Verlorenes Paradies - Paraíso Perdido

3 As águas do Oceano Atlântico Norte


As águas do Oceano Atlântico Norte


As águas do Oceano Atlântico Norte balançavam o pequeno barco como se fosse apenas um fragmento de madeira perdido na eternidade.

Brand mal conseguia compreender.

Ele não conseguiu salvar Kaira.

A voz dela ainda ecoava em sua mente — não como lembrança… mas como um chamado vivo.

— Brand… salva-me… por favor, meu irmão…

Mas ele já não estava na Finlândia.

Já não estava sob o céu que conhecia.

O mar o havia levado para longe de tudo.

Para uma terra que séculos mais tarde seria chamada de América do Norte.

O vazio ao redor parecia um abismo sem volta.

Sem casa.

Sem rumo.

Sem irmã.

A chuva começou a cair como um lamento dos deuses.

As ondas golpeavam o barco com fúria, e Brand, de olhos azuis endurecidos pela dor, segurava-se nas tábuas encharcadas, tentando manter algum controle.

O vento gritava.

Ele puxou as últimas forças que restavam em seu corpo e segurou firme na vela rasgada. O barco foi arremessado contra a direção da costa invisível.

Então veio o impacto.

Madeira quebrando.

Cordas se espalhando.

Silêncio.

Brand mergulhou nas águas geladas, nadando contra o peso da armadura molhada. Cada braçada era uma luta contra a morte.

Mas ele alcançou a areia.

Caiu de joelhos.

A chuva impedia que visse com clareza. Sua consciência voltava lentamente — antes era apenas a voz da mente… agora o mundo real o atingia.

Ele se levantou com dificuldade.

— Há alguém aqui? — sua voz saiu rouca, quase perdida no vento.

A floresta respondeu com sons estranhos.

Galhos quebrando.

Animais se movendo.

Pássaros silvestres entoando um canto desconhecido que tornava o ambiente ainda mais sombrio.

Era inverno naquela terra.

Uma terra que não o conhecia.

De repente—

Um sussurro cortou o vento.

Um estalo.

E então…

⚡ Uma flecha atravessou seu braço esquerdo.

O impacto o fez girar e cair novamente na areia molhada.

O sangue misturou-se à chuva.

Ele tentou se levantar, mas o braço estava imobilizado.

Entre as árvores, sombras se moviam.

Galhos e troncos não conseguiam esconder totalmente as figuras que o observavam.

Brand ergueu o olhar, respirando com dificuldade.

E então viu.

Olhos atentos na escuridão da floresta.

Não eram animais.

E seu destino acabara de mudar.