Vermelho Sangue
11 A Ameaça.
Notas iniciais
CAPÍTULO 11 — A Ameaça.
Loki acordou devagar. O excesso de luzes de Asgard que vinham da janela irritavam seus olhos e ele procurou Thor na cama. Sentou, completamente nu, encolhendo-se e olhando o quarto. O sol vinha através das janelas junto com um frescor de manhã. Tudo no quarto brilhava, mas Loki estava sozinho. Estava se levantando quando a voz grossa de Thor soou na enorme porta de madeira ornamentada do quarto.
– Volte a se deitar. Eu trouxe o café da manhã. — Thor vinha equilibrando uma enorme bandeja com frutas, suco e mais alguns pratos que Loki não soube identificar.
– Eu não acredito. — o jotun falou, sorrindo. — Você fez isso pra mim? Sozinho?
Thor fez uma falsa expressão ofendida.
– Mas é claro.
Loki continuou a encará-lo.
– Okay, talvez eu tenha tido um pouco de ajuda das cozinheiras, mas foi só.
Loki sorriu. Pôs uma uva na boca e abraçou Thor.
– Isso basta pra mim. Obrigado. – deu-lhe um beijo.
Os dois comeram entre conversas distraídas e sorrisos. Foram tomar um banho.
– Você precisa conhecer meu pai...
Um arrepio gelado percorreu a espinha de Loki.
– Okay... Será que ele vai gostar de mim?
– Claro que vai. Quem não gostaria de você?
Loki sorriu. Até que sua mente deu um estalo.
– Thor, eu preciso contar pro papai antes. – Loki fechou os olhos e respirou fundo.
– Okay, é compreensível. Mas você precisa ir agora?
– Sim, eu preciso. Vai ser um pouco complicado, Thor. Eu vou me mover de reino. -Thor permaneceu calado. Não poderia discordar de Loki.
Terminaram o banho. Loki recolheu suas roupas.
– Volta logo. Quando você terminar lá, eu tenho uma surpresa a você.
– Surpresa? Okay, agora eu estou curioso. – Loki confessou.
– Então volta logo. – Thor deu-lhe um último beijo, antes de Loki desaparecer.
__________________________________________________________
Loki respirou fundo o ar gélido de Jotunheim. A cada passo que dava em seu grande palácio de gelo, seu coração queimava em adrenalina. Sinceramente não sabia como Laufey reagiria com a notícia do casamento. Provavelmente odiaria, mas Loki não ligava. Estava cansado de ser um mero objeto de troca para seu pai. Amava Thor, e estaria disposto a passar por cima de qualquer coisa para ficar com ele.
– Pai. – Loki apenas abaixou a cabeça diante a Laufey, que estava sentado em seu trono de gelo. – Eu tenho um comunicado a fazer.
Laufey, que estava com uma mão no queixo, apenas fez um sinal com a cabeça para que Loki continuasse a falar.
– Eu me casarei com Thor, filho de Odin, príncipe de Asgard. – Loki falou tudo de uma só vez, sem parar para respirar. Sentiu o coração palpitar mais forte.
Laufey permaneceu em silencio, até que sua risada debochada soasse por todo o palácio.
– Isso é ótimo! É ótimo! Agora você irá poder matá-los e tomar Asgard, como sempre planejamos. – Laufey levantou-se do trono, caminhando até Loki e dando-lhe um tapinha no ombro de confirmação. – Você é mais esperto do que pensei, Loki. Finalmente pode ser útil a este reino.
Loki sentiu o coração queimar em ódio.
– Laufey – Loki elevou a voz. – Eu estou me casando porque eu quero. Porque eu o amo. Não tomarei Asgard, não matarei Odin. Eles agora serão minha família e Thor será meu marido.
Laufey deu uma risada mais alta. Pegou Loki grosseiramente pelo pulso e falou, perto do rosto do belo jotun.
– Sua família? Olhe só pra você, acha que se encaixaria em Asgard? Você acha que te aceitarão lá? Você não pertence em lugar nenhum. – as palavras maldosas de Laufey eram facadas em Loki. – Você não passa de uma experiência mal feita, um monstro que tenho o desprazer de ter como filho!
As lágrimas caiam como ácido em Loki. Sua garganta doía, e ele soltou o pulso das mãos de Laufey. Nunca imaginou que seu pai, o jotun que lhe deu a vida, poderia ser tão cruel. Tentou falar, com a voz mergulhada em lágrimas:
– Eu nunca, nunca lhe pedi nada na minha vida. Eu me sacrifiquei para salvar seu precioso reino! E quando eu te peço apenas...
Antes que Loki pudesse terminar, Laufey deu-lhe um tapa no rosto. Loki caiu no chão de gelo límpido, sentindo o rosto queimar e o gosto metálico de sangue na boca. Seu coração doía, enquanto ele se levantava do chão, de cabeça abaixada e entre lágrimas.
– Eu vou fazer questão de matar esse seu maridinho e fazer você assistir... Você já imaginou? O brilho se apagando dos olhos dele...
Antes que Laufey pudesse completar, uma chama negra surgia das mãos de Loki. Seus olhos, antes vermelhos, agora também eram negros como a morte. Loki empurrou Laufey numa explosão de ira e magia, de modo que o jotun rei bateu de costas violentamente na parede do palácio e caiu no chão de gelo. As mãos de Loki tremiam de ódio enquanto ele levitava no ar, com uma aura negra envolta dele. Seus dentes caninos aumentaram e suas unhas também, o que aumentava a semelhança dele com um lobo selvagem. O ódio, o mais profundo ódio, tornava-o dessa maneira.
– Encoste um dedo em Thor e eu não hesitarei em te matar. Lenta e dolorosamente. Da pior maneira que eu puder imaginar. – Loki voltou ao chão e caminhou até Laufey. Abaixou-se até ele e encarando-o nos olhos vermelhos, agarrou seu pescoço com força, sufocando-o. – Você entendeu? VOCÊ ENTENDEU?!
Laufey deu uma risada debochada e acenou a cabeça em confirmação, limpando um pouco de sangue que escorria de seus lábios. Loki afastou-se do rei e as chamas negras desapareceram, assim como a cor de seus olhos, os dentes e as unhas voltaram ao normal. O belo jotun deu as costas ao pai e antes que pudesse ir embora, falou:
– Eu espero que nunca tenha que cumprir essa promessa. – e desapareceu, dessa vez numa chama negra.
Fale com o autor