Caminhei cada vez mais adentro do quarto. Era impressionante. Eu esperava ver uma coisa macabra, mas na verdade era lindo. Um estúdio! Sim, um quarto grande e branco, com varias marcas de tinta no carpete creme, com uma grande tela branca pendurada em um suporte, e varias pinturas nas paredes. Não conseguia contar quantas eram. Mas saí examinado cada uma. As pinturas variavam de paisagens, para animais e até crianças em um parque. E o que me chamou mais a atenção era um quadro emoldurado em madeira dourada, no quadro estava pintado um homem sozinho em uma colina, ele parecia perdido, mas sua postura era confiante. Ele me lembrava alguém. Eric! Pensar em seu nome me fez virar rapidamente para ele. Ele me observava com certa concentração. Aparentemente com um sorriso torto. Mas seu olhar estava sério.

– Não sabia que você tinha talento para arte. — sussurrei.

– Quando se tem vários séculos de vida, você precisa de alguma coisa para preencher o tempo. — ele rebateu.

– Pensei que o que preenchia seu tempo fosse o sexo. — sorri. Eric olhou pra mim, com aquele olhar de vou te pegar. Aproximou-se um pouco mais.

– Faz muito tempo que não venho aqui. Acho que me esqueci da arte. — falou, passando a mão nos quadros. – acho que o que falta é inspiração. – e a cada palavra Eric se aproximava cada vez mais. A cada passo que ele dava para frente e dava um para traz. – Você pode me dar inspiração hoje.

– Acho que não – sorri e tropecei na cortina que havia atrás de mim, e outra parte do quarto se revelou.

Olhei para trás e vi. Oh meu Deus! Varias pinturas de uma mulher, estavam postas na parede. Uma única mulher. Meu coração doeu quando percebi que não era eu. Era uma mulher de cabelos loiros, os meus eram morenos. Tinha os olhos escuros, os meus eram azuis. Tinha a boca carnuda, os meus lábios eram finos. Não sou eu! Mas ela é bonita, pode não haver nada de mais. Eric pode estar apenas encantado com sua beleza. Mas esses pensamentos foram destruídos quando olhei o resto. Um frio tomou meu corpo. O resto das pinturas era ela com Eric. Eles deitados, eles em pé, ele nus, eles tomando café, eles brincando, eles dói perfeitamente apaixonados.

Lagrimas escorreram pelo meu rosto, eu queria sair dali, eu apenas queria sair dali. Passei por Eric sem nem falar com ele. Era ela que ele amava. Não eu! Estava na cara que ele tinha uma obsessão por ela. Eu não passava de nada alem de uma boa transa. Eu era seu passatempo, assim como outras foram, e quando ela vier de encontro a ele, ele vai me dar um pé na bunda bem seguro. Tudo o que ele falou era mentira, toda a historia de ligação, ciúmes, e até a porra do casamento viking. Caminhei pelo corredor e fui de encontro ao banheiro, eu precisava esfriar a cabeça, tirei as roupas e entrei no Box ficando em baixo do chuveiro, deixei que a água fluísse por meu corpo, para que levasse toda essa angustia fora. Sentei-me e abracei meus joelhos. As lagrimas vinham freneticamente, não havia como evitar. Ele não é meu. Ele é dela.

ANA! – seu grito me deu um susto tremendo. – o que ouve com você?

Não consegui falar, apenas olhei pra ele entre os cabelos, que ficavam a frente de minha cara. Ele estava me olhando sem piscar. Olhá-lo assim tão glorioso, me deixou com tesão, o que fez eu me sentir pior ainda. Ele não é meu! Eu me lembrava a cada instante. E os soluços do choro ficavam cada vez mais fortes. A expressão de Eric mudou agora ele parecia preocupado.

– Ana, por favor! – seu olhar agora era de sofrimento.

– Vá... Embora! – gritei em meio aos soluços.

E voltei a chorar novamente. Ouvi a porta do banheiro bater e quando olhei Eric não estava mais lá. Nem o trabalho de questionar ele teve. Ele não se importa com você sua idiota! Recomecei chorar novamente. As lágrimas nunca acabam? Levantei a cabeça para sentir a água diretamente em meu rosto, e quando abri os olhos vi Eric de roupa e tudo na minha frente. Seus olhos expressavam uma fúria imensa. Vê-lo assim fez meus olhos encherem d’água novamente. Ele desligou o chuveiro, me levantou. Eu não fiz nenhum esforço para recusar sua ajuda. Eu não tinha mais força, nem ligava pro que ia acontecer. Eu estava magoada, e ele estava bravo comigo o que me deixava ainda mais chateada. Eric pegou uma toalha me enxugou, me enrolando em seus braços ele me levou para seu quarto. Ele me aninhou em seu colo deitado na cama.

– Agora me conte o que aconteceu?- ele ordenou. Eric me abraçava cada vez mais forte, como se eu tivesse força para fugir.

Deitada em seu peito, eu não conseguia falar nenhuma palavra.

– Ana, por favor! Não me deixe no escuro- seu tom parecia preocupado. Nossa como ele é bom ator, talvez tenha ficado com pena de mim e agora esta fingindo se importar. Não confie em vampiros.

– tenho que ir embora. – enxuguei as lagrimas com a palma da minha mão e me levantei sentando-me na cama. Eric me puxou de volta para o seu peito.

– não você não vai. – seu aperto estava me sufocando.

– acho melhor eu ir embora e talvez agente se fale amanhã... Eu te ligo ta? – falei tentando me levantar de novo, mas ele me apertou mais ainda.

– não! Você não vai fugir de novo, você é minha. — falou acariciando minha barriga.

– não, Eric. Eu não sou sua. – suas mãos ficaram imóveis.

– como não?- sua voz parecia rouca. Teria Eric ficado contrariado?

– como posso ser sua se você não é meu?- perguntei

– Mas é claro que sou. Quem lhe disse isso?

– você não me pertence. Pertence a ela! – apontei para a direção do quarto das pinturas.

Eric parou de falar. Tentei me sentar novamente e Eric não se impôs, olhei para ele e parecia que ele estava distante. Ele está pensando nela. Uma pontada forte acertou meu coração. Eu não ia ficar ali. Levantei-me, peguei minhas coisas no banheiro, me vesti e sai da casa. Eric morava em um bairro nobre da cidade, as casas e prédios eram luxuosos. Caminhei ate a avenida e lá peguei um taxi. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Eliot: preciso ver você, agora. Indiquei a direção para o motorista e segui em direção a casa da Kate.