Notas iniciais
Olá, pessoal!!
Estou amando a recepção a essa fic e queria muito, muito agradecer a todos e cada um por darem uma chance a ela e comentarem. Vocês não tem noção de como meu dia melhora cada vez que eu recebo uma atualização aqui no Nyah!! Sério mesmo!!

Quero dedicar esse capítulo à Camilla, que recomendou a fic e, além disso, é uma fofa!!
Lindona, obrigada pelas suas palavras de incentivo desde antes de nos conhecermos melhor. Significaram e significam sempre muito pra mim!
Um super beijo!!

Beijos a todos e boa leitura! Espero que gostem da bagunça que fiz com o capítulo 16... =)

Como era sexta feira de uma semana que tinha valido por várias, o Sr. Schue não preparou nada para o ensaio daquela tarde e perguntou se alguém gostaria de fazer apresentações livres. Entre os poucos voluntários, Rachel, que sempre tinha algo a cantar e nunca desperdiçaria uma oportunidade de treinar para suas audições para NYADA, escolheu um clássico de Celine Dion, e Blaine, tendo como companheiros na coreografia Brittany e Mike, fez uma versão de uma música na década de setenta, chamada You should be dancing, e deixou o professor animadíssimo.

Will era fã da era disco e, quando membro do coral, havia sido campeão das Nacionais com That's the way (I like it), por isso a versão apresentada por um de seus pupilos acabou fazendo com que ele resolvesse investir nas músicas daquela época e estilo, apesar dos protestos dos demais. Ele já tinha pensado muito, durante a semana, sobre a proximidade da formatura de alguns dos integrantes do clube e estava preocupado com alguns deles, principalmente Mercedes, Finn e Santana, que pareciam bastante perdidos em relação ao que fazer depois dela. Então achou que poderia fazer uma competição e aproveitá-la para adentrar o assunto.

"A tarefa para a próxima semana será voltar no tempo, com Embalos de Sábado à Noite." Disse, depois de conversar, durante um pequeno intervalo, com Sue, que reforçou sua ideia, lembrando que aquele fora o álbum que definira uma geração. Ela tinha, ainda, sugerido, como solução para o fato de os alunos não gostarem de disco, que eles oferecessem um prêmio ao vencedor.

"Vamos lá, Sr. Schue. Nossos pais ouviam isso!" Reclamou Finn.

"Esse álbum, do jovem Solomon Grundy, é um dos mais vendidos de todos os tempos." Sue interviu.

"A história de Tony Manero pode ser a de vocês. Ele trabalhava em uma loja de tintas, lutando para achar seu destino, e só tinha certezas sobre si mesmo quando dançava na pista. Mas, ao mesmo tempo, ele tinha um sonho, que era sair do velho Brooklyn e ir pra Nova York. E, no final, foi exatamente isso o que ele fez, porque, ao invés de só sonhar, ele transformou o sonho em um objetivo." Will continuou.

"Então, faremos uma competição baseada nisso e o vencedor ganhará uma réplica do famoso terno de poliéster branco usado por Travolta no filme, feita por um costureiro vienense igualmente renomado." A professora Silvester informou. Obviamente, era mentira e o terno seria feito por sua ajudante Becky, mas era necessário estimular a disputa e algumas pessoas, como Kurt, não se interessariam se soubessem a verdade.

"E como vai ser? Querem que dancemos no estilo do Tony?" Mercedes questionou.

"Não." Will respondeu, prontamente. "Queremos que preparem para a semana que vem números individuais em que vocês cantem uma música do filme que transmita suas expectativas em relação ao futuro. Queremos que dividam com o grupo seus sonhos e trabalhemos juntos para pensar em como transformar sonhos em metas, ok? Sorteiem entre vocês a ordem das apresentações. Até segunda!" Despediu-se, saindo com sua mais nova parceira de trabalho.

Os meninos e meninas ficaram conversando sobre a tarefa e Blaine tomou a iniciativa de organizar as apresentações. Rachel e Finn se entreolhavam, de vez em quando, mas permaneciam sentados em lados opostos da sala do coral, ainda que não escutassem muita coisa dita pelos colegas, perdidos em pensamentos sobre o futuro, que deveria ser compartilhado pelos dois, afinal, além de se amarem, eles eram marido e mulher e tinham feito uma promessa um ao outro.

"Você deveria falar com ele. Ajudá-lo." Kurt sugeriu, ao ver a amiga observando o marido com semblante triste.

"Ele disse que sou egoísta, Kurt. Ele que venha falar comigo primeiro!" Respondeu, orgulhosa.

"Uma ótima maneira de começar um casamento!" Ironizou o garoto, saindo e indo ver como tinha ficado a lista de apresentações.

"E aí, cara? Vamos fazer negócio juntos em LA ou não?" Puck perguntou a Finn, tirando-o de seu transe. "Tenho que ver apartamentos. Se for um quarto só, ferrou! Dois caras em uma cama, não dá. É muito gay!"

"Eu não posso, cara." Respondeu, ainda sem saber o que iria fazer, mas tendo certeza, depois de ter dormido no sofá e passado o dia todo sem tocar em Rachel, que tinha que ser algo em Nova York, pois não ficaria longe dela, nem a afastaria de seu destino. "Esse é o seu sonho, não o meu."

"Cara, eu não vou sem você. Você é meu melhor amigo."

"Você pode fazer tudo sem mim, nunca precisou de mim antes."

"Mas, se for comigo, a cidade grande não vai parecer tão... assustadora."

"Assustadora?" Finn riu, dando um soquinho no amigo. "Nada te assusta, cara. Você surfou oito quilômetros em cima de um carro. Tem o recorde!" Brincou. "É sério, cara! Você vai conquistar aquele lugar rapidinho."

"Se não vai comigo, o que vai fazer?"

"Ainda não sei." Disse, suspirando, ao observar Rachel, que mexia em seu iPhone.

"Me faz um favor, pelo menos?" Pediu Puck, vendo para onde ele olhava e sabendo no que ele estava pensando. "Encontre seu sonho! E um tão grande quanto você. Você deve isso a si mesmo e agora deve a mim." Falou sério, saindo, e deixando o amigo pensativo.

Rachel levantou os olhos do celular e encontrou os de Finn, dando um sorriso tímido para ele, antes de pegar suas coisas e sair. Poucos segundos depois, o celular dele deu provavelmente o terceiro ou quinto sinal sonoro, e ele resolveu verificar as mensagens, encontrando no twitter duas em que Santana e Mike tinham copiado nas mentions dele o que Rachel tinha publicado na página dela.

Alguém que é casado comigo deve ir ao auditório

Como disse a ela, quando chegou lá e a encontrou com os caras da banda, se preparando para cantar algo como um pedido de desculpas, ele achou que teria sido mais adequado mandar um sms, mas mesmo assim foi. Rachel não precisou sequer recorrer à canção para que fizessem as pazes e se abraçassem, pois nenhum dos dois aguentava mais ficar longe do outro, mas, ainda assim, a garota aproveitou a presença dos músicos e dedicou a ele a música de que mais gostava no filme, chamada How Deep Is Your Love.

"Estive pensando que, se não quer ir pra Nova York, não precisamos ir." Disse, depois que os músicos se despediram e o casal ficou sozinho.

"Isso é loucura, Rach! Não quero destruir ser sonhos."

"A única razão pela qual estava focando nos meus sonhos era nunca termos parado pra pensar nos seus. Seus sonhos são tão importantes quanto os meus!"

"Eu nem tenho sonhos. Fiz um daqueles testes online que dizem em que trabalho a pessoa é boa e meu resultado foi de campeão de provas de comida."

"Finn! Você sabe que estes testes são brincadeira!" Riu. "É claro que você tem sonhos!" Voltou a falar sério. "Você só não acredita que pode transformá-los em metas, para, então, transformá-los em realidade, como falou o Sr. Schuester. Você não se acha bom em nada, não acha que tem talento. Você não vê o que eu vejo... o que o seu professor e amigo vê."

"O que você vê?"

"Eu vejo alguém que pode fazer quase tudo o que quiser. Alguém que VAI fazer o que quiser, porque eu não vou deixar ir comigo pra Nova York só porque é o meu sonho." Ela segurou as mão dele nas suas. "A minha vida inteira achei que estava no lugar errado, como se fosse algum alien, porque ninguém me enxergava ou me entendia! Eu achava que tudo o que eu precisava fazer era ir pra Nova York e lá tudo mudaria. Lá, eu seria uma grande estrela da Broadway e estaria em casa! Mas eu estava errada, porque, aqui mesmo, tudo mudou. Tudo mudou quando você me enxergou e fez com que onde você estiver seja a minha casa... seja onde eu quero estar."

"Rachel..." Tentou protestar.

"É claro que eu quero que a gente vá para Nova York, e se eu dissesse que não, seria hipocrisia. Mas eu quero, se você também puder correr atrás dos seus sonhos lá, o que não deve ser tão difícil, porque lá tem faculdade de tudo, um monte de oportunidades. O que eu não quero é que você pense que seus desejos não importam ou que não merece ter desejos e fazer tudo o que for preciso pra alcançá-los."

"Você me ama tanto assim?" Ele perguntou, sorrindo.

"Agora que você descobriu?" Fingiu indignação.

"Você é demais! Me desculpa por dizer que você não tava nem aí pra mim." Pediu, deslizando as mãos pela cintura dela e aproximando seus corpos.

"Eu tava mesmo sendo egoísta. Eu bati o pé, dizendo que só Nova York servia, não foi?" Riu.

"É. E acho que eu vou brigar com você de novo, pra que a gente possa fazer as pazes em casa e ter sexo de reconciliação. Por que você escolheu o auditório da escola, onde eu não posso te agarrar pra valer, hum?" Questionou, fazendo cócegas na barriga dela, ao mesmo tempo em que começava a passar o nariz por seu pescoço e, depois, a beijá-lo, fazendo com que ela desse sonoras gargalhadas e suplicasse, falsamente, para ele parar.

Os dois começaram a trocar beijos e carinhos, mas não ficaram muito tempo no local justamente porque a intensidade dos carinhos foi aumentando demais e eles precisavam de total privacidade. Correram para casa, o mais rápido que puderam e se trancaram no quarto pelo resto do dia, levando inclusive as refeições para lá. No sábado e no domingo, saíram para almoçar e jantar com a família, mas esse foi o máximo de tempo que permaneceram na presença de outras pessoas, porque para compensar uma noite sem dormir juntos parecia ser necessária uma eternidade de juras de amor, carinhos e sexo.

Durante a semana, as apresentações solicitadas pelo Sr. Schue foram acontecendo, uma melhor do que a outra. Santana apresentou If I can't have you, mas escandalizou o professor ao afirmar que não tinha cantado para Britt, apesar de a letra também servir como declaração para a namorada, e sim para a fama, que era tudo o que ela se importava em ter no futuro. Já Mercedes o deixou preocupado por não achar que fosse capaz de se destacar como cantora fora de Ohio, ainda mais não tendo o apoio do pai, que era um simples dentista.

Os não formandos fizeram belas apresentações, assim como Rachel, Kurt, Quinn, Puck e Mike, mas nenhum deles teve tanta atenção da parte de Will como as duas garotas, ou como Finn, antes mesmo de chegada a hora da apresentação de Hudson, que tinha sido sorteado apenas para a quinta-feira. O professor ficou muito feliz e aliviado, ao ver aquele que não era somente seu aluno, mas melhor amigo, procurar, junto com a esposa, pelas orientações dele e de Emma sobre cursos superiores. Ele sabia que tudo de que Finn precisava era de confiança, pois era claro que sonhos ele tinha.

No entanto, nada nunca era tão simples assim com Finn! Na medida em que a conselheira escolar ia separando pilhas e pilhas de panfletos e informativos, e entregando-os, ele ia percebendo que o sorriso do jovem era mais de nervoso do que de contentamento, e imaginou que ele estava ali para agradar a todos eles, e não de fato para buscar pistas sobre algo que se encaixasse em seu perfil. Então, quando todos saíram da sala e ele seguiu o rapaz, não foi surpresa alguma vê-lo jogando no lixo todo o material, e nem difícil decidir que precisaria intervir, ainda que isso fosse causar incômodo.

"Está vasculhando o lixo agora?" Finn perguntou, aborrecido, quando Will colocou sobre a mesa da sala para onde o tinha levado a mesma pilha de papéis de que ele tinha se livrado, pouco antes de ser chamado pelo professor.

"Eu sabia que estava fazendo apenas a nossa vontade lá, Finn. Eu conheço você!"

"O que eu deveria dizer, cara? Que eu prefiro vomitar do ir para essas faculdades? Na frente da Rachel, sorrindo, toda orgulhosa?"

"Ela só quer o melhor pra você."

"É, eu sei, e é por isso mesmo que eu não quero que ela veja que o marido é um perdedor, que não sabe nem o que quer fazer."

"Não sabe mesmo o que quer fazer? Ou tem medo de querer, porque acha que não vai conseguir, então prefere nem dizer o que te motiva? Prefere nem assumir que sonha grande?"

"Eu não vou conseguir! É exatamente isso! O motivo de não querer saber o que eu gostaria de fazer é que eu não tenho qualificação pra nada!" Gritou, frustrado. "Eu queria que o tempo parasse. Queria me sentir como me sentia no campo, com a torcida enlouquecida em volta, ou no palco, durante uma performance, com todos de pé, nos aplaudindo ou dançando junto."

"Então precisa parar de achar que não pode e se qualificar pra fazer o que vai te dar essa sensação!" Will determinou, sério. "Quero que veja esse filme..." Disse, colocando no DVD a cópia de Os Embalos de Sábado à Noite que também tinha trazido consigo. "...porque tenho quase certeza que você sabe o que é e quero que veja como funciona quando alguém vai à luta por seus sonhos, mesmo correndo o risco de falhar, mesmo sabendo que vai enfrentar dificuldades." Ele colocou uma das mãos no ombro de Finn, enquanto o filme já começava a surgir na tela de TV. "Não são os sonhos não realizados que nos destroem, Finn. São os que não ousamos sonhar." Completou, saindo e deixando o amigo assistir ao clássico.

Finn não apareceu nas apresentações dos colegas, mas o professor explicou que ele estava fazendo uma coisa importante e tranquilizou principalmente Rachel. Mais tarde, ele devolveu o DVD ao amigo, mas disse que ainda precisava pensar um pouco e, só no dia seguinte, contou a Rachel e, depois, a ele sobre sua decisão de mandar cartas para escolas de drama em Nova York, dando preferência para a da associação Actors Studio.

A semana acabou tendo saldo positivo, porque, além da boa notícia recebida de Finn, o Sr. Schue soube que Mercedes tinha tomado a decisão de fazer escola de canto, após Sam ter colocado um vídeo dela no youtube, arrasando com Disco Inferno, que tinha sido um grande sucesso de acessos e comentários, e que Santana tinha aprendido uma boa lição sobre fama, depois de Brittany distorcer um pouco as coisas e colocar um vídeo erótico das duas online.

Agora, a preocupação dele podia voltar a ser integralmente com as Nacionais. Fazer o grupo ganhar seria a injeção de ânimo final que os formandos mereciam!