Viajantes - O Príncipe de Âmbar [HIATUS]
6 Capítulo V
Notas iniciais
Dean não tinha certeza se aquilo podia ser chamado de 'luta'. Estava mais para 'massacre unilateral'.
Derek avançou primeiro. Seu golpe não poderia ter sido menos efetivo; com considerável descaso e até um certo desdém, Katherine simplesmente inclinou-se para o lado, fazendo o soco passar reto por seu alvo, e desferiu um golpe de mão espalmada contra as costas do atacante, fazendo-o cambalear por vários passos.
Ric e Jordan fizeram menção de avançar, mas Derek não aceitava perder para uma garota — ainda mais para uma tão pequena — e gritou que não se metessem.
Novamente, ele atacou, mas o resultado não foi muito diferente. Katherine virou-se para evitar o golpe e desferiu um chute ágil em suas costas, fazendo-o cair no chão
Os dois rapazes que, até o momento, limitavam-se a observar, não se contiveram.
Katherine observou serenamente enquanto eles avançavam. Quando julgou-os suficientemente próximos, desceu abruptamente sobre um joelho até este tocar o chão, assumindo uma postura semelhante a uma pedra, e estendeu os braços para os lados, agarrando os tornozelos dos agressores que, sem tempo nem reflexos rápidos para desviar, caíram para frente com violência.
Dean assistia a tudo, fascinado.
Ric e Jordan ficaram rubros de raiva. Quando Katherine soltou-os, eles apressaram-se em levantar e se afastaram, preparando um novo ataque. Enquanto Jordan a distrairia avançando pela frente, Ric a imobilizaria por trás.
Percebendo a estratégia quase imediatamente, a garota pôs-se de pé em um salto suave e virou-se um pouco de lado, de forma a manter ambos em seu campo de visão.
Então, no último instante, deu um passo para o lado e agarrou os dois pulsos estendidos dos atacantes, e começou a girar.
Ela girava nas pontas dos pés, com leveza e um sorriso divertido no rosto, forçando os dois a girarem com ela. Era uma cena engraçada de se ver: ambos os atletas lutavam para ficar de pé, o movimento contínuo e initerrupto impedindo-os de recuperar o equilíbrio totalmente. Eles apenas giravam, até Katherine finalmente soltá-los, sem aviso. Os dois rapazes cambalearam por vários metros. Ric bateu a cabeça com força no muro.
– Que tal pararmos por aqui? — sugeriu a garota.
Derek não pareceu gostar da sugestão. O sangue subiu ao seu rosto quando ele levantou-se e avançou sobre ela, com um ódio quase mortal.
Katherine estava sempre atenta e virou-se ao som dos passos, ficando de frente para o ataque. Derek estava quase alcançando-a.
Então, de repente, a menos de um metro de distância de seu alvo, ele andou para o lado e mudou o alvo de seu ataque, seu punho agora almejando a lateral da cabeça da garota.
Não havia nenhuma forma de ela evitar o golpe àquela distância.
Há! Te peguei, pirralha!
Ele precisou de vários instantes para perceber o que tinha acontecido.
Sua mão chocou-se com uma superfície sólida, fazendo os nós de seus dedos doerem de uma forma aguda e concentrada.
O braço de Katherine estava erguido ao lado do corpo, bloqueando totalmente o golpe. Fora isso, ela não movera sequer um músculo.
Seu rosto continuava sereno.
– Você realmente achou — começou ela, com um tom ligeiramente baixo que fez Derek engolir em seco. — que conseguiria me pegar desprevinida?
O soco atingiu-o em cheio no queixo, e Derek desabou no chão, interte.
Ric e Jordan a encaravam com um misto de surpresa, medo e incredulidade, e a reação de Dean não era muito diferente.
Era estranho e surpreendente, ao mesmo tempo. Os dois atletas estavam pálidos, com os olhos arregalados e a boca meio aberta em uma exclamação muda. O nariz de Ric estava um pouco vermelho de sangue por causa do choque contra o muro, e Derek não estava muito longe disso. Por outro lado, a garota parecia perfeitamente bem; sua respiração nem estava acelerada.
– Ei, vocês — chamou ela, virando-se para os dois atletas ainda caídos. De repente, seu rosto assumira uma expressão assustadoramente normal. — Se importam de levar ele para o pronto-socorro? Eu tenho que ir embora daqui a pouco, e não sei onde fica o hospital mais próximo...
Os dois apressaram-se em levantar e se aproximaram, murmurando palavras incompreensíveis, como se suas línguas estivessem confusas quanto ao que falar. Cada um apoiou um dos braços de Derek em volta do próprio pescoço e saiu andando, da forma mais eficiente possível com todo aquele peso a tiracolo.
Quando eles finalmente sumiram à distância, Dean percebeu que prendia a respiração desde o começo da luta. Respirou fundo.
Katherine virou-se para ele e se abaixou apressadamente ao seu lado.
– Você está bem? — perguntou, ansiosa.
Por um momento, Dean perdeu a fala, fitando aqueles hipnotizantes olhos negros, tão próximos de seu rosto.
Percebendo a inquietação do garoto, ela se afastou um pouco.
– Ahn... sim, estou — respondeu Dean, com a voz mais firme que conseguiu fazer; o que não foi muito, pois os últimos acontecimentos o desnorteavam demais para que ele pudesse ter certeza de qualquer coisa.
– Que bom — sorriu ela, meio suspirando. — Olha, eu queria te pedir desculpas por ontem. Acho que fui um inconveniente para você... espero não ter atrapalhado muito.
Ela se levantou rapidamente, pegando a mesma mochila turqueza que usava no dia anterior e que, aparentemente, havia sido jogada ali. Katherine parecia ter bastante prática em livrar-se de pesos desnecessários na hora H.
Quando ela começou a se afastar junto com o garoto loiro que ficara ao lado dele durante a luta, Dean percebeu que estava perdendo a chance de achar as respostas para suas perguntas, e lutou para levantar-se, apesar da dor nas costas.
– Ei, espere! — chamou. Dessa vez, a garota parou e olhou para ele. — O que está acontecendo comigo? Por que eu estou tendo esses sonhos com você?
Talvez fosse pressupor demais assumir que ela saberia do que ele estava falando, mas exceto por uma leve surpresa na parte do 'sonhos', Katherine ouviu tudo com uma expressão de quem sabia sobre o quê ele falava.
– É... meio complicado — respondeu ela, como quem escolhe bem as palavras, projetando a voz através dos poucos metros que já havia percorrido. — Mas logo, logo tudo vai ficar mais claro. É só questão de tempo até tudo fazer sentido. Ou não — acrescentou, subitamente pensativa. — Aí depende da pessoa.
Ela começou a se afastar novamente, agora mais depressa, quase como em uma corrida casual.
– Espera! — exclamou ele. — Como assim? O que você quer dizer com isso?
Dessa vez, Katherine não parou de correr, mas Dean pôde ouvir sua resposta quando ela se virou, ainda correndo, mas agora de costas, e acenou com um braço estendido acima da cabeça.
– O mundo é um lugar confuso. — gritou. Ela ainda sorria, mas agora era um sorriso diferente, que Dean não conseguia identificar. — É, sempre foi e sempre será. Se vai entendê-lo ou não, só depende de você!
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