estou com o bastão especial que Rick me deu. O pego e aperto um botão que o faz crescer, ficando quase da minha altura.

– Ah, demorou demais, eu faço o primeiro movimento — ela diz enquanto corre em minha direção.

Mais ou menos à 1 metro de distância de mim,me surpreendo com o seu salto. Mas não é 'nossa, ela vai saltar!'. É tipo 'NOSSA, ELA SALTA FODÁSTICAMENTE!'. Quando vejo,ainda meio embasbacado,Pandora está a 3 metros acima de mim, segurando com as duas mãos no cabo da espada, pronta para atacar. Automaticamente defendo o ataque com o bastão, mas a pressão que o ataque veio quase me faz soltá-lo na mesma hora, mas é muito cedo pra desistir. Pandora fica a alguns metros de distância, não perco tempo e vou para o ataque.

Ela defende todos os meus movimentos, como se fossem previsíveis, isso me deixa muito irritado. Então me lembro de um fator importante sobre mim... agora tenho poderes,e tive a capacidade de esquecer isso...Realmente,sou muito avoado.

Dou alguns passos para trás, ainda não estou totalmente seguro das minhas habilidades, mas mesmo assim faço meu movimento. Mentalizar as sombras é muito fácil e quando se está nervoso com uma garota com cara de assassina, que quer te machucar,parada na sua frente,isso atrapalha um pouco, mas também serve de estímulo. Ela corre para me atacar, então me concentro o máximo que posso,surgindo um grande muro de sombra aparece à minha frente, aparentemente parece bem sólido,e ela bate de cara e solta um gemido de dor.

– Você quer jogo sujo? — ela grita furiosa — Então vai ter jogo sujo! — a espada de gelo dela começa a escurecer, logo em seguida uma energia negra a envolve. Seu rosto agora parece mais sinistro, o olho direito se torna totalmente negro e no esquerdo, a pupila brilha de um azul que arrepiante, sua boca agora é como a de um tubarão, cheia de presas pontudas prontas para triturar — Você conseguiu me irritar, tampinha- sua voz está diferente, mais monstruosa -, vou te dar uma lição...

Quando sinto que Pandora salta em minha direção, pronta pra me atacar, tudo acontece rápido demais, mas sinto que alguém me empurrando e vou pra bem longe rolando no chão. Quando minha consciência volta, vejo alguém segurando Pandora pelo pescoço.

– Você esqueceu das REGRAS, senhorita PANDORA? — o cara diz, e sua voz me é familiar.

– Desculpa Matt... — a voz de Pandora sai abafada, e o cara a solta rudemente.

– Mais uma vez que desrespeitar as regras você já sabe... — ele então olha para mim — Você tá bem? Vamos sair daqui...

– Para onde vamos... — É a única coisa que consigo dizer, pois logo em seguida uma espécie de corrente elétrica passa por todo o meu corpo. Em seguida sinto como se o sangue parasse de circular em minha veias, minha pele fica fria e então a pior sensação, entro em convulsão.

– Droga — o cara, que agora sei que se chama Matt, grita — Pandora me ajude a socorrê-lo, acho que ele usou demais o poder... — então apago na hora.

O sonho enfim termina, eu acordo assustado, percebo que estou de pé.

– Finalmente acordou!

Olho para trás e me deparo com a última pessoa que queria ver no momento... Pandora.

– O que faz aqui? Que lugar é esse? — pergunto rispidamente.

– Calma cara, eu venho em paz! — ela então faz com a mão o sinal do Spock.

– Não confio em pessoas que querem me matar...

Ela ri alto.

– Eu nunca quis te matar idiota... Estava apenas testando suas habilidades!

– Sei... mas você ainda não respondeu minhas perguntas. — continuo com o tom ríspido em minha voz — O que faz aqui? E que lugar é esse?

– Bom, aparentemente aqui é um galpão velho, e não seja ingrato irmãozinho, eu ajudei durante sua recuperação!

– O que exatamente aconteceu comigo?

– Bom — ela então cruza os braços — Praticamente na mesma hora que você entrou em convulsão, você apagou. Isso sempre acontece com pessoas com nosso poder...

– Nosso poder? — pergunto agora intrigado.

– Umbracinese...

– Espera aí... você também tem essa habilidade?

– Sim, você mesmo acabou liberando meu poder, não lembra? — ela faz uma cara de "nossa que cara idiota".

– Ah é verdade... — digo, e ela revira os olhos com cara de tédio — Ok, então prossiga!

– Então, como dizia. nós com umbracinese, temos duas espécie de carga de poder. A primeira é tipo um aperitivo... Sabe, ter a experiência de como é o poder... — a princípio estava entendendo — Aí quando ela se esgota devido o uso abusivo que fazemos do mesmo, ela causa essa reação, como se você perdesse toda vitalidade, a pele esfria e o sangue para. Então o cérebro manda uma carga para todo corpo, aí depende, as vezes você só desmaia ou no seu caso que é mais difícil, entra em convulsão...

– Porque é mais difícil o meu caso?

– Você ficou muito tempo sem saber do seu poder, aí meio que se acumula toda essa energia... e quando você usa, causa essa reação mais violenta, assim dizendo.

– Hum... entendi, é qual a razão de você me ajudar?

– Você é um de nós, cara! — ela diz como se aquilo fosse óbvio de mais.

– Um de nós? Tem mais? — eu paro e penso — é claro que tem mais... que pergunta, mas... Um de nós?

– Somos uma espécie de grupo, todos possuímos a umbracinese, alguns tem mais uma habilidade, como eu que manipulo o gelo! Bom, Matt me deixou encarregada de te entregar isso — ela então me entrega minha mochila e mais uma caixa preta do tamanho de uma caixa de sapato.

– O que tem aí dentro?

– Seu novo uniforme... E antes que pergunte, é o uniforme da Irmandade das Sombras, vamos te ajudar a dominar seus poderes!

– Mas... onde está o Matt?

– Foi resolver alguns assuntos pendentes, mas acredito que amanhã ele vá te buscar para começar seu treinamento.

– Hum, Legal! — digo dando de ombros.

– Você é sempre assim? — ela me olha estranho.

– Assim como? — pergunto.

– Indiferente... Aceitou tudo numa boa... — ela lança um olhar de desprezo.

– Bom, se vão me ajudar, porque iria questionar alguma coisa? — ela então ri e me da um soco de leve no meu braço.

– Cara você é divertido, o pessoal vai gostar de você. Agora você está liberado!

– Tá, mas como vou embora? Nem sei onde estou...

– Aula 1 — ela diz apontando o dedo indicador — Viagens com portais de dimensões são simples. Se o lugar não for muito longe, basta você mentalizar o local que deseja e então abrir o portal. No seu caso, estamos bem próximos da casa daquele seu amigo... Então mentalize aquele lugar, e tente abrir o portal como o Matt faz.

Me concentro, fecho os olhos, a imagem do local me vem à mente e faço um movimento circular acima da minha cabeça. Sinto como se algo estivesse me sugando (isso acontece mesmo). Quando abro os olhos, estou dentro da minha dimensão das sombras, e no outro instante sou cuspido pra fora dele. Me levanto, olho ao meu redor e realmente estou no lugar desejado. O sol está se pondo, vejo que perdi um dia inteiro nisso tudo.Tento repetir a mesma coisa, só que dessa vez para meu quarto... E dá certo outra vez.

Jogo minha bolsa no chão e deixo a caixa dentro do meu guarda roupa...

– James? É você? — ouço a voz de Kelda. Putz, ela vai tá uma fera, não deixei nenhum bilhete, ela deve ter ligado pra todo mundo.

– Sim — digo, mas já se preparando para o que vinha.

Ouço os passos dela rápidos pela escada, então ela abre a porta.

– Foi pra casa do Rick e não avisou, não é? Seu mandrião! Acho que vou tatuar na sua testa, "Se for sair, deixe um bilhete"! — ela não está tão brava quanto esperava que estivesse, mas tinha um ar de preocupação e nem ligou para o Rick pra confirmar... Algo estranho tem aí, mas deixo como está, deve ser algo na escola, sei lá.

– Foi mal! — digo, dando uma risadinha amarela.

– Eu deveria falar para a mamãe sobre isso, mas não vou chateá-la. Bom, você está vivo e isso que importa. — ela se vira e sai, dou de ombros.

Então depois de um dia deitado e desconfortável, pulo em minha cama macia e vou dormir devidamente melhor!