Verbena

3 2º Capitulo


Notas iniciais
Lembrando que essa é uma história totalmente original e já registrada na BN - coloquei aqui para ter uma resposta de público para poder arriscar publicar. A ajuda de vocês é bem vinda ♥

2º

Quando as coisas começaram a ser diferentes? Quando tudo começou a soar diferente?

Talvez tenha sido pela chuva torrencial daquele final de semana? Os avisos de furacões e mais tempestades? Ou pelo fato da pele de El começar a ficar amarelada bem no centro da barriga?

O restate da segunda correu sem algum problema sequer, exceto pelas piadas insistentes de Sue durante o dia, sobre sua parceria com Jane. El deveria assumir que estava ansiosa para a terça feira, como nunca ficou em qualquer outra noite de segunda-feira da sua vida.

O problema mesmo, seria a coragem. Quer dizer, até poderia se considerar uma pessoa corajosa, era educada, no máximo do possível, e nas vezes em que havia subtituido Janine, a atendente da loja de Ana e Marcos, todos consideraram seu trabalho excelente. Mas como conseguir falar com uma garota que, toda vez que chegava perto dela, suas mãos soavam, sua paranoia sobre ter mau hálito aumentava, e se sentia uma ridicula por apenas respirar.

Ah droga. O bip do microondas estava gritando quando saiu correndo do quarto até a cozinha. A lasanha estava destruida.

Jogou o embrulho preto no lixo e abriu o armário. Sabia exatamente onde Marcos guardava sua reserva, não tão secreta assim, de cookies recheados – o que seria bom para Ana, que estava lutando para fazer ele perder peso. Pegou um dos embrulhos e uma latinha de chá gelado e voltou para o quarto. Precisava pensar em alguma coisa para levar no dia seguinte, não poderia aparecer na hora do almoço de mãos vazias. Já seria vergonha o suficiente.

Ela havia chegado na casa dos Butlers faltando apenas algumas semanas para o Natal. Foi realmente uma novidade para El, já que ela nunca havia passado o feriado em nenhuma das casas da qual já morou, fora que o abrigo realmente era divertido naquela época do ano – Judith, a supervisora do andar fazia um excelente pudim de chocolate -.

A casa deles estava realmente enfeitada, e não eram apenas enfeites de Natal, mas ela conseguia ver pequenas caveirinhas em volta de aboboras, bandeirinhas com trevos de quatro folhas, confetes de todas as cores... Talvez fosse por conta dela, talvez eles quisessem surpreender, mas El realmente tinha gostado de todas aquelas cores todas na frente de uma única casa, a casa que ela chamaria de sua por algum tempo.

A recepção foi um pouco embaraçosa, claro que ela já estava acostumada com aquele tipo de coisa, mas para eles deveria ser a primeira vez adotando alguém, ainda mais com uma idade super avançada.

Esse tempo todo, nunca havia perguntado para eles o porquê de dar boas vindas para alguém já tão velho quanto El. No abrigo, ela era já estava considerada fora do sistema, pela sua idade. Seria até mais fácil eles adotarem um bebê, poderiam chamar de seu ou sua, escolher roupinhas, decorar o quarto e tudo o mais.

Olhou ao redor do próprio quarto enquanto lembrava de tudo isso. Tá certo, com certeza Ana teve alguma liberdade na decoração do quarto, ainda mais pelas paredes listradas em rosa claro e escuro – lembrar de pintar de azul em algum momento antes de sair dali -, mas ela ainda, realmente, não conseguia entender isso.

Aquele Natal realmente foi muito colorido. Eles haviam dado uma grande festa e El nunca conhecera tanta gente de uma vez só, parentes de todo o lugar do mundo vieram conhecê-la, Ana tem um pézinho na Espanha – ou México, não tinha muita certeza — então em qualquer momento da noite ela escuta “mi hija” saindo de sua boca, ela realmente parecia bastante orgulhosa.

Mesmo que El não se sentisse pertecence naquele lugar, por apenas uma noite ela conseguiu aproveitar a sensação de que seria possível construir algo, ter algo só seu, pertencer.

Mas a ideia passou rápido, assim que a realidade bateu de volta na porta, no começo da rotina da casa.

Largou o pacote de biscoitos vazio em cima do pequeno criado mudo e ligou o computador que estava em cima da cama, um dos muitos presentes que havia ganhado naquele Natal – junto com um par de meias irados, pretas com desenhos de pequenos doritos bordados pela frente do pé -.

— Ok, o que podemos escrever nesse site de pesquisa que não me faça passar vergonha na frente de Jane?

Não custava tentar certo?

Abrir o site de pesquisa e digitar “lendas”... Hum... Ok... Algumas baboseiras sobre algumas lendas urbanas, blogs sobre vampiros, algumas coisas sobre serra elétrica, ganchos e nada demais.

Não restava muita opção então, lá se vai: “lendas irlandesas”.

El se surprendeu pela quantidade de sites especializados, blogs, centros de pesquisa, tudo o que poderia encontrar e mais sobre lendas e mais lendas da terra de origem de seu nome.

Mas não queria falar sobre fadas, não era um assunto muito interessante e pelo o que conhecia da metade das garotas de sua turma, seriam sobre isso que iriam falar, não estava julgando nem nada, mas era a pesquisa mais fácil para fazer. Previsível.

Faas: Elementais dos quatro elementos, possuim diferentes funções dentro do reino mágico. Exemplos: Tinkerbell, Fada-dos-Dentes...

Ok, já era absurdo demais. Poderia tentar os vampiros, ao menos uma vez, ninguém saberia, apenas seu computador e ela... Não, melhor não.

Bateu o computador e arrastou para longe por cima da cama, a cabeça realmente não estava para aquele tipo de coisa. Nem para o trabalho, nem para Jane, nem para qualquer outra coisa que pudesse ajudar a disfarçar essa sensação de batalha entre si. Era como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro de si mesma e não sabia encontrar as respostas para descobrir o que realmente estava acontecendo.

O celular estava vibrando sem parar em cima do criado mudo e ela sabia que seria Sue, querendo todos os detalhes do que seria, para ela, o encontro perfeito entre Eileen e Jane – não que fosse um encontro de verdade, não que não quisesse um encontro de verdade. Ela até queria, mas não pensava em Jane realmente dessa forma tão direta. Ao menos, nunca parou para pensar se realmente pensava nela nessa forma. Ela nunca havia trocado mais de meia duzias de palavras desde aquela manhã e não poderia julgar o caratér o que quer que seja sobre uma pessoa em apenas algumas horas. Ela só queria ter oportunidade de tocar nos cabelos dela, poderia ser estranho, mas é a verdade.

Tocar nos cabelos dela, olhar naqueles olhos, tão castanhos que pdoeriam ser quase vermelhos de tão brilhantes, perguntar em que loja ela comprava aquelas camisas incrivéis, sentar, trocar uma ideia... Não seria nada demais se isso acontecesse, certo?

O telefone continuou a vibrar.

— Ah droga Sue, o que é?

Atendeu, sem nem ao menos ver quem era.

— Oh, boa noite, pensei que seria uma boa hora para ligar.

Jane.

Ela se levantou rápido da cama.

— Oh não, não tem problema, eu pensei que fosse Sue me enchendo por conta de alguns exércicios – Sério?

— Tudo bem – Jane respondeu com uma risada suave – na verdade, eu descobri seu número por conta dela mesmo, espero que não tenha problema.

Sim e não né? O que dizer?

— Ah, não. Não tem problema não. Mas... Está tudo bem?

— Sim, sim. É que eu não poderei ir a escola amanhã, eu vou precisar resolver algumas coisas com a minha família, então estou ligando por conta do nosso almoço.

Viu? Melhor saída.

— Ah cara, relaxa, é só um trabalho, não precisa ficar tão preocupada com isso.

— Não, eu quero fazer, mas minha mãe atrapalhou um pouco minha agenda – ouviu um certo pigarrear – É... teria problema se nos encontramos na livraria que fica bem na entrada da Ocean’s? Não sei, as 16hrs?

— Ah, não. Eu acho que não, posso sair mais cedo do clube de natação, não tem problema algum, posso sim, pode ser.

Ela deu uma risada e El bateu em sua própria testa. Idiota.

— Perfeito, te encontro lá.

— Até...

Ótimo. Agora ela poderia soar que nem uma porca, em público.