CÓDIGO VERMELHO?? Como eu QUERIA não ter acertado o dia no qual ela estava se referindo.

— EMMA! Nossa, calma. Já foi feito? Ou vai fazer? — perguntei.

— Estava prestes a fazer, na verdade — ela respondeu.

— Abre essa porta, por favor. Vou te abraçar, ta bom? Não posso deixar você fazer isso, não deixei da outra vez e não vou deixar agora — eu disse.

A única coisa que eu conseguia pensar é o quão ruim eu tinha sido. Ela pediu a minha ajuda o dia todo e eu ignorei só por causa de um compromisso. Mas eu cheguei a tempo, acho que isso deixa tudo menos pior.

E a porta foi destrancada, bem lentamente. Quando entrei no banheiro a primeira coisa que eu vi foi Emma se reajeitando no chão, após ter levantado para abrir a porta. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar.E a raiva de mim mesma só aumentava.

Me sentei ao seu lado e sem dizer nada, ela logo se encaixou nos meus braços.

— Quer conversar agora? — perguntei.

— Não. Não quero pensar muito sobre isso agora, desculpa — Emma respondeu, se encaixando mais em mim.

— Não se desculpe, tá tudo bem — respondi.

Ficamos ali por um bom tempo. Bastante tempo mesmo. Só saímos quando eu comecei a reclamar de dor nas costas, então fomos para seu quarto. Joguei tudo que havia em cima da cama no chão — sim, como se o quarto fosse meu — e me atirei na cama como se a minha vida dependesse disso. Minha coluna estava pedindo arrego a muito tempo.

— Credo, que bagunça que eu fiz — Emma disse enquanto encarava todas aquelas coisas no chão.

— É, realmente. Mas depois você se preocupa com isso, vem deitar um pouco — respondi.

Emma veio e se deitou ao meu lado, ficamos em silêncio novamente, já que ela não queria falar sobre o que aconteceu hoje.

Eu estava quase pegando no sono, quando lembrei que já estava tarde e a minha mãe achava que eu estava no meu tão esperado encontro com Gabriel.

— Santa mãe de DEUS OLHA A HORA! Minha mãe deve achar que eu estou em um motel ou algo assim — eu disse enquanto levantava desesperadamente da cama.

— Caaalma! Fala pra ela que eu fiquei mal e você veio pra cá.

— Aí que ela me xinga. Eu enchi o saco dela por muito tempo pra ela deixar eu sair, dai se eu falar que eu acabei cancelando assim ela perde de vez a fé em mim — respondi.

— Então fala que você saiu com o Gabriel e que acabou mais cedo do que você esperava. Dai você diz que eu liguei ou algo assim, pedindo ajuda. Você supostamente veio aqui depois do seu encontro. Final feliz.

— Certo, vou fazer isso mesmo. Vou mandar uma mensagem, na verdade. To com preguiça de dizer tudo isso. Posso dormir aqui né? Porque nossa eu to com sono demais também pra voltar pra casa.

— Claro que pode.

Felizmente, tudo acabou bem. Emma está bem. Minha mãe não se importou de eu vir parar aqui. Agora eu posso dormir.

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Faz uma semana que um código vermelho quase aconteceu e eu ainda não sei o porquê. Se eu parar pra pensar demais nisso vou acabar ficando nervosa. Tudo bem ficar mal e tudo mais, mas eu cancelei meus planos e nem pra ela se justificar... Tá. Tá tudo ok.

E junto com tudo isso, Emma se afastou de mim monstruosamente. Sério, nós conversávamos o dia todo, agora é só um papinho de duas linhas por dia e olha lá. O que foi que eu fiz???

Se nós ainda estivéssemos em aula pelo menos eu a veria todos os dias, mas em plenas férias isso foi acontecer. Cada uma isolada em sua devida casa.

E sobre o Gabriel... (música triste de violino começa a tocar) acho que ele desistiu de mim. Nem falou comigo depois do nosso quase encontro. Mas tudo bem, se ele não foi capaz de entender que eu precisava ajudar uma amiga, não quero mais. Quero sim. Não quero.

Também no meio dessa confusão toda, Mariana veio falar comigo. Rápida explicação: Eu, Emma e Mariana éramos um trio de amigas inseparáveis. Bem, inseparáveis até o pai da Mari conseguir um emprego melhor em outro estado. Ela foi pra uma escola particular super rigorosa, por isso acabamos perdendo contato. Mas quando achávamos um tempo pra conversar era como se ela nunca tivesse ido. Awnt. Enfim, do nada ela me chamou pra conversar sobre assuntos aleatórios, mas eu sei que ela está enrolando pra dizer algo mais importante, conheço essa garota. Assim como eu não pressionei a Emma pra me contar as coisas, não irei pressioná-la também.

Eu juro que só queria entender o que está acontecendo com todo mundo. É a Emma tendo uma recaída do nada, é a Mariana vindo conversar comigo do nada... Tem coisa ai.

E eu sempre sou a última a saber de tudo.

Detalhe importante que passou despercebido: fui parar no hospital três vezes na mesma semana. TRÊS VEZES. Não gosto nem de ir uma vez por ano agora imagina TRÊS VEZES na mesma SEMANA. Tudo porquê eu começo a ter fortes dores abdominais sem motivo algum. Como se alguém estivesse me chutando. E nenhum médico consegue descobrir o porquê. E as dores na coluna também são muito frequentes, achei que só fosse o mal jeito por ter ficado muito tempo sentada no banheiro da Emma, mas acabou que não foi só isso. Saudades do meu corpo saudável e sem problemas.

Além de dores e mistérios, também estou tendo sonhos horríveis. Sonhos horríveis também conhecidos como pesadelos, parabéns Carol.

Neles eu preciso salvar a Emma, que está à beira da morte, e toda vez eu não consigo. Toda noite a mesma coisa eu não to aguentando mais. Não consigo salvar essa menina, mas pelo menos eu consegui fazer isso DUAS vezes na vida real. Carol 1 – 0 Pesadelos.

Voltando o foco, a situação é séria. Não sei por quanto tempo eu irei aguentar as pessoas escondendo coisas de mim.