Viagem Para Miami
41 Surtos & Praia
Notas iniciais
enfim,esse capítulo eu posso dizer que foi o que eu mais gostei de escrever,e está em um dos meus favoritos,espero que vocês gostem tanto como eu gostei.
está escrito na história,mas só pra relembrar,esse capítulo já se passaram 1 semana desde o último capítulo.e uma última coisinha:esses capítulos,acho que dois ou três estão mais focados para o Austin :)
então é isso,aproveitem!
1 semana depois...
POV Austin
Can you feel it,feel it,feel it...
-Muito bem pessoal,ótimo ensaio,pausa de cinco minutos!-Falei com a banda e os dançarinos.
Eu estava no estúdio ensaiando para turnê com a banda e os dançarinos.Dançar e cantar ao mesmo tempo cansa,tinha esquecido dessa sensação,tinha tanto tempo que eu não cantava,muito mais dançar,mas apesar de estar cansado,a sensação é ótima.
Fui até a geladeira peguei uma garrafa de água e sentei em um dos sofás que havia naquela sala em quanto os dançarinos e o resto da banda conversavam entre si animadamente por um assunto que eu realmente não estava afim de saber.Eu nunca foi muito de me associar com o pessoal que eu ensaio,eles são legais e tudo mais,mas sei lá,mesmo sendo o "centro" da coisa toda,eu ainda sou o mais novo de todos e me sinto estranho falando com eles,sei lá,eu tenho 16,quase 17 e eles são de 20 pra cima,a diferença não é muito grande,mas prefiro ficar na minha.
De repente alguém abre a porta,vi pela cabeça que era Jimmy,ele não entrou,só colocou a cabeça um pouco pra dentro da porta e falou:
-Austin,vem aqui no estúdio,tem visita.
Visita?Num estúdio?Hum,interessante.
Fui até a porta e entrei no estúdio.Bem é assim,temos a sala de ensaio e o estúdio do outro lado.Então fui até o estúdio e chegando lá vi de costas uma morena que eu conhecia muito bem,a mesma virou com aquelas cadeiras giratórias,se levantou,correu e praticamente saltou em meus braços,eu,sem hesitar retribui o abraço e fiz questão de colar ainda mais nossos corpos.
A questão é que,eu e a Ally não nos vimos desde aquele dia com o Dallas em meu quarto,só por telefone que nós às vezes conversávamos.O médico ordenou meus pais que eu não deveria receber visitas até eu me recuperar totalmente por causa de uns "ataques nervosos" meus.Podem acreditar?Eu.Austin Monica Moon.Um cara tranquilo,da paz,tendo ataque nervoso?Puft.Acho que esses médicos enlouqueceram.Mas enfim,assim que eu vi ela deu um vontade de eu agarrá-la e beijá-la,mas acho que seria muito precipitado da minha parte então ficamos no abraço mesmo.
-Tava com saudades de você Dawson.-Falei ainda abraçando-a.
-Eu também loiro.-Ela falou e dessa vez passou as mãos pela minha nuca e meu cabelo.
Acho que de todos os abraços que eu e Ally já demos esse foi o melhor,foi um abraço de...saudades.
-Vou deixar vocês a sós.-Falou Jimmy saindo do estúdio de gravação indo para a sala de ensaio.
Eu e Ally paramos de nos abraçar e ela voltou a se sentar na cadeira giratória que estava antes e eu me sentei em outra ao seu lado.
-Então,como está?Melhorou dos ataques?-Ela falou sorrindo e até deu um risada disfarçada pelo que pude perceber.
-Tá ok,pode rir da minha cara.
-Desculpa.É que o acidente afetou também um pouco do seu psicológico.
-Ah,não diga!-Falei com ironia.
-Austin...-Ela falou num tom meio magoado,acho que não gostou da brincadeira.
-Desculpa Ally,é que ainda é tudo tão novo e diferente pra mim,mesmo já tendo uma semana e três dias depois de tudo.-Ela arregalou os olhos,acho que deve ter ficado um tanto assustada pelo modo de eu contar os dias. -Sim Ally,eu contei os dias,não precisa fazer essa cara!Então,continuando,sei que já tem um tempo desde que acordei naquela sala de hospital,mas ainda me sinto tão perdido e sozinho!Se eu andar pelas ruas de Miami tenho medo de me perder,não na cidade especificamente,tenho medo de perder de mim mesmo,eu me perco em meus pensamentos,estão todos TÃO confusos.Eu perdi a confiança em mim mesmo,eu não consigo mais acreditar em mim mesmo,e o pior de tudo,eu nem sei porque.-Eu não aguentei,eu desabei,sinto que fui a pessoa MAIS GAY do mundo agora.
Afundei meu rosto em minhas mãos encostadas em meus joelhos e comecei a chorar,eu sinceramente não faço a mínima ideia ou noção no que deu em mim para desabar daquele jeito,ainda mais na frente da Ally.Mas eu pouco me importei,eu continuei ali chorando.
Eu juro,e esperava mais que tudo ali e agora era receber um abraço reconfortante da Ally.Não que eu fiz todo esse show pra receber um abraço dela,eu acho que fui sincero até demais com ela,não precisava de eu dizer aquilo tudo,mas eu não estava suportando mais.
De qualquer forma a Ally não me abraçou,o que eu estranhei,normalmente essa era a primeira coisa que ela faria e depois teria um diálogo e ela seria como minha psicóloga particular — gostei de como isso soa hahaha “MINHA psicóloga particular” — se bem que a Ally era mesmo uma,ou apenas uma boa ouvinte,mas não era minha.
Mesmo a morena não me abraçando não me contive e continuei chorando,e só percebia o olhar dela sobre mim,por que ela ficava me olhando e não fazia absolutamente NADA pra me ajudar?
-Já parou com seu show?-Ally falou com um tom tão normal que parecia que nem tinha me visto chorando.
-Nossa!Grande amiga você hein Ally!-Falei limpando algumas lágrimas de meu rosto que estava visivelmente inchado e vermelho.
-Austin,você tem que entender que...-Ally começou mas eu a interrompi.
-Eu não tenho que entender porra nenhuma Ally!Pensei que você ajudaria,me entendesse a apoiasse,e não falasse sarcasticamente "Já parou com seu show?",eu me abri e desabafei com você e você tem a coragem de dizer que eu tô brincando?Mas também melhor assim,certo?Também se vocês acreditassem iam me mandar pra aquele hospital novamente,não iam?Melhor.Sinceramente Ally,quero que você suma da minha frente!-Eu falei tudo em disparada nervoso e Ally ficou assustada e magoada com o que tinha ouvido,e na mesma hora sai correndo pra fora daquele estúdio.
Comecei a correr pelas ruas Miami,eu queria fugir,me esconder,e ficar sozinho e nem liguei pelo fato de meu carro ter ficado no estúdio,depois eu passaria lá e pegava ele.
De repente me vi numa praia,não muito cheia,o que era ótimo,queria ficar sozinho.Me lembrei que o estúdio não ficava longe da praia,só alguns quarteirões de lá,por isso que cheguei tão rápido,eu sai que nem um trem bala de lá.
Era estranho ver a praia vazia,nesse período de férias geralmente é cheio de turistas,mas como disse,melhor assim.
Resolvi sentar-me na areia e pensar um pouco...mas NADA saia de minha mente.
Eu só conseguia olhar para o mar,indo e voltando...
De repente um cachorro abandonado,porém até bem cuidado e bonito se aproxima de mim e se senta ao meu lado na areia.
Ele era até bem grande,parecia um cão da raça labrador,cor de mel e já tinha uma carinha velhinha.Ele me lembrava o Marley,do filme Marley & Eu,só que seu pelo era um pouco mais escuro.
Ele parecia manso e olhava para o nada como eu,parecia pensativo,o que eu achava estranho sobre o fato de cães pensarem,talvez os médicos estejam certo,talvez eu esteja enlouquecendo.
Resolvi arriscar e passei minha mão em sua cabeça o acariciando,o mesmo pareceu gostar já que não me avançou.
-Sabe,você tem sorte de não ser uma pessoa.-Falei para o labrador ainda o acariciando.
Ele por um momento virou e olhou em meu rosto e depois de uns segundos,voltou a encarar o mar,ou a areia,ou simplesmente,o nada...
-Você com certeza não gostaria de ser uma pessoa,nós temos muito problemas,e a maioria deles,difíceis de resolver,mas principalmente,complicados de entender.-Falei soltando um longo suspiro.
-Cachorros só comem,bebem,brincam e dormem!Oh céus,essa com certeza é minha vida dos sonhos.-Comentei. -E vocês ainda tem donos para guiar vocês,e te orientar,vocês tem sorte.
O cachorro me olhou novamente no rosto com um olhar triste parecendo dizer "Não é bem assim a vida de um cachorro,meu filho...".Mas é claro que isso eu deduzi porque cachorro não fala,claro que não,porque se aquele cachorro abrir a boca pra falar como nos filmes eu juro que saia correndo e me internava num hospício,mas de qualquer forma,só de poder sentir o que ele queria dizer com seu olhar já me assustou o suficiente.
-Ai meu Deus,alguém me ajude,eu tô doido,eu tô falando com um cachorro de rua,ALGUÉM ME LEVA PRO HOSPITAL POR FAVOR?-Gritei mas parece que os poucos seres humanos que ainda estavam naquela praia não me ouviram ou simplesmente me ignoraram.
Eu já estava me levantando pra ir embora,porque a qualquer momento eu poderia estar fazendo uma serenata pra uma gaivota e isso não seria muito legal digamos;mas quando eu fui me levantar,um peso caiu sobre meu colo,o labrador havia colocado a sua cabeça lá me impedindo de levantar,ele parecia querer que eu não vá,ou querer mais carinho e nesse momento,meu coração se derreteu.
-Eu tenho que ir embora amiguinho.-Falei acariciando sua cabeça ainda em meu colo.
O labrador choramingou um pouco,e foi ai que eu não aguentei.
-Quer saber de uma coisa?É disso que eu estava precisando.Vem cá.-O chamei me levantando e o mesmo foi atrás de mim,me acompanhando em cada passo que eu dava.
Corri junto com o labrador cor de mel até o estacionamento do estúdio,parece que todos haviam ido embora,mas meu carro continuava lá.
Corri até ele,abri a porta do banco de passageiro na frente e o labrador pulou lá dentro rapidamente e se acomodou,fechei a porta,dei a volta e me sentei no banco do motorista.
-Você precisa de um nome!-Falei decidido,antes de dar partida no carro. -Bob?-Sugeri.
O mesmo latiu parecendo não ter gostado do nome,estranho,cachorro tem opinião agora também,que legal...
Dei uma olhada nele e fui até seu país baixo,e acabei descobrindo que não era "ele" e sim ELA!Descobri também porque não deve ter gostado do nome.
-Ah,me desculpe,não sabia que era uma garota.-Falei meio sem graça.
Por que eu estava sem graça?Estou falando com um cachorro!Ops,cachorra...melhor cadela,certo?Argh!
A mesma latiu,e parecia em concordância.
-Então tá,você é cor de mel.Que tal Mel?-Sugeri mais uma vez.
A labradora pulou em meu colo e me deu um beijo (lê-se: uma lambida bem babada) em meu rosto,e acho que ela gostou desse nome.
-Ótimo.Então Mel...Vamos para sua nova casa.-Falei ligando o carro e me dirigi até minha casa.
Notas finais
até o próximo capítulo...
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