Verão Para Alunos Recuperáveis
1 Verão Para Alunos Recuperáveis
Notas iniciais
Verão Para Alunos Recuperáveis
Estudo em uma escola diferente das outras. Meu sistema de escola é complicado e rigoroso, e o único jeito de pensar positivamente é pensando que, talvez, existam escolas piores que a minha.
Os estudantes são fechados. Mal humorados e viciados em estudo, cujo os pais deles os colocaram ali apenas pra estudar e nada mais.
Mas, ao todo tudo tem uma exceção.
Para entrar no colégio precisa-se apenas de uma grande quantia de dinheiro. Seus pais pagam o colégio, e assim qualquer aluno rico pode estudar por lá. A apenas uma exceção em relação a isso, caso o aluno seja indisciplinado, quebre alguma regra do colégio e ou até de alguma forma faça desrespeito aos seus superiores, o individuo será dispensado o resto do ano, e será obrigatória a presença do aluno na V-PAR, Verão para Alunos Recuperáveis.
E aí que eu entro.
Sou uma garota considerada divertida, eu mesmo me considerei. Tenho olhos verdes e cabelos loiros, pele oleosa e sardas no nariz e bochechas. Magra e alta. Uso roupas grandes demais, e como talvez já tenha notado, ou notará mais pra frente, eu sou um pouco diferente.
Em outubro, fiz algo que aos meus olhos foi normal, mas aos olhos de cada outro ser presente nessa escola foi considerado um grande absurdo. Mas quanto menos falar disso melhor.
E lá estava eu, arrastando uma mala pesada cheia de coisas legais que garotas normais não possuem em direção a escola que parecia cada vez mais desagradável. Olhei para trás e encarei meu pai, o homem loiro e robusto me encarou com aqueles óculos escuros detestáveis, depois sorriu e acenou.
Acenei de volta, é o que filhas legais fazem, não é?
Então subitamente me virei, subindo as largas escadas em direção a grande porta de vidro. A escola lembrava muito um castelo, com grandes paredes de rocha, janelas enormes com cortinas cor de vinho, e por dentro um piso recém-polido de madeira. As paredes da escola possuíam quadros de alunos que foram 1% superiores aos demais alunos, isso significa que ele possui um desempenho escolar de 100%. Ok, talvez isso seja um pouco exagerado, mas, é algo assim.
Acabei tropeçando no último degrau, me levantei, com o rosto corado de vergonha e a calça preta manchada pela poeira, nesse momento percebi as outras pessoas. Todos a minha volta pareciam aterrorizados com o grande castelo, como se estivessem caminhando em direção as portas do inferno. Algumas pessoas deixavam escorrer lágrimas de desespero, outros soluçavam, alguns caminhavam silenciosamente. Todos arrastando as malas e mochilas em direção ao colégio.
Eu pensei em perguntar alguém o por que daquele drama todo, mas as pessoas não pareciam muito a fim de conversar. Confusa balancei a cabeça, tentando focar-me no colégio.
–Está precisando de ajuda pra achar o saguão senhorita Evan? – Disse uma voz suave. Reconheci que ela se referia a mim, meu nome é Molly Evans.
Primeiramente levei um susto, quando me recompus, a mulher que me perguntou me olhava com tamanho desprezo, como se eu estivesse fedida, ou contaminada por algum tipo de doença.
A mulher tinha um cabelo loiro escuro preso por um coque, pálida, com óculos elegantes e clássicos, usava um terno um tanto apertado, definindo um corpo magro e pobre. Bem mais alta que eu, o que a tornava intimidadora.
–O saguão não é logo a frente senhora? – Perguntei baixinho.
–Você parecia não notar isso. – Ela respondeu ajeitando os óculos. – Se apresse e entre.
A senhora acenou de longe para meu pai, que ainda me encarava de forma cruel, depois sorrindo e acenando de volta.
Quando atravessei a pesada porta de vidro, senti o calor do lugar abafado, as janelas de vidro estavam todas fechadas e pessoas murmuravam nos cantos do grande saguão de entrada do colégio. Mais escadas, dessa vez de madeira, estavam pouco a frente no fim do saguão, por elas se chegava nos corredores da escola. Pouco ao lado das grandes escadas estavam outras, só que descendo em direção ao refeitório, em ambos os lados. O último andar era restrito nesse colégio. Rumores diziam que era assombrado.
O lugar estava também pouco iluminado, com apenas o grande lustre aceso ao teto do saguão.
Notei que todos já tinham entrado, e então uma voz soou pelo ar. Uma voz tranquila e prazerosa.
Era aquela mesma senhora de óculos.
A voz dela me deu a vontade de fazer o que eu mais gostava de fazer. Meu deu vontade de estudar. O que diabos estou pensando? Eu... Amo estudar.
Amo meu colégio.
Os outros alunos ouviam a voz, com expressões parecidas, alguns pareciam extremamente interessados, outros apenas sorriam.
–Meus queridos alunos, bem vindos ao V-PAR. Sou a senhorita Clary – Dizia a linda voz. – Esse verão passar num piscar de olhos! – Ela gritou, corando intensivamente e sorrindo de um jeito maníaco.
Tudo me deixou extremamente leve. A voz leve parecia não ser a mesma pessoa que ordenou que eu me apreçasse a segundos atrás. Todos os alunos recuperáveis já estavam dentro da escola, por fim as portas foram fechadas e a luz agora se direcionava a apenas Clary.
Por fim aconteceu algo estranho.
Senti uma onda de vento frio em minha nuca, e me virei automaticamente arrepiada. Senti o olhar repreendedor de Clary se direcionando a mim, mesmo assim procurei o que tinha causado o sopro, nenhuma janela estava aberta, nada que deixasse entrar um único vento. Mas não havia ninguém, só um corredor escuro que eu não tinha notado. O corredor levava em direção a algumas salas de aula, ao lado da grande porta de vidro, mas geralmente possuía grandes janelas da frente da escola iluminando-o. Hoje as janelas estavam cobertas por cortinas, tornando o corredor escuro e medonho.
Me virei de volta, todos olhavam para srta. Clary, que parecia feliz em receber a atenção novamente. Recomeçou seu discurso, falando de como o Verão Para Alunos Recuperáveis seria interessante. Mas, acabou se tornando uma coisa extremamente chata. Só que só eu parecia ter notado isso. Virei discretamente para o corredor, e senti vontade de ir para lá. Apenas.. fugir um pouco. Então dei alguns passos discretos para trás me aproximando do escuro. As pessoas antes tristonhas passaram a se divertir com a srta. Clary. Felizes, e animados.
Havia um garoto a minha frente que possuía uma mochila legal, cheia de chaveiros e bottons de bandas legais. Sua nuca estava amostra de uma forma que chegou a ser chamativa, então soprei ela como pareciam ter feito em mim. O garoto se virou e me viu, arregalou os olhos ficando vermelho. Acenei, é o que garotas legais fazem, não é?
Ninguém parecia ter notado o movimento brusco dele, e ele parecia ter percebido o quanto aquela falação daquela mulher louca era chata, olhando para mim mais uma vez.
Subitamente senti algo forte atrás de mim segurando meu pulso e me puxando, afundando-me na escuridão daquele corredor.
O garoto que soprei a nuca, me seguiu.
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