Viagem Sem Rumo
2 Um cara atropelado
Notas iniciais
Nunca imaginei essa cena. Jared e eu deitados em macas diferentes indo para a emergência.
Deixo de vê-lo pois viramos direções opostas. Fazendo força para meu bebê nascer com esperança de vê-lo bem e saudável... Só que não deu certo. Ele nasce pré-maturo e vai direto para a incubadora. Nem tive chance de ver meu filho.
Não estou tão preocupada. Vou direto para o quarto, onde meu celular toca. Fico desesperada quando vejo que é minha mãe, pois ela mora em Londres e nunca me liga. Atendo ansiosa para saber o que ela tem para me falar.
– Alô? – digo.
– Fiquei sabendo que você fugiu da casa da sua prima. Na verdade, estou aqui agora. Tudo bem com você? – ela diz.
– Assim... Mãe eu estou no hospital. Meu marido está morrendo, eu acabei de parir uma criança e nem pude vê-la. Estou super bem! E cadê meu pai?
– Estou indo para aí.
Minha mãe desliga o telefone. Dá cinco minutos e ela bate na porta do quarto onde estou. Ela abre a porta e fala:
– Seu bebê é lindo, acabei de vê-lo. É uma menina.
Sorrio animada, mas logo me lembro que ela não respondeu minha pergunta:
– Cadê meu pai?
Minha mãe tenta enrolar, mas quando ela faz isso quer dizer que aconteceu uma tragédia.
– Cadê. Meu. Pai?!
– Tenho que te falar uma coisa, filha.
– O quê?
– Houve um acidente em Bristol, você viu? Um cara morreu atropelado por um ônibus.
– Vi, passou na TV.
– Então... O homem atropelado pelo ônibus era...
Minha mãe para de falar. Faço sinal com a cabeça dando a entender a ela para continuar. A mesma suspira e fala:
– O cara atropelado era seu pai.
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