James:

Era tarde, logo iria anoitecer e eu nem estava preocupado com isso, mais do que com o sonho que tive. Havia sonhado com o meteoro caindo na terra, vi a destruição chegando rapidamente e acabando com a vida no planeta... Ou melhor acabando com o planeta todo, e isso me faz acordar imediatamente. Foi horrível, parecia tão real...

Minha irmã está tensa também. Esse negócio de escolher quem deve morrer e quem merece sobreviver é algo tão grotesco que me dá enjoo, é tão injusto. Eu já fiz a minha primeira escolha, meu amigo Rick, mas de certo modo me sinto mal, pois me resta apenas nove fichas... nove pessoas e o resto irá explodir na terra...

– Droga, isso é tão injusto... — percebo que agora estou falando sozinho.

Olho em minha volta, mas ninguém está por perto.

Vou até a casa de Rick, tenho que entregar ficha dele, preciso também de conselhos, pois ele é o único que sabe bastante sobre meus novos poderes. Eu já sou meio idiota, devo admitir, então preciso compartilhar com algum amigo que esteja disposto a ouvir um idiota com problemas. Eu deveria ter contado a Kelda naquela hora, mas estou sem coragem, apesar de na minha opinião, acho que ela já percebeu que tenho algo pra contar, por me conhecer muito bem, só de olhar, já sabe que tenho problemas à minha volta. De certo modo, isso é bom, ou não, sei lá...

No meio do caminho percebo que o sol vai desaparecendo, pra dar lugar a noite. Mais a frente vejo alguém na estrada de braços cruzados, parece estar olhando pra mim, não reconheço de imediato e até penso que pode ser algum Ômega, mas não, eu agora enxergo. Minha visão é uma porcaria e eu esqueço de usar o óculos as vezes, como nesse caso, mas mesmo assim reconheço aquele sorriso sarcástico e a cara de "Aqui é confusão na certa".

Esther Adams, a garota valentona e Super-Mega-Amiga da Kelda, e logo que a vejo, me vem várias lembranças nada agradáveis que passei com ela.

O que ela faz aqui? Ela estava muito bem... Longe de mim...

– Olá James! — ela diz sem desmanchar o sorriso sarcástico, isso me irrita, só que agora mais ainda.

– Oi Esther, o que faz por aqui? — pergunto — Andou batendo muito na galera da outra cidade? Devem estar procurando por você agora, por isso veio se esconder pra cá, não é?

– Você anda com a língua muito mais afiada e mais ousado, tampinha. Está com saudade de levar alguns cascudos meu?

– Não tenho mais medo de você — e não tenho mesmo — Não sou mais criança.

– Mas continua com a cara de uma — ela solta uma gargalhada, como se fosse a melhor piada do mundo.

– Não tenho tempo pra ficar de papo, muito menos com você. — saio andando.

– Sempre tão estúpido, por isso que sempre apanhava. — ela joga a cabeça e ri.

– Faça um favor pra mim e principalmente pra você — começo a dizer — Fique bem longe de mim e assim evitamos estas conversas desnecessárias. Tenho que ir... tchau!

Vou se afastando dela, então ela grita.

– Foi bom te ver outra vez mané! — Mostro o dedo do meio pra ela, mas não posso evitar o riso, aquilo é uma situação tão idiota, posso ouvi- la dando risada também.

Sigo em frente... Espera, Esther tava de cabelo roxo? Olho pra trás e ela já não estava mais lá.

– Ah, esquece...

– Falar sozinho é bem típico de alguém com umbracinese — me viro de volta e dou de cara com o esquisito do galpão encostado em uma árvore,com um capuz que mal deixa ver seu rosto.

– Você...

– É, sou eu, como vai seu treinamento? — ele me pergunta.

– Treinamento?

– Ah, sério mesmo? — ele parece não acreditar — Tu descobre que tem um poder sensacional e não treina para aprimorar as habilidades?

– Quem é você pra ficar se metendo em minha vida? — fico irritado.

– Relaxa cara, quero te ajudar! — ele continuava com o capuz e mal via seu rosto.

– Me ajudar? Não preciso de ajuda.

– Precisa sim, umbracinese é uma habilidade formidável, mas se não souber lidar com ela... Você acaba fazendo "coisas problemáticas".

– E que tipo de coisas problemáticas? — ele me deixa curioso.

– Você pode perder o controle de si mesmo e acabar destruindo tudo... — eu tento engolir a seco aquilo.

– Como isso é possível? Perder o controle de si mesmo... — ele revira os olhos e solta uma palavra inaudível de desprezo.

– Bom, acho que você tem alguns assuntos importantes a tratar, vou deixar você resolver-los. Me encontre no galpão abandonado neste mesmo horário, amanhã. Ok?

Eu estava desconfiado e ele parecia perceber isso.

– Eu não sou um ômega e nem nada parecido, eu realmente quero te ajudar — ele dizia -, você será bem recebido pelo grupo...

– Grupo?

– Amanhã você vai ver, relaxa! Até mais! — ele então desaparece da mesma maneira que havia sumido no galpão, abrindo um pequeno portal e sendo sugado para dentro dele.

– Será que vou ter mais alguma surpresa no caminho? — continuo andando, por sorte não sou mais interrompido e alcanço a rua de Rick quando o céu já está todo alaranjado e logo vai anoitecer.

Alguns metros antes da casa de Rick o aviso pelo comunicador, e quando chego ele já está na porta me esperando. Mas não está só, Beatriz está lá também.

Beatriz está tranquila como sempre, mas Rick está meio estranho, imagino que só pode ser pelo fato que ele sabe do meu poder e que Kelda e eu somos os escolhidos para embarcar na nave. Pela cara dele, sei que não contou pra ninguém.

– Entra rápido cara, já tá escurecendo — diz Beatriz

Eu entro. E é nesse momento que meu coração para, na verdade tudo em minha volta se congela. Na sala de Rick, lá está ela, com aquele mesmo penteado, seus cabelos castanhos em um rabo de cavalo e uma mecha azul atrás da orelha, está sentada com a postura reta e as mãos sobre o joelho. Patrícia Roth, então tudo fica em câmera lenta, ela vira seu rosto e seus olhos vão de encontro aos meus. Meu coração parece que vai sair do meu peito, pois bate freneticamente. Patrícia então sorri e tudo volta na velocidade normal, ela se levanta e vem em minha direção me dando um abraço. Ela cheira a cerejas e canela, um perfume que sua mãe havia feito exclusivamente a ela e eu adoro essa mistura.

Depois de sair daquele estado de transe que aquele perfume me dá, lembro que devo retribuir o abraço.

– Quanto tempo Jam! — ela diz.

– Já estava preocupado...

– Tive alguns problemas familiares... Mas deixa pra lá, é bom te ver vivo! — ela sorri com a boca e com os olhos, característica só dela.

Eu sempre dizia isso a ela quando nos víamos, agora ela faz a piadinha, o que me faz desencadear uma gargalhada.

– Oi James! — então percebo que tinha mais gente lá, Johnny, primo de Patrícia está lá sentado no sofá e eu nem notei.

– Ei Johnny, quanto tempo — Johnny é o primo e melhor amigo de Patrícia, ele vive se mudando por causa dos pais que são pesquisadores e cientistas... uns dos melhores do mundo. Sempre que podem, eles vem para o Brasil (o que sobrou dele, é claro).

– Pois é, tenho uma novidade!

– O que manda desta vez, onde vai conhecer agora, Rússia... China... Austrália?

– Não — ele ri — Vou morar definitivamente aqui!

Aquilo me faz lembrar de uma coisa. Que o mundo vai acabar e agora todos vão querer aproveitar o máximo os últimos momentos que o planeta tem. Meu semblante logo muda e fico sério.

– Algum problema, James? — Patrícia me pergunta.

– É que... sabe...

– É sobre o fim do planeta, não é? — Johnny pergunta.

Um calafrio em meu corpo me faz tremer e a lembrança do meu sonho me vem a cabeça.

– Gente venham aqui na cozinha e parem de falar desse assunto — grita Beatriz da cozinha de Rick — Vocês não podem perder isso, Rick é quem preparou a comida hoje!

Isso me distrai um pouco, os pensamentos não me abandonam, mas meus amigos me deixam mais confortável. Rick fez uma coisa muito rara, pois os ingredientes são bem raros também. Ele fez uma torta de maçã que realmente está muito boa, mesmo tendo que usar apenas 4 maçãs que conseguiu e umas barras de alimentos sabor maçã.

– Quanto tempo não comia isso — eu digo.

– Depois dou um pedaço pra você levar para Kelda. — isso me faz lembrar do meu real motivo de estar na casa de Rick. — Ah, falando nela, quero que você entregue um livro pra ela.

– Livro? — Patrícia pergunta.

– É que eu achei a coleção de livros que meu avô escreveu...

– Seu avô era escritor? — Johnny que pergunta agora.

– Sim, ele era... digo é um dos melhores escritores de ficção que eu conheço aqui do Brasil!

– Ah, é verdade, lembrei agora, acho que eu tenho um livro de contos que seu avô escreveu. Victor Cavalcante é o nome dele, não é? — diz Johnny.

– Sim, Sim... Não sabia que tinha o livro dele, que bacana! — Rick diz todo empolgado.

Então resolvo mudar o assusto e quebrar com o clima...

– Gente — eu digo me levantando da cadeira, todos me olham — Tenho uma coisa pra contar pra vocês... — Rick estremece e engole seco.

– Diga — diz Beatriz.

– Então... é... sabe aquele negócio da mensagem que minha mãe transmitiu sobre as naves e tudo mais — digo sem esperar a resposta — Kelda e eu fomos sorteados...

Quero sair correndo e pular de um prédio pra acabar com essa sensação desagradável, todos me olham perplexos. Rick também olha, mesmo ele sendo o primeiro a saber, talvez esteja de algum modo apreensivo, pois foi o primeiro escolhido e não sabe qual será a reação do pessoal em saber disso.

Aí nesse momento me vem a imagem dos meus amigos, indo um pra cima do outro, brigando e se matando para disputar o lugar na nave. Balanço a cabeça afastando esse pensamento.

– Nossa... nem sei o que dizer — diz Beatriz — Parabéns!

– Parabéns Jam, escolha com sabiamente quem você vai levar! — Johnny é quem fala agora.

– Vou te apoiar em qualquer decisão sua! — Patrícia sorri ao dizer.

Ao ouvir isso dos meus amigos não consego evitar, caio de joelhos no chão e as lágrimas vem. Meus amigos aceitam sem surtar, mas quem garante que amanhã eles não percam o controle. Escolher um e deixar outro, isso é horrível, quem não for escolhido vai ficar revoltado, vai surtar, pois é a mesma coisa que dizer: Eu não quero você na nave, você vai morrer.

Patrícia se senta junto a mim e coloca a mão em meu ombro.

– Fique calmo James, eu não vou surtar — ela parece ter ouvido meus pensamentos — Acredito que ninguém aqui vai!

– Mas isso é tão difícil, eu vou ter que escolher quem vai morrer e quem será salvo, tem noção de quão repugnante isso soa? — digo sem olhar em seus olhos. Nunca chorei na frente dos meus amigos, exceto Rick, mas ele é como meu irmão...

– Eu sei que isso é algo estranho e cruel, mas você foi escolhido, então deve manter a calma, cara — Beatriz diz — Qualquer um de nós poderíamos estar nessa situação, quanto mais nervoso você ficar você pode acabar fazendo decisões erradas.

– Eu tenho muito sorte de ter amigos como vocês — Patrícia limpa as minhas lágrimas, fico até com vergonha da situação.

– Você ganhou na loteria cara! — Beatriz diz — Não escolha todos de imediato, vai com calma!

– Rick — Patrícia diz chamando a atenção do mesmo — Já suponho que você foi o primeiro escolhido do James — olho incrédulo para Paty, ela me conhecia tão bem assim? Rick também fica surpreso — Você é o melhor amigo de James, ajude ele nessa decisão.

Eu e Rick nos olhamos meio confusos.

– Bom, já está noite, então é melhor eu e Johnny irmos — Patrícia então se levanta e eu faço o mesmo.

– Antes de irmos, Rick tinha uma coisa pra me entregar — Johnny troca olhares com Rick e Beatriz.

– Ah... Sim... venha comigo — Johnny e Rick saem.

– Eu tenho que ir ao banheiro — diz Beatriz saindo logo atrás e eu já entendi o que eles estão tentando fazer. Olho para Paty e ela parece também se tocar.

Restam somente nós dois na cozinha de Rick, durante algum tempo calados, hora e outra nos olhamos. Então resolvo quebrar o silêncio.

– Como sabia? digo apreensivo.

– Sabia do quê? — ela se vira.

– Do Rick e de como eu estava me sentindo em relação a tudo isso.

– Bom, é que... — ela então hesita em dizer por um momento — Na verdade é que eu tenho uma habilidade especial.

– Você também? Como? Quando? — fico surpreso.

– Faz 5 meses que descobri, quer dizer, faz 5 meses que me foi revelado esse dom — ela começa a contar — Quando eu toco nas pessoas, posso ler a mente delas e ver suas lembranças. Durante anos pensei que fosse algo da minha cabeça, até o momento que resolvi pesquisar e procurar ajuda especializada.

– Nossa... Mas, por que não contou pra gente sobre isso?

– Não sei, fiquei assustada com esse poder e acabei escondendo de todos. — ela abaixou o olhar.

– Johnny sabe disso? — pergunto.

– Contei ontem... — ela sorri.

Então Patrícia também é uma mutante recém descoberta. E ela pode ler mentes, portanto ela sabe do que sinto e dos meus segredos. Mas resolvo ter certeza.

– Então você sabe tudo que se passa em minha mente agora?

– Não — ele balança a cabeça negativamente — Não tenho toda essa habilidade de ler todas as informações, só li sobre o que estava lhe preocupando.

Menos mal eu acho. Meus poderes ainda estão em segredo, porém ela vai descobrir de qualquer forma...

– Eu também descobri uma habilidade. — digo a ela.

– Como assim? Qual habilidade? — ela se surpreende.

Dou alguns passo para trás, olho fixamente para minha sombra, a mesma começa a oscilar e movimentando a minha mão direita faço com que ela se levante à minha frente. Patrícia parece estar surpresa. De repente minha sombra acaba se tornando um portal negro, o que não é minha intenção. Um dos pratos da mesa é sugado para dentro do portal, percebo que estou perdendo o controle do poder e em um movimento desesperado com os braços faço minha sombra voltar ao chão.

– Droga, estava perdendo o controle...

– Umbracinese... — ela diz — Esse é seu poder... Nossa...

– Só não conte pra ninguém, por ora...

– Ok, mas Kelda sabe? — ela pergunta.

– Não, só você e Rick sabem, ainda não tive coragem de falar...

– Entendo, mas não demore pra contar, ela tem direito de saber.

Faço que sim com a cabeça.

– Eu estou confuso com tudo isso, não sei por onde começar... — Patrícia pega em minhas mãos e se aproxima de mim.

– Fique tranquilo, eu estou aqui, você pode contar comigo! — ela está à poucos centímetros de mim, minha respiração acelera. Será que ela está lendo minha mente agora?

Então em pensamentos eu digo: "Quero que você embarque na nave comigo, eu preciso de você ao meu lado... Eu... Eu..."

Então vejo a resposta em seus olhos e ela me abraça subitamente, depois ela volta olhar para mim.

– Eu também te...

– Eh... então... — a voz de Johnny vem do corredor. Eu e Patrícia nos afastamos e nos olhamos sem jeito. — Vamos Patrícia, tudo bem com você dois aí? — Johnny, Rick e Beatriz entram na cozinha.

– S-sim, claro! — Patrícia e eu falamos ao mesmo tempo.

Os três trocam olhares e esboçam um sorriso.

– Ok, então, então vamos?

– Vamos... Até mais James!

– Até mais!

Beatriz vai junto com eles, pois veio de carona na nave de Johnny. Ele é rico, então sempre ostenta algum "brinquedo" novo!

Rick e eu nos despedimos dos três e depois retornamos a casa dele.

Pego minha mochila e retiro a ficha que esqueci de entrega-lo.

– Ainda nem sem como agradecer. — diz Rick.

– Você é meu melhor amigo, já lhe disse!

– Bom de qualquer forma... — Rick pega uma caixinha que está em uma mesinha próximo ao sofá, de lá tira uma esfera do tamanho de uma laranja. Há vários botões nela, ele então aperta em um deles fazendo a esfera reproduzir um som metálico, como se engrenagens trabalhassem dentro dela. Do nada aquele negócio começa agir e se transforma em um facão.

– Cara, isso é o que eu estou pensando? — pergunto surpreso.

– Sim, terminei ela hoje de manhã! — ele parece orgulhoso.

– Você é demais cara! — estou orgulhoso dele.

– Sua irmã se ofereceu pra ajudar, mas não teria graça, ela faria isso em um dia! — eu e ele rimos.

– É verdade.

Rick então faz o facão voltar a forma de esfera, depois a estende pra mim.

– É sua!

– Rick, não posso aceitar... É uma das suas melhores criações...

– Ah, não vem com essa — ele me dá um soco no braço — Eu sei que não é uma vaga para embarcar em uma nave que vai salvar da destruição, mas é de coração!

– E você vai confiar uma coisa dessas a um bocó como eu? — digo rindo.

– É um risco que corro! — ele ri também.

Após sair da casa de Rick já entro em alerta, as ruas estão escuras e o vento começa a ficar forte, levantando poeira... Como eu adoro isso, e para ajudar, esqueci os óculos em casa.

Ainda não me afastei tanto da casa do Rick, pois estou caminhando normalmente, um erro eu sei, mas não estou muito no clima pra correr. Se tivesse uma prancha voadora como a que Kelda tem, seria bem mais fácil.

Ouço um barulho semelhante a um vidro trincando, automaticamente olho para o lado de onde veio o som, não consigo identificar o que é, o ar começa a esfriar rápido demais e eu logo penso: Lá vem perigo.

Estou certo, pois quando me viro, logo vejo mais a frente uma pessoa encapuzada, desta vez não é o cara do galpão, é uma figura feminina. Ela começa a andar em minha direção.

A cada passo que ela dá posso sentir a temperatura ficar cada vez mais baixa.

– Então você é o cara de que ele falou — ela diz enquanto caminha — Não acho que é grande coisa...

– Quem é você? — pergunto.

– Alguém que quer saber se realmente é forte — ela então desmarra a capa negra que usa e a atira no ar, me fazendo ver seu rosto. É bonita, tem os cabelos negros mas seu olhar é frio, tem olhos azuis que brilham como um farol e quando fala sai um vapor da sua boca, como se estivéssemos em um inverno rigoroso — Me chamo Pandora Oliver e espero que você torne as coisas bem interessantes!