O amigo que perdi ontem

Por não ver o sorriso que era direcionado a mim.

Fiquei distraída pela visão da perfeição,

Onde eu só precisava estender a mão.

Era muito fácil.

É confuso,

E até agora não sei o que vi.

Sei que senti uma paz,

Que me fez esquecer o que estava logo ali.

Era uma ilusão, eu me convenci,

E quando voltei a mim,

Percebi que meu amigo deixara de existir.

Eu o abandonei

Sem perceber,

Porque busquei além do que merecia.

Eu deixei o meu eu-amigo de lado,

Tapando os ouvidos e não ouvindo os conselhos.

Os conselhos que tentavam me afastar daquele precipício,

O precipício que me libertaria, enfim.

Eu buscava o conforto do vazio,

O conforto que me levaria para o fim.

E eu desejava isso.

Eu estaria livre de todo o sofrimento.

Voaria,

E perceberia que tenho asas.

Essas que me levariam para o lugar ao qual pertenço,

O céu do qual caí,

E ansiei voltar.

O céu que nunca mais vi

Por precisar por aqui ficar.


Tarde demais,

Percebi que eu não era a única a buscar a liberdade.

Eu devia ser uma libertadora, e ignorei isso.

Eu abandonei meu posto.

Deixei de ser um anjo.