Versos Noturnos Ii
5 O Dia do Curinga
Ei, Curinga!
O que fazes fora do baralho?
Se achas melhor do que os outros,
Dando-se o direito de estar livre desse jogo de cartas?
És único, mas não o mais importante!
O jogo da vida pode muito bem seguir sem você!
Sois apenas o caminho ao qual os que se acham fracos
Podem resolver seguir.
É claro,
Muitos o fazem.
Afinal,
Há aqueles que não acreditam em si mesmos,
Pensando que o difícil é impossível,
Esquecendo-se que estarmos aqui,
Vivos,
Poderia muito bem aplicar-se a essa negação da conquista.
As outras cartas estão ali,
Dispostas erroneamente sobre a mesa,
Perdidas nessa ideia de escolha,
Mas mesmo assim tentando seguir alguma coisa.
Seguindo,
Mesmo que aos poucos e quase sem perceber,
Aquilo que acreditam.
Vivemos buscando,
E se não achamos,
Outras vidas nos são dadas para tentarmos novamente,
Até acertar.
Nossa alma continua viva,
Não seria justo correr para chegar ao nada!
Corremos o tempo todo,
Nossa mente trabalha inquieta tentando resolver
O que nos confunde.
A vida nos confunde,
E mesmo assim estamos dispostos a vivê-la
Para vermos até onde podemos chegar.
Hoje é o dia do Curinga,
Mas nada impede o Ás de Copas,
A Dama de Ouro,
O Valete de Espadas,
O Rei de Paus
E tantos outros de tentar.
Amanhã pode ser o dia de um simples Sete de Espadas
Que arriscou mais do que os demais,
E chegou ao que na vida resolveu buscar.
Fale com o autor