Viúva Negra - Código: Sala Vermelha
1 Introdução
Ano de 1995, Stalingrado (Rússia). Uma jovem garota vê-se absorta em meio as chamas que destruíam o prédio onde vivia com sua mãe. Ao que tudo indica, a mãe da garota já havia falecido naquele momento, pois ninguém respondia por seu grito de socorro. O pavor toma conta da garota, à qual acreditava estar vivendo seus últimos momentos de vida. Ela começa a pedir perdão para sua mãe, como se estivesse se comunicando com o espírito dela. A garota alegava não havia demonstrado seu amor em todos os momentos em que lhe era permitido, mas que ainda assim, considerava o amor que sentia por sua mãe como o maior de todos os amores que já sentira. As lágrimas caem por seu rosto. Ela sabe que nunca poderá dizer aquelas palavras para sua mãe. Subitamente, uma equipe de soldados consegue adentrar no apartamento onde estava a garota. Um dos soldados a carrega em seus braços para fora do prédio, mas a garota se nega a sair do local sem a presença de sua mãe. O soldado ordena que uma busca seja feita pelo apartamento, mas indica para a garota que eles iriam sair naquele exato momento, pois sua saúde estava em risco. Com o intuito de conquistar a confiança da garota e aproveitar para acalmá-la no processo, o soldado se apresenta a ela. Seu nome era Ivan Petrovich. A garota se apresenta como Natasha Romanoff. À desse momento, as vidas dessas duas pessoas se entrelaçam de maneira incompreensível. Após passar por alguns exames, a jovem Natasha recebe a confirmação de que sua mãe havia falecido durante o incêndio. Ivan se compadece do sofrimento de Natasha e a acolhe em um caloroso abraço. O tempo acaba se passando rapidamente e Ivan consegue a guarda provisória de Natasha. Ela ainda não tinha uma compreensão correta dos fatos que ocorriam ao seu redor, mas sabia que havia algo de estranho naquilo. Independente disso, Natasha é levada por Ivan até sua casa, onde é surpreendida com a presença de outra menina, à qual era ainda mais jovem que ela. A menina parecia ser bastante tímida e de poucas palavras. Ivan se coloca no meio delas e se abaixa para ficar em uma altura próxima a delas. Ele as aproxima e pede com delicadeza para que a menina se apresente. O nome Yelena é quase sussurrado pela menina. Ivan compreende a timidez e não força nenhum tipo de interação entre as duas, porém incentiva algumas brincadeiras ao longo dos dias e, aos poucos, percebe que Natasha e Yelena já brincavam juntas pelos arredores da casa, quase como se fossem irmãs de sangue, inclusive criando um assobio específico para se comunicar quando estivessem longe uma da outra.
As semanas se passam. Natasha estava começando a se acostumar com a sua nova realidade. Entretanto, nem tudo era perfeito e as lembranças dos momentos que passara com sua mãe eram recordadas constantemente. Em uma ocasião, Natasha se encontrava do lado de fora da casa, observando o céu estrelado daquela noite. Ela se lembrava, quase que vagamente, de um momento similar que tivera com sua mãe há algum tempo. As duas deitadas na grama de um parque próximo a sua antiga residência. Sua mãe apontava para o céu e demonstrava ter muito interesse em poder conhecer os locais que se escondiam por aquele vasto universo. As lágrimas caem dos olhos de Natasha que, ao perceber a chegada de Ivan, rapidamente limpa o rosto e estampa um quase falso sorriso. Não que ela não estivesse contente com o ambiente ou com as pessoas ao seu redor, porém ela tentava esconder a tristeza que sentia em seu interior. Por outro lado, Ivan tinha uma percepção muito aguçada dentro de casa e costumava reconhecer e acolher os sentimentos de Natasha e Yelena. Sendo assim, ele logo percebe uma certa melancolia em Natasha e se faz presente ao seu lado, oferecendo seu ombro para que ela pudesse recostar sua cabeça, se assim tivesse vontade. Ela assim o faz. Um conforto inexplicável é sentido por Natasha. Ela compartilha sobre a saudade que sentia de sua mãe, mas prontamente o agradece por sua compaixão com ela e com Yelena. Natasha sente que precisava fazer aquele comentário, pois temia que Ivan pudesse acreditar que ela estivesse insatisfeita com algo. Como gostava de manter o ambiente leve, Ivan logo faz uma brincadeira com Natasha, insinuando de maneira sarcástica que ela não estava gostando de morar ali com ele e Yelena. Ele ri da situação, pois Natasha ainda estava aprendendo a reconhecer o sarcasmo em algumas de suas colocações. Em meio a ansiedade da brincadeira, Natasha acaba chamando-o de pai, ato que a deixa envergonhada. Aquela palavra ainda não tinha sido usada por Natasha para referir-se a Ivan.
Os olhos de Ivan se enchem de lágrimas. Aquela palavra, sendo dita de maneira tão natural, significava muito para ele. Significava que todo o seu empenho em acolher aquelas garotas estava proporcionando-lhes uma vida muito alegre e plena, na medida do possível. Em seu íntimo, Ivan sabia que algo muito traumático poderia ter acontecido com elas. Ele agradecia todos os dias por estar conseguindo protegê-las daquele perigo. Nisso, sem que pudessem esperar, Yelena surge entre os dois e os abraça, numa maneira de compartilhar a felicidade que permeava aquela família que fugia dos padrões. Aquele gesto concretizava um dos maiores desejos de Ivan. Ele finalmente havia encontrado a sua família. Entretanto, por mais que estivesse apreciando aquele momento em família, Ivan as informa que seu jantar começaria a esfriar, caso eles demorassem a entrar para dentro de casa. Natasha e Yelena não perdem tempo e correm em direção a mesa de jantar. Ivan age de maneira brincalhona e também corre para a mesa no encalço de suas filhas. A noite avança. Levando em consideração o frio que fazia fora de casa, Natasha agradece pela lareira que os aquecia naquela noite. Durante o jantar, o clima agradável e familiar é interrompido por alguém que bate à porta. Ivan pressente o que estava por vir. Ele rapidamente pede para que as garotas se escondam, sem explicar-lhes o motivo de seu pedido. Yelena demonstra estar resistente àquele pedido, no que Ivan é ríspido em suas palavras, ordenando-lhe a obedecê-lo. Aquela seria a primeira e única vez que Ivan agiria daquela forma com uma delas. Antes que o pedido de Ivan fosse acatado, a porta de entrada é arrombada por alguns soldados, deixando Natasha e Yelena apavoradas com a situação. O frio que antes permanecia do lado de fora, agora começava a tomar conta da casa. Enquanto Yelena tenta se esconder atrás de Ivan, Natasha permanece firme ao lado de seu pai. Ela acreditava que aquele homem as protegeria de todo o mal que pudesse acontecer naquela noite. Os soldados repentinamente demonstram continência à uma figura que permanecia do lado de fora da casa. Aos poucos, Natasha reconhece que se tratava de um homem, trajado de vestes bastante pesadas, às quais o protegiam do ar gélido daquela noite. Seu nome era Dreykov, ou melhor, General Dreykov. Sua presença no ambiente provoca um semblante de pavor em Ivan.
Dreykov entra na residência e observa tudo ao seu redor. Cada mínimo detalhe da casa transparece o ambiente familiar que Ivan havia formado em conjunto das garotas próximas a ele. Dreykov não esconde sua decepção e questiona Ivan sobre a procedência daquelas garotas, além do motivo pelo qual não havia sido informado sobre aquilo estar acontecendo. Ivan pressente que a estabilidade de sua família estava em perigo. Seu nervosismo na hora de responder Dreykov só o atrapalha ainda mais. Natasha começa a compreender o motivo de ela e Yelena terem uma vida tão reclusa junto de Ivan. Sua permanência com Ivan só era possível por serem um segredo que ele guardava das pessoas ao seu redor. Dreykov interrompe a fala bagunçada de Ivan e ordena que os soldados levam as garotas para a Sala Vermelha, onde seriam treinadas para servirem a sua nação. Ivan sente o peso das palavras de Dreykov, mas não consegue ir contra suas ordens. Natasha e Yelena se desesperam com a situação, o que leva a garota mais velha a tentar protestar e agir contra os soldados. Ao conseguir desarmar um soldado, Natasha aponta a arma na direção de Dreykov e afirma que não permitiria que sua família fosse desfeita mais uma vez. Dreykov sente a força de vontade presente nas palavras de Natasha que, mesmo que estando com os olhos repletos de lágrimas, tinha convicção daquilo que se propunha a fazer para salvar a sua família. Ele então pede para que a garota olhe para seu amado pai. Natasha assim o faz, porém não abaixa sua arma, pois temia que aquilo fosse uma armadilha. Quando percebe que Ivan mantinha os olhos voltados para o chão, aceitando um aparente inevitável destino, Natasha sente-se decepcionada. Ela se envergonha por ter tentado enfrentar o destino que estavam impondo a ela, pois seu pai não estava tentando fazer o mesmo. Ivan parece ter acatado a ordem do General. Natasha observa a situação em que se encontrava e abaixa a arma, à qual é tomada de suas mãos. Ela reconhece que não teria outra escolha, segura na mão de Yelena e parte ao lado de Dreykov, sem dar um último adeus a seu pai.
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