Verdadeiramente, Deus não está morto!
2 Entendi o chamado
Ayisha narra:
Era uma manhã qualquer de novembro, acordei cedo para ir pra Faculdade, estava frio, infelizmente tinha que acordar bem cedo, senão podia perder o ônibus, coloquei minha jaqueta, a mochila e fui para o ponto onde ele passava, ainda lembrando do sonho, (aquela lembrança) que tive na noite anterior, sobre a nossa última viagem missionária para o Paquistão, todas as vezes que fui sempre voltei cheia de Deus, dessa vez me questionava porque nós fugimos, claro que poderia acontecer um ataque a qualquer momento, mas nunca imaginava que seria naquela hora, aquilo me angustiava muito e me deixava ansiosa, eu realmente achava que não deveria ter fugido, que deveria ter ficado e enfrentado, mesmo que acabasse morrendo, pelo menos não teria sido covarde.
Estava no Brasil a cinco anos e mesmo assim ainda me enrolava ao falar português, depois que fui expulsa da minha casa, não tive escolha, meus irmãos não queriam aceitar que eu tinha me convertido ao cristianismo, (apanhei muito deles) mas também não me entregaram, pois sabiam que poderiam me tirar a vida. Então eu consegui vim para o Brasil junto com os missionários que me discipulavam naquele tempo.
Com muito esforço, dedicação, e ajuda de meus líderes espirituais, eu consegui uma bolsa em uma faculdade de Belo Horizonte, cidade em que resido atualmente.
Na faculdade sempre fui a estranha, por meus traços serem meio indianos, acabava chamando a atenção, pelo menos eu não precisava usar nenhum véu (risos).
Uma das únicas amigas que tinha lá era a Kara, loira, olhos castanhos, uma moça muito bonita, mas as vezes pisava na bola, e pior não era comigo, e sim com Deus, ela não se posicionava, uma hora tava em festas, depois na igreja, mas nunca desisti que uma dia ela ia "conhecer o mesmo amor que me envolveu, um encontro verdadeiro, onde nada mais importava, quando se encontra o verdadeiro sentido da vida, quando se percebe o porque vivemos, por quem fomos criados, criatura e criador, onde percebemos que é impossível viver longe dos átrios daquele que nos criou e nos ama."
Ela veio falar comigo.
–Iai miga, como você está?-perguntou
–Olha, Eu to "indo".. kkk Tô levando. Sempre com humor os desafios da vida.
Ela ficou um tempo parada olhando para um cara que estava a alguns metros de nós, a aparência dele não era das melhores, parecia que tava acordado a dias.
–Aluno novo?- perguntei pra ela,-conhece ele?
–Que novo nada.. você vive viajando nas ideias, nunca repara em ninguém!-respondeu de uma forma um tanto grosseira.
–Nunca vi por aqui..-ela tinha razão eu nao reparava muito nas pessoas, por um lado era bom. Por outro não.
–É o cara que quero pegar, o Josh, acho ele gato.
–Vigia mana.. bora logo pra aula que é. Kkkk
Estávamos cursando o quinto semestre de enfermagem. Escolhi esse curso, porque queria ser útil de alguma forma, partia meu coração ver pessoas feridas em campo missionário e não poder fazer nada, eu queria dedicar a minha vida à Missões, pois fui alcançada através disso, e queria que outras pessoas também fossem, não aceitava ver as pessoas se perdendo no mundo, jovens morrendo cedo, em acidentes de carro, por dirigir alcoolizados, almas ceifadas, ver os jovens me doía mais.. Tive a oportunidade de conhecer a palavra e sou muito grata, saber que tenho um chamado me fez achar alguma utilidade na minha vida, algo pelo que pudesse lutar, mesmo com todo o sofrimento no meu passado.
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Kara narra:
Eu era a melhor amiga de Ayisha, nós faziamos o mesmo curso na faculdade, e congregávamos na mesma igreja, meus pais eram líderes de outra igreja e sempre pegavam no meu pé, eu tive uma infância difícil, pois sempre fui cobrada a ser a menina perfeita, mas chegou um momento em minha vida que cansei de ser a filha do pastor, então eu ia para a igreja mas não entendia nada, na verdade não queria saber desse negócio de igreja, eu tinha uma juventude toda pela frente, e era bem difícil largar certas coisas.
Até que eu nunca fui uma menina de beber, porém sempre foi muito difícil lutar contra a carne, eu sempre gostei de balada e ficar com garotos bonitos, mas muitas vezes eu juro que tentei lutar contra a carne, mas o mundo sempre me chamava de volta, eu não conseguia parar.
Ayisha me levou para congregar na mesma igreja que ela, quando conheci ela na faculdade, as vezes ela era tão insuportável falando de Jesus, cara se Ele tivesse de voltar já tinha voltado, eu só queria poder viver a minha vida em paz sem ninguém me julgando ou falando que Jesus está voltando. Comecei a servir nesse novo ministério, a participar da mesma célula que a Ayisha e também no ministério de dança. Algumas coisas eu continuo achando um saco, como falar do céu ou de Deus toda hora, sempre acreditei em Deus, mas também acredito no que quero pra minha vida.
Eu gostava de dançar.. as vezes confesso que me sentia mal por estar em pecado e no altar, mas não importava, porque pouco depois descia do altar e vivia normalmente minha vida.
Ayisha ia morrer solteira se ficasse nessa de escolhi esperar, sempre achei isso um saco, pois ela é até bonita, e de vez em quando via alguém olhando pra ela.. Eu já fiquei com caras dentro da igreja que se diziam cristãos.. todas essas coisas me pareciam tão normais, eu não era a única que pensava assim.
Tinha um menino na igreja que diziam que gostava de mim, mas achava ele um chato, todo nerd, chato, a vida dele era ir pra igreja todo dia, até pra limpar e fazer comida, eu hein, nunca ia ficar com esse menino, parecia um alienado Rs..
Ultimamente conheci um cara da faculdade e acho ele lindo, não acho que só porque não é crente não posso ficar com ele, pois ele é uma pessoa de bem, inteligente, obediente aos pais, pelo menos era o que me diziam rs. Conheci ele em uma festa da faculdade, nesse dia tive que ir sozinha e escondida porque a Ayisha iria falar muito no meu ouvido, e sou muito velha pra ficar ouvindo sermão, ainda mais de amiga.. affs. Ele via que eu olhava muito pra ele e então tomou a atitude (pelo menos isso).
"Nesse dia da festa"
–Oi, já te vi aqui no camps, como você se chama?-disse ele.
–Sou a Katarina, mas pode me chamar de Kara, e você é?
–Meu nome Josh.
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