Notas iniciais
espero que gostem e COMENTEM! eu simplesmente amo reviews tanto os que recebo e o que envio também. esse capitulo é completamente narrado pela Greta. vejo vocês nas notas finais.

Greta.

Mais de uma hora e finalmente chegamos a Winchester, onde minha mãe resolveu morar desde que eu nasci e fui para os estados unidos com o meu pai, por causa do emprego dele temos que viajar muito, desde então nós somos como nômades. Vivemos viajando, meu pai até arranjou uma professora para eu estudar em casa e não sofrer com as mudanças das escolas. Mas nas férias meu pai sempre me levava para casa, à única que meu ele quis comprar, boa parte por insistência minha, e lá eu esperava minha mãe me visitar e comemorávamos meu aniversário, nem sempre ela vinha, o que é diferente de saber que ela nunca mais vai voltar.

– pai falta muito? – eu batia o pé freneticamente, e remexia no meu cordão.

– calma Greta querida, quando chegarmos eu aviso – bufei para sua resposta. 3 minutos depois.

– e agora? – perguntei ele olhou pra mim pedindo calma, suspirei e fitei as nuvens.

Intermináveis 15 minutos depois chegamos à entrada do cemitério local, por chegar atrasada todos olharam para mim quando cheguei minha tia Mary, que nem é bem uma tia, esta mais para uma prima da minha mãe, que eu me habituei a chamar de tia, ela falava sobre minha mãe, lagrimas escapando pelas laterais do rosto, me deu um sorriso carinhoso e depois voltou a falar ao lado dela estavam as minhas primas Annie e Kristy, eu as conheci em um verão desses que eu vim para cá e comemoramos nossos aniversários que são bem perto um do outro e a menor Bessie que estava agarrada na Annie chorando muito, tirando Bessie as outras pareciam ter custado para achar uma roupa preta, quando minha tia terminou foi à vez de um tio que eu só vi uma vez na vida e por foto, antes dele falar três pessoas bateram palmas para ele uma perua e duas patricinhas, vestindo “lindíssimas” roupas em preto, talvez fossem a família dele, só sei que me incomodou o fato delas estarem sorrindo. Logo então o meu pai falou sobre nossa vida, mesmo separados eles ainda continuavam juntos, o que se tornava uma festa só nas férias, minha mente se encheu das boas lembranças, a minha festa de aniversario, o dia na praia e o piquenique numa colina aqui mesmo com minhas primas, o piquenique no central parque, mordi a bochecha para conter as lágrimas, me aproximei do caixão e percebi uma cicatriz perto do peito. O mundo girou e eu me lembrei do sonho a lâmina de vidro descendo lentamente em direção ao peito da minha mãe. Pisquei o olho e respirei fundo algumas vezes, tia Mary colocou suas mãos em mim e perguntou se eu queria falar, mas eu balancei a cabeça, fecharam e desceram o caixão. Joguei as flores e fiz uma despedida silenciosa.

– John, eu posso falar contigo? – minha tia chamou meu pai pra um canto e começaram a falar... Sobre mim? Eu queria tentar escutar, mas meus planos frustraram-se quando meu tio e sua família se aproximaram.

– ah querida sinto muitíssimo pela sua mãe, apesar dela não apoiar meu casamento com seu tio – por que será – ela era uma boa pessoa.

– Estela! Por favor – meu tio chamou sua atenção.

– desculpe querido – ela e meu tio saíram e foram falar com meu pai me deixando com as suas filhas todas trabalhadas no entojo.

– meus pêsames pela sua mãe – uma disse, mas não parecia verdadeiro, ela olhou pra mim como se estivesse devendo alguma coisa a ela.

– licença Belinda- Sua irmã gêmea tomou a frente jogando os cabelos loiros para trás. — é eu também sinto muito querida — ela jogou as palavras e me abraçou se é que poço chamar aquilo de abraço, ela só bateu nas minhas costas e se afastou rapidamente.

Espiei meu pai ele ainda conversava com a tia Mary e estava chorando agora, senti vontade de ir lá, mas alguém cutucou a minha perna, era a pequena Bessie que olhava pra mim com grandes olhos verdes cheio de lágrimas.

– eu sinto muito, tia Cassi era uma boa tia, eu gostava dela, gostava sim – ela disse e agarrou a minha perna e começou a chorar, passei a mão pela sua cabeça, sem entender o que estava acontecendo.

– Bessie! Solta a perna dela agora! – Annie falou, e a pequena desgrudou – desculpa ela esta assim desde que soube hoje de manha, tia Cassi cuida dela desde que era bebe – Bessie escondeu a cara no vestido da irmã – sinto muito de verdade. – ela disse e me abraçou um abraço de verdade e um pêsames de verdade até que fim e não por ser conveniente.

– tia Cassi era muito importante para nós – completou Kristy e me deu um abraço – era quase uma mãe para nós, me lembrei que Kristy tinha perdido a mãe em um acidente? minha mãe nunca foi clara a respeito.

– obrigada, eu sinto muito por vocês também sei o como gostavam dela e ela gostava muito de... – meu coração parou e depois ele acelerou com tudo, eu estava vendo errado ou aquilo, aquilo encostado na arvore era... Era o príncipe que matou a minha mãe no sonho. Minhas mãos suaram, eu queria gritar, porém no outro segundo ele já havia sumido, soltei a respiração até então não tinha percebido que a estava prendendo.

– greta! Greta! Você esta bem, nossa você esta pálida, Kristy vá pega um copo d’ agua. – pisquei os olhos

– tinha alguém perto da arvore – falei

Annie olhou na mesma direção que eu estava olhando – pode ser Christopher, ele é filho do tio Roch, mas segundo a tia Cassi ele não é como as gêmeas, assim eu espero – e eu esperava que fosse ele mesmo na arvore, o nome não me era indiferente, mamãe já tinha dito que tio Roch tinha quatro filhos.

– e o outro filho do tio Roch, cadê? Eu não o vi por aqui

– ah o Davi, ele não gostava muito da tia, vai entender. – Kristy apareceu com a agua e me entregou.

– obrigada – me lembrei da conversar do meu pai e virei-me em sua direção, mas ele não estava mais conversando com tia Mary. Despedi-me das meninas e dei um abraço de urso na pequena Bessie que me retribui com um beijo doce no rosto. Caminhei até a entrada e esperei meu pai se despedir do meu tio, acenei de leve quando meu tio passou por mim, ele até poderia ser legal como meu pai falou uma vez, mas sua e mulher e suas filhas com certeza não. Meu pai botou a mão no meu ombro

– Greta querida, gostaria de dormir na casa da sua tia hoje? – olhei para ele, algo na voz dele estava diferente, mais distante talvez, mesmo assim dei de ombros.

E lá estava eu em um carro novamente, cruzando a hight street, tenho que confessar que fiquei surpresa a cidade parecia ter saído de uma historia medieval, contos de fadas, príncipes e princesas, acho que vi até a torre de um castelo a imagem da minha mãe vestida de princesa dançou em minha mente. Quase nos limites da cidade, entramos em um bairro residencial, para pessoas com digamos boa qualidade financeira.

҉

Obriguei-me a enfiar a comida na boca, não que a comida estivesse ruim, na verdade estava excelente tia Mary era uma cozinheira de mão cheia, mas a lembrança do sonho ainda me deixava meio avoada, tinha certeza que eu ficava pálida toda vez de que me lembrava dele, pois Annie ou Kristy sempre me perguntavam se eu estava bem. E mesmo não tendo comido antes não estava com fome. O pior de tudo não era isso, era que meu pai tinha se trancado no escritório de eventos da tia assim que chegamos a casa dela e não saia de lá, estava resolvendo “negócios”. E por mais que minhas primas fossem ótimas para arrancar risos fracos de mim enquanto minha tia preparava a janta, eu ficava me perguntando, o que será tão importante para ter afastado o meu pai assim de mim, ele até evitava olhar nos meus olhos.

Resolvi não pensar mais nisso, e focar na minha comida.

– Annie e Kristy por que vocês não mostram a casa a Greta, depois do jantar? – sugeriu tia

– tudo bem por mim – respondeu Annie terminando o seu prato e recolhendo o de Bessie.

– tia, é para mostrar o jardim também? – perguntou Kristy.

– não, não só a casa, já é o suficiente. Terminou Greta? – balancei a cabeça, ela pegou meu prato- John? – ela perguntou para ele

– eu o levo daqui a pouco. – e botou mais um pouco no seu prato, típico – isso daqui estar delicioso, você melhorou bastante.

Então eu comecei meu tour pela casa.

– esta é a cozinha – apontou Annie – esta é a sala. — Subimos as escadas para o segundo andar – aquele é quarto da Bessie, aquele outro do lado é da mamãe, esses são os banheiros, essa aqui é a biblioteca e esse é o nosso quarto.

– e essas escadas levam para onde? – perguntei

– pra nada por enquanto, titia ainda esta construindo ela achou que agora que eu e a Annie estamos grandes, nós merecemos um quarto pra cada uma. – respondeu-me Kristy

Peguei minhas coisas e fui me ajeitar pra dormir, apesar de não saber aonde, assim que sai do banheiro Annie me chamou pro quarto delas.

–vem mamãe mandou botar uma cama pra você, pode botar suas coisas lá – ela abriu a porta.

– como tia Mary conseguiu botar uma cama aqui, tão rápido?

– não sei, mas não é a toa que ela é melhor do mercado de promotoras de festas – falou Kristy, passando por mim e indo para o banheiro, joguei minhas coisas em cima da cama e me joguei junto, meus olhos piscaram cansados. Annie ligou a TV e procurou algo bom o suficiente para assistir, eu reparei nela, desde a última vez que a vi ela não mudara quase nada, talvez tenha mudado o corte do cabelo, deixara a franja de lado, o cabelo estava mais escuro e as sardas do rosto havia diminuído, parecia mais magra e tinha ganhado mais corpo do que já tinha aos doze anos, o que era desnecessário. Bocejei.

– que cheiro é esse? – perguntei

– ah é meu incenso, eu uso ele para ajudar dormir – isso me despertou – por que incomoda?

– não é até bom- bocejei. E funciona – por que você tem problemas pra dormir?

–são uns sonhos estranhos que me perturbam, juntando com o meu terror noturno, eu não consigo dormir, só isso – sonhos estranhos? Estranhos como tipo ver sua mãe morrendo?

– eu entendo. – esfreguei os olhos

– você está diferente greta – ela falou.

– estou? – bocejei de novo, acho que o tal incenso estava me afetando, como ela conseguia ficar em pé?

– está, você cresceu, deixou o cabelo crescer também e tem uma cicatriz embaixo do queixo que não tinha há quatro anos. E você mudou não sei dizer bem o que, mas mudou.

– acho que todas nós mudamos, veja a Kristy, ela era do seu tamanho talvez menor e agora ela estar maior do que eu, deixou o cabelo enorme e liso,e esta bem mais bonita.

– é você tem razão nó mudamos — ela disse um tempinho depois Kristy entrou pela porta.

– até que fim eu pensei que você não ia sair mais do banheiro – brincou Annie

– há! Há! Espera ai esta faltando um... Há! Muito engraçado Annie.

Tia Mary passou lá no quarto carregando Bessie no colo em direção do quarto dela – meninas eu acho melhor vocês irem dormir, foi um dia cansativo.

Mas nós continuamos conversando, sobre nós.

– meninas eu disse que era hora de dormir, não me façam botar vocês na cama – ameaçou tia Mary.

– boa noite – nós dissemos ao mesmo tempo

҉

– Greta! Greta! Acorde – eu demorei um pouco pra perceber que meu pai me chamava me levantei e percebi que minhas primas não estavam mais nas camas.

– bom dia pai – disse mais ele não me respondeu – o que foi pai? – ele me lançou um olhar frio quase mecânico.

– me ligaram da agencia eu tenho que voltar.

– já? Eu pensei que nós íamos ficar mais tempo e... – ele não deixou terminar

– eu sei, mas é um assunto muito importante Greta. Eu tenho que ir. – ele virou a cara

– eu vou me despedir das meninas – levantei da cama — e me trocar então nós podemos... – outra frase incompleta

– você não entendeu Greta, eu vou você fica.

– o que? Como assim? Você não pode... – lagrimas ameaçaram cair.

– eu posso. – ele levantou a voz — Será bom pra você, eu já contei a você que eu estudei aqui, com a sua mãe – ele já tinha contado essa historia seu pai, meu avô era muito rígido com ele e resolveu deixar meu pai um verão com uma prima distante, nesse verão ele conheceu minha mãe e pediu ao meu avô para morar aqui e ele deixou — e esse lugar me ensinou muitas coisas. – ele continuou se distanciando de mim a cada segundo

– por quê? – eu exigi uma explicação, ele não devia agir assim com a sua própria filha. Caminhei até a porta

– porque eu sei o que é melhor para você – melhor pra mim? — e você vai ficar eu já falei com a sua tia e ela esta de acordo, eu vou tentar falar com vo... – eu já tinha chegado ao meu limite

– você vai embora? Vai! Aproveita e ME ESQUECE – eu explodi, eu simplesmente explodi, abri a porta e fiz sinal para ele sair

– Greta querida... – ah agora ele vem me chamar de QUERIDA?

– VAI EMBORA! – ele se levantou, caminhou até mim, olhou-me nos olhos pela primeira vez em horas, como se pedindo desculpa – é melhor esquecer que tem uma filha porque eu vou esquecer que tenho um pai.

Notas finais
aqui fica a nossa despedida, aproveitem e digam o que acharam do enterro, da família do Roch e é claro da ida do pai! beijo sabor soverte de creme (espero ver vocês no reviews)