Verdes Glaciais
1 Único - A Neve de um Coração
Notas iniciais
Essa drabble vai em especial para MihoSaori porque só ela me abre os olhos para enxergar amor nos glaciais dele.
Nevava. Sempre nevava. Caia aos montes. Enterrava as pessoas em suas dores. Tirava as vidas. A neve que tirava o amor alheio. E ele não lhe era diferente. Teve o tão amor sugado, tirado de si contra sua própria vontade.
E então ele virou gélido. Seus glaciais verdes a tudo encaravam, a tudo viam, mas se não entendia, ele não possuía. Pois só se possui o que se entende, ele sabia muito bem disso.
E ele nunca entendeu o coração humano. Como aquele músculo poderia dar aos homens a capacidade de amar? Como poderia um simples órgão vital fazer uma pessoa cometer loucuras? Ele não entendia o coração humano.
“Se eu enfiar a mão em sua garganta e puxar seu coração, eu poderei ver seu amor?”
Não poderia ver amor, não possuía o amor. Então não entendia o amor.
A neve não ama, porque a neve é branca.
“- Por que a Neve é branca? – Perguntou a criança ao velho homem.
— Porque ela é fria. É vazia. Se é vazia, é oca. – E ele lhe respondeu, aqueles flocos brancos caiam sem parar. Cobriam o velho e cobriam a criança de negros fios. O velho em seus prateados, encarando sempre a pequena criança.
— Por que a Neve é Branca? – Tão objetivo, tão direto. .
— Porque ela nunca amou... – O velho sorriu, dando as costas ao menino.”
A Neve não ama porque não tem coração. Então ele também não tem coração? Seus verdes glaciais encaravam a tudo, mas nunca encaravam o amor. Ele nunca possuiu o amor. E a neve continuava a cair, caia docemente sobre o corpo morto daquele ser vivo. Daquele humano de coração gélido. Porque ele era o frio. O frio em todo coração. Um pequeno bloco de gelo.
Ulquiorra nunca entendeu o amor. Pois nunca amou.
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