Verdades e Mentiras
9 David Harvey
Os meses foram se passando em doce intimidade entre os dois, sem grandes dificuldades de convivência, Cameron passava grande parte da semana na casa de House, e ele a maioria dos fins de semana na casa dela, ambos agradeceram o fato de Wilson e Cuddy estarem saindo, ele deixava de ir mais na casa de House. Tal motivo não impediu de o mesmo quase pegá-los no flagra uma noite, fazendo Cameron passar quase três horas trancada no armário de House. A decisão de não contar nada aos amigos foi dos dois, o fato de todo mundo ter se intrometido quando eles saíram da 1º vez, lhes davam motivos mais do que suficiente, sempre que decidiam contar, perdiam a coragem, além de tudo era extremamente divertido namorar escondido, ter que disfarçar sorrisos e olhares no hospital, isso deixou a relação deles mais interessante, e evitava ter que sair com a Cuddy e o Wilson, como o House costumava falar.
Foi justamente na semana em que eles iam fazer 8 meses juntos, que um paciente ia mudar a realidade deles, mais uma vez.
House chegou as 9:30 da manhã como de costume, ao entrar no hospital se deparou com Cuddy lhe esperando.
‘na minha sala, preciso falar com você’
‘não, sem chance, você namora meu melhor amigo’
‘sério House sem brincadeiras’
ele ficou parado por um segundo e a seguiu, ao chegar na sala dele estavam seus ducklings, Foreman e Wilson.
‘o meu deus! O tribunal da inquisição’
Cuddy lhe deu um olhar gelado e começou ‘ você tem um novo caso’
‘tenho?’
‘é, homem, 55 anos, retenção urinária, debilidade motora...’
‘eu não tenho tempo para idosos hoje’
‘disfonia e aversão a luz’
ele olhou desconfiado para ela e pegou a ficha ‘ ainda não explica eu estar aqui’
‘eu preciso que você tenha cuidado com esse paciente...’Cuddy começou
‘é seu parente?’
‘não, é um amigo meu’ Wilson disse.
‘hum, fazendo favores sexuais em troca de favores médicos, cuidado ela é chave de cadeia’
‘não é só isso’ Cuddy se interpõe ‘ele...ele é policial, então por favor, tome cuidado, você lembra da última vez que você tratou um policial não?’
‘não se preocupe, não vou enviar um termômetro em lugares impróprios dessa vez’ House falou.
Nesse momento batem na porta da sala de Cuddy, quando ela entrou House desviou o olhar imediatamente.
‘desculpa, tô interrompendo?’
‘não Cameron, nós já estamos acabando’ Cuddy falou ‘certo House você foi avisado’
‘algum problema?’ Cameron perguntou curiosa
‘os problemas de sempre envolvendo policiais e termômetros, ninguém acredita que eu sempre fui inocente, não foi de propósito, eu juro’ ele disse fazendo cara de santo.
Cameron sorriu e virou pra Cuddy ‘você me bipou?’
‘foi sim, quero que você assine uns papéis no Rh, sobre o material que você pediu pro ER’
‘podia ser agora eu to atolada de trabalho’
‘eu também posso receber minha alforria? Tenho trabalho de verdade pra fazer’ ele disse a última parte olhando para Cameron.
‘sério House...cuidado. vamos Cameron’
‘vamos todos...como uma grande família feliz’House falou
’ Huguinho,Zezinho,Luisinho e pato Donald, vamos trabalhar’
‘você se encaixa aonde nessa família?’ Wilson perguntou andando ao lado do amigo, todos indo em direção ao elevador. ‘ah, já sei, você é o tio patinhas’
‘por que, eu sou importante e famoso?’House questionou
‘não, anti-social e egoísta’ Wilson falou sorrindo
‘ah, ah, ah’
Ao entrarem no elevador o silêncio durou uns poucos segundos, de repente House começou a assoviar La Vie In Rose, fazendo todos o olharem estarrecidos. Ele estava fazendo de propósito, não era todo dia que conseguia juntar todos num lugar só, e a chance de deixar Cameron incomodada era sempre bem-vinda, por mais que ele gostasse dela.
Wilson começou a sentir o cheiro de House ‘não, bêbado ele não está, o que você andou tomando?
‘porque?’
‘aparentemente, você tá de bom humor’
‘algum problema com isso?’
‘não, mas é muito estranho, o que aconteceu?’
‘deve ser o açúcar do meu sangue, muito algodão-doce’ ele disse olhando pra Wilson, mas desviando o olhar discretamente para Cameron, que nesse momento começar a tossir fortemente, tentando controlar a vontade de rir.
‘você tá bem Cameron?’ Cuddy pergunta
‘to sim, acho que posso tá ficando doente\'
ele continua com o discurso ‘é um doce muito bom, você devia provar um dia desses’
‘eu já comi algodão-doce’
‘não esse, com certeza não esse’
Cameron começou a tossir ainda mais forte. House sorria com a situação em que ela se encontrava, achava super divertido deixá-la sem graça, mesmo que os outros não fizessem idéia que ela se sentia assim.
As portas do elevador se abriram ‘Graças a deus’ ele disse ‘odeio ficar perto de gente doente’ ele olhou para Cameron, que tossia copiosamente, ela olhou para ele e viu um sorriso ácido brotar em seus lábios, certamente se divertindo com toda aquela situação, enquanto ela olhava pra ele com uma promessa nítida de vingança em seu rosto.
‘então...o que sabemos sobre o paciente?’
‘david Harvey, 52 anos, policial a 25 anos ‘ 13 diz
‘quando os sintomas começaram?’ House perguntou enquanto escrevia os sintomas no quadro
‘faz três dias’
‘diferenciais?’
‘ele pode ser viciado, heroína causa debilidade motora e aversão a luz’ Taub disse
‘é...um policial viciado, e ninguém notaria os sintomas’
‘pode ser anisulfatase A, debilidade motora’ Kutner disse
‘tá bom prestem atenção...vocês têm que sugerir doenças que se encaxem nesses sintomas, façam um hemograma, exame toxicológico, RM, e um eco, falem com o paciente e descubram onde ele tava quando os sintomas começaram e sobre a dieta dele. Qualquer novidade vou tá lá embaixo, na lanchonete’
‘você podia nos ajudar e ir falar com o paciente, você é muito persuasivo.” Foreman disse
‘não posso, tenho mandado restritivo, fornecido pela juíza Cuddy, não posso me aproximar dele’ ele disse e saiu da sala em direção a sala de Wilson, enquanto os outros foram cuidar do paciente.
Ele entrou na sal de Wilson e perguntou ‘ta com fome?’
‘não posso, tenho paciente agora’
‘deixa esperar, apenas meia hora, você diz que teve uma emergência’
‘não, alguns médicos praticam a medicina porque se importam com os paciente’
‘maricas’ele disse saindo da sala
Já no refeitório , House estava sentado numa mesa sozinho, e observando as pessoas em volta, principalmente um loirinho, que estava varias mesas depois dele com outros medico, apesar de tudo ele gostava de saber que o Chase havia se tornado um medico respeitado.
Enquanto House refletia e comia em sua mesa, do lado de fora do refeitório Cameron passava e não deixou de vê-lo, pensou em entrar e ir fazer companhia a ele, mesmo que por alguns minutos foi quando ela viu Chase, e então outra idéia lhe veio a cabeça, era hora de uma pequena retratação
House pode sentir a presença dela assim que ela atravessou a porta do refeitório, com um belo sorriso nos lábios, ela nem ao menos desviou o olhar para ele, foi direto até Chase e pediu para falar com ele, os dois se sentaram em uma mesa isoladamente, fazendo House sentir um pontada no peito, um monstro que aparecia toda vez que ele a via perto de outro homem. Aquela cena o estava incomodando mais do que ele imaginava, os dois ali conversando amigavelmente, cheios de sorrisos um para o outro, as mãos se tocando, mas a conversa que se desenrolava era muito diferente do que house estava imaginado.
Nesse momento Cameron e Chase falavam sobre o novo relacionamento dele.
‘fico muito feliz por você’ Cam dizia ao Chase, tocando a mão dele
‘obrigada Cameron, eu espero que você consiga ser feliz tanto quanto eu, faz pouco tempo mas eu nunca me senti assim.
‘você tá vendo, quando terminamos eu te disse que você encontraria alguém’
‘você também deveria tentar, sabe, esquecer ele, ou então pressiona-lo’
‘não é tão fácil assim, nenhuma das duas coisas, mas meus parabéns, de verdade’
‘ah, ela é maravilhosa, faz tão pouco tempo e eu já to até pensando em casamento’
‘não acredito’ Cameron disse pousando a mão no ombro de Chase. Esse sorriu alegremente, alheio as provocações que aquele gesto provocava em alguém ali perto.
House observava toda a cena visivelmente perturbado, se alguém parasse e olhasse para ele veria nitidamente isso em seu rosto. Ele se preparava para se levantar e ir até lá, estragar aquela conversa sem fundamento, quando o Taub chegou o procurando.
‘House o paciente piorou ele agora vomitou e tá com visão dupla com dilatação da pupila’
‘o que vocês idiotas fizeram, não conseguem nem realizar exames em um paciente sem matá-lo. Incompetentes’ ele gritou fazendo todos os rostos se virarem e o encararem, enquanto ele saia irritado. Chase e Cameron observaram toda a cena em silêncio até ele falar: ‘ é, o House continua sendo o House’
‘é verdade’ Cameron concordou enquanto suprimia o sorriso e a certeza de que seu objetivo foi cumprido.
House entrou em sua sala, irritado com a cena que havia visto, e ao mesmo tempo por causa da piora do paciente.
‘ o que vocês ursinhos carinhosos fizeram com o robocop pra ele ter piorado?’
‘nada’ foreman começou ‘ nós estávamos colhendo sangue dele, ele vomitou quando trouxemos a cabeça dele pra cima novamente ele estava com visão dupla e a pupila dilatada’
‘meu caro Doutor você deveria saber a premissa de que nada pode surgir do nada’ House disse com a cara séria para foreman. Ele respirou fundo e continuou ‘onde ele estava quando os sintomas começaram?’
‘de plantão, ele atua na área do parque lumley’
‘o que ele tinha comido, rosquinhas açucaradas?’
‘não, ele a mulher tem tendência a diabetes e são vegetarianos’ 13 falou.
‘ela mesma planta e prepara a maioria da alimentação deles’ Kutner disse.
‘ que tipo de salada?’ House parou de repente e perguntou.
‘normal, eu acho’ Kutner disse
‘Parabéns!!! Incrível, já pode ganhar o prêmio Nobel de medicina’ ele levantou e saiu em direção ao quarto do paciente.
House entrou no quarto do paciente.
‘então seu guarda, o que o senhor come quando tá de plantão?’
‘o que? Quem é o senhor?’ David era o que as mulheres chamam de cinquentão conservado, tinha um rosto bonito e cabelos grisalhos, e olhos verdes.
‘ele é o dr.House, seu médico.’ Kutner disse entrando atrás dele.
O homem começou a olhar de maneira curiosa para House.
‘algum problema? Por acaso eu estou nu e não notei.’
‘eu conheço você, não lembro de onde mas conheço.’
‘recordar não é viver, por que não responde a pergunta para eu salvar sua valiosa vida.’
‘que é que tá acontecendo?’ Uma mulher entra no quarto. Aparentava seus 35 ou 40 anos.
‘sua filha?’ House pergunta a David
‘não esposa, e o senhor quem é?’
‘sou aquele que venho ao mundo para salvar.’
‘ele é o dr. House.’
‘ah, o médico que não gosta dos pacientes.’
‘será que as apresentações podiam parar e nós concentrarmos no doente.’
‘querida você o reconhece?’
‘não, por que, deveria?’
‘é que eu sei que já vi ele antes, só não lembro aonde?’
House impaciente começou: ‘eu lhe dou uma foto minha para ficar olhando pra ela o dia todo, se você responder minha pergunta’
‘qual era mesmo?’ David perguntou.
‘o que o senhor come quando tá de plantão’
‘normalmente salada, pq?’
‘que tipo’
‘sou eu que preparo, verduras, algumas frutas, e as vezes pétalas de flores’ a esposa falou
‘flores, pra que flores numa salada? para enfeitar os vasos sanguíneos’ House disse irônico.‘onde vocês compram esses produtos?’
‘eu mesma planto, colho e guardo em casa’
‘em vidros de conserva?’
‘sim, como o senhor sabe?’
‘vão até lá e tragam uma amostra pra analise’ ele disse pra Kutner, que saiu do quarto.
‘você sabe o que eu tenho?’
‘talvez, preciso ver os exames antes, você será informado’ ele disse saindo da sala sem adiantar conversa, ainda sob o olhar curioso de David.
Quando House saiu do quarto, Cameron estava próximo ao balcão falando com uma enfermeira, ele gritou de longe: ‘ei!, você vai contaminar o ambiente, volta do pra base da cadeia alimentar de onde você veio!’
Ela olhou pra ele e veio em sua direção.
‘lá ao menos as pessoas conseguem ser gentis’
‘posso fazer uma perguntinha?’
‘você faz de qualquer forma’
‘acontece sem querer ou você gosta realmente de me ver de mal humor?’
ela sorriu ‘não sei sobre o que você tá falando’ e saiu em direção ao elevador.
‘oh, amnésia, pensei que era só eu que tinha isso, você e aquele australiano metido a galã, cheios de conversinhas e abraços’
‘o Chase é meu amigo, eu posso conversar com ele’
‘você não estava conversando, você estava me provocando’
‘ah, eu nunca faria isso’ ela disse fazendo a cara mais ingênua que conseguia, se virando para ele enquanto esperava o elevador.
Ele olhou para os lados e a puxou pelo braço para um quarto próximo, que se encontrava vazio, mas as persianas estavam fechadas.
‘porque você fez aquilo? Você sabe que eu fico descontrolado quando um homem dá em cima de você’
‘eu fiz pra você aprender a nunca mais fazer o que você fez dentro do elevador’
eles estavam conversando bem próximos um do outro.
‘eu não consigo evitar, é mais forte do que eu’ dessa fez foi ele que colocou uma expressão ingênua no rosto.
‘eu não me importo que você faça piadas referidas a minha pessoa, com tanto que tais brincadeiras não remetam a nossa vida sexual, seria muito melhor, a menos que estejamos a sós’ ela disse se aproximando dele e encostando seus lábios nos dele.
‘você é muito persuasiva, sabia?’
‘só quando eu quero’ ela dessa vez beijo o pescoço dele o fazendo se arrepiar por inteiro ‘estamos combinados doutor?’ ela falou bem próximo ao ouvido de House.
‘humhum’ foi o que ele conseguiu pronunciar, estava inebriado com o cheiro dos cabelos dela.
House a segurou pela cintura e a trouxe pra mais próximo dele e a beijo intensamente, durante um longo tempo até que o bipe de Cameron tocou.
‘eu tenho de ir’ ela disse se desvencilhando dos lábios dele
‘não tem não’ ele disse tentando chegar na boca dela novamente.
Cameron se afastou de House e o impediu de se aproximar dela com o braço.
‘eu tenho de ir’ ela saiu do quarto e ajeitou a roupa amassada, 30 segundos depois House saiu, observado se alguém estava reparando nele,e foi direto pra sua sala, sorrindo com o bom humor de mais cedo renovado. Enquanto que a distância, David, que acompanhou a cena, ou parte dela, sorria, tinha lembrado de onde conhecia o Doutor ranzinza na verdade, o casal imprudente.
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