Versos de um amor diferente
1 Ideia inicial
Notas iniciais
Arya era diferente de toda garota que tivesse conhecido, para começo de conversa passou vários anos acreditando que ela era um menino chamado Arry. Lembra de quando a viu pela primeira vez foi quando tinha nove anos. Arya tinha sete ou quase isso. Sempre foi muito menor que a sua idade. Isso fez Gendry rir. Lembrou de como uma brincadeira dele sempre irritava a menina... Mas pensaria nisso depois. Tinha que se concentrar no primeiro encontro. Isso seria importante para a canção que planejava compor para ela.
Voltando ao primeiro encontro... Arya tinha o cabelo cortado bem curto, usava roupas largas e se apresentou como Arry no grupo de meninos que se preparava para jogar futebol na pequena rua. Ela logo virou a melhor amiga dele e de Torta Quente, o filho do padeiro que sempre atendeu por esse apelido.
Foram dias doces de infância. Em que os três se divertiam em tardes que pareciam não ter fim na rua em que ele morava. Eram apenas risos naqueles dias que não voltavam mais. Arya, ou Arry na época, não era daquele bairro, sempre ia embora mais cedo que os outros moleques. Sempre era assim. Até que sem notar a infância começou a ficar para trás. Foram dois anos quase três achando que Arya era menino e quando descobriu que não, algo mudou. Eles estavam com uns doze anos. Sim, agora ele lembrava! Os dois tinham a mesma idade, mas Arya sempre foi mais baixinha. Se enganou com a idade da mesma forma que se enganou com o fato de a querer apenas como amiga. Mas a canção poderia mudar isso.
Lembra que no dia que a menina disse a verdade ela primeiramente tirou o boné que usava e depois disse os encarando com seus olhos cinzentos que lembravam neve:
—Meu nome na verdade é Arya. Sou menina. -ao ver que ele e Torta Quente nada diziam. Espantados. Completou.- Me disfarcei de menino porque queria brincar com vocês, jogar o jogo de vocês e porque queria esquecer um pouco quem sou.
—Como assim?
—Eu tenho uma irmã sabe? O nome dela é Sansa e ela é uma verdadeira dama. Tudo que a mamãe queria que eu fosse, mas eu não sou isso. Queria brincar sem me preocupar com as expectativas que ela tem para mim... Foi bom enquanto durou nossa infância.
—Porque falar isso só agora? Como assim foi bom enquanto durou? -perguntou curioso e preocupado Gendry. Algo estava errado. Via nos olhos dela.
—Porque estamos crescendo. Está na hora de deixar de lado certas brincadeiras.-a menina baixou os olhos pela primeira vez e depois completou- Acho que isso é uma despedida.
—Mas porque?-aquilo mesmo tantos anos depois parecia extremamente injusto. Não tinha um porque exato. Era apenas o destino fazendo seu curso. Se despediram naquele por do sol e se viram novamente somente no ensino médio. Como obra do destino também. O por do sol daria um lindo verso na canção.
—O que está fazendo, mano?-perguntou Torta Quente, que havia emagrecido muito e agora preferia ser chamado de Tom, mas ele continuava o chamando pelo apelido para manter vivo os velhos tempos.
Gendry ajeitou o violão e falou:
—Compondo uma canção para a Arya.
—Sério mesmo? Pretende mostrar para ela.
—Melhor! Vou a cantar na frente de toda a escola no show de talentos semana que vem. Tenho só que a terminar.
—A Arya vai... -Tom não conseguiu terminar a frase, pois caiu na risada devido ao absurdo da situação. -Nem sei como ela vai agir, mas não será legal. A Arya vai surtar. Ficar muito irritada mesmo.
Ele tinha razão. Lembrou de como a menina se irritava fácil. Principalmente com brincadeiras com a sua altura e com coisas que a tornassem o centro das atenções. Como agiria ao saber da canção e do título dela? Como agiria ao saber que ele cantaria uma canção chamada: "Todo grandão sempre tem a sua baixinha" na frente de tantos conhecidos e estranhos. Na frente dela. Torta Quente tinha razão ela iria surtar, mas ele amava a cara de raiva dela.
—Ela vai surtar mesmo... É essa a intenção.-disse Gendry rindo e compondo mais um trecho da sua canção.
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