Viagem ao inferno

1 Capítulo 1 - Um dia que parecia normal


Ricardo nasceu em Curitiba. Morava em um bairro tranquilo, onde não existia movimento e nem marginais na rua. Sua rotina era a mesma todo dia. Acordava e apertava seu despertador , pois não parava de apitar. Assim como de costume , colocava seu pé direito primeiro ao chão , para dar sorte , o famoso acordar com o pé direito. Ia até a prateleira da cozinha e pegava a primeira caneca estampada , de cerâmica , onde bebia sempre seu café da manhã e comia seu pão com manteiga, ao som dos pássaros cantando pela manhã. A luz do sol iluminava a cozinha , quando este colocou seus óculos para ler o jornal que estava sobre a mesa. Depois de incansáveis minutos ali lendo , olhou seu relógio e percebeu que estava na hora do seu trabalho. Trocou de roupa, pegou as chaves que estavam em sua escrivaninha , em passos corridos agarrou sua mochila que estava no sofá. Bateu a porta correndo e todo atrapalhado para fechar a porta, enfim conseguiu. Saiu as pressas para chegar ao ponto de ônibus. Por sorte , o ônibus estava o esperando , pois o motorista conhecia Ricardo. Sentou-se em um banco , largou-se como se estivesse no sofá de casa, deu um suspiro e encostou a cabeça no vidro. Adormeceu. Passou-se alguns minutos, o ônibus passou em um lombada , onde Ricardo acordou, porem com os olhos entre-abertos, percebeu que seu ponto estava quase chegando. Então apertou o botão ( aqueles botões de ônibus para paradas , sabe? ) e então parou. Saiu dele colocando seu chapéu de trabalho. Entrou na lanchonete , para mais um dia de lutas. Passou horas atendendo clientes e limpando as mesas. Só que seu dia não acabou. Antes de sair , Sérgio , seu patrão , o chamou dizendo :

— Não falte amanhã ! Será seu dia de pagamento

Pegou agora outro ônibus. Este era para a faculdade. Chegando ao destino , foi correndo ao banheiro para tirar seu uniforme do Gullus , porque não iria para aula daquele jeito , por causa de seus colegas , que iriam tirar sarro dele dizendo:

— La vai a garçonete

— Me sirva um x-salada , por favor?

Mais um dia monótono se passou de estudos ( de vida também , porque que chatisse , né? ) e chegando em casa ainda arranjava tempo para ler a Bíblia. O capítulo de hoje era: João 3:16 — Deus amou o mundo tanto , que deu seu único Filho , para que todo que crer nele não morra , mas tenha a vida eterna. Ricardo era ateu , e lia a Bíblia para conhecer mais sobre a religião , para claro , ter argumentos nas discussões. Mas cada vez que lia , ficava cada momento mais intrigado , mas o seu caráter era como de Simão Pedro , um dos apóstolos de Jesus Cristo. Duro, incrédulo e cético. Começou , ali em sua cama , olhando para o teto , a refletir sobre tal trecho , dizendo :

— Como pode este Deus amar aqueles que o rejeitam , inclusive a mim , e dar o bem mais precioso que tem para salva-los?

Ricardo pensava sobre tudo. Até o porque de tudo existir. Porem ele não estudava filosofia , mas gostava de pensar em até no que falar , ou da onde veio. Morava sozinho , seus pais o deixaram ainda bebê no orfanato. Quando fez 18 anos , teve que se virar para viver. Triste realidade do Brasil , pois os jovens que são órfãos e que completam 18 anos , são jogados na rua , sem nada , só com documentos , e se tem documentos. Ele virou ateu por causa disso. Nunca foi atrás de seus pais. Não era um gênio , mas era inteligente. No entanto , atrapalhado. Foi dormir pensando naquilo. Adormeceu. Porem sua noite ainda nem tinha começado ( não pare por aqui , porque além de você ,também estou curioso para saber o que irá acontecer. Ricardo irá ficar surpreso , e você também ! )

Notas finais
As falas entre parênteses são falas minhas , do próprio autor , espero que gostem deste primeiro capítulo. Postarei o segundo em breve. Até mais !