Notas iniciais
Hey! Voltei! o/ Desculpem a demora. Eu viajei por duas semanas, e estava sem meus arquivos. Mas comecei o capítulo XXV, então logo, logo devo trazê-lo. Acho que acabei exagerando demais nesse capítulo. Ficou pequeno, mas vale a pena. Deu o maior trabalho. Acho que fiz umas cinco versões até acabar essa há uns cinco minutos. Já revisei, mas qualquer coisa, podem me corrigir nos comentários! Bom, aproveitem! . (A partir daqui, haverá um capítulo sobre os estudos, e no seguinte partirão para o treinamento prático. Em alguns capítulos, não sei quantos, eles voltarão, e logo terá início a parte agitada da história - correndo o risco de ser agitação demais para um livro só XD. Bom... é isso. Até.)

– Aqui está bom.

Por vários minutos eles caminharam após deixarem as entradas da cidade, em busca de um lugar ideal. Finalmente, acabaram chegando a uma das clareiras que tanto haviam frequentado em sua viagem através do pequeno continente.

Dean ficou parado próximo à borda do terreno gramado, enquanto Katherine continuou avançando até o centro.

Por fim, apoiou um joelho na terra graciosamente. O outro permaneceu erguido.

– Nós olhamos para os elementos e julgamo-nos nada mais que isso: apenas meros elementos. Mas nos esquecemos que, no fundo, nós também somos elementos, resultado da mistura de todo o tipo de elementos primários e secundários. — começou ela. — A única coisa que nos diferencia daquilo que tão intolerantemente chamamos de 'meros' é a Consciência. Então, se algum elemento possui Consciência, ele pode ser considerado um ser vivo como qualquer um de nós, e assim está apto a ser contatado ou invocado por nós em períodos de necessidade. Nesses casos, dizemos que nós temos o 'consentimento' do elemento.

Terminando de falar, ela abaixou o rosto para o chão, fechando os olhos com suavidade, e suas mãos afundaram na grama ao lado de seu corpo.

De repente, uma corrente de vento súbita atingiu-o. Era forte, mas não violenta, e sim suave e fluída, como a correnteza de um rio tranquilo.

A brisa durou apenas um instante. Então, uma segunda sensação seguiu-se à primeira, mas essa não era nada que Dean já houvesse experimentado. Vinha do chão através de seus pés e dispersava-se por todo o seu corpo de dentro para fora. Era vaga e difusa, mas tinha uma intensidade profunda, como a grandeza das raízes de uma árvore centenária, tão firmemente presas ao chão que nada poderia tirá-las do lugar.

Devagar, Katherine ergueu o olhar para ele. Em seu rosto estava marcado aquele seu sorriso enigmático que, como Dean começava a entender, indicava a iminência de algo belo e maravilhoso.

E então, ela falou.

– Já há muitos anos que eu selei minha aliança com a natureza deste mundo.

.

Não havia nenhuma frase, nenhum sorriso enigmático que pudesse prepará-lo para a beleza do que estava por vir.

Se eram centenas ou milhares, ele não sabia, mas a impressão que tinha era de que havia tantas borboletas à sua volta quanto estrelas no céu à noite.

Milhares. Com certeza, milhares.

Milhares e milhares de borboletas-monarca voavam em torno da clareira, como uma única nuvem laranja e negra.

A luz do sol refletia nas ostentosas asas dos graciosos animais, fazendo-os parecer um vislumbre do paraíso.

Se antes o vento forte fora um mero lampejo, agora a brisa era contínua, alimentada pela imperturbável dança hipnótica das borboletas.

O vento balançava o cabelo de Dean, jogando-o à frente do rosto em chicotadas, mas ele não sentia. Toda a sua sensibilidade estava agora concentrada em seus olhos.

Voando em espiral, a nuvem de borboletas começou a subir lentamente em direção ao céu. Então, uma parte delas tornou a descer, e o que antes era apenas uma nuvem densa agora assumia a forma de uma redoma ao redor da clareira e dos dois Viajantes. Depois de alguns instantes, a redoma tornou a se desfazer, e as borboletas retomaram a trajetória de um anel à sua volta. Em todo o tempo da dança que mais parecia coreografada, nem por uma fração de segundo a energia que lhe alcançava pelos pés fraquejou, nem mesmo um pouco.

– É belo, não é? — disse Katherine, sua voz tão poderosa quanto a própria magia que executava. — Algumas pessoas olham para nós e vêem uma cidade congelada no tempo. Outras olham e vêem o Povo do Leste como um povo bárbaro, ainda mais distante da civilização e do progresso do que os Reinos do Norte. Mas para quê evoluir se vivemos em um eterno estado de paz? — cotinuou. — O que ganhamos com a idade não é algo que pode ser enxergado. Embora talvez tenhamos a vida mais mansa e as ferramentas mais simples, nós também temos o conhecimento do qual se privam diversas sociedades ao longo de toda a Existência. Enquanto muitas civilizações pecam ao rotular erroneamente a Natureza como sendo a simples soma de fauna e flora, nós a enxergamos como ela realmente é. É difícil pôr em palavras algo que está muito além da compreensão, mas a Natureza é mais do que só um termo. Ela é uma existência muito mais antiga e sábia do que todos nós. Ela é uma entidade real, e está bem viva. Essa é a sabedoria que ganhamos com a idade: uma sociedade que anda em dissonância com sua Natureza está fadada à morte. Leve esse conhecimento para sua vida, Deaniel Gray.

Dean ouvia atentamente. Ele não entendia totalmente o que ela queria dizer com aquilo, ou por que ela o dizia a ele, mas aquelas palavras ficaram marcadas em sua mente como letras incrustadas em diamante.

Por todo o tempo em que foi tocado pela energia transmitida pelo chão, foi como se ele estivesse fora da linha temporal. Todos os seus sentidos se tornaram mais aguçados, e era até difícil não se concentrar em alguma coisa, mas quando focava em algo, não havia detalhe que lhe escapasse. Era como se ele visse tudo ao mesmo tempo e com igual perfeição. Cada segundo demorava vários para passar, e um minuto poderia ter demorado uma eternidade.

A Natureza era simplesmente grandiosa.

Então, um último impulso de energia pareceu chacoalhar o mundo à sua volta, e por um momento, Dean ficou sem chão.

A última corrente de vento foi ainda mais súbita e agressiva do que as anteriores, mas o vento parecia ter parado apenas para o garoto. Mais do que nunca, os cabelos da garota ajoelhada chicoteavam e se debatiam violentamente.

Como uma só entidade, o anel de borboletas começou a expandir-se até desaparecer nas sombras da floresta.

Então, a energia baixou. Foi repentinamente, e sua súbita suavidade fez com que Dean recuperasse o equilíbrio a tempo de manter-se de pé.

Com um último ondular, os cabelos de Kath também se acalmaram, e tornaram a repousar sobre suas costas e seu ombro como uma capa dourada.

Com um sopro, ela afastou uma mecha de seus olhos.

No instante seguinte, ela já estava de pé, como se nada tivesse acontecido. Não levantara devagar, nem com pressa, nem com nada que indicasse alguma consequência de tamanha demonstração de poder.

Uma aliança com a natureza... isso era possível?

– Eu não lhe mostrei isso apenas para que visse do que será capaz se completar seu treinamento com sucesso. — disse ela, andando até ele. — Se você quer entender a magia, deve primeiro entender a sua fonte, e você não conseguirá entender a sua fonte a menos que a conheça pessoalmente. Além disso, se você realmente quer conhecer e entender esse Domo, deve compreender que nenhum de nós estaria aqui se o mundo tivesse rumado em uma direção diferente, e a Natureza teve um papel importante na formação dos Três Povos, sobretudo os Povos do Sul, os quais originaram não só o Povo do Leste, como também do Oeste. — Uma pausa. — Se realmente estiver disposto a aprender essa magia, deve aprender a respeitar a natureza e entendê-la como uma entidade viva, e, para isso, terá que estudar muito. Ainda quer continuar?

Por um momento, Dean não percebeu que tinha que responder. O que tinha acabado de presenciar mexera com ele, e seus reflexos tinham perdido a velocidade do instinto.

– Ah...! — exclamou, quando processou a pergunta. — É-é claro que eu quero! Não importa se vou ter que me esforçar. Isso é... Quer dizer, tudo isso...!

Nem ele sabia direito o que queria dizer. Seus pensamentos estavam tão confusos quanto suas palavras, e, como tais, se atropelavam em sua mente como nós em uma bola de fios.

Só o que ele sabia era que queria dizer 'sim'.

Por um momento, Kath ficou surpresa com a enxurrada de meias-frases. Então, sua expressão abrandou-se em um sorriso vagamente compreensivo, mas também divertido com a inconsistência da manifestação. Dean sentiu aquela sensação familiar, como se ela soubesse o que ele mesmo não sabia. Como se compreendesse com perfeição o que ele nem mesmo conseguia organizar em pensamentos.

– Certo. Então, vamos nessa, garoto — disse ela, com firmeza, ainda sorrindo, mas agora com uma leve nuance de determinação. Em um gesto rápido, ela agarrou a manga de Dean e puxou-a para baixo, levando sua cabeça à própria altura. Porém, o gesto não fora rude ou violento, mas suave e imperioso, altivo como ela própria se mostrava nesses raros momentos de imposição. Olhos nos olhos, naquele momento ele notou, mais do que nunca, o poder, a força e a vida presentes naqueles grandes olhos negros. — Se quiser aprender isso a tempo de voltar depressa para seus irmãos, vai ter que se esforçar.

Embora tivesse sido pego de surpresa, Dean não se assustara com o movimento brusco, e tampouco sentira qualquer coisa naquele momento além de admiração e uma determinação inspirada e decidida.

– Sim! — exclamou ele, em resposta.

Soltando-o repentinamente, Katherine deu-lhe as costas e andou um passo em direção ao bosque, na direção da qual vieram e para a qual seguiriam quando fossem retornar aos Reinos.

E, ainda de costas, proferiu uma última promessa.

– Eu não sei por que a Imperatriz o escolheu, ou por que você escolheu estar aqui. — falou. Sua voz não era mais fraca ou menos intensa do que o era quando de frente. — Mas não vou deixar que seu tempo longe de casa seja um desperdício. Talvez não saibamos ainda o que está acontecendo, e provavelmente é algo grande e perigoso, mas eu juro, pela minha vida, que o levarei de volta para seus irmãos são e salvo tão logo quanto possível!

.

Raras vezes a livraria testemunhara, em seu longo período de existência, tamanha energia, alegria e agitação quanto as que pairavam no ambiente naquela semana de verão.

Katherine passava as longas tardes sentada no chão, ao lado de pilhas e pilhas de livros de assuntos variados, frequentemente dando risos divertidos com o entusiasmo de Dean Gray.

Elliot, longe de nutrir algum carinho especial pela leitura, sentava-se sobre altas pilhas de volumes próximo às estantes, como tronos literários. Os livros começavam a se acumular por todo o amplo estabelecimento, diminuindo o espaço vazio e sumindo com qualquer mínimo resquício de organização que pudesse ter sobrado do dia em que os três jovens pisavam ali.

Ty passava seus dias observando, fosse um inseto peculiar, fosse o sol do lado de fora da janela, ocasionalmente pegando um livro ou outro para ler e mexendo nas coisas de sua mochila. Uma das coisas que observava era o novato, e, é claro, a irmã. Ele estava sempre tranquilo, próximo à porta, onde a bagunça não era tão presente, sorrindo e até soltando uma risada ou outra com o caos que se formara lá dentro.

Quando a Shiva, o tempo que não passava arrumando os livros era gasto de pé, ao lado da mesa onde Dean se sentara para ler um ou outro livro, explicando, ensinando e sugerindo algum material para consulta. Talvez ele não fosse tão bom em explicar quando Katherine, mas seu domínio do tema era de longe mais complexo e especializado. Ele sabia daquele mundo tanto quanto Katherine sabia de diversos outros, o que era bastante coisa. Agora, Dean finalmente começava a entender o título de ‘especialistas em tudo’.

Henric parecia ter algum apreço especial pelo conforto e hospitalidade. Um chazinho aqui, um lanchinho ali, uma frutinha daquele lado, uma bebida daquele outro. Ele, mais do que qualquer outro, se divertida com os convidados mais jovens, mesmo ele próprio aparentando ainda uma grande distância a ser percorrida antes do fim da energia de seus tempos de juventude.

Rue e Pinmur voavam pela livraria, brincando na forma de pássaros, cada um com sua própria gama de marrons. Ellie assumira a forma de uma elegante ave de penas claras que bem poderia ser uma coruja, e era frequentemente vista empoleirando-se nas estantes mais altas ou planando de um ponto a outro da loja, em voos graciosos. Aiden, o Protetor de Elliot, passava a maior parte do tempo na forma de um animal de corpo alongado e com curtos pelos marrons macios, embora um pouquinho desgrenhados por causa da sujeira. Eles variavam de tonalidade em diferentes pontos do corpo do animal, tornando-se mais claros na barriga, mais escuros perto dos olhos e medianos no restante de sua estrutura esguia. Dean ainda não sabia que animal era aquele, mas o equivalente mais próximo em seu mundo que encontrou foi o furão, que costumava ver nas pet shops que visitava.

Katherine fazia valer sua promessa. Dean não entendia por que ela queria ensiná-lo antes de investigar o que quer que a preocupava, mas já aprendera a não questionar. De todos presentes naquela sala, ela era, de longe, a com mais experiência.

A garota não dava trégua. A cada minuto que Dean pensava em descansar, lá estava ela, levando-o a níveis extremos de concentração. Raramente ele já se entusiasmara com estudos, mas aquilo era diferente. Ou, pelo menos, para ele.

De manhã, intensos estudos teóricos sem pausa. À noite, treinos práticos de todos os tipos, envolvendo a compreensão, observação e, como objetivo, a manipulação dos elementos.

Os dias passavam e ele ainda estava longe de aprender, mas mesmo sem chegar a qualquer resultado, ele não sentia que desperdiçava seu tempo. Cada minuto que passava falhando era um minuto que passava tentando, e ele estava determinado a conseguir. Se não tinha talento, em nada lhe faltava a determinação.

Por causa disso, os dias passavam de um jeito diferente. Do amanhecer ao anoitecer, cada segundo era tão bem aproveitado que parecia que semanas haviam se passado. Mas quando olhava para trás, um dia se transformava em dois, dois dias se tornavam três, e o tempo parecia ter passado simplesmente rápido demais.

Apesar da seriedade do que faziam, o clima era sempre despreocupado, como pessoas que haviam se comprometido em fazer algo sério a ponto de arriscar a vida, mas com a plena certeza de que conseguiriam.

Ou, pelo menos, assim parecia... até o incidente do jantar.

Notas finais
Ok, fiz algumas modificações. Assim o capítulo fica mais longo e termina com um ar de curiosidade. Essa soma do último trecho foi apenas uma experiência! Me digam nos comentários se acham que fica bom assim ou se devo tirá-lo! . . Só imaginando uma fanfic só com cenas aleatórias dos personagens