Vertigem Selvagem

1 A Mulher Misteriosa


O dia estava nublado e, naquele clima agradável, eu caminhava pensativo. Nada tirava minha concentração; os problemas do trabalho martelavam em minha cabeça sem descanso.

Passei diante de uma vitrine e, por um instante, meu olhar encontrou o próprio reflexo.

O reflexo da vitrine me devolveu a imagem de sempre: cabelos castanhos já precisando de um corte, barba curta e alinhada, camisa social escura e a expressão séria que eu carregava para qualquer lugar. Aos trinta e poucos anos, muita gente dizia que eu parecia mais velho do que realmente era.

Talvez fosse o trabalho. Talvez fosse apenas o hábito de carregar responsabilidades demais.

Continuei caminhando sem dar muita importância ao assunto.

Por um instante, desviei o olhar. Uma pele clara contrastava com o sobretudo preto, enquanto seus passos leves pareciam desacelerar tudo ao redor. Fiquei completamente hipnotizado. Quando ela passou por mim, meu olhar a acompanhou por alguns segundos, mas, sem qualquer reação, seguiu seu caminho e desapareceu entre as pessoas.

Durante dias passei a prestar mais atenção ao meu redor, mas nossos caminhos não se cruzavam novamente.

Durante dias, meus olhos passaram a procurá-la entre as pessoas na rua, mesmo sem perceber.