Verdadeiramente, Deus não está morto!
7 Aprendendo a ceder
Josh narra:
Aquele dia que fiquei só com aquela garota foi perturbador pra mim, fazia tempo que não era confrotado pelos outros e durante toda minha vida nunca fui afrontado daquela forma, pelo menos não que eu lembrasse. Quando já estava bem irritado, e ela me entregou aquele livro, eu fiquei sem reação, não consegui rebater o que ela disse e nem mesmo jogar aquilo no chão, estava tão nervoso, por que de certa forma aquilo me lembrou muitas coisas ruins que vivi, "porque eu odiava Deus?!" Depois de toda a tristeza e traumas que vivi, se eu não o odiasse.. bem aquilo era quase impossível.. não odiar alguém que te abandonou, te deixou sofrer sendo só uma criança e levando culpa pelo erro dos outros. O que mais me deixava com raiva era a resposta que dei a ela e ela ter rebatido de volta. Só lembro que aquele momento saí muito nervoso da lanchonete, estava choviscando ainda, desisti de ver a Kara, a única coisa que queria naquele momento era bater em alguém e ir pra casa. Fui pro ponto de ônibus mais próximo dalí, esperei alguns minutos, dessa vez ele nao demorou a passar, enfim fui pra casa refletindo no ônibus muito angustiado e olhando pra bíblia que ela havia me dado, porquê eu não joguei fora, até me perguntei por um instante e, guardei ela no bolso de dentro da minha jaqueta.
Quando cheguei, larguei o livro em cima da minha mesa de estudos, onde ficava alguns livros e meu notebook, tomei um banho e adormeci.
No dia seguinte fiz de tudo pra não cruzar com aquela garota na faculdade, eu não queria vê-la tão cedo, eu mal lembrava o nome dela, era um nome esquisito. Decidi não sair momento algum da sala, nem no intervalo pra lanchar ou conversar com meus amigos. Fiquei lá dentro do início ao fim. Quando acabou saí de pressa, eu realmente não queria ve-la, mesmo sabendo que algum momento iríamos nos esbarrar na faculdade, só não queria que fosse aquele momento.
Passaram-se dois dias depois daquela conversa, minha mãe disse pra eu tomar conta da fedelha da minha irmãzinha, e levar ela no parque de diversões novo da cidade, já que era o aniversário de casamento da minha mãe e ela e Antônio seu novo marido queriam sair, lá vai eu ser babá. Rebeca e eu nos arrumamos e Antônio nos deixou lá.
Até que tava sendo um fim de tarde bem divertido e de lá iríamos pro cinema, provavelmente assistir algum filme de animação, os únicos que Rebeca gostava. Ela quis ir na roda gigante mas sempre achei sem graça, e decidir ir jogar tiro ao alvo até a hora que acabasse o passeio dela, mas eu acabei me distraindo e continuei jogando, alguns eu acertei e ganhei um urso rosa de pelúcia. Quando voltei pra roda gigante procurei por ela e não a encontrei, nesse momento fiquei muito nervoso mas continuei procurando já que havia várias pessoa no local, porém nada da Rebeca, fiquei desesperado e saí perguntando se alguém tinha visto uma garotinha loirinha de vestido rosa, porém nada. Ela só tinha 7 anos, uma criança inocente, a Rebeca era muito inocente, imaginei logo sequestro, ou coisa pior, eu já era uma pessoa nervosa, e nesse tipo de situação perdia o controle, imaginei se tinham roubado ela, se iriam matar ela, coisas horríveis, pensei que minha mãe e Antônio iriam me matar pela irresponsabilidade, não queria ser o causador de mais desgraça na minha família, então naquele momento lembrei da garota com cara de árabe, nem sei porque lembrei dela, eu tava nervoso andando no meio daquelas pessoas no parque, como era fim de semana, havia bastante gente, mas lembrei dela.. de Deus. Eu disse para Deus me ajudar a encontrar minha irmãzinha, que por mais que eu alguns momentos fosse impaciente e até tratasse ela mal, mas eu a amava muito.
Fui surpreendido com alguém puxando a minha blusa por tras e me virei depressa, era a Rebeca, nessa hora suspirei de alívio, me abaixei e abracei ela forte como nunca havia abraçado.
–Está me machucando!-gritou ela.-onde estava, eu tava te procurando!-disse chorando.
–Me desculpe, está tudo bem.-disse ainda abraçando ela, tentando acalma-la, entregando o ursinho pra ela.-Não vamos mais pro cinema.. Vamos pra casa.
–Não! Eu quero ir pro cinema!
Ela disse fazendo birra, por um momento até pensei que era melhor ficar perdida mesmo, mas depois pensei no meu desespero, como gostaria de ser uma pessoa paciente.
–Vamos outro dia pro cinema! Vamos tomar sorvete agora, e compro algo gostoso pra você comer, um algodão doce o que acha? Aí em casa deixo você jogar no meu computador.-tentei negorciar com ela, e ela topou, sorvete nunca falha. (eu ri)
Depois daquele longo passeio, pegamos um táxi e fomos pra Savassi lugar onde morávamos, pelo menos era o Antônio que estava bancando tudo, inclusive o táxi, pois sou um simples estudante de Psicologia sem emprego no momento, pelo menos faltavam poucos semestre pra eu formar.
Rebeca pegou meu notebook e foi pra sala, coloquei em um site de jogos de colorir pra ela. Deitei na cama de peito pra cima pensando nos últimos acontecimentos e respirando aliviado, mamãe não pode saber jamais que perdi a Rebeca de vista, tirei os sapatos, estava vestindo uma camisa branca e calça jeans, me sentei na cama por um instante e olhei pra mesinha do meu quarto, onde avistei a biblia que a menina indiana me deu, quer dizer eu acho que ela era indiana, ou descendente. Encarei um pouco o livro, até que me levantei e peguei. Estava tentando lembrar o que ela me disse sobre ler, não lembro, alguma coisa com nome estranho. Enfim eu abri o livro dela, e haviam fotos dela em um lugar que parecia bem carente, pareciam ribeirinhos, tinha uma canoa nessa foto e uma casa bem simples de madeira atrás deles, fora outras pessoas que pareciam ser da cidade, com ela nessa foto também. Eu fui folheando, até que li uma coisa que me chamou muito a atenção.
"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz, no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo".Jo 16:33
Fui foliando aquele livro até abrir em outro texto que dizia:
"Os justos clamam, e o Senhor os ouve e os livra de todas as suas angústias." Salmos 34:17
Nesse momento lembrei que pedi para Deus me ajudar a encontrar minha irmãzinha no parque, porém analisando o contexto daquilo, sobre Justo, justiça não fazia muito sentido pra mim, até que li o verso seguinte:
"Perto está o Senhor, dos que tem coração quebrantado e salva os contritos de espírito." Salmos 34:18
Então será que Deus livrou minha irmãzinha porque naquele momento eu estava sentimental?! Me perguntei...
Mas que diabos que eu já estava até me perguntando um absurdo desses, nesse momento não me reconheci.
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