Versos Noturnos Ii
8 Prólogo do Pesadelo
Revirando-me na cama
Esperando o sono aparecer.
Adiando mais uma noite de sonhos estranhos
E pesadelos que me fazem reviver as piores lembranças de um passado que eu queria esquecer.
Máscaras medonhas encarando-me,
Passos e sussurros sombrios ecoando no espaço vazio.
Sou vendada
E o pânico impede-me de gritar.
As amarras apertadas rasgam-me os pulsos
Enquanto sou presa a cama.
O tempo passa,
Ouço risos evidentemente maléficos,
E o que parecem lâminas sendo afiadas.
Não me surpreenderia se meu medo fosse palpável no ar,
Quando até meus próprios gemidos de lamento
Eram capazes de me assustar.
Eu desejava não ter a venda retirada
Para não ser encarada por aqueles muitos pares de olhos famintos,
Sedentos de sangue.
Pareciam lobos mascarados de demônios,
Prontos para me possuir.
Eu já não sabia o que me assustava mais.
Pouco antes de ser tocada,
O sonho acaba,
E o breu infinito prepara-me para os pesadelos que logo virão para completar a minha noite,
Pois só o medo do sonho não parece suficientemente horrível,
Sendo nada mais do que o prólogo de um livro,
Introduzindo-me na história que virá a seguir,
A história que tantas vezes já li.
Eu só queria poder ter um epílogo feliz.
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