Vestido Da Sorte

21 De vilã para rainha boa.


Notas iniciais
Acreditem ou não, aqui está mais um capítulo de Vestido da Sorte. Faz quase dois meses que eu não apareço por aqui, mas é que eu estou com bloqueio criativo. Para qualquer história, ou qualquer texto que tenha que escrever. Até da escola eu estou me dando mal, para verem a gravidade da situação. Por isso a demora, porque eu não consegui escrever nada. E quando consegui, saiu uma linha aqui e outra ali e nada me agradou. Até que hoje surgiu a insipiração - e a vontade de postar algo no Nyah! e fazer minha raiva daqui passar (longa história) - que eu acabei escrevendo o capítulo. Confesso que não ficou tão grande, mas eu gosto muito dele. E espero que vocês gostem também. Quero agradecer a Bia, por ter feito uma recomendação para VS. Obrigada obrigada Bia, eu já te agradeci por mensagem, mas obrigada mais uma vez gatenha que me ama muito e que eu gosto só um pouquinho (coração broxante aqui). E, finalmente, que rufem os tambores!

21. De vilã para rainha boa.

– Só um minuto. – Respondi apressadamente enquanto fazia sinal para Noah sair de onde ele estava e fosse se esconder em qualquer canto que minha mãe não o encontrasse, pois seria embaraçoso Sarah nos flagrar e eu não estava a fim de ouvir um sermão enorme sobre "não levar caras para sua casa antes do casamento", então era bem mais fácil esconde-lo do que deixa-lo de cueca na sala, nos olhando.

Corri para o meu quarto e peguei o pijama que estava em cima da minha cama e o vesti mais rápido que pude, ao mesmo tempo que apontava para o armário do meu quarto indicando para Noah ir para lá. Ou sei lá, dar um jeito de não ficar exatamente visível no meu quarto, porque as portas que separavam o quarto da sala não eram exatamente aquelas que cobria tudo por inteiro. Olhei a cena e cheguei a conclusão de que era tão clichê esse esconderijo, mas era o melhor que tinha para a situação e a mais rápida do momento. Sai do quarto e fechei a porta rapidamente do quarto e andei de novo para a de entrada e a abri.

– Mãe? – Perguntei fingindo surpresa, como se não soubesse que era dela desde o inicio. – O que você está fazendo aqui? – Acrescentei ao mesmo tempo olhando para ela sem saber o que fazer ou o que falar.

Mesmo que ela fosse minha mãe... aquilo era estranho. Estávamos brigadas, não é? Ela não falava comigo e eu não fazia oposição a isso, mas encontra-la na minha porta aquela hora da manhã era algo, no mínimo, embaraçoso.

– Posso entrar? – Perguntou educadamente mantendo seus olhos de mãe sobre mim procurando algum vestígio de algo errado.

– Hm, sim, claro. – Afirmei dando lado e a deixando passar. E logo após fechando a porta e me virei para encara-la com um olhar de indagação. – Aconteceu algo? – Repeti a pergunta, pois estava começando a ficar preocupada com o que poderia ter acontecido com meu pai ou com meu irmão.

– Encontrei com Fred ontem no mercado. – Informou ignorando totalmente minha pergunta, o que eu considerei algo bom, já que isso mostrava que não era nenhuma notícia ruim. – Ele me falou que você estava querendo ir embora, de volta para Nova Iorque, por causa de um emprego.

Não fiquei surpresa com aquilo. É claro que ela saberia disso. Todos da cidade de Seek já deviam saber que eu estava indo embora, ou pelo menos, que estava cogitando a ideia de abandona-los mais uma vez. E eu me sentia cansada daquilo, todos sabendo da minha vida, todos sabendo o que você comeu no café e o que irá comer no jantar. Eu não gostava daquela parte de Seek... mas estava acostumada e sabia que poderia levar adiante sem problemas. Talvez esse havia sido um dos fatores contribuintes para eu ter ido embora primeiro, as fofocas e intrigas.

Cruzei os braços abraçando meu próprio corpo e continuei olhando para Sarah pensando no que falar. Eu não sabia o que responder, se deveria negar, se deveria afirmar ou deixar por "surpresa" a minha decisão. Eu tinha feito a minha escolha, mas não tinha certeza de que queria que minha mãe soubesse dela aquele momento.

Eu era, definitivamente, uma péssima filha.

Eu menti na cara dura para minha própria mãe por vários dias, briguei com ela em público e não fiz questão de fazer as pazes com ela esse tempo todo. Eu sempre fui a filha que não a obedecia, que estava nem ai para suas regras e que, de certa forma, nunca foi o que ela esperava que eu fosse. E eu ainda continuava sendo a mesma menina que fui quando sai daqui pela primeira vez, que ficou com medo de contar para a mãe que havia sido chamada para trabalhos em Nova Iorque com medo do que ela poderia fazer ou dizer. Eu continuava aquela mesma garota ingênua que, apesar de tudo, tinha um relacionamento conturbado com sua mãe.

Mas minha mãe também não era um grande exemplo a ser seguido. Ela sempre manipulava todos em casa, planejava armações quando as opiniões eram divergentes das delas e não aceitava que o outro seguisse sua vida sem sua permissão. Entretando, ela sempre será a minha mãe, aquela mesma que brigava comigo para não sair de casa sem um guarda-chuva ou uma blusa de frio, ou aquela que ficou extremamente feliz quando fui convidada a ir para Nova Iorque e aquela mesma que não queria mais falar comigo por minhas mentiras e que não fazia questão de voltar a ser minha "mãe" de novo.

E agora, uma estava de frente para a outra.

– Eu já tomei minha decisão. – Afirmei tentando não soar grosseira, mas era visível que eu ainda carregava a mágoa na minha voz e eu queria, não, eu precisava falar o que tinha para falar com Sarah naquele momento. – Aposto que ficou feliz com o convite, era tudo o que você sempre quis.

Sarah me olhou por alguns segundos antes de abrir a boca e me responder:

– Eu sempre quis o melhor para você.

– O que você achava que era o melhor, não era o que melhor para mim. – Respondi tentando manter a calma e não começar mais uma discussão e acabar pior do que já estava.

Eu não queria acabar como Noah e seu pai, que o acabou deserdando.

Eu não queria chegar naquele extremo.

– Eu achei que fosse o melhor, achei que estava te ajudando a ter uma vida melhor! Eu apenas achei que você seria mais feliz, teria uma vida muito melhor naquela cidade, e não aqui em Seek. – Sarah afirmou fazendo um gesto como se apontasse para Nova Iorque ao mesmo tempo que sua voz mostrava o mesmo que a minha, a mágoa. – E eu sou retribuída como? Com mentiras?

– Eu só menti porque não queria que você pirasse, não queria que você ficasse desgostosa comigo, porque você sempre disse para as pessoas que eu era o seu maior orgulho, que eu morava em Nova Iorque, que eu saia em revistas... eu não queria te trazer problemas e quis evitar brigas desnecessárias.

– Pois olha no que deu Madalene! – Falou alto erguendo os braços e os rodiando como se mostravasse sua idaide. – Nós duas não ficamos mais de cinco minutos em um mesmo ambiente sem brigar, eu não te vejo a semanas, nem sabia que você havia arrumado um apartamento até Max me dizer. Você seguiu sua vida e eu não faço parte dela.

– Você escolheu não fazer parte dela no momento que armou aquele escândalo no lançamento da revista, do meu trabalho! Você poderia ter me trazido problemas, não pensou nisso? Eu estava tentando seguir com a minha vida e mostrar que apesar de não estar mais na Vogue ou em qualquer outra revista famosa, que eu havia conseguido seguir em frente e que havia conseguido um trabalho!

Sarah calou a boca e ficou em silêncio pelo que pareciam horas enquanto eu estava me controlando para não continuar a falar e terminar de desabafar.

Mas sabia que não era uma boa escolha, de nenhum jeito.

E, de alguma forma, eu estava aliviada. Se eu fosse continuar em Seek, eu teria que conviver com a presença de minha mãe queira ou não, e não podia trata-la como uma estranha, afinal, ela me carregou por nove meses, me criou e tudo o que eu sei foi graças a ela!

– Escuta Madalene... – Começou e eu a olhei esperando que continuasse. – Seja qual for sua decisão sobre o trabalho, saiba que eu irei apoia-la. Talvez não seja o caminho que eu escolhi para você, e com certeza, você fará coisas que eu não concordarei de nenhum jeito, mas você ainda é minha filha e eu te devo apoio. – Falou aproximando de mim lentamente. – Talvez eu seja uma mãe horrível que a forcei mentir, mas eu fiz o meu melhor. E não é porque temos nossas desavenças e pensamentos divergentes que precisamos agir dessa maneira, como se não nos conhecêssemos, porque, oras, eu troquei suas fraldas! – Afirmou e eu sorri minimamente olhando-a nos olhos. – E eu não quero despedaçar essa família mais uma vez, você é membro dos Gregory e não pode ser tratada como uma estranha... espero que me perdoe pelo que fiz e que volte a ser a minha filha de sempre, pois tentarei ser uma mãe melhor.

Sinto informar que nunca fui boa com meus sentimentos naquelas situações e que acabei derrubando algumas lágrimas com suas palavras enquanto a puxei para uma abraço do qual eu sentia falta. Sim, abraça-la era reconfortante e tranquilizador. Sempre tinha a sensação de que estava em casa quando estava em seus braços e eu sentia falta daquilo, daquela emoção.

Afastei-me e a olhei nos olhos beijando sua bochecha e pedi desculpas pela minha atitude, pelas minhas mentiras e por tudo o que eu havia feito e disse que tentaria ser uma filha melhor.

Talvez as coisas dali para frente melhorassem, ou talvez não, mas de algum jeito eu soube que sempre poderia contar com o abraço de minha mãe no final da história. Apesar dela ser a "vilã" da história desde que cheguei em Seek, eu acabará de promove-la a "rainha boa", pois ela ia tentar. E eu também.

Afastei-me totalmente dela e limpei minhas últimas lágrimas com as costas da mão enquanto Sarah fazia o mesmo. Sorri olhando-a e parecia como se nada tivesse acontecido, como se fossemos, mais uma vez, uma família feliz e unida. E eu gostava daquele quadro, gostava de ver as coisas daquele jeito.

Escutei um barulho vindo do quarto e depois um palavrão baixo. Minha mãe virou seu rosto e encarou a porta por alguns segundos antes de virar seu rosto para mim e eu sorri envergonhada e corada com aquela situação. Eu havia até esquecido de que havia um "intruso" em nossa reconciliação.

– Hm, é o... – Comecei a dizer para explica-la quem era antes que Sarah começasse mais uma de suas broncas por eu estar com um homem em minha própria casa e ele ainda estar no meu quarto, falar palavrão e ter escuto toda nossa conversa.

– Não precisa explicar, a casa é sua e a vida é sua. – Afirmou dando um sorriso e eu retribui com aquilo. Talvez ela estivesse disposta a mudar. – Eu só espero que ele esteja bem, mas pelo palavrão, a coisa deve ter sido feia. – Comentou divertida e foi andando em direção a porta do apartamento. – Vou indo, porque o seu pai não pode ficar sem almoço na hora certa, e adoraria vê-la no jantar hoje, farei lasanha e Cris está com saudades.

– Eu estarei lá. – Afirmei abrindo a porta e apoiando meu corpo no portal dela. – E levarei um convidado. – Avisei balançando a cabeça para a direita como se indicasse que Noah ia aparecer também.

– Irei adorar recebe-los. – Respondeu e abraçou-me pela última vez antes de sair pela porta e encontrar as escadas.

Esperei até vê-la desaparecer por completo e fechei a porta com um sorriso de "tudo sempre volta ao normal" e andei até o meu quarto encontrando Noah sentado na cama massageando o seu pé.

– Argh, nunca mais me faça ficar escondido perto desse armário. – Comentou e eu ri com o seu comentário. – E certifique-se de manter esse seu treco de cabelo longe de mim, pois essa coisa queima para caramba. – Reclamou tocando o seu pé ainda.

Eu acabo sorrindo com aquilo.

Tudo havia voltado ao normal como se acontece após uma tempestade.

Notas finais
O que acharam? Eu gosto desse capítulo e como a história acabou. Sim, esse é o último capítulo para quem não se lembra e o próximo - que não tem data para a postagem, por motivos óbvios - será o epílogo e eu farei algo... novo, digamos assim e explicarei o título do capítulo de vez. Mandem suas sugestões, perguntas, comentários, críticas, qualquer coisa que diga "não te abandonei", porque eu me pergunto se ainda tem alguém por aqui. Tenham uma boa noite e até o próximo capítulo. Beijos.