Acordei por volta das sete e meia com o telefone do quarto tocando.

Era a recepção.

— Senhor, o que gostaria para o café da manhã?

— Para mim, pode trazer um café puro e um pão francês.

— Certo. E para a moça que está com o senhor?

— Pode deixar para mais tarde. Ela precisa descansar.

— Combinado.

Aproveitei que Beatriz ainda estava dormindo e fui dar uma volta pela cidade. Passei por uma loja de artigos esportivos e comprei uma lembrança para o Sr. Jorge.

No caminho de volta para o hotel, passei por uma floricultura.

Seria estranho levar flores para ela...

Voltei para o hotel e encontrei Beatriz na recepção.

— Ah, o senhor está aí...

— Fui dar uma volta. Dormiu bem?

— Sim, sim. Me sinto renovada.

— Já tomou café?

— Já. Agradeço a preocupação.

— Ótimo. Partiremos por volta das quinze horas.

— Certo. Já deixei minhas coisas arrumadas. Vou aproveitar para dar uma volta pela cidade. Quero levar uma lembrancinha para o Sr. Jorge.

Desta vez, deixei Beatriz ir sozinha. Não queria parecer invasivo.

Voltei para o quarto para descansar até a hora de partir.

Quando já estava quase saindo, meu telefone tocou. Levei um susto.

Era Beatriz.

Eu tinha me esquecido de que havia salvo seu contato... e ainda por cima usando aquela foto que tirei.

— Leo, já voltei para o hotel. Quando formos sair, pode bater na minha porta?

— Ah, sim. Pode deixar.

Na hora de partir, bati na porta do quarto dela.

Beatriz apareceu com três malas e uma quantidade impressionante de sacolas.

— Precisa de ajuda?

— Sim, haha. Estou com mais coisas do que quando cheguei — respondeu, rindo.

Pegamos as malas e as sacolas, descemos para o saguão e chamei um táxi.

Quando ele chegou, acomodamos tudo no porta-malas e seguimos para o aeroporto.

Ao chegarmos, notei Beatriz observando uma senhora que vendia flores.

Ela falou tão baixo que parecia estar pensando em voz alta:

— Que pena... Já comprei coisa demais.

Despachamos as malas. Faltava pouco menos de uma hora para a decolagem.

— Beatriz, pode me esperar aqui um instante?

Ela apenas assentiu.

Então caminhei até a senhora que vendia flores.

— Pode me dar uma dessas orquídeas, por favor?

— Claro, meu filho. Só um momentinho.

Ela escolheu uma das mais bonitas e, enquanto a embalava, sorriu para mim.

— Sua namorada vai adorar.

Apenas acenei com a cabeça.

Peguei o vaso de orquídeas cuidadosamente embalado. A senhora fez questão de escolher o mais bonito.

Quando voltei, avistei Beatriz de longe.

Ela ainda não tinha me visto com as flores.

Estava concentrada no celular.

No instante em que levantou a cabeça e me viu, seu sorriso se abriu.

Percebi que, toda vez que sorria daquele jeito, levava a mão ao cabelo e o ajeitava atrás da orelha esquerda. Parecia um gesto involuntário, daqueles que a pessoa nem percebe que faz.

— Não acredito...

— Eu vi você admirando essas flores desde o dia em que chegamos.

Ela riu.

— Ah, o senhor é fogo... Eu amei essas flores. Queria muito levá-las.

A felicidade dela estava estampada no rosto.

Ela observava as orquídeas com tanto carinho que parecia conversar com elas em silêncio.

Quando me virei para seguirmos para o embarque, senti sua mão tocar meu braço.

Antes que eu pudesse reagir, ela me abraçou.

— Muito obrigada, Leo... Eu amei o presente.

O perfume dela.

O calor do corpo dela contra o meu.

Tudo aquilo me pegou completamente desprevenido.

— Nã... não precisa agradecer — respondi, gaguejando.

Seguimos para o voo.

Desta vez, Beatriz parecia muito mais tranquila durante a decolagem.

Algo havia deixado calma e segura. Quase perguntei se o medo tinha passado.

— Nossa, Leo... Fiquei tão feliz com as flores que nem percebi o avião decolar.

— Já estava pensando onde iria colocá-las?

— Exatamente.

Ela sorriu para o vaso apoiado sobre o colo.

— Que bom que isso ajudou a esquecer a decolagem.

Ela estava feliz.

E, para mim, aquilo era o mais importante.

— Acho que vou tirar um cochilo — avisei.

Coloquei os fones de ouvido, escolhi uma música tranquila apenas para relaxar e, sem perceber, acabei dormindo.

— Senhor...

Ouvi uma voz distante.

— Senhor...

Depois veio novamente:

— Leo... Leo... Já chegamos.

Abri os olhos devagar.

— Oi... Nossa, eu dormi tudo isso?

— O senhor parecia cansado, então achei melhor não acordá-lo.

Passei a mão pelo rosto e só então percebi alguns detalhes.

Havia uma coberta sobre mim.

Meu assento estava reclinado.

E meus fones não estavam mais onde eu os havia deixado.

Fiquei olhando para aquilo por alguns segundos.

Eu definitivamente não lembrava de ter feito nada disso.

Fomos buscar as malas, e eu ainda estava meio sonolento.

Depois seguimos para a entrada do aeroporto para chamar um táxi.

— Bom, acho que é aqui que nos despedimos.

— Sim... Nos encontramos amanhã no Sr. Jorge.

— Bom descanso, Beatriz.

— Para o senhor também.

Cheguei em casa, deixei a mala em um canto e fui preparar um café.

Sentei-me no sofá e fiquei relembrando tudo o que havia acontecido durante a viagem.

O jantar.

As conversas.

As flores.

O abraço.

Sorri sozinho.

Talvez aquela tivesse sido a melhor viagem que eu fizera em muito tempo.

Depois de terminar o café, fui me deitar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.