Verdade Nua e Crua
8 Vibrações
Notas iniciais
DUAS SEMANAS DEPOIS
POV TOBIAS
Já fazia duas semanas que aquele babaca estava mandando flores. E Tris, aparentemente, não cansava de ter ataques histéricos cada vez que o pobre carregador vinha trazê-las. Era ridículo. Não entendo como ela pode achar que as verdades que eu falo em meu programa podem ser mais idiotas do que ela ser possuída toda vez que o médico perfeitinho fazia um agrado.
Ela não passa dessas mulherzinhas que vivem submersas num estereótipo de que homens perfeitos são médicos que salvam vidas ou um príncipe do cavalo-branco. Ridículo. Como todas, ela caiu em uma crise comum.
Não se pode deixar de lado que eu também sou um ridículo. Ridículo por pensar que ela poderia deixar de seguir esse pensamento utópico. Ridículo por sentir falta dela. Ridículo por não desejar a felicidade dela com o babacão. Mais ridículo ainda por fazer ela se aproximar dele.
Mas que bosta. Eu pareço uma bixona. Já passei por isso quatro vezes e, realmente, eu me dei mal nas quatro.
Faz uma hora que estou sentado no escritório dela, esperando ela voltar do seu intervalo para discutirmos sobre o programa. É de se perceber que ela teve alguma coisa mais importante a fazer.
Tris adentra seu escritório e se assusta com minha presença. Ela está toda descabelada e atrapalhada. Bufo.
– Uma rapidinha no intervalo é, senhorita Prior? — Falo com notável irritação.
– Não seja tão rude, Tobias. Como você não tivesse comido as gêmeas oxigenadas. — Ela lembra das loiras do quadro passado, igualmente irritada.
– Apenas a que sabia ler. — Respondo sorrindo de lado.
Ela coloca o dedo na boca como se fosse vomitar. — O que você quer aqui, Tobias?
– Estou ofendido. Você se esqueceu que iriamos falar sobre o programa? Esse médico anda te tirando dos eixos, hein.
Tris se recosta na cadeira com cansaço. Solta um longo suspiro e fecha seus olhos por um momento. Quando torna a abri-los eles parecem suplicar por ajuda.
– É muita pressão, Tobias. Peter parece que está sempre tentando me levar para a cama.
– Uou. Espera aí. Vocês ainda não transaram?
– Não. Ele está toda hora insinuando mas eu mudo de assunto. — Ela fala olhando para o nada.
– Está insegura que o bofetão só queira sexo, hein dona Tris?
– Cala a boca, Tobias. Você deveria estar me ajudando.
– Tris, ele está afim de você. Nunca vi um cara mandar quilhões de flores todos os dias só por sexo. Sexo ele consegue na esquina. Ele quer você. — Falo, me agredindo pois é a verdade. E a verdade às vezes dói. Não que seja o caso, mas tudo bem.
– Então você está dizendo que ele está apaixonado por mim? Tobias! Esse não é o sentimento proibido? — Ela indaga com uma sobrancelha levantada.
– Ah, Beatrice. Tão nova, tão inocente.
– A diferença catastrófica de dois anos. — Ficamos nos encarando quando ela desvia o olhar e suspira. — Ele me convidou para jantar hoje a noite.
Assinto com a cabeça para que ela prossiga. Ela parece refletir sobre algo e se perder nele.
– E seu eu fizer alguma coisa de errado, Tobias? E se eu pisar na bola? E se eu me deixar por um segundo sequer que ele gosta de mim pelo que eu sou e desfazer a pose? — Ela fala insegura.
Inclino-me para a frente e faço ela olhar diretamente em meus olhos.
– Você não vai fazer nada de errado. Confie. — Falo a dando confiança. Ela sorri agradecida.
– Obrigada. Você é bem útil quando Caleb não está por perto.
– Como ele está?
– Curtindo, como sempre. Caleb mudou. Parece mais maduro. Mais leve. Ele parece estar feliz. — Ela fala sorrindo.
– Seu irmão é bem o oposto de você, Careta.
– Ei! — Ela retruca rindo. — Mas sim, é verdade. Caleb sempre foi mais brincalhão, mais festeiro. Não é atoa que quando saio com ele na rua eu tenho que andar abraçada nele para que nenhuma garota se atraque nele. Mas também, Caleb não é de se jogar fora. — Ela fala rindo.
– Não irei concordar por motivos de que eu não sou gay. — Ela solta uma gargalhada e olha o relógio.
– Vou indo, Eaton. Tenho que me arrumar. — Ela fala pegando sua bolsa.
– Uau. Nem pediu por minha ajuda. Isso é gratificante, Prior. Parabéns! — Falo irônico e ela revira os olhos teatralmente.
– Até, então, Eaton.
– Até, então, Prior.
Ela sai da sala e da uma olhada de soslaio para mim e sorri. Sorrio de volta como um bobo. MAS QUE MERDA É ESSA TOBIAS?
Sou tirado dos meus devaneios quando Max entra correndo na sala.
– Beatrice já foi? — Ele pergunta ofegante.
– Já, agora pouco. — Respondo.
– Droga. Você pode ir até a casa dela e avisá-la que iremos sair com a empresa para comemorar com alguns representantes? É importante a presença dela.
– Eu acho que ela já está ocupada para esta noite...
– Tobias. É crucial. — Ele fala sério.
– Tudo bem. — Me dou por vencido e pego minhas coisas para ir até a casa de Tris.
Durante o caminho vou batucando no volante ao som de Snap Out Of It. Não contenho o sorriso ao lembrar que a música é da banda favorita de Tris, Arctic Monkeys. Chegando a sua casa, bato três vezes em sua porta. Ela grita um “já vai” e ouço o barulho de saltos.
– Adiantado, você, hein! — Ela fala abrindo a porta com um sorriso que some ao me ver. Consequentemente, um acaba de surgir em meus lábios. A examino. Ela está com um vestido preto curto, bem colado e uma jaqueta de couro, preta também. Ela está incrível.
– Tobias! — Ela fala estalando os dedos na minha frente. — O que você está fazendo aqui?
– Max mandou avisar que terá um jantar de comemoração com alguns representantes da empresa. E sua presença é crucial. Palavras dele.
– O que?! Por que hoje? Porque Deus, por quê?! — Ela fala exasperada.
– Vai me deixar aqui plantado na porta? — Indago com uma sobrancelha levantada.
– Bem que eu queria. — Ela fala deixando espaço para eu entrar.
Rolo meus olhos pela sala. Tudo muito organizado, e não esperava diferente com esse gênio de Tris. Noto uma sacolinha preta no sofá e encaro. Ela percebe meu olhar e tapa com uma almofada. Eu não acredito. Ela estava usando?!
– Eu não acredito, Beatrice Prior! Você estava usando o presentinho que eu lhe dei? — Falo me divertindo, ela fica vermelha na mesma hora.
Ela abre a boca para falar mas torna a fechá-la. Solto uma risada e a olho.
– Ei! Estou muito orgulhoso! Como foi sua primeira experiência com a melhor calcinha vibradora?
– Eu não sei. Essa coisa é confusa. Eu não entendo esse controle remoto! — Ela fala me mostrando. Vou até perto dela e o pego de sua mão. Dou mais um paço e ficamos perto o bastante para que possa sentir sua respiração em meu ombro. Olho para baixo, já que Tris é verticalmente prejudicada. Ela está me encarando com seus olhos de tempestade. A encaro de volta na mesma intensidade.
– Quando o seu namoradinho vai chegar? — Pergunto num sussurro rouco.
– Logo. Eu acho. — Ela responde com um sorriso cínico. Ela pousa sua mão sobre meu peitoral e começa a deslizar seus dedos sobre o mesmo. Ela continua com um sorriso sacana. Suas mãos continuam passeando por meu tronco até que ela se prende no meu abdômen.– Isso te excita, Tobias? — Ela fala meu nome devagar fazendo eu ficar duro.
– Talvez.– É tudo o que eu consigo dizer. Ela da um sorriso e chega mais perto de mim.
– Tolinho. — Ela fala e ri. Bufo e ela ri mais ainda da minha cara.
– Você está muito animadinha. Está usando o presentinho? — Falo rindo.
A companhia toca, Tris sorri se vira e vai andando até a porta. Antes de abrir ela me olha com um sorriso malicioso.
– Sim. Julgue-me. — Ela fala e abre a porta. Peter, ou mais conhecido como médico insuportável, está parado com uma cara de retardado na porta.
– Posso entrar? — Peter pergunta.
– Não. – Ela fala e ele arregala os olhos. Que hilário! — Quer dizer, ouve um imprevisto na empresa e terei que ir numa janta com alguns representantes da empresa. — Ela fala e percebo que algo murcha dentro de Peter.
– Ah... E ele vai? — Ele aponta para mim. No momento, estou bem largado no sofá de Tris. Ela me olha de cima a baixo e arqueia uma sobrancelha.
– Sim. Mas se você quiser, você pode me acompanhar. — Ela fala sorrindo.
– Eu adoraria, se não for incomodar. — Ele responde mostrando a porra de seus dentes brancos. Que nojo.
– Na verdade atrapalharia muito. — Eu digo. — Mas, sem problemas. Não sou eu que vou te aturar. — Me levanto e olho para o lado de soslaio. O controle remoto do vibrador está ali. Pego e o ponho dentro do meu casaco, sorrindo. — Espero vocês lá fora.
– Oi? — Tris questiona.
– Max mandou chegarmos todos juntos.
– Ah. — Ela suspira e olha para Peter que assente. – Estamos logo atrás de você.
Assinto e ela vai pegar sua bolsa enquanto vou andando até a frente do condomínio. Estamos os três lado a lado quando Peter para de supetão.
– Droga! Tris, esqueci minha jaqueta em casa. Eu já volto ok? — Ele avisa.
– Tudo bem. Esperaremos no carro. — Ela responde.
Abro a porta do carro para ela que agradece com um sorriso gentil. Dou a volta e me sento e ficamos em silêncio, esperando Peter. Pego o controle no bolso da jaqueta e entrego a ela.
– Toma. Acho que isso é seu. — Falo divertido.
– Tobias! Porque você trouxe isso? — Ela fala arregalando os olhos e guardando o controle em sua bolsa.
– Ué. Vai que queira usar durante o jantar. — Levanto uma sobrancelha e um sorriso malicioso surge em meus lábios.
– Babaca! — Ela fala e ri.
– Desculpe. Vamos? — Peter entra no carro e fala.
O caminho até o restaurante foi silencioso, apenas com a música do rádio. Começou a tocar You Only Live Once, dos The Strokes e eu e Tris começamos a batucar em sintonia com a música. Nós sorrimos um para o outro e começamos a cantar. Olho pelo espelho do carro que Peter está emburrado. Reúno todas as minhas forças para não rir da cara dele.
Chegamos ao restaurante e todos os representantes da empresa vieram me cumprimentar e me dar os parabéns pelo programa. Tris se senta ao meu lado e Peter ao lado de Tris. Começa uma conversa animada na mesa mas não dou muita atenção fico observando o local. Tris me chuta por debaixo da mesa e percebo que todos me olham.
– Ah... — Eu começo a falar mas Tris me interrompe.
– Tobias é ótimo. Ele não precisa de nenhum assistente ou coisa do tipo. Ele é competente e confio nele. — Ela diz com convicção e me surpreendo com suas palavras.
– Isso. Quer dizer, nada além de você, né Tris. Eu só preciso de você.
A conversa continua e a comida, finalmente, chega. De novo, não presto atenção na conversa e fico submerso em meus pensamentos. Olho para Tris e ela está incomodada com alguma coisa, ela olha para todos os lados e se abaixa para ficar embaixo da mesa. Abaixo-me também e ela leva um susto.
– Puta merda, Tobias. Que susto. — Ela fala com a mão no coração.
– O que você está fazendo aqui embaixo?
– Quando fui chutar você, minha bolça caiu. E agora eu estou juntando as coisas. O problema é. Cadê a porra do controle remoto? — Ela fala assustada e eu dobro por dentro para não rir. — Caralho, Tobias, me ajuda!
– A comida vai esfriar, Tris. — Eu falo calmamente, voltando para minha cadeira.
– Ahhh, cadê a Tris? — Peter pergunta, estranhando.
– Tris! — Chamo por ela e ela volta para a cadeira desajeitadamente.
– Eu. — Ela fala virada para Peter sorrindo, que sorri de volta, e vira para mim com os olhos arregalados. — EU NÃO ACHEI. — Sussurra sem emitir nenhum som. Engasgo-me com a comida.
Passo meus olhos por todo o restaurante e eles param em um menino, no máximo com 6 anos, com um controle na mão. Mas não qualquer controle, o controle de Tris. Dou um sorriso sacana ao ver que o menino está explorando o controle, prestes a clicar nos botões.
E assim o faz. E no exato momento que o garoto liga o vibrador, Tris da um pulo.
– Uou. — Ela fala.
– Está tudo bem , Beatrice? — Max pergunta fazendo todos se virarem para ela.
O menino continua mexendo no controle e dessa vez ele resolve arriscar. Clica no botão vermelho e Tris, imediatamente, arregala os olhos. Vejo que ela reprimiu um grito.
– TudO ÓTIMO. — Ela fala elevando a voz para conter-se. — MuiTO BOA esse resTAURANTE, vocÊS não aCHAM?
– Realmente, é muito bom mesmo, Senhorita Prior. — Um dos representantes fala e os outros se distraem, começando um novo burburinho.
Tris está de olhos fechados se agarrando a mesa, se contorcendo. Vejo que já a torturei demais e me levanto indo em direção ao garoto.
– Ei, campeão. Acho que você está com uma coisa que é minha. — Falo e o garoto me olha sorrindo.
– Oh, desculpe. Eu achei no chão! — Ele fala me entregando.
Olho para Tris e a chamo. Ela ergue uma sobrancelha mas se levanta. Ela vem caminhando desajeitadamente, como um pinguim para ser mais preciso, e me olha.
– O que? Eu fiz uma longa e dura jornada até aqui. Você não sabe o que estou passando. — Ela fala.
– Ah, eu sei. — Falo rindo e a entregando o controle. Ela abre a boca em um 'O' e começa a me estapear.
– Você não vale nada, Tobias! Você não viu que eu quase cai dura ali?! — Ela fala com indignação.
– Você tem que se acostumar, pequena Tris. Isso é só o começo. — Falo dando uma piscada.
E ainda nem sabe o que é o verdadeiro prazer. Santa inocência.
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