Vermelho Sangue
15 O Juramento.
Notas iniciais
Capítulo 15 – O Juramento
Loki apertou as mãos da mãe antes de atravessar a cortina de tecido nobre dourado. Seu coração batia tão forte que o ensurdecia, mas o salão de festas estava quieto. O som de harpas ao fundo deixava Loki tonto, mas ele podia notar que toda Asgard o olhava naquele momento. Todos pareciam numa mistura de admiração e espanto.
Mas Loki olhou mais ao fundo, no fim do tapete vermelho que caminhava, no meio daquela multidão. Ele estava lá. Sorrindo como nunca. Com aquela eterna paixão no olhar. O vermelho vibrante com dourado que ele vestia combinava tanto com ele, com a personalidade dele. Loki quase podia sentir seus pensamentos, o quão nervoso ele estava, o quanto ele queria que aquela cerimônia acabasse logo apenas para ficar com ele.
Loki quase sentia-se morrer a cada passo mais perto do seu destino. Frigga apertava forte suas mãos, e o jotun respirava fundo. Sentia o mundo girar vezes e vezes eu seu redor e o som da sua respiração ecoava forte na sua cabeça. Tinha a sensação que iria desmaiar.
Thor. O toque cálido de Thor. O cheiro de Thor.
Vagarosamente, Loki despertava de seu transe. Estava na hora.
Frigga finalmente entregou Loki a Thor, e estes posicionaram-se de frente a Odin.
– Asgardianos... Hoje nós comemoramos a junção de dois. Dois formados em um, num elo indestrutível, inquestionável e atemporal. Este elo atravessará as eras, os mundos e as adversidades. – Odin falou. Sua voz atingia o peito de cada uma das pessoas daquela sala. Loki sentia vontade de chorar. – Vocês escolheram as almas um do outro e não há aliança mais poderosa do que esta. Vocês estão prontos? Estão prontos para assumirem as agonias, as alegrias, as angústias e vitórias um do outro?
O casal respondeu um forte “sim” que ecoou no salão.
– Fiquem de frente um ao outro. – Odin ordenou.
Frigga trouxe numa almofada uma adaga de prata, ferro e cristal e uma taça de ouro e rubis reluzentes. Thor pegou a adaga e com muito cuidado, cortou levemente a mão direita de Loki, deixando o sangue pingar na taça. Loki fez o mesmo com Thor.
– Façam seu juramento.
E como uma dança suave, um discurso que duraria por eras e eras.... Como uma jura de amor eterno, a voz do trovão e da magia uniram-se, dizendo:
“Meu grito ecoará sobre os tempos com a mesma força de agora, porque não sairá da minha garganta, e sim da minha alma. Ele será eterno e ensurdecedor, para que todo o cosmos o ouça.
Meu corpo perecerá neste mundo, mas minha essência permanecerá eternamente tua.
Minhas dores serão tuas dores. Minhas alegrias serão as tuas. E quanto tua carne se ferir, eu estarei ao teu lado para te dar a minha.
Eu sou teu amante. Sempre fui. E nós seremos um.
Eu prometo pelo sangue que nos une. Pelo teu sangue derramado.
Eu te amei em eras passadas. Eu te amo nesta era. Eu te amarei nas eras futuras.
Por tudo e para sempre.”
Ambos abriram os olhos.
Toda Asgard olhava para o casal. Frigga chorava silenciosamente. Odin pegou a taça com o sangue dos dois e levantou.
– O cosmos uniu vocês e por esse juramento, não irá separá-los. – fez uns segundos de silêncio e Odin aumentou o volume da voz. – Asgard, eu vos apresento seus novos príncipes!
Toda a multidão deu um grito forte que acelerou o coração de Loki. Ele, chorando de felicidade, beijou apaixonadamente seu marido e os dois saíram de lá em meio toda a festa, gritaria e pétalas de rosa vermelhas que jogavam naquele salão. Finalmente, casados.
Fale com o autor