Viajantes, Viagem Entre Mundos
5 Capítulo V - o gato de botas
Notas iniciais
Greta
Splash. Mais um jato de agua na cara.
– eu vou pergunta novamente, quem são vocês? – perguntou o soldado jovem.
Depois de acordar nesse sonho doido, de eu ser ameaçada pelo rei, de ser jogada em um rio e quase se afogar, acordamos de novo e encontramos o soldado jovem nos apontando essa mangueira, horrorosa e gelada, para nós. Começando uma serie de perguntas para sobre nós e porque viemos para cá, como entramos no palácio do rei, algo nesse lugar parecia sempre querer nos matar, desconfiadas não respondíamos as perguntas e levávamos agua na cara.
Splash. De novo.
– você pode parar de fazer isso? Ou quase nos afogar no rio não foi o suficiente? – acusei.
Splash. Dessa vez só para e especialmente para mim.
– eu faço as perguntas aqui, respondam quem são vocês?! – meu Deus ele parecia um CD arranhado, quem são vocês? Quem são vocês? Ao ver que não teria novamente nossa resposta, o soldado preparou o próximo jato d’agua.
– espera, espera! A gente fala – soltou Annie – eu sou a Annie essa é...
– NÃO! – interrompi.
– Não? – perguntou Kristy – olha Gretinha é só um nome que mal pode ter, e além do mais eu estou cansada de levar agua na cara.
– porque não interessa a ele – rebati
– por favor – ela suplicou.
– não Kristy! – gritei para ela de volta.
– ótimo! – o soldado deu um sorrisinho – agora a outra pergunta pendente, como vocês chegaram aqui?
– não sabemos – Kristy soltou antes de ele preparar o jato.
–acho melhor vocês me responderem eu não vou cansar disso tão rápido – mas é claro que não nenhum torturador se cansa rápido.
– já falamos não sabemos agora me solta daqui! – tentei me soltar da cadeira, o máximo que fiz foi parecer uma doida pulando na cadeira.
– O que está acontecendo aqui! – alguém gritou entrando na tenda, ele era gordo, feio e tinha uma perna faltando.
– elas não estão querendo cooperar senhor! – disse o soldado.
– deixe comigo que elas falam rapidinho – o gordo cuspiu no chão.
– me desculpe Bohr, mas essas ordens pelo próprio...
– eu já sei! Caia fora agora ou vai se arrepender – notava-se a tensão no ar entre o soldado e Bohr.
– gato! – chamou o soldado, Bohr ficou irritado e saiu isso me deu tempo de sacudir o cabelo e tentar me soltar, mas quando eu estava quase lá, uma voz, baixa e suave, quase um ronronar veio detrás de mim.
– acho melhor não fazer isso. – congelei. Merda dupla – nós vamos soltar você é só responder as perguntas.
– pra que vocês querem saber sobre nós? – Annie perguntou a voz.
– para uma confirmação, eu prometo solenemente que não vou machuca-las. – Annie balançou a cabeça em aceitação.
– o que você quer saber? — questionou Kristy
– como vocês chegaram aqui? – perguntou a voz
– já disse não sabemos – falei, a voz pareceu acreditar, bem pelo menos ele mudou de pergunta.
– o que faziam no castelo do rei? – questionou a voz.
– ele nos encontrou, levou para o castelo e tentou nos matar, não estamos do lado dele ou qualquer coisa que vocês pensem nós queremos sair daqui e ir o mais longe possível. – soltou Kristy.
– de onde vocês são – outra pergunta me pergunto por que ele não veio fazer as perguntas primeiro, sabe antes de estarmos encharcadas de água.
– winchester, Inglaterra – assim que Annie falou, o soldado olhou para voz, e trocaram uma espécie de mensagem subliminar.
– as solte – disse a voz, assim que estávamos soltas a primeira coisa que fizemos foi nos virar para a voz, e ficamos de queixo caído ao ver um cato um pouco maior do que o normal. – por que vocês estão tão surpresas? – disse o gato
– Annie você está vendo o mesmo que eu? – sussurrou Kristy, Annie fez um meneio quase imperceptível.
– vo-vo-você é um ga-ga-gato – consegui falar finalmente
– o termo exato é homem-gato, não se preocupem, recebi uma mensagem de outro viajante, a ajuda de vocês é muito bem vinda.
– que ajuda? Ele nos chamou de viajantes? – falei, um pouco alto demais.
– é o que vocês são não? – perguntou o soldado – gato acho que elas não são os viajantes que prometeram.
O gato suspirou – vocês terão hospedagem roupas e comida – ele se dirigiu para o soldado — vamos ter uma reunião do conselho depois do jantar – ele saiu da tenda com expressão de preocupado.
...
– eu ainda não entendo o que estamos fazendo aqui – falei para Annie.
– já disse estamos ajudando, você concordou dois dias atrás. – ela me respondeu
– não podemos deixa-los assim, até porque não sabemos como voltar a winchester e se cairmos nas mãos do rei estamos mortas – completou Kristy.
– ah e a resposta mais obvia é nos trancarmos numa salinha secreta dele e prende-lo? Não percebem que isso é loucura, vamos pôr nossas vidas em perigo. – argumentei
– não. Você se esquece da princesa ou até mesmo do gato, só estamos ajudando. – rebateu Annie.
– e cadê aqueles viajantes que o gato falou.
– acho que, acho que agora somos as viajantes que o gato falou – Kristy disse por fim.
Voltamos a treinar, logo depois do gato sair da tenda, o soldado nos mostrou o acampamento de refugiados, mais ao norte estava o campo de batalha e as tropas do gato formadas pelos homens do campo, aceitamos ajudar o gato logo depois do jantar quando ele assumiu a forma humana e se juntou a filha do rei, que fugiu do próprio para ficar com o gato, passamos a treinar espadas sem ponta todo santo dia. Antes nós íamos para a tenda de treino só quando o soldado estava lá, a ansiedade nos tomava e começamos a treinar até o soldado.
– vejo que gostaram da espada – disse o soldado ao chegar
– é não tem outra coisa pra fazer por aqui – defendi um golpe ousado de Kristy, ela rodou e tentou me acertar pelo outro lado – iremos usar espadas de verdade ou ficaremos como enfeites?
– bem lembrado, vocês precisam de armas de verdade, me acompanhem – ele saiu da tenda e caminhou até uma pequena tenda marrom. Congelei. Fitei inúmeras armas similares a que mataram a minha mãe.
– o que é isso? – perguntou Kristy ela pegou uma adaga de vidro vermelho, senti meu estomago girar enquanto eu ficava pálida e suava frio.
– uma faca. – respondeu o soldado
– jura? – Annie pegou uma flecha, e testou a sua ponta no seu dedo – ai! É afiada – ela chupou o sangue.
–jura? – devolveu o soldado sarcástico. Ele olhou pra mim – o que foi? Não vai dizer que está com medo, qual é elas não mordem só matam. – brincou ele.
–c-co-como vocês conseguiram isso? – gaguejei
– gato roubou as primeiras depois ficou mais fácil, ao que parece isso é a única coisa que matam eles – ele respondeu – por quê?
– nada não. Foi só besteira – me forcei a entrar na tenda.
– escolham uma arma que gostem, sintam seu equilíbrio e que vocês se sintam seguras ao usa-las, ah e a escolha tem que ser de vocês, volto já – ele saiu da tenda nos deixando a sós.
– essas armas são meio sinistras não é? – falei não tinha vontade de tocar em nada.
– um pouco qual eu escolho? – perguntou Annie erguendo uma flecha com a ponta de vidro vermelho, madeiras marrons e penas vermelhas e outra com a mesma ponta (é claro) madeira negra e penas pretas.
– a preta – falei
– a vermelha é mais bonita — Kristy disse.
– grande ajuda. – ela falou mal-humorada
– o soldado disse que a escolha tinha que ser própria não? – algo me chamou atenção – meninas o que acham – mostrei a elas um chicote de couro negro e uma faca de vidro vermelho serrilhada.
– isso parece meio sádico – disse Annie testando agora a flexibilidade do arco de madeira negra, lhe dirigi um sorrisinho.
– não entendo como você pode atacar alguém com um chicote? – ela preguntou largando o que tinha nas mãos e procurando algo mais interessante, balancei o chicote na direção dela e ele se enrolou em seu braço, a puxei para perto e apontei a faca. – ok. Já entendi – desenrolei o chicote do seu braço. Annie testava agora o arco vermelho e os dedos dela escorregaram pelo fio disparando a flecha – ai! – gritou Kristy a flecha raspara seu ombro. Um bocado de armas caiu
– opa! Acho melhor eu ficar com o preto. – ela abaixou o arco e pegou o outro.
– eu disse que o preto era melhor – ela me deu um sorriso amarelo, Kristy pegou uma lança e uma espada do meio do entulho causado pela Annie e sentiu o equilíbrio das duas.
– acho que vou ficar com a espada – ela largou a lança no resto do entulho
– eu ouvi um barulho, está tudo... O QUE VOCÊS FIZERAM? – o soldado pôs as duas mãos na cabeça – eu estou ferrado.
Andamos até ele – se preocupa não soldado, nós defendemos você – coloquei as mãos no seu ombro e dei uma tapinha nas suas costas.
– me defendem, ah que ótimo me sinto muito seguro agora, vocês ao menos já escolheram as suas armas?
– já por quê? –Kristy perguntou.
– pra fazer as armaduras, vamos tem reunião do conselho, à batalha está próxima.
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