Verdades Encobertas
1 Prólogo
Notas iniciais
A noite havia chegado a River Falls, mas não era apenas mais uma. Era à noite dos alunos do oitavo ano do colégio Rocky Branch. Na entrada da quadra de esportes, onde acontecia o baile de formatura Natalie estava com um vestido longo na cor pêssego acompanhado de uma pequena bolsa na mesma cor, inquieta a garota andou em círculos agoniados pelo desconforto causado pela roupa.
Ela avistou David e Jane chegando de mãos dadas como o casal do ano em uma premiação. Subiram os cindo degraus da pequena escadaria de acesso à entrada do colégio.
David vestia o smoking e Jane com um vestido curto na cor vinho, o casal estava acompanhado de um garoto de pele branca e cabelos castanhos usando um smoking com a gravata verde.
— Viu como um banho faz bem? – Disse o garoto de cabelos castanhos se fazendo de cordial beijando o dorso da mão de Natalie.
— Finn, espero que ano que vem tenha piadas melhores — A loira puxou a mão limpando em seu vestido como se acabasse de ser lambida por um cachorro. — E obrigado por ir me buscar. Você é muito cavalheiro.
Os dois deram os braços e entraram para baile junto ao casal que mais dava o que falar nos corredores da escola, a única ruiva natural da cidade com o garoto mais popular e simpático, além de possuir as qualidades físicas que as garotas no inicio da puberdade mais olhavam, o seu cabelo loiro sempre no corte, seus olhos azuis e seu sorriso sempre simpático, boatos eram fartos citando ambos os como possível rei e a rainha do baile.
— Ainda bem que veio com um vestido curto, iria sujar toda a barra de lama. – David comentou com Jane num tom de voz mais alto para ser ouvido no meio da musica.
Natalie de braços dados a Finn deu uma breve risada debochada.
— Meu Deus! Isso é tão gay. Bom, nos vemos na hora de ir embora. – A loira puxou Finn para o meio das pessoas afastando-se de David que a observou com os olhos queimando.
— Deixe essa vadia para lá, vamos dançar um pouco. — Jane puxou o loiro pelo braço para a pista de dança.
5 Horas antes
O baile já prestes a acabar e aos poucos salão se tornava mais vazio restando apenas poucos casais a aproveitando a ultima música.
— Não foi desta vez que ganhamos — David com as mãos na cintura de Jane ao ritmo da musica lenta.
– Mas muitos bailes vão vir e nós seremos os reis. — Respondeu a ruiva com as mãos em torno de seu pescoço. Aproximava os lábios da testa do loiro e beijou.
— Obrigado por tudo. Mesmo. Você é minha melhor amiga. – A voz de David soou rouca. Ele limpou suas lagrimas com o dedo polegar e devolveu o beijo em sua testa fazendo o mesmo na ruiva.
O celular vibrou no bolso da calça social do loiro. David abriu o flip.
— É a minha mãe. Vou atender e depois falar com os professores. Nos vemos no estacionamento, tudo bem?
— Ok. — Respondeu à ruiva.
Ele sorriu com os olhos marejados. Deu um beijo na bochecha de Jane antes de virar-se e sair atendendo ao telefone.
***
Jane estava com Natalie e Finn olhando para a porta dos fundos do ginásio esperando que David saísse por lá assim como eles. O grupo estava no lado mais escuro estacionamento, onde apenas as luzes da rua davam iluminação. A porta que Jane olhava se abriu e David saiu de lá, aos poucos o loiro revelou-se na luz fraca do local.
Jane sorriu e levou ambas as mãos a sua gravata borboleta, a endireitou. A ruiva também fez o mesmo com o seu smoking levemente amassado até uma caminhonete prata chegar iluminando o grupo com os faróis.
— Vemos nessa! – Gritou um garoto mais velho que o grupo ao descer da caminhonete. De cara pode-se deduzir que ele não pertencia à escola elementar, mas sim colegial ou mesmo um universitário. Ele tem o cabelo baixo semi careca. Imediatamente o grupo saiu correndo para a caminhonete.
Jane entrou na caminhonete sentou-se no banco de passageiro ao lado de garoto quase careca e lhe deu selinho curto enquanto acariciou o seu rosto. David, Finn e Natalie subiram na caçamba e se sentaram.
O motorista deu ré na caminhonete e foi dirigindo a sair do estacionamento.
— Que desculpas inventaram desta vez? – Disse ele mantendo o olhar na via.
— Dissemos que íamos dormir na casa de David porque de manhã iriamos para o acampamento. – Respondeu Jane acomodando o seu modo de sentar lateralmente para que olhasse o motorista, a ruiva ia se aproximando dele e lhe deu um selinho rápido em seus lábios. — Trouxe as bebidas, Lucas?
— Trouxe sim, estão lá trás – Por alguns segundos olhou para Jane e sorriu.
4 Horas antes
A caminhonete estacionou a margem de um rio. Natalie é a primeira a pular da caminhonete acompanhada logo atrás de David e Finn.
— Este lugar é tão bonito. — A loira segurou seu vestido para que não ficasse sujo. Caminhou até a beira do rio e suspirou olhando para a água refletindo a lua cheia e as estrelas no céu daquela noite de verão. — Eu perderia a virgindade aqui.
David arregalou seus olhos azuis em uma cara envergonhada, ao contrário de Finn caiu na risada.
— Que louco iria querer transar com você? Ainda mais aqui? – O moreno gargalhou voltando até a parte de trás da caminhonete onde abaixou a portinhola da caçamba e puxou com as duas mãos uma caixa de papelão aberta com algumas garrafas de bebidas.
— Há muitas pessoas que me desejam, mas estou me guardando para alguém especial. — A loira afastou-se da margem do rio. Olhou para Finn dos pés a cabeça. — Tipo você.
Ele retrucou com seu olhar de desdém.
Por fim Jane e Lucas saíram da cabine em cada porta que lhe correspondiam. Jane estava com um lençol nos braços e Lucas um cobertor xadrez verde e vermelho.
3 Horas antes
Tudo já estava arrumado, o lençol estendido sobre a terra, à fogueira acesa e às bebidas servidas a todos e muitos assuntos relacionados ao que o próximo ano iria trazer para todos, mesmo não sendo o ano da faculdade para muitos o colegial era apenas um prefácio, lideres de torcidas, times de futebol, enfim, tudo isto está apenas há alguns meses para começar.
— Sempre quis ser a rainha do baile, mesmo sendo de plástico a coroa é tão bonita. Comentou Jane sentada no colo de Lucas.
— Quando isso acontecer vai significar que o titulo já não tem tanto valor assim. — Natalie como sempre tinha os comentários mais cômicos do grupo. Todos riram menos Jane que lançou um olhar de desaprovação para a loira.
Natalie deu uma risada desconfortável e deu um gole da sua bebida.
— Mas enfim, David – Natalie lançou seu olhar de confronto para o loirinho quieto junto com um sorriso malicioso nos lábios. — Esse ano irá contar para os seus pais que você é gay, mas sobre seu namorico com alguém pelo celular?
Todos ficaram tensos, principalmente David. Talvez nunca se acostumassem com a inconveniência de Natalie, mesmo quando era um momento descontraído longe de ouvidos indesejados, o loiro deu um gole longo de sua vodca para que pudesse responder isso, Jane furiosa continuava queimando a garota loira com os olhos, Lucas por ser fora desse circulo não aparentava preocupação, Finn também deu um gole cheio.
— Uma coisa de cada vez, não... Não dá para despejar tudo em cima deles – David se explicou gesticulando os braços e gaguejando na sua fala. — Quando for à hora certa meus pais vão saber que sou gay, você não sabe como é difícil estar em uma situação como essas.
Natalie sorriu e erguendo a sua garrafa vazia.
— Um brinde para a coragem do David, este será o seu ano. — Fez o gesto de brinde no ar e voltou a beber. A garrafa estava vazia. — É, preciso de mais um desses.
Jane levantou do colo de Lucas e andou até se sentar ao lado de David, a ruiva tirou seu cobertor e envolveu no corpo do amigo assim como o abraçou de lado.
— Dave... — Ela está bêbada, não se preocupe com isso. Sempre vou estar aqui contigo ok? – A ruiva falou acariciando as costas de David lentamente sobre o cobertor, Lucas revirou os olhos de ciúmes e levantou. Ele foi até a caminhonete
— Vamos melhorar este velório. – Ele falou.
Finn levantou-se de seu lugar e deus alguns passos até se sentar ao lado de Natalie, ele pegou a sua garrafa e afastou de suas mãos.
— Chega, assim vai entrar em coma. – Ele puxou a loira pela cintura lentamente a se apoiar nele, Finn deu uma rápida olhada em David coberto com a amiga ruiva e em seguida para Lucas retornando um frasco laranja de comprimidos nas mãos.
— Novo ano, novas descobertas. – Lucas sorriu em pé olhando para os dois casaizinhos.
— Drogas, Lucas? – Indagava Jane aparentemente enfurecida pela oferta do namorado.
— Um comprimido apenas não vai te fazer viciada, meu amor. – Respondeu com seu sorriso atraente nos lábios, aquele tipo em que sabe levar alguém na conversa — No meu primeiro ano do colegial eu experimentei, é como um ritual de transição.
— Sabemos que isso é mentira. Mas de qualquer forma, me dê uma dessas balinhas. – Natalie ergueu a mão esperando que fosse lhe dado um dos comprimidos, mas Finn abaixou seu braço.
— Pessoal, é apenas uma balinha. Finja que é isto, ela não fará ninguém se tornar um drogado. É algo casual.
Todos ficaram a olhar Lucas em silêncio como se estivessem pensando nos dizeres do mais velho.
— Está bem... Me dê uma dessas balinhas. — Jane foi a primeira a se render.
15 Minutos antes
Natalie foi a primeira a acordar, coçando seus olhos a garota levantou lentamente e soltando o braço de Finn. Ele havia dormido abraçando sua cintura.
A garota estava sonolenta e ainda era madrugada, ela ficou de pé e começou a chamar por todos enquanto cambaleava em direção a Jane com Lucas. Sua cabeça parecia prestes a explodir
— Mary Jane, Lucas, vamos embora... – A loira ajoelhou em frente ao casal e começou a balançar o braço da ruiva.
Depois de muito insistir a Jane abriu os olhos.
— Que horas são? – Ela perguntou enquanto se levantava. Também sentia sua cabeça doer.
A garota virou o rosto para o namorado e começou a chamá-lo em sussurros.
Natalie voltou a ficar de pé e voltou para perto de Finn onde sem nenhuma delicadeza deu um tapa no braço do moreno. Ele acordou assim como Lucas.
— Vamos embora, já está tarde. — Disse ela. — Jane, acorda o seu amigo.
A ruiva concordou com a cabeça e se levantou. Natalie pegou a caixa com as garrafas vazias e foi levando para a caminhonete enquanto Finn e Lucas se propuseram a recolher o lençol e apagar a fogueira.
_ Você deu o que para gente? Droga nenhuma da sono desse jeito. – Resmungou Finn.
— Estranho, Não deveria ter acontecido is... — Antes que Lucas terminasse a resposta o grito de Jane assustou todos. A loira após ter tirado o cobertor de cima de David ficou horrorizada com o que via.
No susto Natalie acabou derrubando a caixa com as garrafas de vidro no chão.
— Puta que pariu! O que foi?! – Indagou Natalie olhando para Jane assim como Lucas e Finn. A ruiva tirou completamente o pano sobre David. Todos puderam ver o corte profundo no pescoço do garoto e seus olhos azuis arregalados abertos em um olhar de piedade. Sua pele estava pálida, muito pálida.
Jane encostou a ponta dos dedos sobre o braço do loiro, estava gelado e rígido. A ruiva caiu sentada no chão ao lado do corpo sem palavras. Ela estava dominada apelo pavor de ver seu melhor amigo daquele jeito.
Diante da cena todos ficaram parados com o que estavam vendo. David Richard com o pescoço destruído em uma ferida profunda com sangue coagulado e alguns insetos passeando sobre a pele morta. A ruiva levou as mãos aos lábios. O odor era terrível.
— Quem... Quem fez isso? – Perguntou Natalie com a voz falha e gaguejada, Sua respiração se tornava ofegante. Em poucos segundos começou a chorar de pavor com o que havia acontecido. — Meu Deus!
— Tenha calma, isso... Isso não foi nenhum de nós. – Lucas tentou acalmar Natalie, mas nada conseguiu fazer.
— Como calma?! — Jane entrou na conversa olhando para Lucas com o rosto ardendo em raiva. Seus olhos estavam inundados de lagrimas. — O meu melhor amigo está morto! Você vem e nos pede para ter calma?
— O que nós vamos fazer? – Disse Finn olhando para todos.
— Vamos para a policia é claro. – Respondeu Jane cobrindo o corpo de David outra vez. Ela não aguentava mais ver aquilo.
— Não! – Lucas gritou. – Não podemos ir a policia.
— Por que não? – A ruiva limpou as lagrimas e se levantou. Caminhou até Lucas em afronta e lhe lançou um olhar cerrado carregado de raiva.
— Tem bebidas e drogas por todo lado, se formos para a policia vamos ser presos! Aliás, eu vou ser. — Respondeu ele.
Com a resposta do namorado Jane respirou fundo e, aos poucos, foi entendo o que ele estava dizendo.
— Pessoal, precisamos fazer algo, daqui a pouco vai amanhecer. — Finn pegou a caixa caída no chão, o moreno colocou na caçamba da caminhonete.
— Jane, isso irá arruinar o seu futuro se ir para a policia, Você vai ser mal vista na cidade por todos. — Lucas apoiou suas mãos grandes nos ombros da ruiva. Ele respirou fundo e diminuiu o tom de voz. — Me escute. Eu posso ser preso porque sou maior de idade. Todos nós podemos nos ferrar muito por causa disso se avisar a policia.
A ruiva limpou as lagrimas que insistiam em percorrer todo o seu rosto branco.
— Ok... – Agora mais calma a voz de Jane estava fraca e baixa em meio aos soluços. — Mas, o que vamos fazer? Não podemos simplesmente ir embora deixando ele assim.
— Podemos enterra-lo na floresta. — Lucas respondeu com seriedade olhando para a ruiva, a sua ideia causou sustos em todos. Ele olhou para cada um. Para Finn e Para Natalie. — Essa é a única solução.
Notas finais
Deixe seus comentários hein? u.u
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