Versos Noturnos Ii
1 Liberdade
O amigo que perdi ontem
Por não ver o sorriso que era direcionado a mim.
Fiquei distraída pela visão da perfeição,
Onde eu só precisava estender a mão.
Era muito fácil.
É confuso,
E até agora não sei o que vi.
Sei que senti uma paz,
Que me fez esquecer o que estava logo ali.
Era uma ilusão, eu me convenci,
E quando voltei a mim,
Percebi que meu amigo deixara de existir.
Eu o abandonei
Sem perceber,
Porque busquei além do que merecia.
Eu deixei o meu eu-amigo de lado,
Tapando os ouvidos e não ouvindo os conselhos.
Os conselhos que tentavam me afastar daquele precipício,
O precipício que me libertaria, enfim.
Eu buscava o conforto do vazio,
O conforto que me levaria para o fim.
E eu desejava isso.
Eu estaria livre de todo o sofrimento.
Voaria,
E perceberia que tenho asas.
Essas que me levariam para o lugar ao qual pertenço,
O céu do qual caí,
E ansiei voltar.
O céu que nunca mais vi
Por precisar por aqui ficar.
Tarde demais,
Percebi que eu não era a única a buscar a liberdade.
Eu devia ser uma libertadora, e ignorei isso.
Eu abandonei meu posto.
Deixei de ser um anjo.
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