Verão De Tristezas
3 II
Notas iniciais
Honey I'm on fire I feel it everywhere
Nothing scares me anymore
"Summertime Sadness", Lana Del Rey.
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De mãos dadas, eles saíram do quartinho e foram até o local onde o carro estava estacionado, em meio ao sereno úmido, provindo da noite. Gotas d'água condensadas embaçavam o vidro do BMW Coupé 700 vermelho, que estava meio azulado devido a iluminação vinda da lua cheia, alva como a paz, que não hesitava em molhar tudo com o seu brilho pálido e frio.
Delicadamente, o que certamente não combinava com o maço de cigarro que ele possuía na boca, Tyler adiantou alguns passos e abriu a porta do carro cordialmente para que Caroline entrasse. Como uma dama, ela agradeceu segurando o longo vestido vermelho que estava usando e, logo em seguida, entrou no carro. Estava meio abafado, devido as horas em que ele havia ficado ali, fechado, mas não demorou muito para que o cheiro de poeira – que ela adorava – passasse a envolver o ambiente.
Tyler deu a volta no veículo e entrou bruscamente, ansioso.
Enquanto rodava a chave do carro, ligando o motor e sentindo o carro tremer, ele olhou pelo retrovisor – era uma mania que ele tinha desde quando começara a dirigir – e viu o banco traseiro que já fora palco de incontáveis horas de prazer com ela.
Aquele carro – mais precisamente aquele banco – tinha tantas histórias, tantas lembranças impregnadas nos estofados...
A primeira vez deles havia sido ali, naquele banco traseiro. Fora numa noite quente, típica de setembro, um mês depois do primeiro encontro. Eles haviam ido ao cinema, assistir ao filme 007 — O Espião que me Amava, e quando eles já estavam dentro do carro, prestes a ir embora, Tyler não conteve a excitação e passou a mão firmemente na coxa dela, apertando – a, fazendo com que Caroline tremesse e hesitasse, temendo o que poderia acontecer após aquilo.
– Tyler... não – E tirou a mão dele, que ficou um pouco desapontado, relutante.
– Porque não? – Ele olhou friamente para frente, mirando o horizonte, que apenas exibia carros e mais carros das mais variadas cores e estilos.
Caroline respirou fundo, confusa. Ela queria aquilo. Sem dúvida alguma ela queria, mas o medo de desapontar aqueles que a criaram a deixava assim, relutante.
– Acho que ainda é cedo... – a voz dela falhou e isso fez com que ele entendesse que aquele não era o motivo.
Rapidamente, ele pôs a mão na perna dela de novo, apalpando – a.
– Você sabe que não é isso. – ele disse, calmo, olhando – a nos olhos. – Eu te amo, Caroline. Pra quê esperar se o que sentimos um pelo outro é real?
Ainda mais confusa, Caroline olhou para baixo. Mordeu o lábio, aflita.
– É que... – Tyler não deixou que ela terminasse. Aproximando – se dela bruscamente, ele passou a beijá – la de uma forma diferente... sedenta de desejo; cheia de calor e paixão.
Ela queria se afastar dele, queria ir embora e deixar para trás o homem que não soubera respeitar a decisão dela, mas simplesmente não conseguia. Tê – lo tão perto, poder sentir o cheiro dele, a pele, tudo a deixava desnorteada, envolvida, apaixonada. Ele se sentou sobre ela e passou a fungá – la nervosamente no pescoço. Gemidos de prazer passavam pelos lábios dela, que já havia desistido de resistir ao amor. Não demorou muito para que, em meio a amassos e gemidos, eles estivessem lá atrás, despidos, no banco traseiro.
A pele de Caroline era pura, virgem, intocada. Saber que ele era o primeiro da vida dela deixava – o ainda mais excitado. Cada curva do corpo dela era demarcada pela luz amarela do poste, que iluminava o estacionamento. Os seios dela eram perfeitamente redondos, macios e quentes, indiscutivelmente belos.
– Eu te amo. – sussurrou ele, no ouvido dela, enquanto os movimentos de vai e vem aconteciam de forma lenta e natural, quase ritmada.
Ela estava tão nervosa e insegura, mas estar ao lado dele a relaxava, a acalmava, fazia com que ela sentisse que aquilo era o certo a ser feito e que a opinião de ninguém importava mais... A sensação de tê – lo dentro dela era dolorosa e ao mesmo tempo doce feito mel. Ela se sentia em chamas, como se tivessem jogado querosene nela e depois ateado fogo.
Ele sentia o mesmo, só que numa intensidade ligeiramente menor, por já estar acostumando com aquela sensação. Caroline não havia sido a primeira, nem muito menos seria a última mulher com a qual ele transaria, mas ele sentia que com ela era... diferente. Ele sentia algo que suas antigas fodas não haviam tido.
Era puro, doce...
Era amor no sentido mais real da palavra.
Quando, após alguns longos minutos, acordou do transe, Tyler percebeu que eles já estavam chegando ao mar.
Mirando o horizonte, era possível ver o mar negro, que refletindo a luz da lua, se tornava ligeiramente prateado. Ignorando o barulho do atrito entre o carro e o asfalto, era possível ouvir o barulho das ondas que tremulavam de forma violenta, devido a força do vento.
O céu era perfeitamente negro, sem nuvem alguma e infinitas estrelas piscavam nele, felizes.
Olhando para Caroline, ele percebeu o quanto ela estava encantada com tudo aquilo. Os olhos dela estavam vidrados no horizonte, como se ela estivesse hipnotizada. Um sorriso puro, feliz, surgia nos lábios dela sem que a mesma se quer percebesse.
– É lindo, não é? – disse ele, colocando a mão direita sobre a mão dela, acariciando – a.
– Sim... – respondeu Caroline, ainda fascinada.
– E será todo seu está noite.
Sorrindo, ela virou o rosto para Tyler e aproximando – se dele, beijou – o.
Com o pé no acelerador, Tyler continuou a dirigir apressadamente em direção ao mar, com a lua iluminado a estrada e, principalmente, o coração dele.
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