Verdadeiro ou Falso?
1 one-shot
Notas iniciais
Geminis:
A visão da Lucy, pelo Gray: Uma novata na guilda. Ele gosta muito das aparências.
De alguma forma interessado nela.
Interessado nela…
…Interessado nela…
…Interessado nela…
‘Não não não não! Isto não pode estar a acontecer!’ pensava enquanto abanava a cabeça negativamente.
Isto não pode ser verdade. Afinal, eram os travessos dos Geminis, por isso não posso confiar muito. Mas visto bem as coisas eles não tinham nada a perder… E tinham acesso a toda a informação de Gray! E se for verdade? O que faço?
De alguma forma interessado nela.
-Nããão!
-Lucy, está tudo bem?
-Kya!!! Natsu? Que fazes aqui? – Perguntei irritada ao ver aquele idiota no meu quarto novamente.
-Natsu, a Lucy pirou de vês…
-CALADO! – Berrei. – Como é que entraram?
-Não é óbvio? Pela janela!
Nem me dei ao trabalho de responder. Comecei logo a empurrar o Natsu porta fora, mas parei quando me lembrei.
-Ham… Natsu, o Gray está a viver na Guilda, certo? – Perguntei, tentando parecer despreocupada.
-Sim… Porquê?
-Ele está lá agora?
-É capaz… Mas Porquê? – Repetiu.
-Por nada… Tenho que falar com ele.
-A Lucy gosssssta do Gray.
-MENTIRA!
Quando acabei o meu trabalho de expulsar o Natsu do meu espaço privado, ele e Happy foram até Magnólia procurar uma coisa qualquer que tinham perdido no caminho.
Nem acredito no que vou fazer… Como é que eu vou falar com o Gray? Como… COMO?
[ATENÇÃO! Visão da Lucy]
Melhor cenário:
-Gray… é verdade que me amas?
-Sim… é verdade. Casas comigo?
-Claro que sim!
-Vamos viver felizes para sempre, Lucy…
Pior cenário:
-Ahahahahaha! Achas mesmo que eu poderia estar interessado em ti?
-Desculpa Gray, fui uma idiota…
-Quer dizer que afinal sempre querias o Gray para ti!
-Não Juvia, não é nada disso…
-Eu vou matar-te e acabar com a tua raça, Lucy!
[Visão de Lucy Off]
-Lucy… Lucy!
-Han!? Gray!!!??
Oh Meu Deus! Em que estava eu a pensar? Ainda temos a Juvia! Se ela me ler a mente mata-me já! Ainda bem que acordei dos meus devaneios, mas tinha que ser logo ele a chamar-me para a realidade? O que digo? O que faço? ‘De alguma forma interessado nela’. Ai…
-Está tudo bem contigo? – Perguntou ele preocupado.
-Não não! Está tudo perfeito… Maravilhoso! Porque estaria mal? – o meu nervosismo é visível a quilómetros!
-Porquê? Estás a andar em círculos em frente à guilda há que tempos! Diz-me o que se passa…
Falo… Não Falo… Falo… Não Falo…
Falo!
Respirei fundo, descontraí os ombros e tentei desfazer-me de toda a tensão que se formara no meu corpo.
-Ok… Na verdade andava à tua procura. Precisava de falar sobre… — as palavras morreram na minha boca.
-Sobre…
-Sobre uma coisa… Não sei se é verdade, mas queria esclarecer contigo.
-Mas que coisa? Estás a deixar-me preocupado.
E-e-e-eu estou a deixá-lo preocupado. Lucy, concentra-te! É normal que ele se preocupe contigo! Afinal, é um bom amigo. Somos amigos. Será que é mesmo boa ideia falar?
-Eu não sei por onde começar. – Saiu-me, por fim. – Desculpa, eu falo contigo amanhã…
Saí dali com a cabeça baixa. Não consegui. Apesar de ouvir Gray a dizer para esperar, não me virei e ele respeitou o meu espaço. De certa forma, ele compreendia-me muito bem. Eu sempre gostei muito dele, apesar daquele vício maldito que ele tem para se despir em todo o lado, mas isso é uma questão de hábito.
-Tudo bem, falamos amanhã. Vou estar na Rainbow Sakura. – falou ele já longe.
Assenti e retomei o meu caminho.
Eu nutro por ele uma grande amizade, mas a verdade é que parece ser uma coisa estranha… Não sei. Argh! Eu não quero gostar dele… dessa maneira, claro. Mas… Ou será que quero? Será que gosto?
CHEGA! O melhor que tenho a fazer é ir para casa e dormir uma boa noite de sono. Fiquei aliviada por Natsu não estar lá de novo com o Happy, não me apetecia chatear-me outra vez.
Quando me deitei fiquei a encarar o teto. Queria dormir, mas não parava de pensar no que aconteceu… A minha mente começou divagar por momentos passados, procurando uma resposta para o “Verdadeiro ou Falso” que se formara na minha vida.
Mais tarde não me posso esquecer de escrever isto à minha Mãe, como faço com tudo o que me acontece.
- — — — -
-Yo, Lucy!
-AHH! Quantas vezes é que eu já te disse, Natsu? É proibida a entrada na minha casa! – Levantei-me da cama num ápice e bati na cabeça daquele garoto. – E tu, Happy? Podias tentar impedi-lo de vez em quando! – Só no fim de falar é que reparei no impossível que acabara de dizer.
-Vim só dizer que eu e o Happy encontrámos um trabalho. Partimos agora. Vamos em busca pela pista do Igneel! Ele está por aí!
-Aye!
-Obrigada por se lembrarem de mim. De qualquer maneira não podia ir hoje, já tenho coisas que fazer.
-A Lucy tem um encontro Natsu!
-Calado gato!
-Adeus, Lucy!
Despediram-se e puseram-se a caminho. Encontrar o Igneel é uma razão de viver para o Natsu.
Fui arranjar-me. Combinei que ia falar com o Gray hoje, e não ia voltar atrás. Esta dúvida tem que desaparecer. É que… eu acho mesmo que posso gostar dele.
Vesti uma túnica azul e por baixo um top preto a tapar um pouco o decote e vesti uns calções de ganga. Ajeitei o cabelo frente ao espelho e saí logo a seguir. Andei calmamente por Magnólia, junto ao rio como sempre fazia, até encontrar aquela árvore multicolor. Baixei o olhar e vi-o.
Força Lucy, é agora!
Gray estava sentado na relva, encostado ao grande tronco da árvore. Parecia estar paralisado, olhando o horizonte. Nem percebeu a minha presença.
-Olá… — disse eu, ainda insegura.
Sentei-me ao lado dele, mantendo uma certa distância.
-Olá. – falou ele tirando os olhos das montanhas que se viam em frente. – Já me vais contar o que se passava contigo ontem?
-Sim… — respirei fundo – Bem… Lembras-te da luta que eu tive contra a Angel, da Oraccion Seis?
-Claro que lembro… Gostava de ter visto.
-Bem, acontece que ela é, ou melhor, era uma maga estelar. Ela possuía a Áries, o Scorpio e… os Gemini.
-Mas isso…
-Deixa-me continuar, por favor. – Pedi – Uma das habilidades dos Gemini é que se podem transformar em qualquer coisa, mais especificamente em qualquer pessoa, e a partir daí têm acesso aos poderes a tudo o que está na mente dessa pessoa. Provavelmente não te contaram como tudo aconteceu… Mas os Gemini usaram a tua forma para nos atrair, a mim, ao Hibiki e aos outros para uma armadilha.
-O quê? Mas… Eles souberam tudo sobre mim? – Gray perguntava um pouco preocupado com a situação.
-Acho que sim, isso é uma coisa que nem eles próprios podem evitar. E eles disseram uma coisa que me deixou… curiosa.
-Continua.
-Eles disseram – tomei coragem e disparei tudo de uma vez – eles disseram que estavas interessado em mim. – Fechei os olhos. Ainda bem que ele não me conseguia ver a cara escondida no cabelo. – É verdade?
Ele nada disse. Olhei por entre os cabelos que me caiam na face e reparei que ele já olhava de novo as montanhas. Notei um sorriso torto nos seus lábios. Continuei calada, esperei que ele falasse.
-Queres que isso seja verdade? – Perguntou finalmente.
Sim…
Tenho tantas dúvidas… Ainda bem que aquele ‘Sim’ foi mental. Mas isso não me levaria a lado nenhum. Comecei a fazer conversa mole para chegar ao meu objectivo e saber a verdade.
-Não sei, isso depende da tua resposta. – Saiu-me, por fim.
-Sabes porque gosto de vir aqui, ao pé desta árvore? — Acenei negativamente e ele continuou. – Estás a ver aquelas montanhas? Depois da linha que as une com o céu, fica outro reino em que neva a maior parte do tempo. Foi de lá que eu vim, e foi lá que eu conheci a Ur e o Lyon. – Enquanto contava a sua história, a sua cara contorcia-se num sorriso grande e genuíno. Não pude evitar sorrir também – É aqui que eu recordo as maiores alegrias da minha vida, e onde eu consigo ser feliz. – Encarou-me – Fazes-me feliz, por isso é que quis que viesses aqui hoje.
Corei instantaneamente com aquilo. Será que aquilo é um sim? Será que a resposta é ‘Verdade’?
-Tu és a minha amiga, és mais importante que tudo.
-Então, queres dizer que estás interessado em mim apenas como amiga?
-Quem sabe…
Ele levantou-se, e ia embora com o sorriso nos lábios. Irritei-me e fiquei de pé.
-Custa muito dizeres? É verdade o que os Gemini disseram ou não? Eu preciso de saber! Porque não respondes? – Os meus olhos estavam fechados enquanto eu falava. Quando os abri, Gray estava relativamente próximo de mim.
Senti a respiração dele na minha cara. Era refrescante, mas não era desconfortável. Era um frio agradável. A sua mão subiu para o meu pescoço. Juro que fiquei sem reacção. Voltei a fechar os olhos, e deixei que ele se aproximasse mais.
Os seus lábios já tocavam os meus, muito de leve sem nunca os unir num beijo. Isso era o que eu mais queria. Tentei aproximar-me mais e beijei o seu lábio inferior. Ele retribuiu com um beijo muito suave.
-Já consegues tirar as tuas próprias conclusões?
Fiquei apática. Mas não me rebaixei. Não podia deixar que a vergonha se apoderasse de mim, logo agora que estava a descobrir duas novidades.
Primeiro: Aquele jogo de Verdadeiro e Falso foi decidido com um Verdadeiro.
Segundo: Aquele Verdadeiro estava a eriçar-me os cabelos da nuca, a acelerar o meu coração, a rebelar as borboletas do meu estômago e, sobre tudo, a fazer-me sentir apaixonada.
Deixei-me levar por todas as sensações que pairavam em mim, passei os meus braços pelos seus ombros e voltei a beijá-lo, procurando por mais sentimentos desconhecidos. Aquele segundo beijo foi mais intenso.
Gray pediu permissão para avançar e eu dei-lha. Ambas as nossas línguas dançavam diante de uma melodia harmoniosa que era aquele momento. Ele rodeou a minha cintura e eu arrepiei-me toda, dos pés à cabeça. Não estranhei aquele frio, já que ele era um mago de gelo, mas era estranho. Sentia-me bem naquela temperatura.
Descobri o meu primeiro amor, e agora sinto-me mais completa que nunca. Não pensei que ele estivesse tão perto de mim. Como será que eu nunca o vi como agora? Foi mesmo preciso um acontecimento daquela magnitude, como foi aquela guerra contra a Oraccion Seis, para poder descobrir toda aquela felicidade.
Posso dizer que o destino nunca se engana.
…Mamã, como podes ver a minha vida não podia estar melhor. Finalmente encontrei o amor. Foi uma experiencia interessante, foi o meu primeiro amor. Contei-te cada detalhe nesta carta. Espero que fiques feliz por mim, ou melhor, por nós.
Os meus amigos estão muito felizes por tudo. Toda a guilda fez uma festa incrível quando soube da novidade. Bem… A Juvia não ficou assim tão feliz, mas conformou-se com a ideia de que o Gray está feliz comigo. O Natsu ficou um pouco chocado ao início, mas já se habituou.
O Gray é único; é o meu namorado, e eu adoro-o.
Despeço-me de ti com todo o carinho. Como sabes, não te quero dizer adeus, mas sim Até Breve.
Beijo
Lucy Heartphilia
Notas finais
Obrigada a quem leu.
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