Vermelho
2 Vermelo #2
Notas iniciais
O uivo alto ainda era ouvido e eu ainda estava nos braços daquele homem misteriosos. Se fosse em outro momento não permitiria tal intimidade, mas aquele momento era especial. Minha vida estava em jogo e se não fosse pela interferência daquele homem eu estaria morta.
Tentei olhar por cima do ombro do loiro, localizando o local que quase fui morta pela besta. A casa se afastava rapidamente e eu me perguntava como um ser humano poderia correr tão rápido tendo outro em seus braços.
Estava ficando longe, cada vez mais longe. Até que não mais a vi. Não que a casa me importasse, mas aquele ser asqueroso sim. Eu queria novamente ver aquele vermelho vivo. Queria novamente poder me aproximar daqueles olhos cor sangue.
Uma lágrima percorreu o meu rosto. Uma solitária lágrima que sem motivo escapou dos meus olhos cansados.
–Não chore. Não permitirei que ele se aproxime. – falou o loiro tentando me acalmar. O problema não era ele se aproximar ou pelo menos era isso que eu pensava no momento.
Ele continuou a correr pela floresta, até que chegamos numa casa abandonada no meio da mesma. Era simples, sem muito requinte, mas que em outro momento até que seria confortável. Pena que aquela casa não sobreviveria a besta.
–Ele pode nós encontrar aqui. – falei como se realmente soubesse de tal fato. Na verdade apenas supus que ele poderia ser guiado pelo cheiro, chegando ali facilmente.
–Não se preocupe. A casa está cercada com magia. Mesmo que ele queria não vai conseguir passar das dermacações.
–Hm. – meio que respondi. Na verdade eu não sabia o que dizer naquele momento. Apenas confiei nele, pelo menos ele parecia saber mais que eu. – Agora me responda: Como sabe o meu nome? Porque ele está atrás de mim?
– Sou seu amigo, de longa data só pra citar. E também sou amigo do Teme. – falou enquanto sentava.
– Teme? No caso a besta, você quer dizer? – se ele realmente era amigo daquele ser, o que eu pensava ser completamente impossível, ele não era confiável.
–Besta... – falou pensativo, enquanto seu olhar vago estava direcionado para mim. – Talvez ele esteja uma besta agora, mas até o mais vil animal possuí sentimentos. – realmente não entendi o que ele queria dizer com isso, mas apenas continuei a observá-lo perdido em pensamentos – Quer saber o porquê ele esta assim Sakura? – sua voz irritada se fez presente no cômodo silencioso.
Aquele tom não combinava com ele, e isso eu já tinha percebido nos breves momentos de nossa conversa. Concordei com a cabeça.
–Você não deve lembrar, mas nesse mundo há diversos tipos de criaturas. Vampiros, gigantes, duendes, fadas, lobisomens, bruxas, entre outros. Claro, os humanos não sabem disso, sendo novamente a raça mais inferior. A besta que você fala é um lobisomem, e diferente da cultura humana que tende a modificar tudo, aquela besta não possui nada que possa ser chamado humano, apenas sua aparência quando não está transformado.
–O que importa essa história agora? – perguntei sem entender onde ele queria chegar.
–Os lobisomens são considerados uma das mais fortes criaturas do “reino mágico”– fez aspas com as mãos e por um momento vi ele xingar algo como nome ridículo e outra coisa que não entendi – Do outro lado temos o lado um pouco mais fraco: Bruxos. São uma raça derivada dos humanos, um tipo de evolução forçada que tiveram que passar para viverem.
–E? – sinceramente eu não estava acreditando em nada, mas relevei por um momento.
– E que para sobreviverem desenvolveram um tipo de maldição. Lembra-se de que eu disse que os humanos eram a raça mais inferior? – nem tive tempo de responder, pois ele já foi completando – Pois bem, na verdade eles são a raça que mais tende a evoluir. E nessa evolução criaram a maldição dos três pactos. Resumindo: Um bruxo tem a capacidade de aprisionar um ser a si, fazendo ele ser seu escravo.
–Não estou querendo ser chata, já que você salvou minha vida, mas isso não é a resposta para minha pergunta. – tentei não ser rude, mas naquele momento eu sentia que a besta novamente se aproximava. – Ela está vindo. – falei mais para mim mesmo.
– Sim. – olhei para ele admirando sua tranquilidade. Meu coração já disparava em desespero, mas aquele homem apenas olhava para mim como se esperasse algo. – Ele está vindo porque seu bruxo o abandonou. – naquela hora entendi onde ele queria chegar.
Arregalei meus olhos. Ele estava realmente querendo dizer que eu era uma bruxa e que tinha feito uma maldição prendendo a besta a mim?
– Você só pode está louco.
– Não. – levantou da cadeira e foi para a porta a abrindo – Não sei por que você quebrou o pacto Sakura-chan, mas sua atitude imprudente o fez perder o controle. Ele não quer lhe matar, mas sua maldição o força a isso.
– É loucura dizer que mesma criei um monstro para me matar.
–Você não percebeu? – seu rosto virou lentamente, e olhando profundamente meus olhos como se pudesse ver minha alma continuou – Você realmente não percebeu seus olhos vermelhos?
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