Vergonha

1 Capítulo 1


Miles

"Alguns momentos da vida marcam tanto, que não tem como a gente não levar pra sempre."

— Pedro Pinheiro.

SEGUNDA-FEIRA
07:30h

Pedalo o mais rápido possível, sei que estou atrasado para o primeiro dia do último ano do ensino médio, lembrar disso me deixa tão feliz, tão esperançoso para o que vem pela frente no próximo ano. Uma onda de determinação envolvendo meu corpo e corro mais rápido ainda. Já consigo avistar a escola, é lá está ela, lotada de gente; pais, alunos, novos alunos, funcionários ecarros para todo. Típico de volta as aulas.

Prendo a minha bicicleta no portão e entro na escola tentando desviar de toda aquela movimentação. Já dentro do prédio, avisto Hanna sentada no pátio conversando com outras garotas, algumas delas eu não consigo lembrar se já as conheço ou não. Aceno, mas ela não consegue enxergar o meu esforço para chamar a sua atenção. Uma das garotas me avista e parece não entender o motivo de eu estar ali no meio do pátio fazendo mímica. Ela olha para mim com uma cara de ????. Eu tento apontar para Hanna, mas a garota só faz aumentar a expressão de que não sabe o que, que ta acontecendo. Logo em seguida todas as outras percebem a distração da amiga e olham na minha direção, todas se perguntado o que é que estava havendo. Eu aceno todo sem graça — se eu já estava vermelho de tanto pedalar, agora eu devo estar parecendo um tomate. Hanna se levanta toda intrigada, pede licença as amigas e vem na minha direção.

"Oi" Ela me cumprimenta fazendo uma cara de interrogação. "O que é que estava acontecendo aqui?" e terminar de falar com um sorrir.

"Poxa vida, e difícil chamar a sua atenção aqui hein!?" Falo desmanchando a franja dela. "Quem diria, Hanna banana virou uma garota popular."

"Ei seu cuzao," ela dá um soco de leve do meu ombro. "Sabe quanto custou pra essa franja ficar perfeitinha assim?" Faço um movimento de cabeça dizendo que não com um sorriso de deboche no rosto. "Pois bem, não queira nem saber. É você, por que tá todo suado assim?"

"Meu pai não teve tempo para me trazer hoje. Sabe como é né, acho que ele carrega todo o trabalho do mundo nas costas dele." Alguém passa o braço ao redor do meu pescoço.

"Uau Miles... " Lucas tira o braço do meu ombro no momento em que ele percebe que a minha camisa está toda suada. "Mano, alguém precisa de um banho aqui!" Diz ele fazendo uma cara de nojo.

"Oi pra você também, Lucas" diz Hanna ajeitando a alça da bolsa no ombro. "Para quem não queria deixar as férias, você está bem animadinho com o primeiro dia de aula."

"Claro, não sei se vocês já perceberam, mas olhem ao redor de vocês..." Ele abre os braços para indicar todo o espaço do pátio. "Olhem o tanto de garotas novas e gatas que entraram esse ano. Com certeza essa vai ser o último melhor ano de todos!" Afirma ele todo empolgado olhando para mim.

Percebo que tenho que concordar com ele é digo:

"Realmente, as meninas esse ano estão de parabéns."

"Aff, garotos... " Hanna bufa fingindo tédio.

"Pelo visto tem um professor novo aí que está fazendo a cabeça de vocês meninas né!? Então por isso que você veio com esse novo cabelo aí, né danada." Diz Lucas tentando tocar na franja de Hanna. Ela dá um tapa na mão dele e diz demostrando animação:

"Também ouvir falar desse tal professor novo, mas ainda não tive o prazer de..."

"Aaah, lembrei" Lucas a interromper. "Hoje à noite vai rolar um esquenta de volta as aulas na casa do Samuel, só para os veteranos." A animação dele chega a ser contagiosa.

"Sério?" Ele afirma com a cabeça. "Eu to calado então! É você Hannah? Hannah?"

Hannah estava parada olhando para algo atrás de mim. Para algo não, alguém!
Olho para atrás e vejo um homem — um homem? Não, talvez um garoto mais velho — vindo em nossa direção.

"Meninos," ele se dirige a nós três "o direito está esperando todos os alunos no ginásio para começarmos as atividades de volta as aulas."

Pelo jeito que ele fala, com essa voz quente e ao mesmo tempo calma, essa postura mais que correta, cabelo revolto, olhos cinzas vivos que nos olham com astúcia percebo logo que ele não é um aluno. Também não parece ser um funcionário.

Lucas o encara e pergunta: "E quem é você mesmo?"

Ele passa o olhar sobre nós três novamente, parando em mim. Então olhando nos meus olhos, parecendo estar se divertindo ele diz: "Sou o novo Professor de História das turmas de terceiro ano. Ícaro Martin, prazer em conhecê-los!"

Hanna se aproxima mais e estende o braço para cumprimentá-lo com um aperto de mão.

"E um prazer Sr. Martin" diz ela com um sorriso de ponta a orelha. "Eu sou a Hanna e esses aqui são o Lucas e o Miles. Nós três somos do terceiro ano!" concluí ela.

Então o senhor Sr. Martin — nossa, é bem difícil pensar nele como um senhor, ele parece ser tão novo — estende o braço e cumprimenta Lucas com um aperto de mão. O ato faz com o que seus músculos do braço se contraiam, fazendo com que a manga de sua camisa social se aberta envolta do bíceps — o que me chamou baste atenção. Logo em seguida ele se dirige a mim fazendo o mesmo e diz: "Que ótimos, então vocês serão meus alunos... " Ele continua a falar, mas eu não consigo prestar atenção porque ele ainda está segurando a minha mão, e o contato com a pele dele, uma pele levemente dura, gostosa de se sentir, me desligou completamente. Eu não consigo entender o que estar acontecendo comigo. De repente ele solta a minha mão e diz:

"Bom garotos, foi um prazer conhecer vocês, mas agora eu peço que vocês se dirijam ao estádio, pois eu fiquei em carregado de avisar a vocês que estão aqui no pátio de se dirigirem até lá, e eu não quero sair mal no primeiro dia de trabalho, vocês entendem não é!?" Ele fala com um tom de brincadeira na voz e vai até o grupo de meninas que antes estavam conversando com a Hanna, passar o recado do direito.

"Olha pra aquelas tolas, só faltam babar aos pés dele." Diz Lucas com um tom de enjoo na voz. "Eu não vi nada de mais naquele cara!"

"Você não vê porque você é cego" brinca Hanna, tirando o boné da cabeça de Lucas. "Sim, agora diga que horas vai acontecer esse esquenta?"

"Às 21 horas no apartamento do Samuel" Lucas toma o boné da mão de Hanna e nos dirigimos até o estádio.

Enquanto caminhamos eu não consigo parar de pensar no novo professor. O som da sua voz ainda não saiu da minha cabeça, eu ainda posso sentir a presença do toque da sua mão na minha.
Sem perceber eu levo a minha mão até o nariz e sinto um cheiro diferente, o cheiro de um perfume forte que por sua vez já está fraco por conta do passar do tempo. Aquele cheiro, aquela presença na minha mão me faz pensar em coisas que ele, o próprio Sr. Martin, pode ter tocado com elas, e algo bem obsceno me vem em mente e no mesmo instante eu coloco um dos dedos na minha boca e tento sentir algo, o problema e que eu não sei o que eu estou tentando sentir. Talvez seja o gosto, o gosto dele. O gosto de Ícaro Martin..!


SEGUNDA-FEIRA
23:20h

"Ei, o que é que essas meninas do primeiro ano estão fazendo aqui? O esquenta não era só para os veteranos?" Grita Hanna no meu ouvido tentar fazer com que sua voz saia mais alta do que a música Panda que está tocando nesse momento.

"Você acha que os caras não iriam querer impressionar as calouras logo no primeiro dia de aula!? Se você achou que não, sinto dizer que você é muito inocente." Respondo o mais alto possível.

"Argh, garotos!" Ela bebe um gole da sua bebida. "Ei, sabe a Júlia, que agora é terceiro ano A?"

Confirmo que sim com um movimento de cabeça.

"Ela tá interessada em você, garanhão!" Diz Hanna me cutucando na barriga, o que me faz sorrir.

"Legal." Eu respondo.

"Legal?"

"Sim, legal!"

Hanna sai correndo da cozinha e vai em direção a sala. Eu fico ali sozinho enquanto os outros ao meu redor estão conversando ou se pegando.
Percebo que é Samuel que está aos beijos com uma menina. Os dois estão encostados na imensa geladeira. Samuel é o típico cara rico, descolado, filho de papai e o mais popular da escola. Ele mora sozinho nesse puta apartamento, porque os pais dele tiveram que se mudar para uma outra cidade por motivos de trabalho.
Samuel e a garota são só amassos nesse momento. Ele desce sua mão até a bunda dela e aperta com força, a garota chega a se estremecer, então ele se distância um pouco dela. Percebo algo que se projeta de dentro de sua calça. Eu deveria parar de olhar, mas não consigo desviar. Então ele prensa a garota na geladeira e se aperta contra ela para que a mesma possa sentir o seu volume. Ela parece gostar bastante.

"Ei, cara" Lucas se aproxima de mim. Ele está sem camisa e com o cabelo negro cacheado todo bagunçado. "Ei, olha aqui!" Ele me mostra algo que ele tá fumando. Parece ser maconha.

"Quer um pouco?" Pergunta ele.

Penso em aceitar só para aumentar meu ânimo. Pego a ponta e levo até a boca.

"Esse é meu garoto!" Diz ele entre gargalhadas.

Trago umas cinco vezes, tossindo na última e devolvo a ponta para ele. Já começo sentir a tontura chegando.

"Ei, cara... " Lucas coloca seu braço envolta do meu pescoço e fala no meu ouvindo. "T-Tem um mina querendo meu lukão aqui. " ele aponta para o short. "E meu lukao já está animado! Olha isso."

Um volume se forma na short dele e ao ver isso meu própria volume ganha vida dentro da minha calça. Tento disfarça mas não consigo.

"Olha isso" Lucas aponta para o meu pau é da um tapa. Eu me encolho e digo:

"Filho da puta! Essa porra dói!" Isso já é o efeito da maconha.

"Parece que você também está precisando de uma mina hein!!?." Lucas cai em gargalhadas.

Nesse momento Júlia aparece como num passe de mágica.

"Oi Miles, a Hanna me mandou até aqui!" diz ela com um tom excitante na voz e me abraça. Droga, a ereção.

Com certeza ela conseguiu sentir. O sorriso no rosto demonstrava isso.

"Vou atrás da minha mina e deixar o casalzinho a sós." Diz Lucas jogando o que restou da ponta na pia. Ao sair ele deu dois tapinha do meu ombro.

"Oi Júlia" falo meio sem graça.

"Vamos para outra lugar!" Ela sai me arrastando.

Tentamos nos banheiros e nos quartos mas já estavam todos ocupados. Por um lado eu dei graças a deus. Então ela teve a ideia de ir para o corredor do lado de fora. Saímos e fechamos a porta. Ela ficou parada olha para mim e eu para ela.

''Então?" Perguntou ela.

Eu realmente não estava com vontade de ficar. Não com ela! Mas eu parei de pensar e a beijei.

Ficamos ali uns cinco minutos só nos beijando. Eu percebi a decepção dela quando ela percebeu que não iria rolar nada além de beijos. Mas como Júlia é uma garota determina, ela começou a abrir o meu cinto e o zíper da minha calça. Quando eu percebi ela já estava abaixada.

"Ei" eu disse levantando ela. "Eu não vou fazer isso aqui! Pode passar alguém a qualquer momento."

"Deixa de besteria, Miles. Não vai passar ninguém por aqui." Disse ela se abaixando novamente.

"De jeito nenhum!" Eu me afasto dela fechando a minha calça.

Júlia levanta e me olha com raiva. Então diz: "Quer saber, vou atrás do Lucas! Ele com certeza não vai recusar um boquete!" Ao sair ela me empurra e eu acabo caindo de costas na porta do apartamento em frente ao de Samuel. Para piorar todo a porta estava aberta e eu caio com tudo dentro da sala de alguém batendo a cabeça com força no chão.


TERÇA-FEIRA
00:20H

Por um momento eu esqueço tudo; o que está acontecendo, onde eu estou e quando eu estou. A pancada na cabeça foi tão forte que eu passo uns dois minutos ali no chão sem conseguir me situar do que acabou de acontecer.
Ouço uma voz. Mas a dor na cabeça e tão grande que eu não consigo escutar direito o que essa voz diz. Abro os olhos e consigo enxergar a silhueta embaçada de alguém por cima de mim. Parece ser um homem.

"Garoto, você está bem?" Agora consigo ouvir perfeitamente.

O homem me levanta e me carregar até o sofá da sala que está meio escura. Tento falar alguma coisa — pedir desculpa talvez — mas nenhum som sai da minha boca. O homem some por alguns minuto e volta logo em seguida com um copo d'água. Eu estendo a mão para pegar o copo e levo ele direto a minha boca. A cada golada de água eu sinto a minha cabeça latejar. Assim que eu termino de beber a água minha visão volta ao normal, e eu vejo o homem ali parado na minha frente com as mãos na cintura.

Droga, estou ferrado! Penso.

Pisco bastante para tentar focar o rosto dele, percebo que ele me parece um pouco familiar. Ele está me olhando com uma cara séria, um pouco impaciente talvez. Percebo também que ele está sem camisa e de short samba canção. Que corpo! Não sei por que penso isso, mas também não tem como não notar. Seu peitoral é alto e bem definido assim com o seu abdômen. E os braços? Meu deus, olha esses braços, são o dobro dos meus!

Percebo que eu estou rindo enquanto o admiro. Provavelmente ainda estou sob o efeito da maconha, só pode, essa é a única explicação.

"Miles?" Ele chama meu nome fazendo eu voltar a atenção para o seu rosto. Nossa de onde eu o conheço?

"Miles não é? Não é esse o seu nome?" Ele pergunta e eu aceno que sim com a cabeça. Como ele sabe o meu nome? Me pergunto.

Ele senta no meu lado no sofá e eu tento me consertar, tentando parecer ser educado pelo menos. Foi ai que eu conseguir me lembrar de onde eu o conhecia. Sr. Martin! O novo professor de História da escola.

OH MEU DEUS! EU ESTOU CHAPADO E TODO LARGADO NA CASA DE UM PROFESSOR! OH MEU DEUS!

Foi aí que eu fui me tocar da gravidade da situação em que eu me encontrava. Tento levanta as pressas na intensão de me desculpar e ir embora logo em seguida, mas sinto uma tontura imensa e caio de volta no sofá.

Ele me segura no momento em que eu desabo e me senta mais uma fez no sofá. Agora estamos mais perto um do outro e eu consigo sentir seu cheio, aquele mesmo cheio que eu sentir hoje mais cedo, só que mais presente. Era cheiro de menta, talvez. Não conseguir identificar.

"Parece que você bateu cabeça bem forte. Acho melhor você deitar um pouco e descansar." Ele fala passado a mão na minha cabeça procurando algum ferimento e isso me faz arrepiar todo. Sua voz é firme, mas também transmite um pouco de preocupação. "E pelo que me parece, você está um pouco alterado também." Ele rir ao dizer.

Droga, ele sabe que eu to chapado!

"Perdão Sr. Martin." Começo as desculpas. Na verdade eu não sei nem o que dizer!

"Pode me chamar de Ícaro. Não estamos no colégio." Ele se levanta. "Você quer que eu chame alguém? Você estava na festa aqui em frente, não estava!?

"Sim Sr., eu estava!" Ele faz uma cara feia ao ouvir o Sr.

Eu poderia mandar ele chamar alguém, mas eu não queria! Uma parte de mim queria continuar ali naquele apartamento, deitado naquele sofá, na companhia dele. Não sei por que, mais eu queria.

"Não tem ninguém que você possa chamar, eu já estava de saída." Minto.

"Tudo bem. Você pode ficar aqui até se sentir melhor."

Ele está ali parado em pé novamente na minha frente, com as mãos na cintura. A sala só está iluminada pela luz que vem de fora da janela de vidro do apartamento. Como ele é perfeito! Ao ver suas mãos na cintura eu reparo no V da sua virilha — logo abaixo do abdômen — que segue para dentro do seu samba canção. Mordo os lábios ao imaginar ele sem aquele samba canção. Mds, eu não estou conseguindo controlar a minha mente. Olho de volta para o seu rosto e ele está sorrindo, não sei por que, mas ele está sorrindo para mim como se estivesse se divertindo como toda essa situação.

"Bom," ele começa a falar. "parece que você vai ter que dormir aqui. Já são quase duas horas da manhã e pelo que parece a festa lá já acabou. Ou você prefere que eu te leve para casa?"

O que é o certo a fazer? Me pergunto. Ou sair de casa avisei ao meu pai que eu iria dormir na casa do Lucas ou na Hannah. Ele pareceu não se importar. O que não me deixou surpreso, já que a única preocupação da vida dele é com o trabalho. Então vejo nenhum problema em dormir aqui. Eu só tenho que arranjar um jeito de avisar ao meus amigos.

Enquanto eu penso ele continua ali parado na minha frente. tão lindo! Já sei o que responder.

"Bom, se eu não for encomendar... " digo tentado esconder a timidez na voz. "acho que posso dormir aqui sim."

Eu quase não consigo enxergar, mais eu vejo o sorriso no rosto dele ao ter escutado a minha resposta. Ele parece ter ficado contente. Por que será?

"Não será incomodo algum." Diz ele tentando disfarçar o sorriso. E eu acho aquilo lindo e ao mesmo tempo bobo. "Vou arrumar o quarto pra você. Você quer tomar um banho ou precisa de alguma coisa?"

Sim, eu preciso realmente de um banho. Estou fedendo a bebida e a maconha. Mds que vergonha..!

"Sim." Respondo "Um banho é uma ótima ideia."

"Vou pegar uma toalha para você e já volto para te levar ao banheiro." Ele dá as costas e entra num corredor.

Só a simples ideia dele me levando ao banho faz meu corpo todo estremecer e a imaginação aflorar. Eu e ele de baixo do chuveiro. Tento me conter. Tenho que me conter! Mas eu não quero. Eu não quero! Eu quero. Eu o quero!
Eu admito!

Ícaro Martin, eu o quero!

Pronto! Admitir para mim mesmo que eu estou desejando outro homem não foi tão ruim assim. Eu até me sinto melhor, como se eu tivesse tirado um peso das minhas costas.
Ouço passos. Ele entre na sala e ascende a luz. Uau. Ele tem um puta apartamento. Obras de arte por quase todo canto, paredes cinza, e só agora eu pude reparar que o sofá em que estou sentado é um sofá imenso preto em forma de L. A maioria dos móveis são todos pretos ou brancos.

"O quarto está arrumado." Uma parte de mim deseja que esse tal quarto seja o quarto dele. "E melhor eu ajudar você no banho, caso você tenha uma tontura ou algo assim." Agora eu posso enxergar perfeitamente o seu rosto, e ele diz aquelo com fogo nós olhos. Penso se ele tem alguma segunda intenção em mente ou se ele está querendo só me ajudar mesmo.

Não vou mentir, a proposta por um momento pareceu ser irrecusável e a ideia de uma segunda intenção da parte dele, mais ainda. Mas eu não quero. Sinto que não estou preparado para isso. Esse sentimento é tão recente e tão novo. Eu não quero me precipitar. E outra coisa, eu nem sei se ele sente alguma coisa também, eu posso estar completamente errado.
"Acho que eu consigo me virar sozinho." Digo.

"Eu insisto!" Responde ele com determinação na voz. "Não vou deixar você nesse estado no banheiro sozinho, você pode cair e bater a cabeça ou até algo pior."

"Tudo bem. Já que você insiste." Fico um pouco desapontado. Mesmo querendo e ao mesmo tempo sabendo que não iria rolar nada, eu percebo que aquilo tudo só é preocupação da parte dele. Eu devia era estar imaginando coisas.

Ele pega o meu braço e passa em volta do pescoço dele e me ajuda a caminhar até o banheiro. Meu deus, eu estou explodindo por dentro! Sua pele é maravilhosa, macia e cheirosa. Agora eu posso ver bem de perto o seu corpo, seu peitoral, seu abdômen. Luto comigo mesmo porque o que o que eu mais quero nesse momento é passar minha mão pelo seu corpo, sentir a sua pela em minhas mãos.

"Vamos usar o banho do meu quarto." Diz ele enquanto passamos pelo corredor.

Me pergunto o porquê de não usarmos o banheiro principal e não me vem nenhuma resposta em mente. Talvez ele esteja interdito ou algo assim.

Entramos em seu quarto — que por sinal estava tão escuro que eu não conseguir reparar em nada — e fomos direto para o banheiro.

"E-eu vou ficar sentado aqui em quando você toma o banho." Ele gagueja um pouco e aponta para o box. "Pode entrar ali."

O banheiro é imenso, se bobeiar é até maior que o meu quarto. Tem um banco de mármore no canto da parede em baixo de um armário, ele senta ali enquanto eu entro no box.

Tiro a calça e a camisa e as estendo em um cabide, fico só de cueca. Sinto um pouco de frio, mas assim que abro o chuveiro a água quente me aquece em instantes.

"Está tudo bem aí?" Ele pergunta, e seu voz ascende algo dentro de mim novamente. Respondo que sim, que está tudo bem. O que é mentira.

Agora eu não consigo parar de desejar a presença dele ali comigo. Fecho os olhos e imagino ele, bem perto de mim, ensaboando na minhas costas com aquela mãos fortes. Só em imaginar o seu toque eu já fico louco.

Abro os olhos e percebo que estou excitado, com o pau quase pulando para fora da cueca. Mds, eu preciso me controlar. Controlo minha respiração e conto até 10 até meu pau voltar ao normal.

Termino o banho e percebo que eu não trouxe a tolha para dentro do box. Droga.

"É... Sr. Mar... Ícaro! Você poderia me passar a tolha por favor?" Rezo para que ele jogue a tolha por cima do box. Mas quando eu menos espero ele abre a porta do boxer, não é um pouquinho ou até a metade, ele abriu toda. Então eu fico ali parado de frente pra ele todo molhado só de cueca. O pior de tudo é que a minha cueca é branca, o que a deixa quase transparente por estar molhada.

Ele fica ali parado me observado por quase um minuto. Então com um sorriso cínico no canto da boca ele joga a tolha para mim e diz: "Pode vestir esse roupão aqui" ele a ponta para o roupão que está ensina da pia. "eu vou preparar algo quente para você beber, enquanto isso você pode me esperar no meu quarto." Ele da as costas e sai.

Eu ainda estou morrendo de vergonha pelo o que acabou de acontecer. Respiro fundo e começo a me enxugar. Tiro a cueca e tendo secar o máximo possível na tolha e a visto de novo. Coloco o roupão e saio do banheiro.

O quarto não está mais escuro como antes, agora um abaju ilumina o ambiente. Sento na cama para poder esperá-lo. Se passaram alguns minutos e percebe o quanto estou cansado. Quando eu vejo já estou deitado na cama do Sr. Martin. Luto contra o sono, mas ele é mais forte do que eu. Então eu apago ali mesmo, sentido o cheiro do Sr. Martin nos lençóis.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.