Veritas Vos Liberabit

1 Qual a verdade?


Tudo começou com uma pergunta, e em efeito dominó, surgiram dúvidas e mais dúvidas, e atrás delas, respostas, mas em menor quantidade, havia poucas respostas racionais para as perguntas que tinham um sentido de importância mais elevado na vida do ser humano, as que ficavam com respostas longe demais para serem alcançadas pelos braços curtos da racionalidade recém-nascida do ser humano eram respondidas pelo mesmo lugar de onde surgiram as dúvidas e perguntas, a mente humana. Não importava se era verdade, mas se respondia tais perguntas que causavam tanto alvoroço. Daí, surgiu a cultura humana: crenças, lendas, a própria cultura e a noção do seres conhecerem realmente o que são.

Passado milhares de anos, nos encontrávamos em grupos, localizados em grandes cidades, organizados muito complexamente, moral e ética foram criados e não éramos mais animais vivendo em cavernas e disputando a próxima refeição com animais. Dominamos o planeta. Construímos um império. Construímos um povo. Mas alguns até hoje não sabem realmente onde se encontram, vivem como foram ensinados, sem questionar. Tais pessoas devem ser acordadas para a realidade, mas tal tarefa na sociedade daquela época era considerado como heresia. Uma palavra totalmente nova... Um pecado? De forma alguma. Apenas livre arbítrio que era negado, chegando a ter pena de morte. Mas uma coisa não condizia com o aspecto humano de vivência... Uma palavra: heresia. Era uma barreira que não se deveria transpassar, pois conduzia às perguntas que possuíam uma resposta longe demais. Todos pensavam nelas, mas essas eram respondidos por crenças que se contestadas seria “heresia”. Morte. Mas por uma pergunta? Ainda sim. Morte. Era difícil continuar a respirar sem sentir algo apertar a garganta ao engolir, o livre arbítrio era negado, o direito de ser livre, que até os animais têm, física e psicologicamente. Eram humanos ainda sim.

Século XVII, nascia as raízes de um movimento que viria a tremer a sociedade moderna, e nesse tremor uma boa parte de indivíduos “acordaria” e a chuva de questionamentos caria sobre a religião. O Iluminismo começava. Cientistas da época, cansados de explicações irracionais para fatos sem explicação proporcionadas pela religião, começaram a se manifestar e buscar respostas, enquanto conscientizava o povo leigo e alienado sobre a realidade. A verdade era buscada, a verdade os libertaria das correntes que os prendia... “Veritas vos liberabit” esse era um dos lemas que eles possuiam, a libertação pela verdade, ironicamente essa frase foi usada pela própria Igreja Católica, uma das maiores inimigas dos Iluministas ou a maior, com orgulho para com a propaganda de sua doutrina, agora o feitiço se virava contra o feiticeiro. E a igreja e as outras religiões começavam a se desesperar. Uns dirão que o desespero era a perca de fiéis que proporcionava o dinheiro que os sustentava, outros dirão que seria o medo da religião ser esquecida, mas particularmente creio que não seria nenhum dos dois, mas sim ambos, pois a igreja corria atrás de respostas, uma prova disso foi a Reforma Protestante no século XV, onde a própria Igreja Católica em sua poça de desespero numa decaída estrondosa, reformulou a bíblia de forma que atendesse às dúvidas da massa que causava desgraça aos mesmos. Teria sido o suficiente, mas seu pesadelo voltava para assombrá-los.

Após alguns anos a Igreja com seu imenso poder já teria matado muitos dos Illuminati, que era a alcunha que um indivíduo Iluminista carregava, e o tumulto já era bem menor, já se acostumaram com os mesmo e nem eram de tão grande importância. A Igreja continuou a existir, se adaptando e mudando conforme a sociedade, mas os Iluministas também não desistiram, tais filósofos, físicos, químicos; cientistas renomados e famosos, não engoliram as desculpas feitas anos depois e continuaram o movimento, dizem que até hoje existem em nossa sociedade atual, mas se pensar bem, não precisa cadastrar-se em lugar algum para ser um, basta agir da mesma maneira, evidentemente não causando multidões em igrejas ou afins, mas buscando a verdade para com o próximo da mais pura e verdadeira forma.

Até aqui é só história, mas aquilo que os Illuminati tanto buscaram, a verdade, o que seria? E se fosse um objeto físico, com que se pareceria ou o que viria a ser exatamente?

Evidentemente que a concepção muda de pessoa para pessoa, se você perguntar o que a verdade a qualquer pessoa terá grandes chances de ouvir algo como: “È não mentir”. Muitos pensam dessa maneira, não que esteja errado, mas definir algo pelo não é, é devidamente errôneo, é o mesmo que eu dizer a um de vocês que um sofá não é um monte de terra, são informações subjetivas ao extremo. Seguindo uma linha de pensamento qualquer pessoa pode chegar as mesmas conclusões, não definirão da mesma maneira, é claro, mas a essência será a mesma.

Se seguirmos uma linha de raciocínio partindo da seguinte pergunta “O que é a verdade?” seguiremos um caminho tortuoso e complexo pela mente, no final o prêmio é maior do que muitos esperam, não é somente um significado, seria tudo, no sentido mais literal da palavra. Se a verdade pode ser alguma coisa, ela é a visão da existência pura, é poder ver as coisas no sentido mais puro dela, ver que tal coisa é o que é, todas são o que são, foram o que são e serão, de forma a todas as coisas terem sido e irão ser essas mesmas coisas, de maneiras diferentes. É claro que para falarmos da verdade precisamos de muito mais, por ser quase uma força natural, mas nossa própria origem nos impede, é por sermos humanos que não podemos ultrapassar tal barreira, a barreira da linguagem, as palavras nos limitam aos seus significados, apesar de termos nomes para tudo, ou pelo menos pensamos ter, ainda somos barrados pelo significado restrito, ou muito aberto das palavras. Mas entendemos a essência do que importa, só por isso já seria um salto quântico, se a própria humanidade soubesse de tais coisas o mundo não seria propriamente o mundo, uma possibilidade seria a existência de uma utopia. Pensar em tais coisas nos rende até calafrios, pois o mundo, as crenças, a sociedade que conhecemos hoje seria dizimada, talvez esse fosse o preço da verdade para todos.

O entendimento da verdade para si, no sentido literal do contexto, não rende benefício algum a curto prazo, somente a longo prazo, em que você perceberá várias variáveis tornando-se constantes de momento a outro, a concepção da realidade irá ser mais concreta, as pessoas e suas complexidades se tornariam mais simples. Mas o entendimento não se deve por somente ler o que seria tal verdade, e sim por entender por si mesmo, trilhar seu caminho desde a pergunta até a essência mencionada, isto é, o prêmio não se encontra no começo nem no fim da jornada, o prêmio seria a própria jornada e o que ela contém.

A verdade que normalmente usamos, nos remete a algo, algo que foi descrito fielmente ao que aconteceu realmente, essa seria a verdade, mas ela não teria significado se não houvesse essa relatividade entre as duas palavras. A verdade cotidiana é somente o ponto de vista fiel, dentre outros que seria a mentira. Se existe verdade, existe mentira, se existe luz, sombras também existirão. A verdade é extremamente dialética e simbiótica com seu oposto, isto é, a própria mentira faz a verdade e sem a mentira a mesma não existe, mas no meio disso tudo, percebemos que a verdade cotidiana tem relação com a verdade essencial, a dialética simbiótica que possuem, é igual nos aspectos. Ao relermos percebemos que o “bem e mal” são um tipo de verdade, são relativos, extremamente dialéticos e muitíssimo simbióticos, pois se o bem existe, mal existe igualmente, falar-se de condições onde somente existe bem é errado, pois não existe tal parábola, como dito devem coexistir obrigatoriamente. Esse pensamento pode ser obtido por um caminho filosófico como o anterior, e logo você chegará à essência apresentada a pouco.

Não é errado dizer que a verdade é uma mentira. Nem que o bem é mal, se fazemos o bem a uma pessoa esse bem pode prejudicar uma pessoa involuntariamente e logo faremos bem e mal, depende do ponto de vista tomado, analisado e interpretado.

Cabe a cada um analisar as verdades do mundo a sua maneira. Revelo a vocês que aqui não foi somente apresentado fatos sobre a tal “verdade”, mas também uma porta para o entendimento total do mundo e de algo mais. Depende unicamente de você e eu. Nem juntos nem separados. Somente simbioticamente dialéticos.

Edson Oliveira da Silva

12 de julho de 2012

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.