🌙 A Mulher de Olhos de Outono

Brand despertou lentamente.

A dor no braço pulsava, mas não era mais o que mais o inquietava.

Era ela.

Sentada próxima ao fogo, envolta pela luz dourada das chamas.

Seus cabelos escuros caíam sobre os ombros como noite profunda… mas seus olhos…

Seus olhos não eram como ele já tinha visto.

Não eram castanhos comuns.

Eram hazel claros, quase dourados sob o reflexo do fogo — uma cor rara, como folhas de outono tocadas pelo sol. Mudavam com a luz: ora verdes, ora mel, ora âmbar.

Brand piscou, achando que fosse delírio.

Mas não era.

Ela o observava em silêncio.

Sem medo.

Sem submissão.

Com a firmeza de quem pertence àquela terra.

Ela percebeu que ele estava acordado.

Aproximou-se lentamente.

Ajoelhou ao lado dele.

Tocou de leve a faixa em seu braço, verificando o ferimento.

Quando seus olhos hazel encontraram os dele — azul como gelo do norte — algo aconteceu.

Um contraste impossível.

Gelo e outono.

Mar e floresta.

Ele tentou se erguer.

Ela o segurou pelos ombros com delicadeza, mas com força suficiente para mantê-lo deitado.

— Não… — ele murmurou em sua língua.

Ela não compreendeu as palavras.

Mas compreendeu a dor.

E então falou algo suave em seu próprio idioma.

A voz dela não era agressiva.

Era firme… e estranhamente calma.

Brand fechou os olhos por um instante.

E pela primeira vez desde que foi lançado ao mar… não sentiu medo.

Sentiu algo diferente.

Como se o destino tivesse olhos da cor do outono.