Notas iniciais
Bem, gente, já tenho uma certa experiência com Fanfics, mas não com as de Anime, então já que eu sou novata nessa área, espero a compreensão da parte de vocês.
Bem, aqui está, espero que gostem!

Ulquiorra P.D.V.

Ulquiorra Cifer...

Este já foi o meu nome. A cifra Ulquiorra.

Era tudo o que eu era. Apenas uma cifra, no final.

Também pode ser aquele que chora. Mas as lágrimas eram vazias.

Se você tivesse 50 milhões de reais, você não ligaria para 50 mil. Por que, apesar de ser muito dinheiro, não chegaria a um décimo do que você teria. Então, mesmo se você guardasse esse dinheiro com cuidado, se ocorresse algo, você colocaria outras 50 mil no lugar. Fim da história.

Era isso o que eu era. Em milhares de guerreiros, aliás, monstros, eu era uma grande parcela, enorme parcela. Mas no final, entre milhares, eu era substituível.

Apenas uma cifra numa guerra que não me fazia diferença.

E eu sabia disso.

Eu não me enganava. Eu sempre soube disso e nunca fiz questão de esconder isso de mim mesmo.

Mas afinal, que diferença fazia?

Essa guerra poderia me trazer alguns benefícios, e eu queria estar no lado vencedor. Justamente esse lado que parecia já vitorioso, em que eu poderia viver. Todo o lixo que ousasse se opor a este lado seria esmagado.

Eu nunca entendera o que era afinal um coração. Sentimentos eram coisas tão idiotas, tão banais. Simplesmente dispensáveis.

Tudo era dispensável. O cheiro, o som, as cores.

O vazio era a alegria. Se nada tinha, então nada poderia perder.

O nada era o que eu conhecia e o nada era o que eu queria para mim.

Até ela chegar.

Inoue Orihime.

Eu pensava que entendia seu olhar, no começo. Era o olhar de uma mulher forte. Ela viu seus companheiros em perigo e eliminou o que era considerado desnecessário. Mesmo que fosse si mesmo.

Mas a cada palavra, ela parecia mais forte, e mais incompreensível. Porque? Porque? Porque?

Era isso que ecoava em minha mente.

Por que ela não tinha medo? Porque ela sentia a dor e preferia seus companheiros? Porque ela se apoiava tanto nisso que insistia em chamar de coração?

Eu quis entender. Eu quis entender o que era isso. Coração.

O que é um coração? Se eu perfurar este peito, poderei enxerga-lo?

Se eu cortar esta palma, poderei vê-lo?”

E no final eu entendi.

Entendi ao ver as lágrimas de um inimigo, meu maior inimigo, chorando minha morte. Chorando uma injustiça que acontecia para comigo.

E o olhar dela. Os olhos que eu via eram gentis e inocentes. Quis tocá-la. Estendi a mão. Ela, igualou o gesto. Senti seu calor antes que me tocasse.

Mas minha mão, em pó se transformou.

Tarde demais.

E eu entendi. Entendi que o que haveria em baixo dela... Era o meu coração.

E entendi... Que se nada acontece, nada aconteceria.

Hoje não sou mais Ulquiorra Cifer.

Meu nome é Kotonaru Midori.

Irônico, não?

Eu tenho uma família.

Uma irmã mais velha que adora me provocar e que eu adoro provocar.

Um pai que me apoia e que vê em mim algo a se orgulhar. Uma mãe que nunca grita, nunca se exalta, nunca se zanga. Que sempre olha pra mim com aqueles olhos gentis e amorosos.

Meu rosto continua pálido, mas humano. Meus cabelos continuam repicados e pretos para todos os lados, por que toda vez que tento cortá-los, eles voltam a forma original na semana seguinte. Meus olhos são o mesmo verde, mas parece que o mundo que vejo através deles mudou. É de um verde diferente.

Descobri que o que reflete nos meus olhos tem significado. Tudo tem. E que existe um mundo muito além daquele que se reflete nos meus olhos.

Mas eu não esqueci minha antiga vida.

Não era pra ser assim. Eu deveria estar pagando meus pecados de outra vida. Mesmo que eles tenham mais de cem anos.

Eu deveria ter me esquecido quem já fui, e quem conheci.

Mas por algum motivo, eu tenho essa vida boa e incompleta.

Talvez essas lembranças, essa espera, sejam minha punição.

Minha punição é lembrar perfeitamente de seu rosto e não poder tocá-lo. De seus olhos e não poder perguntar sobre as sombras e inocência neles. De seu aroma e não senti-lo. De sua voz, e não ouvi-la.

De seus lábios, e me lembrar o que eu deveria ter feito, mas não fiz. Colar os meus com estes.

Mas eu era feliz com minhas espera. Ela era prova de que eu estava certo. E irremediavelmente errado.

Quando o nada chegou o fim foi quando a conheci e ganhei sua presença constante. Quando o nada chegou o fim foi quando a perdi. A esperança de reecontrá-la era o que eu ganhei em troca de perde-la.

Mas até essa tristeza que eu carregava no peito... Era melhor que o nada. Eu aprendi isso, finalmente.

E eu estou esperando. Esperando por ela.

Vou continuar esperando. Nesta nova vida e na próxima. E na depois dela. Até que fiquemos face a face novamente.

Essa era a divída que eu tinha comigo mesmo. E com ela também.

Era nisso que eu pensava enquanto voltava para casa da escola. E foi aí que eu encontrei.

Encontrei o que eu procurava.

P.D.V. Inoue Orihime

Eu corria pelas ruas de Karakura, procurando pelo Hollow dantesco que aparecera por ali.

Era simplesmente irregular que uma Tenente acompanhasse um shinigami em sua primeira missão pelo Mundo dos Humanos. Mas aquele não era qualquer shinigami.

Aquele era não só o mais novo membro da honorável família Kuchiki, como também da Kurosaki.

Kurosaki Yukito Tokizane tinha os mesmos cabelos laranja de Ichigo. Mas os olhos eram de Rukia.

Aparentava ter uns dez anos.

Finalmente consigo falar os nomes deles realmente. Não posso mais chamá-los de Kuchiki-san e Kurosaki-kun, mas chamar os dois de Kurosaki-san deixaria as coisas confusas.

Yukito. Coelho da Neve. Só podia ser coisa da Rukia-chan. Ainda era muito fofo pra mim.

Tokizane, deveria ser coisa de Ichigo. Em tempo real, significava. Mas estava certo. Tudo que o garoto fazia era em tempo real.

Toki-chan estava elétrico com sua primeira missão. Ele era tão impulsivo quanto Ichigo.

A única pessoa que realmente conseguia o pôr da linha era sua irmã. Ela era a Rukia esculpida e encarnada, assim por dizer.

Acho que devia ficar surpresa por eu ter aceitado tão bem a ideia Ichigo-Rukia. Acho que, sinceramente, sempre soube que isso ia acontecer. E aconteceu exatamente o que eu queria desde o começo. Ver Ichigo feliz. E Rukia também.

Uma vez eu disse que gostaria de ter cinco vidas diferentes, para ter cinco chances de se apaixonar por uma mesma pessoa. Isso não mudou. Mas Ele me convenceu de que essa pessoa não precisava ser o Ichigo. E Ele se transformou. No maior “E se...“ da minha vida.

Fiquei logo atrás dele.

Já dava para ver o Hollow gigantesco com corpo de Lagarta por cima dos prédios.

Fazia mais de cem anos que eu vivera em Karakura, com Rukia, Ichigo, Sado-kun, Ishida-kun, Tatsuki-chan e os outros, e a cidade mudara muito. Algumas pessoas passavam pelo local.

Eu já podia ver a curva que se aproximava. Um garoto alto de uniforme escolar com mochila nas costas, com cabeça baixa e cabelos repicados pretos cobrindo o rosto vinha em nossa direção.

Toki-chan passou direto por ele.

Quando passei correndo, esbarrei no garoto e cai no chão.

Toki-chan virou a esquina sem perceber minha falta.

Havia algo de errado.

Não era para pessoas comuns me verem. Não era para eu ser sólida para pessoas comuns. E NÃO ERA PARA EU ESBARRAR EM PESSOAS COMUNS.

Atônita, continuei no chão.

O garoto estendeu a mão e, sem pensar, peguei-a vagorosamente. Ao toque, pude ouvir sua pulsação. Uma batida de coração.

— Finalmente.—Ouvi a voz sedosa que vinha do garoto dizer.

Olhei para ele. A pele era muito clara, como se nunca visse sol, apesar de estar bem debaixo dele, mas ainda assim continha um aspecto saudável. Os cabelos pretos caiam nos ombros, e repicados, fugiam de forma displicente para vários lados. Ele tinha um sorriso diferente, um sorriso que eu nunca havia visto antes. Mas os olhos...

Eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar do mundo. Em 100 anos ou em mil.

Aquele rosto...

—Ulqui- Ulquio...—Me engasguei.

Me levantando, ele cobriu meus lábios com o dedo indicador. Estava sério.

—Fique parada.

Com delicadeza, ele colou seus próprios lábios nos meus. Não foi um grande beijo.

Ele apenas encostou seus lábios nos meus.

Mas meu coração simplesmente não pareceu entender isto. Naquele momento, o mundo poderia ter acabado e eu não teria nem reparado.

Aquele momento, que poderia ter mil anos, acabou rápido demais.

— Dívida cumprida. — Ele murmurou.

— E-espere! — Tentei dizer, mas ele apenas virou de costas.

Então ele parou e virou um pouco a cabeça.

— Tome cuidado para não cair, mesmo nesta forma... — Ele disse, então sorriu.—... Mulher.

Ele continuou andando.

— E-Espe-Espere! Ulquiorra!

— INOUE-SAN!!! SOCORRO!!!

Olhei para trás. Yukito, com toda a sua impulsividade já estava nos tentáculos do monstro.

— Toki-chan!

Meus punhos se fecharam em minha Zanpakutou.

—JÁ ESTOU INDO! — Olhei uma última vez para a silhueta dele que sumia a distância.

— Não importa o que aconteça. Ulquiorra, eu prometo. Eu vou te encontrar de novo.— Jurei.— Nem que eu espere mil anos, nem que eu tenha que te procurar em cada canto desta cidade, nem que eu quebre todas as regras. Eu juro. Eu vou te encontrar.

—INOUE-SAN!!!

Usando Shunpoo, corri para s

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Critícas e elogios são necessários a vida do autor.
Pooor favoooor!
Kisses&Kisses,
Mary!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!