Notas iniciais
Para quem se interessar: Me inspirei em um conto postado pela nossa amada Jo ainda em 2008.

Sentado ao meio fio da entrada do beco escuro e frio, de alguma forma, com a iluminação falha, uma silhueta se destacava. Curvado para a frente com os braços esticados e mãos unidas. Seus joelhos dobrados sustentavam os braços. De sua face, escondida pelo capuz de seu casaco, apenas os olhos, fixos no objeto entrelaçado em suas mãos, podiam ser vistos. O jovem se soltou uma de suas mãos e deixou-a pender ao lado do corpo, apenas para olhar com mais clareza, as cores do cachecol vermelho e dourado.

Nunca se esqueceria do dia em que fez a melhor decisão de sua vida. Nunca se esqueceria do dia em que aquele chapéu maluco anunciou a todos os presentes do salão principal, que Sirius Black, pertencia a Grifinória. Lembrava-se ainda dos rostos estupefatos e da sensação ao sentar-se na mesa dos leões. A sensação e certeza que o futuro estava em suas mãos. Lembrava-se ainda mais dos momentos seguintes, quando ao ser conduzido até seu salão comunal, conheceu James Potter.

As lembranças o atormentavam e agora Sirius mal podia controlar a respiração. Não saberia descrever a dor sentida em seu peito. O sentimento de solidão, que não tinha o desprazer de sentir desde o dia em que pisou em Hogwats pela primeira vez, agora parecia afundar seu coração. Os olhos, agora voltados para o beco, lembrava-o da noite em que fora perseguido, ao lado de Prongs por comensais da morte. Naquela noite, Sirius sentiu-se vivo, como se nada fosse capaz de abalá-lo nunca. O pensamento intensificou a sua dor.

Como o Black estava errado...

Primeiro, Marlene, a garotinha irritante e metida, que torcia para o time de quadribol rival ao seu. Um dos muitos motivos de suas brigas, desde que se conheceram, uma vez que ambos eram teimosos e extremamente competitivos. Apesar das implicâncias mútuas, sempre foram bons amigos. Se divertiam juntos e compartilhavam segredos. Era uma das poucas pessoas em que Sirius confiava cegamente.

Percebeu estar apaixonado pela garota no sexto ano, quando sentiu uma fortíssima vontade de dar um soco na cara do septuanista convencido que havia chamado Lene para sair. Ele e Prongs, fizeram de tudo para estragar todos os encontros de Lene com aquele babaca, até que ela percebeu o que estava acontecendo. No fim Sirius ganhou um chute nas partes baixas e um belo de um beijo. Por que era assim que eles funcionavam. Sempre seriam intensos. Lembrava-se ainda da forma como Lilly ficou radiante com a notícia do novo casal.

Marlene fora morta, junto com sua família, quando sua casa foi atacada por comensais da morte. Os aurores disseram que haviam sinais de um duelo, e quando os últimos feitiços da varinha de Lene foram verificados, perceberam o quanto ela lutou. Lene era durona, e o Black, como muitas vezes havia declarado a Lene, continuava a pensar que ela sempre seria a garota da sua vida. Remus, como um profundo conhecedor da classe dos caninos, chagava a afirmar que quando determinadas espécies escolhem uma companheira, esta é para a vida toda. Sirius gostava de pensar nisso.

Os únicos que puderam ajuda-lo a continuar mesmo depois da morte de sua amada, foram Lilly e Prongs.

Prongs. Mal ele podia acreditar que seu melhor amigo, seu parceiro, seu irmão,havia morrido. A dor era tão forte quanto a dor causada pela falta de Lene. Sempre lembraria de Prongs como um irmão. No sentido mais profundo da palavra. Seus olhos voltaram para o cachecol, devaneando então de novo sobre sua amada casa. As paredes de Hogwarts viram mais histórias do que Sirius poderia se lembrar. Amizades iniciadas, amores descobertos, aventuras inimagináveis.

Faziam pouco mais de dois meses que Marlene e sua família tinham sido mortos por comensais. Fazia uma semana que ele havia contado a Peter onde James e Lilly estavam. Faziam três dias que Moony fora perseguido ao seu lado e que Sirius fora atacado por um Crucio no lugar dele, e que Remus o havia salvado.

Monny também poderia ser considerado um dos melhores amigos do Black. Sirius daria sua vida pela dele e sabia que era completamente recíproco. Monny sempre deixou claro sua gratidão por tudo o que Sirius e os outros fizeram por ele. E Sirius era grato por ter alguém em quem confiar. Fazia pouco mais de um dia que James e Lilly foram assassinados. Oito horas que Remus o havia acusado de ser um aliado de Valdemort e quase quatro horas que ele atacara Peter. Seu mundo desmoronou ainda mais nos últimos dias e o sentimento de solidão apenas aumentava a cada segundo.

Ele estava sentado ao lado de sua moto, no meio fio, há quase uma hora, quando viu pelo canto dos olhos acinzentados luzes vindo na sua direção, o que fez com que ele virasse a fim de identificar quem estava o fazer companhia.

Um homem barrigudo e alto saiu do carro com uma cara de poucos amigos. Sirius reconheceria aquele homem em qualquer lugar, e quando este o reconheceu, fez uma cara de espanto. Sirius conseguiu esboçar um pequeno sorriso, o que causou certo desconforto em seus lábios , uma vez que não sorria havia muito. O homem ficou calado enquanto Sirius se levantou e se preparou para subir na moto, até que finalmente indagou:

— Onde está aquele outro garoto, o de óculos?-Sirius se assustou de início, e aos poucos se virou. Impressionou-se ao perceber o quanto aquele homem era perceptivo.

— Está morto. Ele se foi. — Estas poucas palavras, soaram como um sussurro, mas de alguma forma,o policial ouviu. Sirius subiu em sua motocicleta e preparava-se para ligá-la quando o homem disse:

— "Aqueles que nos amam, nunca nos deixam realmente". — o homem levantou a manga da camiseta e mostrou uma parte do braço onde estava estampada a frase recém proferida. — Eu realmente espero que você possa superar, pois pode parecer dificil, mas não é impossível. Você precisa ser corajoso. Pelo menos aparenta ser.

Sirius olhou para a sua mão, visualizando o cachecol vermelho e dourado, e um peso de repente pareceu sair de seus ombros. Pensou em tudo o que sua casa prezava. Pensou nos momentos felizes ,vividos ao lado de pessoas que realmente ama. Tentou memorizar sua recém adquirida filosofia. Tinha a certeza de que a guerra ainda traria muito sofrimento.. Envolveu o pescoço com o cachecol e ligou a moto. Virou-se uma última vez antes de seguir seu caminho.

— Obrigado. — ele disse com um meio sorriso. — E... Só para constar, continuo achando Elvendork um nome muito legal.

Sirius ainda viu o policial sorrir uma última vez antes de colocar o capacete e sumir na escuridão com a certeza de que a dor nunca iria embora, mas que ele precisava ser forte por Harry. Seu afilhado precisaria de ajuda e Padfoot faria de tudo para ajudá-lo.

Notas finais
Comentários são MUITO bem vindos...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!