Verdadeiro Eu
1 Capítulo 1
Notas iniciais
enjoy..
- P. v. kih(com 6 anos)- (p.v= ponto de vista)
Me sinto meio confusa. Acordei em um quarto todo branco com moços de bata vindo pra lá e pra cá.
— VOCÊ ESTÁ LOUCO!? — dizia... Não, gritava um dos moços de branco. — ELA É UMA CRIANÇA!
- EU ESTOU FAZENDO ISSO PELA MINHA MULHER. VOCÉ NÃO SABE O QUE É AMOR!? Ou... Você quer dinheiro? Eu tenho dinheiro, muito dinheiro. Agora saia daqui e me deixe a sós com a minha afilhada.
E assim o moço de branco e os outros que estavam com ele fizeram. Meu padrasto olhou pra mim com lágrimas nos olhos. Que estavam profundos e negros. Eu sinceramente não estava entendendo nada. Até que ele veio até mim.
- Kih... Seu irmão está morto.- ... Eu senti meus olhos queimarem... Meu maninho m-morto? Comecei a chorar sem parar. — Sua mãe não sabe. Na verdade eu contei a ela que você que morreu. — ele disse. ...
— T-tio c-como assim!?!- eu não conseguia pensar. Eu nunca entendi os adultos. Por que meu padrasto diria pra mamãe que eu morri?
— Você não é burra kih... Sua mãe ama seu irmão mais que tudo nesse mundo... Mais do que você... Na verdade a única pessoa que impediu ela de te mandar pra um colégio interno fui eu... Mas agora vou ti pedir algo.. Quero que você seja seu irmão. Quero que se vista como tal e fale como tal. Você ama sua mãe? — afirmei com a cabeça — Você quer vê-la triste? — Neguei chorando. — Então faça o que eu ti peço para o bem de todos, mas principalmente pelo bem da sua mãe.
~ alguns anos depois ~ ( narradora )
- Kuro querido. — chamou uma mulher charmosa e elegante com brilho nos olhos — Hoje é um dia muito especial. Meu filho lindo. Eu espero muito esses dias especiais porque cada vez que eles passam você fica um ano mais velho, um ano a menos para você tomar conta dos negócios da família, feliz aniversário Kuro! — Disse e logo lhe deu um abraço apertado. Que foi retribuído com a mesma intensidade, porém sem nenhuma emoção. — Por que está triste querido?
- Mãe você não está esquecendo ninguém?
- Oh, estou? Quem seria?
- Kih...
— Ah... Você quer ir ao túmulo dela outra vez?- disse com voz de desprezo. — Você tem que superar.
- Não é questão de superação, é questão de respeito. Ela é minha irmã. — disse em um tom controlado, porém na verdade queria gritar. O descaso de sua mãe realmente incomodava. Depois disso apenas deu as costas para a mulher que chamava de mãe, chamou o motorista, partiu rumo ao cemitério.
Ao chegar pediu que seu motorista se retirasse é apenas voltasse assim que o chamasse. Em frente ao túmulo... — Irmão... Eu sinto sua falta... Muito... Kuro..- e começa a chorar, deixando um buquê de flores ao lado da lápide. Após 1 hora, ela resolve chamar o motorista.
- Kido p.v -
Suspirei ao entrar no carro e quanto mais nos afastávamos do cemitério mais meu coração apertava. " Por que você morreste?" minha mente praticamente gritava. Faz alguns anos que meu irmão morreu e eu tenho que ser ele... Porque... Bem... Eu fiz uma promessa. Uma promessa tola.
Assim que cheguei em casa já os preparos já começavam para a festa. Iria fazer 16 anos.
Minha mãe, Diana, continuava a mandar, gritar, brigar com as pessoas que organizavam conforme os comandos dela. Quando me viu deu um sorriso de orelha a orelha correu até mim abraçou-me e beijou minha face. Mas logo voltou a organizar.
Fui ao meu quarto. Entrei e tranquei a porta atrás de mim. — Que inferno — disse para mim mesma. Era sempre assim, odeio meu aniversário.
~ Na festa~
- Lembre-se de dar as boas vindas a todos filhinho.
— Sei disso — respondi em um tom cortante, ela ficou meio surpresa.
Enquanto cumprimentava uns e outros, avistei um demônio. Estava vestida em um vestido rosa clarinho lindo com flores delicadas a enfeitá-lo, uma sapatilha branca e com um penteado muito lindo. Eu não deveria ficar admirando suas roupas, mas ainda sou menina afinal, eu acho, enfim convenhamos ela ainda era um demônio.
- Lil'K — disse com uma voz fininha. *olhei feio* odeio esse apelido. Se meu irmão ainda vivesse eu daria um tapa nela por chamá-lo assim. — Feliz aniversário Lil'-
— Da próxima vez que me chamar assim expulso você daqui, e estou falando sério. — falei frio, a odeio. Garota grudenta! Em seguida ela fez um "ownn, desculpe Kuro" junto com um biquinho e abraçou meu braço, quando estava pra tirá-lo de mim avistei minha mãe. “terei de aguentar esse teatro ridículo" pensei comigo mesma.
No fim da festa por algum motivo contrário à minha vontade minha mãe me mandou junto com Elena, vulgo garota repugnante, pra o terraço, porque, segundo ela, havia algo lá pra mim. Só que eu percebi o quanto fui retardada ao perceber tarde de mais que era uma armadilha, pois Diana piscou pra Elena ao sair do terraço e nos deixar a sós. Engoli o seco, essa garota se aproxima cada vez mais de mim. Acho que estou roxa como naqueles animes em que o personagem esta enjoado. Empurro-a. Depois de sentir um gosto horrível em minha boca. SERIO QUE MEU 1º BEIJO FOI COM UMA GAROTA!?
- O-o que houve? — ela pergunta vermelha. — F-foi meu 1º beijo...
O dia não podia piorar. Eu não acredito. Se ela soubesse de tudo... "Kuro o que eu faço agora?" Choraminguei apenas por pensamento. Mamãe saiu de seu esconderijo batendo palmas e dizendo algo como parabéns por seu 'first Kiss' enquanto os olhos de Elena brilhavam ao ouvir aquelas palavras. Estou tonta, está tudo ficando escuro preciso ir ao meu quarto. E fui correndo de tudo e de todos.
Assim que deitei na cama com a porta já trancada fiquei olhando para o teto como uma retardada. Eu aceitei essa vida, mas afinal o que eu sou. Sexo feminino, mas gênero masculino. Eu beijei uma garota isso faz de mim um homem ou uma lésbica? Provavelmente uma lésbica, mas se eu aceito o fato de ser menino não seria verdade. Minha cabeça dói... Não tenho mais meu padrasto para me protejer ou me aconselhar apesar de ele ter me posto nisso. Ele ajudou a me disfarçar no início, era muito difícil. Ele morreu a 3 anos atrás. Desde então ninguém além de mim sabe do segredo. O que torna mais difícil escondê-lo.
*celular toca*
- Alô? — Kuro feliz aniversário cara!!- Era Daniel Dante, meu melhor amigo.
- Demorou mano. — disse aliviada. Eu precisava mesmo falar com ele.
- beijei uma garota. — Wow! Que aniversário bom- disse isso rindo, mas quando percebeu que meu humor não era tal ele se preocupou- Isso não foi bom pra você né?
— Não sei broh...
— Posso ti perguntar algo?
— Eu sei o que vai perguntar e a resposta é não. — Bom eu não era gay talvez lésbica, mas não gay.
- Hm... Você não gostava dela então?
— Acertou.
— É... — Que mal Kuro. Como você beija alguém que não gosta? — disse em um tom preocupado.
— Não a beijei. Ela me beijou.
— O QUE!? EU RALO TANTO PRA CONSEGUIR UMA GAROTA E VOCÊ SIMPLESMENTE É BEIJADO POR UMA. — apesar dos gritos dava pra ouvir que ele ria feito uma mula do outro lado da ligação.
— Seu idiota... — disse simplesmente isso, eu estava com sono e depois de dois minutos de silêncio eu adormeci na chamada.
(...)
Assim que acordei chequei meu celular a chamada continuava lá com umas 5 horas de duração. " Aquele filho da puta não desligou, ou dormiu antes" penso comigo mesma. Que droga, aquele retardado, é bom que fique sem créditos!
Lembrei que hoje tem aula. Então pulei da cama e em 5 minutos já estava pronta. " vantagens em ser garoto hahaha" esse deve ter sido o comentário mais ridículo de hoje.
- Bom dia querido, ontem foi um dia-
— Não importa.- interrompi-a e sai com uma pêra na boca e a mochila nas costas. " Eu realmente não quero lembrar do que houve, não mesmo!" O motorista me olhou com uma cara estranha. Serio? Eu realmente queria voltar no tempo e ter empurrado ela antes que isso ocorresse. SOU IDIOTA!?
(...)
Já era a terceira aula. A sala estava quieta ninguém nem se mexia, era de se esperar de um colégio de elite. Sinceramente todos aqui parecem iguais: mesmo uniforme, mesmo rosto, mesmos objetivos. O que motiva essas pessoas?
Lá estava meu ilustre amigo Dan dormindo. Ele não é muito bom, na verdade é um aluno mediano. Dormia desde a primeira aula de hoje, me pergunto se ele dormiu bem...
- Dan...
- Hm..? — ele praticamente ronronou
- Não devia dormir em aulas de revisão.
- shhhh...- "que som é esse!? "- Não atrapalhe.
É isso foi tudo que ele quis me dizer por hora.
- Gostaria da atenção de todos. — Pronúncia o professor repentinamente e faz uma pausa para que todos os alunos voltassem sua atenção a ele. — Gostaria de apresentar o novo aluno seu nome é Gray Gomes, ficará aqui na sala 2-A.
[nota: 2=nº da sala, A = representação de salas especiais]
Logo começaram as fofocas, mas a que dava pra perceber era " ele é um aluno bolsista". Aluno bolsista aqui na First?! Eu realmente tenho pena dele. Esse lugar é cruel e esmaga qualquer possibilidade de esperança dos alunos bolsistas. Ficaria impressionada se ele durasse 3 dias.
— Poderia sentar-se atrás de Kuro Kitsune. — e apontou para mim. A única cadeira disponível era atrás de mim, não faço ideia porque fiquei tão surpresa.
Aquele aluno novo ficou com os olhos fixados em mim o tempo todo. E dava para sentir o peso de seu olhar nas minhas costas. Isso me deixou o resto daquela 4ª aula bem desconfortável.
Apesar de ser um colégio de elite nunca vi tanta gente desesperada para sair da sala de aula. Assim que tocou o sinal eu vi algo que parecia um estouro de boiada e logo depois a sala parecia um deserto e, certamente, eu e Dan somos aqueles que ficam perdidos nele.
- Então... O que você achou do novato?
- Tenho pena. Primeiro por suas notas, pois não será fácil aqui. Segundo, e na verdade mais importante, são as pessoas do colégio que não vão deixá-lo em paz.
— Kkkkkkkkkkkkk, Kuro por que você tem que agir tão sério todas as vezes? Se solte mais- disse tocando em meu ombro, apenas sorri amarelo.
Eram 35 minutos de intervalo e Dan gostava de ficar em uma mesa no refeitório, uma mesa cheia de garotas. Às vezes tinha nojo dele por isso. Enfim, depois de um tempo isso não importou mais, é até melhor, gosto de um tempo só para mim.
Amo ficar deitada debaixo da árvore que fica ao lado do 1º bloco, que era o qual eu estudava, ela ficava meio afastava, o que era perfeito. Cheguei me encostei e fechei meus olhos.
Gritei de susto.
-QUER ME MATAR DO CORAÇÃO?- gritei ainda com meu coração batendo forte. Era o novato que ainda me olhava. Ele não respondeu nada então, mais calma, tentei voltar a um tom normal — Han.. Desculpe-me pelo grito, o que faz aqui?
- Eu segui você
- ??
- Han... — ele sentou-se em minha frente, era como se tivesse se preparando pra algo, acho que devo dizer que isso da medo
- Me ajude a continuar nesse colégio, Por favor!
— Não
- Han!?!?!?
Apenas sai, eu realmente não irei dar uma de babá pra ele. Sinceramente espero que ele se vire. Nas aulas que se seguiram continuei a sentir aquele olhar atrás de mim embora com menos frequência.
(...)
Passaram-se algumas semanas, provas mensais, bimestrais e estávamos todos temendo o simulado que viria. Mas o que era surpreendente é que Gray continuava na escola, com muitas notas baixas e algumas medianas. Eu passava pelo corredor na hora que acontecia. Um grupo de 3 garotos cercando um outro, e esse tinha cabelos escuros era alto, cor do olho roxa, não tinha muitos músculos mas também não era um magricela, sim esse era o Gray.
Tsc... Não posso ignorar algo assim.,.
- EI, vocês... Cavalheiros eu não acho muito justo 3 contra um. E- um deles me interrompeu
- Eu não quero um inseto como ele sujando o nome da nossa escola.
Até aí Gray permaneceu calado.
— Hm... Não acho que ele seja um inseto, muito menos que vá manchar o nome da Fist. Por favor, poderiam deixar as coisas terminarem pacificamente.
Assim que eu disse isso tive que segurar um soco que veio em minha direção, e logo estava tentando enfrentar os três de uma vez. Um deles agarrou meus braços por trás prendendo-os e os outros dois começaram dar socos em minha barriga. Depois disso minha visão ficou escura por alguns momentos...
- Hm..- eu acordei com uma brisa leve no meu rosto, olhei ao redor e vi que era "minha árvore" e que eu estava em baixo dela, mas não lembro da grená ser tão fofa. -Gray!? — o que diabos ele estava fazendo comigo em seu colo!? Que diabos! — Que diabos! Acha que eu sou gay?
- Você tem um corpo muito bonito pra se menino.- ele simplesmente disse isso? Assim do nada ? Se ele descobrir? O que faço? Meu coração estava quase saindo pela boca.
- Han!? Esta me estranhando jovem!? — disse pulando de seu colo. — Na-não chegue mais perto de mim! — e sai, eu corei, mas corei muito, que vergonha. " Eu sou um garoto, um garoto!
P.v kuro off
Ao passo que Kido corria o garoto Gray sorria como um bobo. " É menina " pensou ele.
Depois desse susto as aulas escorreram como água das mãos de Kih, ela não conseguia pensar em mais nada, pela 1ª vez dormiu na aula. E enquanto Dan dizia sem parar que ela estava apaixonada.
— Me diga quem é!
- Não estou apaixonado! — " que droga quase disse apaixonada. Sou um menino, sou um menino!" Pensou com ela mesma.- Se eu estivesse apaixonado eu diria!!
— Hmf..- o garoto de cabelos escuros, Dan, fez cara feia e depois seus olhos brilharam como olhos de gato no escuro. — ESTÁ APAIXONADO POR UM MENINO E NÃO QUER ME DIZER!?
A sala toda virou de costas ao mesmo tempo em que a voz de Dan ecoou pela sala
- ... — foi a reação dos dois .. — Ha-han... Professor eu posso explicar...
- Sim eu sei que você pode Sr.Kuro, mas não para mim, para a direção. Para fora os dois.
- ei... Cara foi mal, eu estou curioso!-disse Dan enquanto caminhavam no corredor em direção à diretoria- Você não fala mais nada para mim... Desde que... AQUE- rapidamente ela tampou a boca dele com a mão para que ele não causasse mais problemas — Aquele novato... Você tem algo com ele? — disse ele em uma voz normal depois de prometer ao amigo que não gritaria.
— Qual seu problema?
- hm..
Dan se calou de repente, até chegarem à diretoria.
- Então... — a diretora começou a falar. — Poderiam explicar agora o motivo pelo qual causaram algazarra na aula do Sr. Bruno?
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