Notas iniciais
Obrigado por lerem minha fic. Ao final comentem o que acharam! ;)

A noite havia chegado a River Falls, mas não era apenas mais uma. Era à noite dos alunos do oitavo ano do colégio Rocky Branch. Na entrada da quadra de esportes, onde acontecia o baile de formatura Natalie estava com um vestido longo na cor pêssego acompanhado de uma pequena bolsa na mesma cor, inquieta a garota andou em círculos agoniados pelo desconforto causado pela roupa.

Ela avistou David e Jane chegando de mãos dadas como o casal do ano em uma premiação. Subiram os cindo degraus da pequena escadaria de acesso à entrada do colégio.

David vestia o smoking e Jane com um vestido curto na cor vinho, o casal estava acompanhado de um garoto de pele branca e cabelos castanhos usando um smoking com a gravata verde.

— Viu como um banho faz bem? – Disse o garoto de cabelos castanhos se fazendo de cordial beijando o dorso da mão de Natalie.

— Finn, espero que ano que vem tenha piadas melhores — A loira puxou a mão limpando em seu vestido como se acabasse de ser lambida por um cachorro. — E obrigado por ir me buscar. Você é muito cavalheiro.

Os dois deram os braços e entraram para baile junto ao casal que mais dava o que falar nos corredores da escola, a única ruiva natural da cidade com o garoto mais popular e simpático, além de possuir as qualidades físicas que as garotas no inicio da puberdade mais olhavam, o seu cabelo loiro sempre no corte, seus olhos azuis e seu sorriso sempre simpático, boatos eram fartos citando ambos os como possível rei e a rainha do baile.

Hyperflowers

— Ainda bem que veio com um vestido curto, iria sujar toda a barra de lama. – David comentou com Jane num tom de voz mais alto para ser ouvido no meio da musica.

Natalie de braços dados a Finn deu uma breve risada debochada.

— Meu Deus! Isso é tão gay. Bom, nos vemos na hora de ir embora. – A loira puxou Finn para o meio das pessoas afastando-se de David que a observou com os olhos queimando.

— Deixe essa vadia para lá, vamos dançar um pouco. — Jane puxou o loiro pelo braço para a pista de dança.

5 Horas antes

O baile já prestes a acabar e aos poucos salão se tornava mais vazio restando apenas poucos casais a aproveitando a ultima música.

Sloom

— Não foi desta vez que ganhamos — David com as mãos na cintura de Jane ao ritmo da musica lenta.

– Mas muitos bailes vão vir e nós seremos os reis. — Respondeu a ruiva com as mãos em torno de seu pescoço. Aproximava os lábios da testa do loiro e beijou.

— Obrigado por tudo. Mesmo. Você é minha melhor amiga. – A voz de David soou rouca. Ele limpou suas lagrimas com o dedo polegar e devolveu o beijo em sua testa fazendo o mesmo na ruiva.

O celular vibrou no bolso da calça social do loiro. David abriu o flip.

— É a minha mãe. Vou atender e depois falar com os professores. Nos vemos no estacionamento, tudo bem?

— Ok. — Respondeu à ruiva.

Ele sorriu com os olhos marejados. Deu um beijo na bochecha de Jane antes de virar-se e sair atendendo ao telefone.

***

Jane estava com Natalie e Finn olhando para a porta dos fundos do ginásio esperando que David saísse por lá assim como eles. O grupo estava no lado mais escuro estacionamento, onde apenas as luzes da rua davam iluminação. A porta que Jane olhava se abriu e David saiu de lá, aos poucos o loiro revelou-se na luz fraca do local.

Jane sorriu e levou ambas as mãos a sua gravata borboleta, a endireitou. A ruiva também fez o mesmo com o seu smoking levemente amassado até uma caminhonete prata chegar iluminando o grupo com os faróis.

— Vemos nessa! – Gritou um garoto mais velho que o grupo ao descer da caminhonete. De cara pode-se deduzir que ele não pertencia à escola elementar, mas sim colegial ou mesmo um universitário. Ele tem o cabelo baixo semi careca. Imediatamente o grupo saiu correndo para a caminhonete.
Jane entrou na caminhonete sentou-se no banco de passageiro ao lado de garoto quase careca e lhe deu selinho curto enquanto acariciou o seu rosto. David, Finn e Natalie subiram na caçamba e se sentaram.

O motorista deu ré na caminhonete e foi dirigindo a sair do estacionamento.

— Que desculpas inventaram desta vez? – Disse ele mantendo o olhar na via.

— Dissemos que íamos dormir na casa de David porque de manhã iriamos para o acampamento. – Respondeu Jane acomodando o seu modo de sentar lateralmente para que olhasse o motorista, a ruiva ia se aproximando dele e lhe deu um selinho rápido em seus lábios. — Trouxe as bebidas, Lucas?

— Trouxe sim, estão lá trás – Por alguns segundos olhou para Jane e sorriu.

4 Horas antes

A caminhonete estacionou a margem de um rio. Natalie é a primeira a pular da caminhonete acompanhada logo atrás de David e Finn.

— Este lugar é tão bonito. — A loira segurou seu vestido para que não ficasse sujo. Caminhou até a beira do rio e suspirou olhando para a água refletindo a lua cheia e as estrelas no céu daquela noite de verão. — Eu perderia a virgindade aqui.

David arregalou seus olhos azuis em uma cara envergonhada, ao contrário de Finn caiu na risada.

— Que louco iria querer transar com você? Ainda mais aqui? – O moreno gargalhou voltando até a parte de trás da caminhonete onde abaixou a portinhola da caçamba e puxou com as duas mãos uma caixa de papelão aberta com algumas garrafas de bebidas.

— Há muitas pessoas que me desejam, mas estou me guardando para alguém especial. — A loira afastou-se da margem do rio. Olhou para Finn dos pés a cabeça. — Tipo você.

Ele retrucou com seu olhar de desdém.

Por fim Jane e Lucas saíram da cabine em cada porta que lhe correspondiam. Jane estava com um lençol nos braços e Lucas um cobertor xadrez verde e vermelho.

3 Horas antes

Tudo já estava arrumado, o lençol estendido sobre a terra, à fogueira acesa e às bebidas servidas a todos e muitos assuntos relacionados ao que o próximo ano iria trazer para todos, mesmo não sendo o ano da faculdade para muitos o colegial era apenas um prefácio, lideres de torcidas, times de futebol, enfim, tudo isto está apenas há alguns meses para começar.

— Sempre quis ser a rainha do baile, mesmo sendo de plástico a coroa é tão bonita. Comentou Jane sentada no colo de Lucas.

— Quando isso acontecer vai significar que o titulo já não tem tanto valor assim. — Natalie como sempre tinha os comentários mais cômicos do grupo. Todos riram menos Jane que lançou um olhar de desaprovação para a loira.

Natalie deu uma risada desconfortável e deu um gole da sua bebida.

— Mas enfim, David – Natalie lançou seu olhar de confronto para o loirinho quieto junto com um sorriso malicioso nos lábios. — Esse ano irá contar para os seus pais que você é gay, mas sobre seu namorico com alguém pelo celular?

Todos ficaram tensos, principalmente David. Talvez nunca se acostumassem com a inconveniência de Natalie, mesmo quando era um momento descontraído longe de ouvidos indesejados, o loiro deu um gole longo de sua vodca para que pudesse responder isso, Jane furiosa continuava queimando a garota loira com os olhos, Lucas por ser fora desse circulo não aparentava preocupação, Finn também deu um gole cheio.

— Uma coisa de cada vez, não... Não dá para despejar tudo em cima deles – David se explicou gesticulando os braços e gaguejando na sua fala. — Quando for à hora certa meus pais vão saber que sou gay, você não sabe como é difícil estar em uma situação como essas.

Natalie sorriu e erguendo a sua garrafa vazia.

— Um brinde para a coragem do David, este será o seu ano. — Fez o gesto de brinde no ar e voltou a beber. A garrafa estava vazia. — É, preciso de mais um desses.

Jane levantou do colo de Lucas e andou até se sentar ao lado de David, a ruiva tirou seu cobertor e envolveu no corpo do amigo assim como o abraçou de lado.

— Dave... — Ela está bêbada, não se preocupe com isso. Sempre vou estar aqui contigo ok? – A ruiva falou acariciando as costas de David lentamente sobre o cobertor, Lucas revirou os olhos de ciúmes e levantou. Ele foi até a caminhonete

— Vamos melhorar este velório. – Ele falou.

Finn levantou-se de seu lugar e deus alguns passos até se sentar ao lado de Natalie, ele pegou a sua garrafa e afastou de suas mãos.

— Chega, assim vai entrar em coma. – Ele puxou a loira pela cintura lentamente a se apoiar nele, Finn deu uma rápida olhada em David coberto com a amiga ruiva e em seguida para Lucas retornando um frasco laranja de comprimidos nas mãos.

— Novo ano, novas descobertas. – Lucas sorriu em pé olhando para os dois casaizinhos.

— Drogas, Lucas? – Indagava Jane aparentemente enfurecida pela oferta do namorado.

— Um comprimido apenas não vai te fazer viciada, meu amor. – Respondeu com seu sorriso atraente nos lábios, aquele tipo em que sabe levar alguém na conversa — No meu primeiro ano do colegial eu experimentei, é como um ritual de transição.

— Sabemos que isso é mentira. Mas de qualquer forma, me dê uma dessas balinhas. – Natalie ergueu a mão esperando que fosse lhe dado um dos comprimidos, mas Finn abaixou seu braço.

— Pessoal, é apenas uma balinha. Finja que é isto, ela não fará ninguém se tornar um drogado. É algo casual.

Todos ficaram a olhar Lucas em silêncio como se estivessem pensando nos dizeres do mais velho.

— Está bem... Me dê uma dessas balinhas. — Jane foi a primeira a se render.

15 Minutos antes

Natalie foi a primeira a acordar, coçando seus olhos a garota levantou lentamente e soltando o braço de Finn. Ele havia dormido abraçando sua cintura.

A garota estava sonolenta e ainda era madrugada, ela ficou de pé e começou a chamar por todos enquanto cambaleava em direção a Jane com Lucas. Sua cabeça parecia prestes a explodir

— Mary Jane, Lucas, vamos embora... – A loira ajoelhou em frente ao casal e começou a balançar o braço da ruiva.

Depois de muito insistir a Jane abriu os olhos.

— Que horas são? – Ela perguntou enquanto se levantava. Também sentia sua cabeça doer.

A garota virou o rosto para o namorado e começou a chamá-lo em sussurros.

Natalie voltou a ficar de pé e voltou para perto de Finn onde sem nenhuma delicadeza deu um tapa no braço do moreno. Ele acordou assim como Lucas.

— Vamos embora, já está tarde. — Disse ela. — Jane, acorda o seu amigo.

A ruiva concordou com a cabeça e se levantou. Natalie pegou a caixa com as garrafas vazias e foi levando para a caminhonete enquanto Finn e Lucas se propuseram a recolher o lençol e apagar a fogueira.

_ Você deu o que para gente? Droga nenhuma da sono desse jeito. – Resmungou Finn.

— Estranho, Não deveria ter acontecido is... — Antes que Lucas terminasse a resposta o grito de Jane assustou todos. A loira após ter tirado o cobertor de cima de David ficou horrorizada com o que via.

No susto Natalie acabou derrubando a caixa com as garrafas de vidro no chão.

— Puta que pariu! O que foi?! – Indagou Natalie olhando para Jane assim como Lucas e Finn. A ruiva tirou completamente o pano sobre David. Todos puderam ver o corte profundo no pescoço do garoto e seus olhos azuis arregalados abertos em um olhar de piedade. Sua pele estava pálida, muito pálida.

Jane encostou a ponta dos dedos sobre o braço do loiro, estava gelado e rígido. A ruiva caiu sentada no chão ao lado do corpo sem palavras. Ela estava dominada apelo pavor de ver seu melhor amigo daquele jeito.

Diante da cena todos ficaram parados com o que estavam vendo. David Richard com o pescoço destruído em uma ferida profunda com sangue coagulado e alguns insetos passeando sobre a pele morta. A ruiva levou as mãos aos lábios. O odor era terrível.

— Quem... Quem fez isso? – Perguntou Natalie com a voz falha e gaguejada, Sua respiração se tornava ofegante. Em poucos segundos começou a chorar de pavor com o que havia acontecido. — Meu Deus!

— Tenha calma, isso... Isso não foi nenhum de nós. – Lucas tentou acalmar Natalie, mas nada conseguiu fazer.

— Como calma?! — Jane entrou na conversa olhando para Lucas com o rosto ardendo em raiva. Seus olhos estavam inundados de lagrimas. — O meu melhor amigo está morto! Você vem e nos pede para ter calma?

— O que nós vamos fazer? – Disse Finn olhando para todos.

— Vamos para a policia é claro. – Respondeu Jane cobrindo o corpo de David outra vez. Ela não aguentava mais ver aquilo.

— Não! – Lucas gritou. – Não podemos ir a policia.

— Por que não? – A ruiva limpou as lagrimas e se levantou. Caminhou até Lucas em afronta e lhe lançou um olhar cerrado carregado de raiva.

— Tem bebidas e drogas por todo lado, se formos para a policia vamos ser presos! Aliás, eu vou ser. — Respondeu ele.

Com a resposta do namorado Jane respirou fundo e, aos poucos, foi entendo o que ele estava dizendo.

— Pessoal, precisamos fazer algo, daqui a pouco vai amanhecer. — Finn pegou a caixa caída no chão, o moreno colocou na caçamba da caminhonete.

— Jane, isso irá arruinar o seu futuro se ir para a policia, Você vai ser mal vista na cidade por todos. — Lucas apoiou suas mãos grandes nos ombros da ruiva. Ele respirou fundo e diminuiu o tom de voz. — Me escute. Eu posso ser preso porque sou maior de idade. Todos nós podemos nos ferrar muito por causa disso se avisar a policia.

A ruiva limpou as lagrimas que insistiam em percorrer todo o seu rosto branco.

— Ok... – Agora mais calma a voz de Jane estava fraca e baixa em meio aos soluços. — Mas, o que vamos fazer? Não podemos simplesmente ir embora deixando ele assim.

— Podemos enterra-lo na floresta. — Lucas respondeu com seriedade olhando para a ruiva, a sua ideia causou sustos em todos. Ele olhou para cada um. Para Finn e Para Natalie. — Essa é a única solução.

Notas finais
Obrigado por lerem. Espero que tenham gostado do prólogo e nos vemos no próximo capítulo ♥
Deixe seus comentários hein? u.u
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.