Verdadeiro Mundo

1 Capítulo 1: O baú misterioso


Notas iniciais
Espero que gostem.

-Vamos! – Dizia Marie ofegante. – Estamos quase chegando.

Marie e Chris – seu irmão – subiam a montanha com dificuldade. A nova casa era num local afastado — e frio — da cidade. Em uma montanha. As arvores de pinheiro e a neblina daria um belo cenário de filme de terror, essencialmente com o ruído do vento.

Marie esperaria que sua mãe fizesse algo a respeito disso, pois subir a trilha era cansativo.

O garotinho de 9 anos que em um mês faria 10, disse:

-Não podemos parar um pouco? — ele deu uma parada e ergueu a coluna.

-Não, — respondeu a irmã – assim vamos mais rápido.

Apesar de Marie querer parar seria tortura ter de continuar, não agüentaria dar mais um passo se parasse então num instante se viu aproximando.

Quando chegaram ao local da nova casa respiraram em alivio, enquanto ofegavam de maneira tão escandalosa.

-Quando chegarmos – disse Marie — vou matar a mamãe por ter escolhido essa casa.

A mansão era uma casa tradicional de seus avos e – possivelmente — de seus bisavos. Mas um pensamento surgiu na mente de Marie que se perguntava como os avos e ancestrais idosos subiam isso. Será que saiam de casa?

A mãe se mudara pra cá por razões financeiras e garantiu que ali seria melhor do que à casa anterior que era minúscula.

-Vocês sabem que pelo menos aqui vocês não ficam tão espremidos e não tem de dividir o quarto. – Comentava a mãe quando eles protestavam que a casa era velha e longe da escola, ou especificamente, de tudo.

Eles iam para seus quartos e voltavam apenas quando estavam com fome.

Certo dia, quando chegaram da escola a mãe deles havia desaparecido, do nada. Eles procuraram em todo lugar da casa, porém ela estava literalmente desaparecida.

Aguardavam um pouco.

Marie acalmava Chris que choramingava. Ela também estava preocupada, a noite estava quase surgindo e a natureza fazia sons agonizantes. E o pior de tudo as luzes acabaram. Devia ser alguns bichos que comeram os fios. Casa velha, problema na afiação, o que poderia ser pior... -pensou Marie.

Quando a noite caiu, eles já cansados e preocupados, ouviram um barulho diferente do habitual.

Marie lentamente se desenrolou da coberta e se levantou do sofá esperando para mais um ruido.

Preocupado e com medo, Chris perguntou:

-Marie... Aonde você vai?

-Acalme-se Chris, -aconselhou-o — vai ficar tudo bem.

Ela estava enganada, o que aconteceria depois estava longe de estar tudo bem.

A luminária que Marie pegou iluminava grande parte do local do corredor escuro que levava para o segundo andar. O silêncio era assustador depois daquele barulho e Marie nem sabia o que exatamente estava fazendo, estava agindo por impulso de tão nervosa.

Quando começou a subir as escadas os degraus frios davam arrepios a ela, assim como o que fazia naquela casa.

O irmão perguntou se ela estava bem.

-Sim. -respondeu.

Marie dava passos leves em busca de qualquer som, até o mínimo que fosse para saber o que tanto intrigava ela e o irmão. Ela estava nervosa, não com medo. E ela mesma estranhava isso, porém, não achava que fosse algo que pudesse dar arrepios a alguém. Marie não estava segura de nada e nem do que ia descobrir.

Já no corredor do segundo andar a luminária já não iluminava o corredor inteiro, mas ela ouvia alguns pequenos sons vindo da porta do sótão onde a mãe trabalhava de costureira, e apesar de ser no fundo do corredor era perto de seus quartos, então eles ouviriam todos os dias se fosse uma maquina sendo ligada sozinha ou coisa do tipo.

Ela não entrou lá nunca desde que chegou. Por falta de interesse, mas, Chris sempre arrumava um jeito de brincar por lá e nunca relatou nada estranho.

O som não parou e Marie tentava conter a própria respiração para identificar o que era aquilo. Soava como batidas e sussurros. Não parecia ser um barulho de maquina de costura, era mais distante, todavia estava presente ali, naquela casa.

Encostou na maçaneta e a abriu, seu mundo nunca mais foi o mesmo depois daquilo.

Havia nada além do que parecia ser uma área de trabalho de costureira, maquinas mesas com linhas e diversos outros materiais que a sua mãe utilizava para costurar.

O cômodo tinha algumas coisas jogadas no canto, coisas velhas dos seus avos e outros ancestrais, tudo estava quebrado ou coberto por uma camada espessa de poeira. Marie não sabia como aquilo estava naquele estado, sua mãe sempre foi exigente quanto a organização.

Marie viu algo que a chamou atenção, estava coberto por um lençol velho e empoeirado. Tinha o formato de um baú. Um baú bem grande iguais aos de piratas que Marie costumava contar histórias para Chris. – Ela precisava voltar rápido, o irmão estava com medo. – O som agora estava mais audível ali e Marie se aproximava da caixa que era a fonte do barulho e com a luminária quase se apagando puxou o lençol para o lado.

Uma camada de poeira se desfez e Marie tirava-a de seu rosto tossindo. Ao fazer isso a luminária se apagou e os ruídos cessaram por alguns segundos. O frio do sótão pareceu aumentar.

Marie tentava se acalmar, mas agora não podia evitar, estava com medo.

Ela tentou encontrar o fecho do baú, apavorada, e quando encontrou — de repente — a luminária se acendeu e os ruídos da caixa voltaram. Ela tentou abrir, mas não conseguia e logo acima do baú umas letras estavam cravadas, escondidas pela poeira. Marie se acalmou, passou a mão sobre a caixa e tentou ler.

Para abrir, não pode ser uma pessoa comum, tem que ser um descendente mágico e com seu sangue irá entrar a esse lugar que o pertence.

Marie não entendeu uma palavra escrita, – já havia lido coisas fora do comum, como alguns trechos de poesias de livros da biblioteca ou o começo da matéria de matemática que parecia mudar de idioma automaticamente, – isso era tão intrigante que as palavras pareciam dar voltas a sua cabeça deixando-a confusa.

Desistindo de ler, de todos os jeitos ela tentou abrir o fecho do baú, descobrir logo o que tinha ali dentro, — antes achou que era um rato, mas ela sentia que era muito mais que isso — antes novamente de a luminária se apagar.

Sem querer ela quebra a luminária.

A chama da vela se apaga; na tentativa de restaurar a luz Marie acaba se cortando nos cacos de vidro fazendo um pequeno corte na sua mão. Ela a ergue como se de alguma forma conseguisse enxergar naquela escuridão e sente o sangue escorrer.

Com as mãos pingando ela se prepara para levantar, desistindo de abrir. Não estava mais interessada em saber o conteúdo do baú, principalmente se fosse um bicho. Seu sangue pinga acidentalmente na caixa enorme e algo acontece. De forma bruta, o baú se abre. Uma pequena luz começa a iluminar o local, uma luz amarela, dourada e depois branca. Aquilo devora o sótão de forma rápida, consumindo cada canto de escuridão, anulando qualquer chance de enxergar; com certeza a luz poderia ser vista dos outros cômodos, mas antes, ela cessava de forma lenta deixando o sótão na escuridão novamente.

Era um cômodo normal, exceto pelos vidros da luminária que estavam quebrados, e algumas gotas de sangue no chão deixando vestígios de que houvera alguém ali um momento antes.

Notas finais
O que achou? O que espera para o próximo capitulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.